Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado

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Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado
Número no TSE 16
Presidente José Maria de Almeida
Fundação 30 de setembro de 1993 (21 anos)
Sede São Paulo, SP
Ideologia Socialismo, Trotskismo e Extrema-esquerda
Antecessor Partido Revolucionário dos Trabalhadores
Afiliação internacional Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional (LIT-QI)
Vereadores (2012)
2 / 56 810
Cores       Vermelho

      Amarelo
Site
PSTU Nacional
Política do Brasil
Partidos políticos
Eleições

Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) é um partido político do Brasil fundado em 1993. Suas cores são o vermelho e amarelo e o seu código eleitoral é o 16.[1] O PSTU é uma organização socialista, que reivindica o marxismo revolucionário, baseando-se nas teorias e práticas de Vladimir Lenin, de Leon Trótski e de Nahuel Moreno. O PSTU também é a seção no Brasil da Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional (LIT-QI), sendo a maior seção dessa organização, que em outros países se articula como partido legalizado ou não, ou como corrente interna de partidos anticapitalistas amplos. Assim como o PCB e o PSOL, o PSTU faz oposição de esquerda aos governos municipais, estaduais e federal. Atualmente, o partido conta com dois vereadores em todo o país, não tendo outros cargos parlamentares ou governamentais ocupados.

Formação[editar | editar código-fonte]

O PSTU foi fundado em um congresso realizado em 1993 por integrantes da LIT no Brasil. Funcionaram anteriormente como uma tendência interna do Partido dos Trabalhadores denominada Convergência Socialista.

A Convergência Socialista havia sido expulsa do Partido dos Trabalhadores em 1992, por defender o estabelecimento de uma campanha pelo Fora Collor naquele ano. O secretário geral do Partido dos Trabalhadores na época, José Dirceu, descreveu que "ao defender uma campanha contra o presidente da República naquela oportunidade", com a palavra de ordem "Fora Collor", esta seria uma tática da CS de propor ao PT derrubar o governo Collor.

Em abril de 1992, o deputado José Dirceu apresenta, na reunião da Executiva Nacional do PT, uma resolução que foi aprovada, dando prazo de 15 dias para que a Convergência Socialista se adaptasse à nova regulamentação de tendências. Esta proibia manifestações abertas contra a política da direção majoritária. Afirmava José Dirceu que, para evitar a publicidade de tal política, se deveriam proibir sedes próprias, jornal próprio, finanças próprias, relações internacionais públicas e de partido, pois estas seriam a exteriorização de uma política contrária às resoluções do PT e do seu primeiro Congresso (Silva 2001; Cerdeira 2009).

A fundação do PSTU uniu diversas correntes socialistas e comunistas excluídas pela direção do PT na ocasião, organizações e grupos ativistas revolucionários nacionais e locais, entre elas, além da já citada Convergência Socialista, o PLP (Partido da Libertação Proletária).

Quando obteve o registro provisório junto ao Tribunal Superior Eleitoral, em 17 de dezembro de 1992, denominava-se Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT). Em 30 de setembro de 1993, mudou a denominação para a atual (PSTU). Obteve o registro definitivo em 19 de dezembro de 1995. em 1998 e 2002 lança o dirigente Zé Maria como candidato à presidência, obtendo cerca de 0,2% dos votos.

Princípios[editar | editar código-fonte]

Segundo seus estatutos o PSTU segue os seguinte princípios:

A mobilização permanente dos trabalhadores[editar | editar código-fonte]

O PSTU apoia as lutas dos trabalhadores contra a burguesia e o governo, as greves por salário e por melhores condições de vida, as ocupações de terra e de prédios públicos, por reforma agrária e em defesa das conquistas dos trabalhadores, inclusive quando se utilizam de métodos radicalizados, em resposta a radicalização da exploração a da miséria provocadas pela busca incessante do lucro pelos capitalistas.

Independência de classe[editar | editar código-fonte]

De acordo com o marxismo, a sociedade está irremediavelmente dividida em classes sociais. De um lado está a burguesia, que é a classe proprietária dos meios de produção e circulação de mercadorias: os patrões, os banqueiros e os latifundiários, ou seja, os que lucram com a exploração do trabalho das outras classes. De outro lado está o proletariado, os trabalhadores, a juventude, os sem-terra e sem-teto, aqueles que precisam vender sua força de trabalho para sua sobrevivência.

Por defender esta ideologia, o PSTU defende total independência política dos trabalhadores em relação à burguesia em sua atuação política e em suas lutas.

"Independência financeira é independência política": isso significa que o PSTU é auto-financiado e suas campanhas não recebem financiamento de empresas privadas, apenas dinheiro oriundo de campanhas financeiras feitas junto à própria classe trabalhadora.

Centralismo democrático[editar | editar código-fonte]

Os integrantes do PSTU defendem como regime de funcionamento de seu partido político o centralismo democrático, modelo originado no Partido Bolchevique russo de Lênin e Leon Trótski, líderes da Revolução Socialista de 1917. Estes e o revolucionário argentino Nahuel Moreno, são considerados as principais lideranças e referenciais teóricos deste partido. Posicionam-se contra a política stalinista, assim como contra a casta burocrática que dirigiu a URSS de 1924 a 1989, inicialmente dirigida por Stálin e, em nível internacional se opõe a outros dirigentes e políticas que consideram stalinistas como Mao Tsé-Tung na China, Fidel Castro em Cuba, etc.

