Paços de Ferreira

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Paços de Ferreira
Brasão de Paços de Ferreira Bandeira de Paços de Ferreira
Brasão Bandeira
Paços. Rotunda.jpg
Monumento ao Marceneiro
Localização de Paços de Ferreira
Gentílico Pacense
Área 70,99 km²
População 56 340 hab. (2011)
Densidade populacional 793,63 hab./km²
N.º de freguesias 12
Presidente da
Câmara Municipal
Humberto Brito (PS) (mandato 2013-2017)
Fundação do município
(ou foral)
06/11/1836
Região (NUTS II) Norte
Sub-região (NUTS III) Tâmega
Distrito Porto
Antiga província Douro Litoral
Orago Santa Eulália
Feriado municipal 6 de Novembro
Código postal 4590 e 4595
Sítio oficial www.cm-pacosdeferreira.pt
Municípios de Portugal Flag of Portugal.svg

Paços de Ferreira é uma cidade portuguesa no Distrito do Porto, região de Entre Douro e Minho e sub-região do Vale do Sousa e Baixo Tâmega, com 7 491 habitantes (2011).

É sede de um concelho com 70,99 km² de área[1] e 56 340 habitantes (2011[2] ), subdividido em 12 freguesias.[3] O município é limitado a leste pelo município de Lousada, a sul por Paredes, a sudoeste por Valongo e a oeste e norte por Santo Tirso.

Até ao liberalismo constituía o Couto de Paços de Ferreira. Tornou-se concelho a 6 de Novembro de 1836, sucedendo ao concelho de Sobrosa, sendo a sede concelhia foi elevada ao estatuto de cidade em 20 de Maio de 1993. Atualmente é um dos concelhos mais ricos do País e com uma elevada qualidade de vida.[carece de fontes?]

História[editar | editar código-fonte]

Cruzeiro e Igreja Matriz de Paços de Ferreira
Jardim Municipal
"Carvalha" tricentenária

Foi elevada a sede de concelho em 6 de Novembro de 1836 e à categoria de Cidade em 20 de Maio de 1993. Esta pequena cidade encontra-se organizada em torno de dois centros principais. O primeiro núcleo central, mais antigo, é formado pela Praças Dr. Luís e 25 de Abril e pela Praceta de Santa Eulália. Nesta última, está situada a Igreja Matriz, situada numa peculiar colina. De origem incerta, este templo é o local de devoção por excelência dos pacenses. De notar que, da referida colina, podemos desfrutar de uma bela vista panorâmica, já que, a partir daí, se consegue observar grande parte do concelho, nomeadamente a parte mais ocidental (Seroa e Serra da Agrela, Meixomil, Penamaior, Sanfins de Ferreira e Eiriz). Na parte central da Praça Dr. Luís, pode observar-se o Jardim Municipal, datado de 1892, onde merece particular destaque o tricentenário carvalho alvarinho, o ex-libris da cidade pacense. No jardim é ainda possível observar a estátua do Dr. Leão de Meireles, uma das personalidades mais importantes dos primórdios do concelho de Paços de Ferreira. Mais abaixo, a Praça 25 de Abril é dominada pelo edifício dos antigos Paços do Concelho, inaugurado em 1918, onde funciona actualmente o Museu Municipal e o Posto de Turismo. Defronte da escadaria principal deste edifício, aparece, embora discretamente, o Pelourinho de Paços de Ferreira, único monumento da cidade com a categoria de Património Nacional. Na parte central da praça, marca presença a estátua de Dona Sílvia Cardoso, famosa benemérita pacense que abdicou de grande parte da sua riqueza para se dedicar à ajuda dos mais necessitados.

