Pagode romântico

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Pagode Romântico)
Ir para: navegação, pesquisa
Ambox rewrite.svg
Esta página precisa ser reciclada de acordo com o livro de estilo (desde fevereiro de 2012).
Sinta-se livre para editá-la para que esta possa atingir um nível de qualidade superior.
Pagode romântico
Origens estilísticas Pagode, samba paulista, sertanejo, pop
Contexto cultural Década de 1990, em São Paulo
Popularidade Muito popular no Brasil.
Formas regionais
Brasil
Outros tópicos
pagode paulista, novo pagode, sambanejo, pagode comercial, neo-pagode

O pagode romântico é um subgênero do samba e originado no início dos anos 90.

Esse subgênero se tornou um fenômeno comercial, com o lançamento de dezenas de artistas e grupos paulistas como Art Popular, Exaltasamba, Negritude Junior, Raça Negra, Razão Brasileira, Os Travessos, entre outros. Sua massificação nas emissoras de rádios e TVs ajudou a melhorar a arrecadação de direitos autorais e fez com que as músicas norte-americanas ficassem em segundo lugar em arrecadação durante toda essa década, algo inédito no Brasil.

História[editar | editar código-fonte]

Como tudo começou[editar | editar código-fonte]

Após anos de grande sucesso, em que os pagodeiros tradicionais invadiram os canais de comunicação, venderam muitas cópias de seus discos, fizeram diversos shows e se tornaram conhecidos nacionalmente, começou o declínio da popularidade de músicos, ao mesmo tempo em que uma vertente mais romântica do pagode o outros estilos assemelhados cresciam como itens preferidos do público. Na esteira do exemplo do pagode, que atingiria grande sucesso comercial, alguns grupos começaram a lançar novidades mais híbridas.[1] Embora alguns raros sambistas “tradicionais” também tivessem abocanhado fatias desse bolo, grande parte dos bem-sucedidos dos anos 1990 era constituída pelos então denominados “pagodeiros paulistas”, constelação de grupos musicais originados na periferia de São Paulo, cujos membros apresentavam certa semelhança em seus atributos sociais. Tratava-se de jovens suburbanos do sexo masculino, nascidos entre as décadas de 1960 e 1970, que ocupavam posição social precária, quer dizer, que se encontravam destituídos de exposição prolongada à educação formal, de formação profissional, de emprego fixo, de pais que pudessem lhes transmitir altos cabedais de cultura legítima ou herança econômica etc. Todos eles, no mais, compartilhavam o entusiasmo em suas adolescências com as produções dos sambistas cariocas dos anos 1980. À imagem e semelhança desses sambistas do Rio – os tradicionais “pagodeiros”, conforme a imprensa e os pares estabelecidos os classificaram nos anos 1980 –, os debutantes paulistas organizaram seus próprios grupos: incorporavam os mesmos instrumentos musicais consagrados pelos ídolos, no caso, o tantã, o repique de mão e o banjo – causadores de certa desconfiança nos bambas daquele meio –, respectivos sucedâneos dos canonizados surdo, tamborim e cavaquinho. No entanto, à medida que deixavam o amadorismo e logravam penetrar as estruturas comerciais de gravação, os paulistas exageravam na dose; o uso a roldão de instrumentos musicais eletrificados nos arranjos, o flerte e a mescla nas composições com estilos musicais execrados pelos tradicionalistas, como o charme, o rap, o sertanejo etc., a inserção desmesurada de motivos românticos nos versos e extravagâncias nas maneiras de se vestir, de se apresentar e de se portar constituíram um conjunto de elementos a suscitar a fúria dos reconhecidos da música popular e de seus porta-vozes.

Durante todo o tempo em que tais sambistas “intrusos” estiveram em evidência houve verdadeira avalanche de reprovações e chamadas à ordem em meio às crônicas de figurões da crítica dos cadernos culturais de periódicos de São Paulo e do Rio de Janeiro. Artistas sancionados do naipe de Chico Buarque, Monarco, Dona Ivone Lara e Nei Lopes uniram suas vozes ao reproche geral da imprensa especializada, isolando-os de vez das trincheiras da “boa” música popular. O que não obstou, por outro lado, que os novatos continuassem a se virar midiática e monetariamente com muito mais mestria do que os “mestres”; guiados por seus empresários, espécies de taumaturgos na arte de promover desconhecidos ao estrelato, lucravam além da conta por meio da alta exposição a que se submetiam. Para se fazer idéia do vulto tomado pelo movimento do pagode na década de 1990, dois programas de televisão eram exclusivamente dedicados, aos sábados, aos artistas do novo pagode (Ligação, na Rede Gazeta e Samba, Pagode e Cia. na líder nacional de espectadores, Rede Globo), ao menos sete estações de rádio FM em São Paulo transmitiam em cerca de 80% de suas programações canções de pagode (Rádio Gazeta, Rádio Cidade, FM, 105, Rádio Bandeirantes, Rádio Tropical e Rádio Tupi, sendo que a campeã geral de audiência era uma delas, a Transcontinental), quatro revistas mensais cobriam a vida social e o universo musical dos pagodeiros (revistas Cavaco, Pagodenopé, Revista do Samba e Ginga Brasil), sem falar dos espetáculos ao vivo promovidos em galpões e ginásios esportivos que, com frequência, atingiam a presença de trinta mil pessoas. Além disso, um dos recordes brasileiros de todos os tempos de venda de CD pertence ao grupo mineiro Só Pra Contrariar, que alcançou, com um lançamento de 1997, a impressionante marca de 3,6 milhões de discos. Outros grupos heterodoxos, como os paulistas Katinguelê, Soweto, Negritude Júnior, Os Travessos, Exaltasamba, Pixote etc. ultrapassaram seguidamente a marca de um milhão de CDs vendidos em cada lançamento anual.[2]