Socialistas e revolucionários[editar | editar código-fonte]

A concepção de socialismo do PSTU se distingue daquelas construídas pelos regimes stalinistas do Leste Europeu até o ano de 1992, muitas vezes chamadas de socialsmo real pelos seus defensores. Para os trotskistas estas sociedades conseguiram avanços importantes na solução de problemas básicos dos trabalhadores - como a miséria, a saúde e educação-, ao terem sido expropriadas as grandes empresas. Mas foram dirigidas pela burocracia stalinista que reprime os trabalhadores em defesa de interesses próprios, contrários aos interesses internacionais da classe trabalhadora, não extinguiram a exploração econômica em seus países, nem em nível mundial, perseguem politicamente seus opositores, e não garantem a democracia operária, constituindo assim uma ditadura contra os trabalhadores. Também se diferencia daquela defendida pelos partidos da social-democracia.

Os membros do PSTU se consideram socialistas revolucionários, porque não acreditam ser possível realizar o socialismo através das eleições. Para eles só uma revolução social, feita pelas massas trabalhadoras, com o proletariado industrial como sujeito social, poderá derrotar definitivamente o capitalismo, possibilitar a expropriação das grandes empresas capitalistas, e abrir o caminho para o socialismo, que é um sistema internacional e não pode ser construído apenas em um país.

Internacionalismo[editar | editar código-fonte]

O PSTU é contrário a ideia do "socialismo em um só país". Para o partido a internacionalização da produção sob o capitalismo exige uma resposta também internacional. Afirma que não se pode avançar para o socialismo restringindo a evolução da economia nas fronteiras de um país, pois não existem condições de superar o atraso econômico de um país como o Brasil somente com o seu potencial interno, na medida em que a produção já parte de uma base mundial. Este fenômeno foi ainda mais ampliado com a globalização, que significou um salto na internacionalização do capital, segundo as teses do partido.

Para o partido, o fracasso do "socialismo em um só país" da burocracia stalinista, enquanto dizia avançar para o socialismo na URSS, demonstrou uma vez mais a necessidade básica do internacionalismo como componente básico do socialismo revolucionário.

Portanto, segundo o PSTU a revolução só poderá ter alguma viabilidade, na medida em que se generalizar internacionalmente. Uma revolução que terminar confinada em um espaço nacional estará condenada a limites estreitos de evolução, o que a empurra para a burocratização e a derrota. Por isto o PSTU não se dispõe a ser apenas um partido nacional, mas ser parte de uma internacional revolucionária. A LIT-QI, o embrião de uma Internacional, é a concretização mais importante do internacionalismo do PSTU.

Contra toda a opressão[editar | editar código-fonte]

O PSTU defende uma posição clara contra a opressão racial e sexual. Assume publicamente uma postura militante na defesa dos direitos dos negros, das mulheres e dos gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros contra a opressão, e busca trazer esta luta como parte específica e particular no seio do movimento anticapitalista, aliando aos oprimidos e explorados.

Dissidências[editar | editar código-fonte]

Durante o processo de formação do PSTU e ao longo dos anos seguintes, o partido sofre uma série de dissidências que dão origem a varias organizações, como a Corrente Socialista dos Trabalhadores, o Movimento de Esquerda Socialista, o Coletivo Espaço Socialista, a Liga Estratégia Revolucionária e o Coletivo Socialismo e Liberdade. Outros agrupamentos que se fundiram no PSTU rompem em seguida, como o Partido da Libertação Proletária (originário da atual corrente do PSOL Poder Popular e Movimento Terra, Trabalho e Liberdade), e o grupo Socialismo Revolucionário (atualmente a corrente do PSOL Liberdade, Socialismo e Revolução) .

Frente de esquerda[editar | editar código-fonte]

O PSTU compôs a Frente de Esquerda nas eleições gerais de 2006, integrada pelo PSOL da Senadora Heloísa Helena, como candidata à presidência, e pelo PCB. Em Minas Gerais, o PSTU apresentou a candidatura a governador da Frente, enquanto em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Ceará, entre outros estados, o partido apresentou a candidatura ao Senado Federal.

Participação do partido nas eleições presidenciais[editar | editar código-fonte]

Ano Candidato(a) a Presidente Candidato(a) a Vice-Presidente Coligação Votos  % Colocação
2014 José Maria de Almeida Cláudia Durans sem coligação 91.209 0,09
2010 José Maria de Almeida Cláudia Durans sem coligação 84.609 0,08
2006 Heloísa Helena (PSOL) César Benjamin (PSOL) PSOL, PSTU e PCB 6.575.393 6,85
2002 José Maria de Almeida Dayse de Oliveira sem coligação 402.236 0,47
1998 José Maria de Almeida José Galvão de Lima sem coligação 202.659 0,30
1994 Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Aloizio Mercadante (PT) PT, PSB, PCdoB, PPS, PV e PSTU 17.122.127 27,04

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. Tribunal Superior Eleitoral: Partidos políticos registrados no TSE, visitado em 25 de julho de 2007