Paços do Concelho
Palácio da Justiça de Paços de Ferreira

Já o segundo núcleo central compreende a Praça da República, conhecida popularmente como a "Rotunda", onde se situam os principais serviços do concelho. Na Rotunda, é possível observar o Palácio da Justiça e a escultura em bronze que decora a sua fachada principal. Porém, o destaque da Praça da República vai por inteiro para o seu centro, onde se encontra o Monumento ao Marceneiro, escultura da autoria do Mestre José Rodrigues, que homenageia os marceneiros do concelho, que possibilitaram a enorme evolução registada pelo concelho no século XX, que tornaram Paços de Ferreira na "Capital do Móvel", marco de referência no panorama industrial português. Mesmo ao lado, está o actual edifício dos Paços do Concelho, da autoria do arquitecto pacense Paulo Bettencourt, onde está sediada, para além da Câmara Municipal de Paços de Ferreira, a Junta de Freguesia pacense. Tanto o Monumento ao Marceneiro como o edifício dos Paços do Concelho foram inaugurados aquando do 5º aniversário da cidade, a 20 de Maio de 1997.

Paços de Ferreira possuía até há bem pouco tempo uma estação agrária, unidade do Ministério da Agricultura onde era efectuada criação de gado, produção de leite, cereais e forragens, e onde existia uma oficina e posto de venda, onde se podia adquirir o "Queijo Paços", produzido na estação agrária. Porém, a partir de 2005, a estação agrária transformou-se no Parque Urbano de Paços de Ferreira, o local de lazer por excelência, em pleno centro centro da cidade pacense. Nos terrenos do Parque, delimitados pelo Rio Ferreira, localizam-se as Piscinas Municipais.

Deste modo, Paços de Ferreira é uma cidade jovem e em transformação. Assim, nos últimos anos, a outrora vila rural, formada por lugares e quintas, e casas graníticas, tem-se transformado numa cidade moderna. Os vestígios dessa vila rural são já poucos, pois têm sido apagados ao longo dos tempos, tais como as antigas Escolas Primárias (no local da actual Câmara Municipal), o antigo posto da GNR e o antigo Posto dos Correios, demolidos para dar lugar a construções mais recentes. Porém, por enquanto, é ainda possível observar algumas casas antigas na cidade, tais como a Quinta das Uveiras (do século XIX), a Casa da Torre[4] (quinta da família Pinto Brandão vendida em finais do séc. XIX a Manuel Umbelino Ferreira da Silva, pai de Sílvia Cardoso Ferreira da Silva, que aí fundou uma creche, e de D. Maria Haydée Cardoso da Silva, casada com D. José Maria de Queirós e Lencastre, que depois aí viveu e foi presidente da Câmara de Paços de Ferreira), e a Casa de Coquêda (casa de brasileiro do início do século XX) que, embora já sem o esplendor de outros tempos, continuam a testemunhar o passado rural de Paços de Ferreira.

Lugares

Paços de Ferreira, numa alusão clara ao seu passado rural, encontra-se dividida em vários lugares, sendo que a população pacense ainda hoje se identifica mais com estes topónimos do que com os nomes das actuais ruas. Os lugares de Paços de Ferreira são os seguintes:

zona urbana
  • Pinheiro
  • Rotunda
  • Cavada
  • Sistelo
  • Monte de São Domingos
  • Bairro do Outeiro
  • Uveiras
  • Picafrio
zona rural
  • Quintãs
  • Jesus Maria José
  • Pêgas
  • Sistos
  • Ponte Real
  • Rebolo
  • Coquêda
  • Barreiro
  • Carral
  • Boavista
  • Tebilha

Freguesias[editar | editar código-fonte]

Freguesias do concelho de Paços de Ferreira.

O concelho de Paços de Ferreira divide-se em 12 freguesias:

Quase todas as freguesias são bastante homogéneas em número de habitantes. Ainda assim, a população concentra-se predominantemente nas cidades de Paços de Ferreira e Freamunde, nas vilas de Frazão e Carvalhosa, e nas povoações de Ferreira e Seroa.

Política[editar | editar código-fonte]

O município de Paços de Ferreira é administrado por uma câmara municipal composta por 7 vereadores. Existe uma assembleia municipal, que é o órgão legislativo do município, constituída por 33 membros da assembleia municipal (dos quais 21 eleitos directamente).

