Públio Rutílio Rufo

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Públio Rutílio Rufo (em latim, Publius Rutilius Rufus; n. 159 a.C. - m. após 78 a.C.) era um político romano, orador e historiador da gens Rutília, assim como tio avô de Júlio César.

Carreira militar[editar | editar código-fonte]

Começou a sua carreira militar em 134 a.C., como membro do estado maior de Públio Cornélio Cipião Emiliano no assédio à rebelde cidade hispânica de Numância. Rufo participou também na campanha contra Jugurta da Numídia em 109 a.C., com Caio Mário. Distinguiu-se na batalha de Muthul, em onde fez face à carga de Bomílcar e conseguiu capturar a maioria dos elefantes de guerra da Numídia. Foi pretor em 111 a.C..

Consulado[editar | editar código-fonte]

Em 105 a.C., após uma candidatura fracassada apresentada em 107 a.C., foi eleito cônsul como cônsul senior, sendo o companheiro de Cneu Málio Máximo. Os seus maiores sucessos foram melhoras na disciplina do exército e melhoras na formação.

Legado na Ásia e o seu juízo[editar | editar código-fonte]

Posteriormente em 95 a.C. serviu como legado com Quinto Múcio Cévola, governador da Província da Ásia.

Por ajudar o seu superior a tentar proteger os cidadãos da província da extorsão dos publicani, os arrecadadores de impostos, Rufo foi granjeada a animadversão da ordem equestre, aos que pertenciam os publicani. Em 92 a.C. foi acusado de extorsão, quando tinha feito todo o possível por a evitar. A acusação era claramente falsa, mas nesses tempos os jurados estavam compostos por cidadãos da ordem equestre e, dado o seu confronto condenaram-no. Rufo foi defendido pelo seu sobrinho Caio Aurélio Cota e aceitou o veredito com resignação, talvez pela sua educação estoica, como aluno de Panécio de Rodas.

Cícero,[1] Tito Lívio,[2] Veleio Patérculo[3] e Valério Máximo,[4] concordam em que era um homem honrado e íntegro e a sua condenação foi resultado de uma conspiração de alguns cavaleiros que tinham o privilégio neste tempo de julgar os casos criminais.

Retiro e obras[editar | editar código-fonte]

Retirou-se a Mitilene, e tarde a Esmirna, onde passou o resto da sua vida. Possivelmente como forma de desafiar os perseguidores, foi recebido com honras na mesma cidade na que fora acusado de extorquir, e onde Cícero o visitou ao redor de 78 a.C. Apesar de ter sido convidado por Lúcio Cornélio Sula a voltar a Roma, Rufo recusou-o. Na sua estadia em Esmirna redigiu a sua autobiografia e uma história de Roma em grego, parte da qual se sabe que tratava da Guerra de Numância. Possuía amplos conhecimentos sobre a guerra, e escreveu tratados sobre o tema, sendo alguns fragmentos destes citados no Digesto.[5]

Os discursos de Rutílio contêm variosa informação a respeito do direito civil. Conservaram-se alguns fragmentos dos seguintes:

  • 1. Adversus Scaurum
  • 2. Pro se contra Scaurum; os dois primeiros efetuados em 107 a.C.[6]
  • 3. Pro legem sua de tribunis mililum efetuada como cônsul, 105 a.C..[7]
  • 4. De jeito aedificiorum sobre a forma de estabelecer limites à extravagância na construção de habitações suntuosas. Provavelmente efetuado durante o seu consulado.[8]
  • 5. Pro L. Caerucio ad populum
  • 6. Pro se contra publicanos efetuado em 93 a.C. ou 92 a.C.
  • 7. Oratio ficta ad Mithridatem regem[9]

Rutílio escreveu também uma autobiografia composta por pelo menos cinco livros,[10] bem como uma história de Roma em grego, que continha um relato da Guerra Numantina.

Referências

  1. Cícero pro Font. 13, Brutus 30
  2. Tito Lívio Epitome livro lxx
  3. Veleio Patérculo História Romana livro ii.3
  4. Valério Máximo Fatos e ditos memoráveis livro ii 10. § 5
  5. Séneca dos Benefícios vi 37, Comp. Cícero Brutus 22, pro Balbus 11; Ovídio Epistulae ex Ponto, i. 3 63; Suetônio De grammaticis rhetoribus 6; Orósio Histórias livro v. 17
  6. Cícero Brutus 30, De oratore ii. 69
  7. Rufo Festo Breviarium rerum gestarum populi Romani
  8. Suetônio Augusto 89
  9. Plutarco Pompeu 37
  10. Tácito Agrícola 1
Precedido por:
Quinto Servílio Cepião e
Caio Atílio Serrano
Cônsul da República Romana com:
Cneu Málio Máximo

105 a.C.
Sucedido por:
Caio Mário e
Caio Flávio Fímbria