A influência de uma das bandas pioneiras[editar | editar código-fonte]

O grupo Raça Negra foi quem mais tipicamente caracterizou essa nova vertente, que estava destinada a tomar lugar dos pagodeiros "de raíz". O público já estava preparado, porque já existia aquela batida mais suingada que vinha do sul, que o Jobam (maestro arranjador da Banda Raça Negra), e outros compositores já faziam, só que ainda não tinha conseguido colocar em prática, pois não tinha conseguido uma banda até o momento.

Em 1990, Raça Negra aparecia com um perfil romântico que misturava elementos de baladas pop internacionais, música sertaneja e ritmos de samba (Raça Negra, 1990). Além disso, Raça Negra usava bateria, baixo elétrico, saxofones e sintetizadores, fugindo ao padrão "fundo de quintal" estabelecido anteriormente, apresentando também canções com poucas características da tradição do samba e alguns covers de sucessos de rock/pop e de música sertaneja. Eles absorveram o Raça Negra, e saiu em seis meses o disco. A partir desse momento, o "novo" pagode iria se tornar um novo modelo, mais "profissional" e melhor adaptado do que seu prodecessor ao ambiente mediático, o que se confirmou após alguns anos com números de vendas muito superiores aos já satisfatórios números do pagode de 1986-87.[3]

A RGE, gravadora experiente na “caça” aos “talentos” suburbanos do segmento do samba-pagode, investiria pesado nessa banda de roupagem musical diferenciada do padrão que ela havia auxiliado a entronizar no mercado da música. No entanto, a gravadora não deixaria de lado o identificador “pagode”, termo assentado, angariador de certo prestígio e êxito comercial, para designar as atividades artísticas da banda Raça Negra. Atuante desde 1983, a Raça Negra havia sido formada no intento de animar churrascos ao final de partidas de futebol de várzea.

A cantora Eliana de Lima deu um pulo no movimento e o Raça Negra pegou a televisão, pois a RGE, tinha uma abertura muito grande com a televisão. A gravadora Som Livre abraçou o Raça Negra e a televisão começou a mostrar o novo pagode. O Raça Negra e a Eliana de Lima frequentemente apareciam nos programas da Xuxa, Faustão e do próprio Gugu.[4]

O declínio nos anos 2000[editar | editar código-fonte]

O novo pagode, no entanto, começou a degringolar logo à entrada dos anos 2000. Motivos não faltaram para tornar a queda vertiginosa. Cumpre ressaltar que mais e mais grupos não deixavam de ser lançados em um mercado já saturado de artistas a reproduzirem canções, trejeitos e arranjos praticamente idênticos. Ademais, as mesmas racionalização e sede por lucro de parte dos empresários forjaram um efeito singular. Ao perceberem que a “fórmula” do sucesso passava a não mais render, diretores de grandes gravadoras, instituições cruciais ao bom desempenho do movimento, puseram-se a instigar os intérpretes a deixar seus grupos sob a escusa de que eles não recebiam contrapartidas financeiras pelas maiores fama e requisição da imprensa. Como resultado, em curto espaço de tempo os grupos de destaque viram suas referências optarem por se arriscar em discos solo. Tal manobra, no entanto, acabou sendo desastrosa, praticamente o inverso do que esperavam os executivos: poucos cantores lograram amealhar o “carisma” dos antigos grupos; apesar das saídas em massa dos principais componentes, os conjuntos mantiveram-se na ativa.

A vertente comercial e diluída do samba surgida no início dos anos 90 recebeu, de início, entre outras denominações derrogatórias, o rótulo de “pagode paulista”. Mas o apelido sempre pareceu impróprio, já que a cidade de São Paulo sempre foi certamente a primeira, fora do Rio, a acolher e difundir o bom pagode, aquele consolidado nos anos 80 por diversos artistas.[5]

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

Broom icon.svg
Seções de curiosidades são desencorajadas pelas políticas da Wikipédia.
Ajude a melhorar este artigo, integrando ao corpo do texto os itens relevantes e removendo os supérfluos ou impróprios.
  • O pagodeiro Netinho e o rapper Mano Brown já gravaram juntos os problemas da periferia de São Paulo nas músicas Gente da Gente, de Negritude Junior e Fim de Semana no Parque, dos Racionais MC's.[6]
  • Raça Negra foi uma das bandas que mais venderam discos no Brasil e a música "É Tarde Demais" entrou para o Guiness Book como a música mais tocada em um único dia no mundo inteiro.
  • O cantor Belo, antigo vocalista de Soweto, participou da música "Noites Traiçoeiras" na gravação de um disco ao vivo de padre Marcelo Rossi.
  • A antiga casa noturna Só pra Contrariar influenciou na formação de diversas bandas de pagode no início dos anos 90, época em que surgia o pagode romântico.[7]
  • Em 1993 foi lançado uma coletânea de pagode, chamada Remix Samba SBT, reunindo 40 sucessos da época em forma mixada.

Referências