O cargo de Presidente da Câmara Municipal é actualmente ocupado por Humberto Brito, eleito nas eleições autárquicas de 2013 pelo Partido Socialista, tendo maioria absoluta de vereadores na câmara (4). Existem ainda três vereadores eleitos pelo PSD, que em 2013 perdeu a Câmara Municipal pela primeira vez na história democrática do concelho, após 37 anos em que a câmara foi presidida sucessivamente pelos sociais-democratas Fernando Vasconcelos, Arménio Pereira e Pedro Pinto (este último derrotado nas urnas em 2013). Já na Assembleia Municipal o partido mais representado é o PSD com 10 deputados eleitos e 8 presidentes de Juntas de Freguesia (maioria absoluta), seguindo-se o Partido Socialista (15). Os restantes partidos não têm representação em nenhum dos órgãos.

Eleições de 2013
Órgão PS PSD PCP-PEV CDS-PP PTP
Câmara Municipal 4 3 0 0 0
Assembleia Municipal 15 18 0 0 0
dos quais: eleitos directamente 11 10 0 0 0

Geografia[editar | editar código-fonte]

Rio Ferreira no lugar de Pêgas

O concelho de Paços de Ferreira situa-se numa zona de planalto, denominada "Chã de Ferreira", outrora conhecida pela beleza natural das paisagens e pelo seu arranjo humanizado. Assim, o concelho é delimitado por várias elevações, sendo de destacar a Serra da Agrela e o Monte do Pilar (a oeste), que o separam do concelho de Santo Tirso, a serra de São Tiago (a sul), que marca a fronteira com o concelho de Paredes, e o monte da Senhora do Socorro (a norte), fronteiriço ao concelho de Santo Tirso.

Rio Carvalhosa na Ponte Nova, à entrada da cidade

O ponto mais elevado do concelho é o vértice geodésico da Citânia de Sanfins, na freguesia com o mesmo nome, que se eleva 570 m acima do nível do mar. Contudo, a maior parte do concelho situa-se sensivelmente na cota dos 300 m.

O concelho é atravessado por vários cursos de água, embora de pequeno caudal. Destes, o mais significativo é o Rio Ferreira, afluente do Rio Sousa, e subafluente do Rio Douro, que atravessa a parte sul do concelho, tendo a sua nascente em Freamunde. Todos os restantes cursos de água do concelho desaguam neste rio, sendo de destacar o Rio Carvalhosa, que nasce em Lustosa (Lousada) e desagua em Paços de Ferreira, atravessando as freguesias de Raimonda, Figueiró e Carvalhosa; e o Rio Eiriz, com nascente em Lamoso, e que desagua no lugar de Moinhos, em Frazão, atravessando Eiriz e Meixomil.

Localização[editar | editar código-fonte]

Noroeste: Santo Tirso Monte Córdova Norte: Vila das Aves (Santo Tirso) Nordeste: Lustosa (Lousada)
Oeste: Agrela (Santo Tirso) Reinel compass rose.svg Este: Lousada
Sudoeste: Sobrado (Valongo) Sul: Paredes, Lordelo e Vilela Sudeste: Sobrosa (Paredes)

Geologia[editar | editar código-fonte]

O planalto que compõe o concelho situa-se numa zona de transição entre os xistos da Serra de Valongo e os granitos do Minho. As rochas são mais abundantes nos limites do concelho, sendo que na vertente sul da Serra da Agrela, abundam os xistos, e nas restantes zonas serranas do concelho predomina o granito azul.

As rochas são alvo de exploração comercial, destacando-se o granito azul extraído das pedreiras das freguesias de Eiriz e Sanfins de Ferreira e os xistos explorados na zona de Seroa.

Clima[editar | editar código-fonte]

Paços de Ferreira com neve (9 de Janeiro de 2009)

Segundo a classificação climática de Köppen-Geiger, Paços de Ferreira tem um clima temperado com Inverno chuvoso e Verão seco e pouco quente (Csb).

A média de temperatura anual é de 13,0ºC (segundo as médias de 1955-1980 da estação agrária de Paços de Ferreira, entretanto extinta) e a pluviosidade ronda os 1700 a 1750 mm\ano.

Por se encontrar numa zona bastante peculiar como é o planalto da Chã de Ferreira, e se encontrar já a cerca de 30 km do oceano, frequentemente as condições meteorológicas em Paços de Ferreira são distintas das verificadas nas zonas costeiras.

Assim, os invernos em Paços de Ferreira são relativamente suaves, com temperaturas entre os 0°C e os 15°C, com precipitações bastante frequentes.

