Públio Petrônio

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Públio Petrônio (Latim: Publius Petronius) (c.24 a.C. - 46), foi um político e militar romano, pertencente à aristocracia senatorial.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Uma inscrição encontrada em Roma mostra que, em 7 d.C., Petrônio - com cerca de 31 anos - foi admitido no Colégio dos Áugures (cujos sacerdotes tinham a missão de interpretar presságios), como sucessor do falecido (por suicídio), Lúcio Semprônio Atratino.

Em 19, ele foi nomeado cônsul sufecto,[1] ao lado de Marco Silano Torquato. No exercício dessa função, emitiu uma lei (Lex Petronia Iunia), que ampliava os direitos dos libertos e estabelecia que, em caso de dúvida sobre se alguém era ou não escravo, a pessoa deveria ser considerada um cidadão livre.

Acontecimentos importantes de seu mandato de cônsul, foram também a morte de Germânico, e a expulsão dos judeus e dos seguidores de Isis, de Roma, por Tibério.[2]

Em 29, Petrônio foi nomeado procônsul da Ásia, cargo no qual se manteve até 35, como mostram várias inscrições e moedas encontradas naquela região.[3]

Então, em 39, Calígula (que sucedera Tibério, em 37) designou-o para o governo da Siria, como sucessor de Lúcio Vitélio, onde ele viria a vivenciar uma situação muito dificil, que quase lhe custa a vida.

Aconteceu que, tendo Calígula proclamado sua própria divindade, gregos residentes na Judeia ergueram um altar imperial em Jabneh, que veio a ser destruído por judeus, por ser considerado uma blasfêmica à sua religião. Irritado, Calígula ordenou que uma estátua de Júpiter, esculpida com seus traços fisionômicos, fosse colocada em Jerusalém, no próprio templo consagrado a YHVH.

Na certeza de que os judeus haveriam de reagir, o imperador encarregou Petrônio da operação, autorizando, inclusive, o deslocamento de duas legiões (a metade das forças disponíveis pelo governador) para a Judeia, à epoca governada pelo prefeito Marulo.

Temendo uma rebelião geral dos judeus, Petrônio praticou uma política de atraso. Embora tivesse a estátua feita em Sídon, ele não avançou em direção a Jerusalém, mas ficou em Ptolemaida, durante o inverno de 39, negociando com os líderes dos judeus, que não estavam dispostos a ceder.

No outono de 40, chegou a Tiberíades, onde teria encontrado centenas de judeus declarando que preferiam morrer em vez de submeter-se à profanação do seu santuário. Os rogos do povo foram apoiados por Aristóbulo, irmão do rei Herodes Agripa I, e Helkias, seu parente. Diante disso, o governador levou suas tropas de volta a Antioquia, e escreveu ao imperador, alegando que a estátua ainda não estava pronta e sugerindo que desistisse de seu intento, haja vista o risco de uma revolta generalizada dos judeus, na região.

Quando a carta de Petrônio chegou a Roma, Calígula ficou tão enfurecido que exigiu que o governador tirasse sua própria vida. Mas o imperador foi assassinado (pela Guarda Pretoriana), pouco tempo depois, e a notícia de sua morte foi divulgada na Síria 27 dias antes da carta imperial ordenando o suicídio do governador.[4]

Petrônio foi chamado de volta a Roma, entregando seu comando na Síria para Caio Vibio Marso. Presumivelmente, ele morreu por volta de 46 d.C., com cerca de 70 anos de idade.

Notas

  1. Em substituição a L. Norbano Balbusao.
  2. Flavius Josephus, Jüdische Altertümer 18,3,4; Tacitus, Annalen 2,85; Sueton, Tiberius 36; Cassius Dio 57.
  3. Helmut Engelmann. Die Inschriften von Ephesos.
  4. Philo, "ad Legatio Caium", § § 30-34; Josephus, ". Ant" xviii;. 8 º, § § 2-9 idem, "BJ" ii). 10, § § 1-5.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Prosopographia Imperii Romani, iii.26, No. 198. G. S. Kr.
  • Gottheil, Richard e Krauss, Samuel. Publius Petrônio in Jewish Encyclopedia.
  • Engelmann, Helmut. Die Inschriften von Ephesos. Teil 3, Habelt, Bonn 1980
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