Paço de Raxoi

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Fachada principal do Paço de Raxoi
Fachada traseira do palácio
Santiago Matamouros, de Xosé Ferreiro, na cima do frontão central do Paço de Raxoi

O Paço de Raxoi (em galego: Pazo de Raxoi; em espanhol: Palacio de Rajoy) está situado na Praça do Obradoiro, em Santiago de Compostela, capital da Galiza (Espanha). É a actual sede do governo municipal da cidade e também da Junta da Galiza.

O edifício é de estilo neoclássico, tendo sido a sua construção encomendada pelo arcebispo de Santiago, Bartolomeu de Raxoi e Lousada, no ano de 1766 com a finalidade de servir como seminário para confessores. O arquitecto francês Carlos Lemaur foi o responsável pela obra. No seu portal pode observar-se uma representação da batalha de Clavijo e uma escultura do apóstolo Tiago (Santiago).

Situação[editar | editar código-fonte]

Está localizado na parte ocidental da Praça do Obradoiro, frente à fachada principal da catedral de Santiago. À sua direita fica o Colégio de São Xerome, que atualmente serve como sede do Reitoria da Universidade de Santiago de Compostela; à esquerda do paço ergue-se o Hostal dos Reis Católicos, o antigo Hospital Real dos Reis Católicos.

História[editar | editar código-fonte]

O local sobre o qual se ergue o Paço de Raxoi fora ocupado anteriormente pelos cárceres da cidade, o civil e o eclesiástico; uma parte fora no passado um trecho da muralha, que defendia a urbe pela parte de poente. A dupla propriedade sobre o prédio originou discordâncias entre o Bispado e o Concelho. Este apresentou um projeto em 1764, da autoria de Lucas Ferro Caaveiro, visando localizar a Casa do Concelho entre ambos os cárceres. Pelo seu lado, o arcebispo Bartolomé de Rajoy, tinha em mente colocar aí o seminário denominado de confessores e a residência para as crianças do coro da catedral, para o que era apresentado um projeto diferente, encarregado a Andrés García de Quiñones. Além da controvérsia entre os co-proprietários, surgiu uma terceira parte interessada, o Hospital Real, alegando que afetava negativamente à sua propriedade. O litígio conseguinte levou a intervenção da Capitania General da Galiza e da Real Câmara, resolvendo, finalmente, de jeito salomônico, a 13 de Maio de 1767, que o futuro edifício albergasse o Consistório compostelano, o Seminário de Confessores e os cárceres, consoante ao projeto do engenheiro Carlos Lemaur, segundo fora proposto pela dita Capitania General.

De acordo com a anterior resolução, o edifício foi construído segundo as traças de Lemaur, sendo dirigidas as obras por Frei Manuel de los Mártires, e como executores reais os mestres Juan López Freire e Alberte Ricoy. Segundo a inscrição que figura no friso do paço, as obras estenderam-se entre 1766 e 1772.

O paço contribuiu para engrandecer a Praça do Obradoiro, que carecia de um edifício digno nesse lado, máxime quando havia poucos anos desde o acabamento da nova fachada ocidental da sé compostelana.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Abóbada de canhão

O edifício corresponde-se com um tipo palaciano francês desenvolvido por François Mansart, em último extremo padronizado sobre modelos italianos: longa loggia porticada, com perpianhos sobre o que se alçam os correspondentes corpos, e abraçados por uma ordem colossal. Sobre um plano retangular, predomina a horizontalidade, com os cerca de 90 m de comprimento da fachada, apenas rota pelas acróteras e frontões do coroamento, que contrasta com a verticalidade da fachada da catedral. No corpo inferior destacam-se os pórticos com vinte arcarias de arco de volta perfeita nos lados e cinco adinteladas no centro. Sobre desta loggia desenvolvem-se dois corpos superiores, ambos abrangidos por colunas encostadas de ordem gigante jônica, que começam sobre pedestal apoiado no remate do pórtico. Entre essas colunas colossais abrem-se cinqüenta vãos, portas pelas quais se acede à varanda corrida que percorre toda a fachada no primeiro andar, e a uma varanda no segundo. Estes vãos asseguram a luminosidade das estâncias internas.

Coroa a construção uma cobertura adornada de balaustrada. Nos laterais estão colocados frontões curvos, e no meio um frontão triangular, sustentado por colunata pareada. Deste jeito se realça essa parte central, que avança ligeiramente para a praça, que chama a atenção, pois nela se situa a entrada principal. Enquanto nos frontões laterais se colocaram os seus respectivos escudos de Rajoy, no central situa-se um tímpano que desenvolve, em relevo, a batalha de Clavijo, na qual segundo a lenda interveio o mesmo Santiago Apóstolo, epônimo da cidade, em auxílio dos cristãos. Foi desenhado pelo pintor galego Gregório Ferro, e executado, em mármore, pelos escultores Xosé Gambino e Xosé Ferreiro, ambos também galegos. Este último foi ademais o autor do Santiago eqüestre que termina a cimeira do frontão.

A parte posterior da edificação é diferente, pois tanto o abrupto corte de terreno quanto a proximidade da igreja de São Frutuoso impunha soluções diferentes. O corpo inferior, até a altura da Praça do Obradoiro, foi destinado a albergar os cárceres. Colocou-se um amplo pátio central, e foram projetados dois corpos laterais prismáticos, seguindo as pautas da fachada, mas com total ausência de elementos que rompessem a estereotomia da obra, a não ser os vãos e a balaustrada superior.

Influências[editar | editar código-fonte]

O francês J. Sermet foi o primeiro em assinalar, em 1950, que o paço de Raxoi, podia estar inspirado no Capitole de Toulouse (1750-1760), obra de Cammás, e, mais tarde, o historiador da arte, o ferrolano Alfredo Vigo Trasancos, assinalou outras edificações similares erguidas na França por essa mesma época, como a Mairie (Casa municipal) de Nancy, da autoria de M. Heré.

Usos[editar | editar código-fonte]

Desde a sua fundação foi casa consistorial e albergue dos confessores que administravam penitência aos peregrinos, e cárcere municipal (nos baixos da parte posterior). Até bem entrado o século XX seguiu a servir como residência de cônegos. Desde a transição democrática alberga provisoriamente a Presidência da Junta da Galiza.

Outros[editar | editar código-fonte]

O escritor Manuel Rivas em O lápis do carpinteiro evoca a estadia dos retaliados, após o golpe de estado de 1936, no cárcere do Paço de Raxoi.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Chamoso Lamas, Manuel, Santiago de Compostela. A Corunha. 1980 - ISBN 84 85319 20 6
  • Otero Túñez, Ramón, Rajoy, construtor, in "Cátedra. Revista Eumesa de Estudios" (Pontedeume. 2001), nº 8, p. 57 ss.
  • Vigo Trasancos, Alfredo, A arte galega: estado da cuestión. A Corunha. 1990 - ISBN 84 87172 57 1
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