Em média as noites com geada no solo representam 59 dias por ano. A ocorrência de neve é relativamente rara, sendo que os nevões têm diminuído de frequência ao longo dos anos. O último nevão com intensidade no concelho registou-se a 9 de Janeiro de 2009.

No Inverno, é também frequente o transbordo dos pequenos rios Ferreira, Eiriz e Carvalhosa (este dois afluentes do primeiro), que chegam a tornar intransitáveis algumas pontes do concelho. Esta época do ano é também caracterizada por uma forte humidade.

Já os verões são normalmente quentes e secos, com temperaturas entre os 20°C e os 30°C. Ainda assim, é muito rara a ocorrência de fenómenos extremos de seca.

Devido à forte industrialização, o concelho regista níveis de poluição bastante elevados, sendo que a concentração de ozono estratosférico tem ultrapassado várias vezes o limiar de informação à população.

Fauna e flora[editar | editar código-fonte]

A diversidade faunística do concelho é, infelizmente, cada vez menor, devido à destruição dos ecossistemas naturais, e da crescente humanização da paisagem e das zonas anteriormente rurais e baldias.

A flora de Paços de Ferreira é também cada vez menos rica, já que as zonas florestais do concelho estão constantemente ameaçadas por vários factores. Em primeiro lugar, os incêndios ocorridos nos últimos anos provocaram grandes estragos nas áreas florestais do concelho, nomeadamente o Monte de São Domingos, próximo do centro da cidade, o Monte do Pilar, em Penamaior, e a Serra da Agrela, na Seroa. Após estes incêndios, não se tem procedido a uma reflorestação, pelo contrário, as zonas queimadas são alvo da especulação imobiliária, sendo rapidamente entregues à construção. Outro problema é a alienação dos baldios por parte de algumas Juntas de Freguesia, sendo que estes são rapidamente alvo de especulação imobiliária. Por fim, a construção de novas estruturas, públicas e privadas, nomeadamente as novas estradas (A42 e variante oeste) e as zonas industriais (Seroa, Frazão e complexo IKEA), têm ocupado antigas áreas florestais e até zonas de reserva nacional.

Nas zonas arborizadas existentes, as espécies mais abundantes são o pinheiro-bravo e, particularmente, o eucalipto, que substituiram, ao longo dos séculos XIX e XX, as manchas de espécies autóctones, como o carvalho. Até há bem pouco tempo, existia ainda uma mancha considerável de sobreiros, caso raro na região, tendo porém sido abatida grande parte dos exemplares para a construção do complexo IKEA.

Agricultura[editar | editar código-fonte]

Cultivo de milho no Parque Urbano de P.Ferreira

Os solos do concelho são bastante férteis, nomeadamente nos vales formados pelos rios Ferreira, Carvalhosa e Eiriz. Assim, a agricultura foi sempre intensivamente praticada no concelho, com particular destaque para o cultivo de milho, batata, cenoura, alho e couve. A vinha ocupa grande parte da área agrícola do concelho, na sua tradicional versão em ramada. Também há lugar à produção de fruta, principalmente maçãs, diospiros e kiwis. Até há bem pouco tempo, a cidade de Paços de Ferreira era nada mais que um conjunto de quintas rurais que se dedicavam à agricultura, destacando-se as quintas da Torre, das Uveiras e do Moinho Moleiro. Outra evidência da importância da agricultura no concelho é a existência, até 2008, de uma zona agrária com 195 000 m², correspondentes a 4% da área total da freguesia, da responsabilidade do Ministério da Agricultura.

Quinta das Uveiras

Na "Agrária", como é conhecido este espaço, cultivaram-se durante décadas os cereais, a vinha e a fruta, foi criado gado bovino e suíno, produziu-se leite e queijo, em pleno coração da cidade. Actualmente, este espaço constitui o Parque Urbano de Paços de Ferreira, e a sua actividade agrícola resume-se a uma pequena produção de milho. A própria feira anual de mobiliário "Capital do Móvel", que é hoje um dos eventos que mais pessoas atrai ao concelho, começou, na década de 1980, como "Feira Agrícola e Industrial de Paços de Ferreira".

