Paflagónia
A Paflagónia (português europeu) ou Paflagônia (português brasileiro) era uma antiga região na costa anatólia central do Mar Negro, situada entre a Bitínia e o Ponto, e separada da Frígia (mais tarde Galácia) por um prolongamento para leste do Olimpo Bitínio. Segundo Estrabão, o rio Parténio formava a fronteira ocidental da região, e era limitada a oriente pelo rio Hális. Atualmente faz parte do território da Turquia.
Na mitologia grega, Tântalo, filho de Zeus, habitava a região que mais tarde se chamaria Paflagónia1 . Depois que Tântalo ganhou a inimizade dos deuses, ele foi expulso da Paflagônia por Ilus, filho de Tros2 . Pylaemenes da Paflagónia participou da Guerra de Troia como aliado de Príamo3 4 5 . O pai de Pylaemenes é chamado de Bisaltes por Pseudo-Apolodoro5 e por Melius por Díctis de Creta6 .
No tempo dos Hititas a região era habitada pelo povo Kashka. A sua relação étnica com os paflagónios é indeterminada. Parace, no entanto, que era aparentados com o povo da região vizinha da Capadócia, que falavam um dos ramos anatólios das línguas indo-europeias. A sua língua era distintiva da região, de acordo com Estrabão.
Embora os paflagónios não tenham desempenhado qualquer papel de relevo na História, era uma das nações mais antigas da Anatólia (Ilíada, ii. 851—857). São referidos por Heródoto entre os povos conquistados por Creso, e contribuíram com um importante contingente para o exército de Xerxes em 480 a.C. Xenofonte descreve-os como sendo governados por um príncipe natural da região, sem referências às satrapias vizinhas, uma liberdade conseguida talvez graças à orografia da região, semeada de altas montanhas e de desfiladeiros dificilmente transponíveis. Todos aqueles governantes tinham o nome de Pilaimenes como sinal de descendência de um chefe cujo nome aparece na Ilíada como sendo o líder dos paflagónios.
Mais tarde a Paflagónia foi conquistada pelos reis da Macedónia, e depois da morte de Alexandre, o Grande foi atribuída, juntamente com a Capadócia e a Mísia, a Eumenes. Contudo, continuou a ser governada por príncipes nativos até ser absorvida pelo poder expansionista do Ponto. Os reis do Ponto assenhorearam-se da região desde o reinado de Mitrídates Ctistes (r. 302–266 a.C.), mas só em 183 a.C. que Farnaces I submeteu a cidade grega de Sinope ao seu domínio. Daí em diante a província poi anexada ao reino do Ponto até à queda de Mitrídates VI (65 a.C.)
Pompeu juntou as zonas costeiras da Paflagónia, assim como a maior parte do Ponto, à província romana da Bitínia, mas deixou o interior aos príncipes nativos, até que a dinastia se extinguiu e a totalidade da região foi anexada ao Império Romano. O nome foi conservado pelos geógrafos, embora as suas fronteiras não tenham sido definidas precisamente por Cláudio Ptolomeu. A Paflagónia reapareceu como província separada no século V (Hiérocles, Synecd. c. 33).
A maior parte da Paflagónia é terreno montanhoso e íngreme, mas existem vales férteis que produzem uma grande quantidade de frutos secos e de fruta, em especial ameixas, cerejas e peras. As montanhas estão cobertas por densas florestas. Por estes motivos a região foi colonizada pelos Gregos desde muito cedo. A colónia mais importante era Sinope, fundada pelos Milésios por volta de 630 a.C. Amástris, a alguns quilómetros a leste do rio Parténio, tornou-se importante durante o período dos reis macedónios, enquanto que Amiso, uma colónia de Sinope situada a curta distância a leste do rio Hális (e por isso já não na Paflagónia definida por Estrabão), cresceu e tornou-se quase uma rival da cidade mãe.
As maiores cidades do interior eram Gangra – antigamente a capital dos reis da Paflagónia e que veio mais tarde a ser denominada Germanicópolis, situada perto da fronteira com a Galácia – e Pompeiópolis, no vale do rio Âmnias, perto de grandes minas do mineral denominado por Estrabão como sandarake (arsénico vermelho ou sulfito de arsénico), exportado principalmente a partir de Sinope.
Consta na mitologia grega que a cidade histórica de Trebizonda (em turco moderno, Trabzon) seria o lar original do reino das amazonas, mulheres guerreiras.
Ver também [editar]
Fontes e referências [editar]
Este artigo incorpora texto da Encyclopædia Britannica (11ª edição), uma publicação agora em domínio público.
- ↑ Diodoro Sículo, Livro IV, 74.1
- ↑ Diodoro Sículo, Livro IV, 74.4
- ↑ Homero, Ilíada, Livro V, 576-589
- ↑ Dares da Frígia, História da Queda de Troia, 18
- ↑ a b Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, Epítome, 3.34
- ↑ Díctis de Creta, Ephemeridos belli Troiani, Livro II, 35