A importância da agricultura em Paços de Ferreira tem, contudo, vindo a decair. Esta actividade atingiu o seu auge no concelho por volta de 1970, altura em que neste sector trabalhavam 14 151 pessoas por todo o concelho, ou seja, 42,1% da população. Hoje em dia, a agricultura ocupa apenas 2471 pessoas, sendo que apenas 642 fazem desta a sua actividade principal (2,3% da população activa do concelho).

Demografia[editar | editar código-fonte]

Apesar da sua pequena área, o concelho de Paços de Ferreira possui uma população bastante significativa, contando com 54.801 habitantes no ano de 2004. A densidade populacional é, deste modo, bastante elevada neste pequeno município. O povoamento do concelho é disperso, como é tradicional na região de Entre-Douro e Minho. Assim, quase todas as freguesias são homogéneas quanto ao número de habitantes, sendo o mapa de freguesias do concelho particularmente equilibrado. Ainda assim, os principais aglomerados populacionais são as cidades de Paços de Ferreira e Freamunde, as vilas de Frazão e Carvalhosa, e as povoações de Ferreira e Seroa. Paços de Ferreira é um dos concelhos mais jovens do país, sendo que a população tem vindo a aumentar bastante ao longo dos anos, em todas as freguesias. Aliás, entre 1991 e 2001, apenas a freguesia de Modelos não viu a sua população aumentar. Parte da população do concelho e, também dos concelhos em redor, vê o seu emprego nas imensas oficinas de carpintaria que o município possui, produzindo as mesmas mobiliário de grande qualidade que é conhecido em todo o país e, também internacionalmente.

Por motivos menos simpáticos Paços de Ferreira também recebe habitantes de outras zonas do país, pois é neste concelho que se situa o estabelecimento prisional mais seguro de Portugal, albergando criminosos perigosos de qualquer zona.

Evolução da população do concelho de Paços de Ferreira (1849 – 2011)

Património classificado[editar | editar código-fonte]

Monumentos Nacionais
Imóveis de Interesse Público
Património em Vias de Classificação

Turismo[editar | editar código-fonte]

Apesar de não ser um destino turístico por excelência, Paços de Ferreira tem, ainda assim, alguns pontos de interesse que merecem uma visita a quem passa por este planalto. Para quem se dirige do Porto, a rota mais recomendada para um passeio consiste em seguir pela EN 105 (em direcção a Santo Tirso) até Água Longa, e aí tomar a EN 207 até Paços de Ferreira. Deste modo, poderá apreciar as belezas naturais da Serra da Agrela que, apesar de ter sido afectada por algumas aberrações urbanísticas, nomeadamente a construção de alguns armazéns no seu topo, continua a ser o pulmão do concelho pacense.

No final da subida, entra-se em Seroa, a porta de entrada por excelência da "Capital do Móvel". Esta freguesia é uma das maiores montras de mobiliário do concelho, dada a quantidade de indústrias e exposições de mobiliário existentes. Na Seroa, destaca-se a Igreja Matriz, obra recente, de arquitectura arrojada, que se avista da estrada nacional.

Oito quilómetros mais à frente, entramos na cidade de Paços de Ferreira, que já acima foi descrita. Em termos turísticos, é recomendável sair da cidade seguindo as indicações para o Mosteiro de Ferreira/Rota do Românico. Esta igreja é um dos mais importantes monumentos do concelho, tendo influenciado decisivamente a sua história. É um dos 21 monumentos que integram a Rota do Românico do Vale do Sousa. Templo de estilo românico, datado do século XII, é um dos melhores exemplares deste estilo arquitectónico no Entre-Douro e Minho, misturando três correntes estilísticas, com origem no Porto, em Zamora e em Unhão. Serviu, durante séculos, de casa aos monges da Colegiada de São Pedro de Ferreira, que administrava todas as terras em seu redor, o Couto de Ferreira. Ainda na mesma freguesia, pode ser visitada a Serra de São Tiago e respectiva capela, um local muito aprazível, de onde se pode desfrutar de uma vista panorâmica sobre o sul do Vale do Sousa.

De Ferreira, é recomendável seguir até Freamunde pequena cidade em cujo centro se podem apreciar várias capelas, com destaque para a Capela de São Francisco, e a parte antiga do núcleo urbano, apesar de, tal como em Paços de Ferreira, esta estar ameaçada pela especulação imobiliária. Em Freamunde, pode tomar-se a estrada para Raimonda, e gozar a vista sobre o concelho de Lousada.

Aqui começa a visita à parte norte do concelho, mais rural e bucólica, mas também com mais pontos de interesse. No entroncamento, pode seguir-se as indicações para o Dólmen de Lamoso, um monumento fúnebre megalítico (mamoa) de grandes dimensões, provavelmente datado de 3000 a.C. É constituído por uma câmara poligonal, coberta por uma laje quebrada apoiada em nove esteios, tudo em granito azul característico da região. Na freguesia vizinha de Codessos, situa-se o Alto da Sr.ª do Socorro, de onde se pode vislumbrar todo o Vale do Ave, nomeadamente o concelho de Vizela.

Citânia de Sanfins (Núcleo familiar reconstituído)
Citânia de Sanfins (Balneário Castrejo)

Segue-se o monumento mais importante do concelho de Paços de Ferreira. A Citânia de Sanfins é o vestígio de um povoado fortificado, defendido por três linhas de muralhas e reforçado por uma muralha exterior. As ruínas, descobertas na década de 1950 e alvo de uma escavação cuidadosa, liderada, entre outros, pelo arqúeólogo Martins Sarmento, mostram-nos hoje o que era um povoado castrejo do século II a.C. Merecem natural destaque o núcleo castrejo reconstituído, que, para além das ruínas, é uma reprodução fiel de um conjunto de habitações castrejas, e o balneário castrejo, onde se encontra a Pedra Formosa da Citânia. Pode ainda observar-se uma réplica da primitiva Estátua do Guerreiro, símbolo da Citânia, e cujo original foi incompreensivelmente levado para Lisboa.

A visita à Citânia só ficará completa com uma passagem pelo Museu Arqueológico, de entrada gratuita. O museu encontra-se instalado no Solar dos Brandões, uma antiga casa senhorial. A exposição permanente do Museu mostra achados arqueológicos em todo o concelho, nomeadamente peças de olaria e moedas de ouro, prata e bronze de várias épocas da história pré-cristã, desde a ocupação castreja até à romanização.

Seguindo novamente em direcção a Paços de Ferreira, merece uma visita a Igreja Matriz de Carvalhosa, dedicada a São Tiago, que possui uma arquitectura de tal maneira rara, que é caso único em Portugal.

Igreja Matriz de Carvalhosa (Fachada Principal)

A mesma possui tal raridade devido, entre os demais, ao facto do seu interior estar dividido em duas amplas naves exactamente iguais. É de realçar, porém, a sua fachada muito simples, mas onde se pode encontrar um nicho central com a bela imagem gótica do padroeiro, em calcário, que conjuntamente com duas imagens de Raimonda e Ferreira, constituem um importante conjunto imaginário medieval do concelho. Ainda de referir que, no interior da mesma igreja, poder-se-à observar um altar com a representação da Árvore de Jessé, um importante trabalho do século XVIII, com grande significado iconográfico, por ser uma das três existentes em Portugal. No adro da pitoresca igreja, é possível observar uma escultura da autoria de José Carlos Coelho, residente na vila.

De Carvalhosa, pode seguir-se pela EN 209 em direcção ao Porto. Nesta via, poder-se-à observar, à face da estrada, situada a cerca de 150 metros da Casa da Botica, a ponte Joanina, sobre o rio de Carvalhosa, que terá sido construída no reinado de D. João V, na referida freguesia. É construída em pedra e em estilo românico. Em Meixomil, deve virar-se á direita na rotunda em direcção ao local onde esta visita ao concelho deve terminar, o seu ponto mais elevado, o Monte do Pilar, localizado a cerca de 500 m de altitude, na fronteira entre os concelhos de Paços de Ferreira e Santo Tirso. Aqui está instalada a Estação de Radar Nº2 da Força Aérea Portuguesa (antiga Esquadra de Detecção e Conduta da Intercepção nº 12). Do parque fazem parte uma zona de merendas, um bar e uma pequena capela. Porém, a atracção maior da zona do Pilar é a estátua do Cristo-Rei, edificada em 1961 para substituir uma anterior, destruída por um violento temporal, um ano após ter sido edificada, em 1960. Da zona envolvente à estátua, é possível avistar, em dias de sol, toda a Área Metropolitana do Porto, distinguindo-se principalmente pontos como as cidades do Porto, Vila Nova de Gaia (Monte da Virgem), Maia (Câmara Municipal), Matosinhos (praias e refinaria da Petrogal), Vila do Conde e Póvoa do Varzim, entre outros.

Daqui é possível sair rapidamente do concelho, quer em direcção a Santo Tirso, Famalicão e Braga pela EN 319, ou rumo ao Porto, a Trás-os-Montes ou ao sul pela A42, a partir do nó de Seroa.

Ficheiro:Rota Paços de Ferreira.JPG
Mapa do Concelho de Paços de Ferreira. A azul, a rota acima descrita.

Ranchos folclóricos[editar | editar código-fonte]

  • Rancho Folclórico da Citânia de Sanfins
  • Rancho Folclórico de Santa Maria de Lamoso
  • Grupo Folclórico Danças e Cantares S. Martinho de Frazão
  • Rancho Folclórico de S. Pedro da Raimonda
  • Associação Cultural "As Croceiras" de Carvalhosa
  • Rancho Folclórico das Lavradeiras do Centro Social de Penamior
  • Grupo Folclórico da Cidade de Freamunde
  • Rancho Folclórico de S. Mamede de Seroa
  • Associação Folclórica Independente de Sanfins de Ferreira

Transportes[editar | editar código-fonte]

A42- nó de Seroa

A cidade é servida pela A42, uma autoestrada que se interliga, no território do concelho pacense, com a restante rede viária nos seguintes nós:

  • Seroa: serve a zona oeste do concelho
  • Frazão: serve a cidade de Paços de Ferreira e a zona norte do concelho
  • Ferreira/P.Ferreira: serve Paços de Ferreira e a zona sul do concelho
  • Ferreira/Freamunde: serve a zona leste do concelho

O concelho é também servido por uma rede considerável de estradas nacionais:

Em resumo, as distâncias-tempo entre Paços de Ferreira e as localidades mais próximas:

EN207- av. Central de Seroa
Dist.

502 0.svg

Tempo 502 0.svg Dist.  EN  Tempo  EN  Percurso  EN 
Porto 28 km 20 min 26 km 45 min  N207  +   N105 
Lousada 16 km 12 min 11 km 20 min  N207 
Santo Tirso 38 km 30 min 16 km 25 min  N319 
Alfena 20 km 22 min 18 km 29 min  N207  +   N105 
Paredes --- --- 13 km 20 min  N319 
Penafiel 20 km 24 min 20 km 30 min  N207  +  N106 
Guimarães 40 km 34 min 27 km 40 min  N209  +  N106 
Distância e tempo a outros pontos importantes do país

Os transportes públicos de passageiros no concelho são assegurados pela Auto Viação Pacense, empresa local que efectua serviços diários entre a sede do concelho e as várias freguesias. São também efectuados serviços diários para os concelhos mais próximos (Porto, Paredes, Lousada, Santo Tirso, Penafiel e Valongo). Esta empresa é também responsável pela grande maioria dos transportes escolares. Na zona norte do concelho, opera também a Transcovizela, que assegura ligações regulares a Vizela e Guimarães, a partir da central de Figueiró.

Referências

  1. Instituto Geográfico Português, Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013 (ficheiro Excel zipado). Acedido a 28/11/2013.
  2. INE (2012) – "Censos 2011 (Dados Definitivos)", "Quadros de apuramento por freguesia" (tabelas anexas ao documento: separador "Q101_NORTE"). Acedido a 27/07/2013.
  3. Diário da República, Reorganização administrativa do território das freguesias, Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro, Anexo I. Acedido a 19/07/2013.
  4. Vide “Ferreira Pinto Brandão, de Paços de Ferreira, Cête e Mouriz - uma família de militares e padres”, 2012, de Manuel Abranches de Soveral



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