Palácio Piratini

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Palácio Piratini
Fachada principal do Palácio Piratini
Estilo dominante Neoclássico
Arquiteto Maurice Gras
Início da construção 1909
Fim da construção Ocupação em 16 de maio de 1921
Inauguração Década de 1970
Local Porto Alegre, Brasil Brasil.

O Palácio Piratini é a atual sede do Poder Executivo do estado brasileiro do Rio Grande do Sul.

Está localizado na Praça Marechal Deodoro, mais conhecida como Praça da Matriz, no centro histórico de Porto Alegre.

Em 2008, completados oitenta e sete anos, o Piratini contabilizou vinte e cinco ocupantes, entre interventores, presidentes de província e governadores eleitos e nomeados.

História[editar | editar código-fonte]

Herrmann Wendroth, 1852: O antigo Palácio do Governo, que precedeu o Palácio Piratini, ao lado da antiga Matriz.

O Piratini foi construído para substituir o antigo Palácio de Barro, que existia no mesmo local e havia sido edificado no ano de 1773 por ordem do então governador José Marcelino de Figueiredo. Em fins do século XIX, esse prédio original se encontrava em péssimo estado, demandando a construção de um novo, o que aconteceu por ordem do presidente do estado Júlio de Castilhos.

O primeiro projeto para o novo palácio foi de autoria do arquiteto Affonso Hebert, da Secretaria de Obras Públicas, e a pedra fundamental foi lançada em 27 de outubro de 1896. O ritmo dos trabalhos, porém, foi lento e sempre declinante, até que as obras foram suspensas pelo novo presidente do estado, Carlos Barbosa Gonçalves, alegando que não atendia às exigências da época, estando a estrutura apenas nos alicerces. O Secretário de Obras da época, Cândido José de Godoy, parece ter tido um papel influente para a escolha de um projeto mais rico, que fosse "o edifício público mais belo e majestoso de todo o Brasil". Então o governo enviou a Paris uma delegação, em 1908, para que realizasse um concurso internacional para uma nova planta, que substituiria a de Hebert.[1]

Detalhe da ala sul (residencial) do Piratini.

O concurso atraiu apenas dois participantes: A. Agustín Rey e A. Janin. Mesmo louvados, os desenhos também não foram aproveitados. Um ano depois, o arquiteto francês Maurice Gras veio ao Rio Grande do Sul e foi apresentado ao presidente Carlos Barbosa, por representantes diplomáticos da França no Brasil. Ele apresentou uma nova proposta, que foi aprovada, e em 20 de setembro de 1909 foi lançada a segunda pedra fundamental do palácio. As obras reiniciaram em ritmo vivo, mas quando Barbosa deixou o governo em, janeiro de 1913, muito ainda faltava para a conclusão. Por motivos diversos as obras prosseguiram daí em diante com muito mais devagar, só sendo reacesas no início da década de 1920, na quarta administração de Borges de Medeiros.

Em 16 de maio de 1921 finalmente o prédio pôde ser ocupado, mas sem inauguração oficial e em caráter parcial, pois as alas residenciais, os salões nobres e os jardins não estavam prontos.[2] Somente na década de 1970 o palácio foi dado como concluído, ainda que trabalhos menores continuassem a ser realizados e intervenções de restauro já começassem a ser necessárias em algumas áreas mais antigas.

Em 1955, através de decreto do governador Ildo Meneghetti, foi outorgado o nome oficial de Palácio Piratini, uma homenagem à primeira capital da República Rio-Grandense (1836-1845) durante o episódio da Revolução Farroupilha (1835-1845).

Tentativa de bombardeio[editar | editar código-fonte]

Detalhe dos jardins internos.

Um dos eventos mais marcantes da história do Piratini aconteceu durante o mandato do governador Leonel Brizola, quando, em função da Campanha da Legalidade, em 1961, o governo federal decretou o bombardeio do Palácio. Porém, a ordem não foi acatada pelos soldados da base aérea de Canoas. Na ocasião, cerca de 30 mil pessoas estavam acampadas em frente ao Palácio, pedindo a posse de João Goulart na presidência da República.

Presente[editar | editar código-fonte]

O edifício foi incluído no Projeto Monumenta [1] do Ministério da Cultura do Brasil com apoio do BID e da UNESCO, voltado à revitalização de centros históricos do Brasil, e desde 1986 é considerado Patrimônio Histórico e Artístico do Estado. Em 2000, o Piratini foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Detalhes do palácio[editar | editar código-fonte]

Saguão principal, escadaria.

A influência neoclássica é dominante. Na fachada destacam-se duas esculturas de Paul Landowski, o criador da estátua do Cristo Redentor, símbolo do Rio de Janeiro, que representam a Agricultura e a Indústria. No saguão principal, uma suntuosa escadaria de mármore francês dá acesso ao gabinete do governador, onde existem raridades: um antigo telefone folheado a ouro, presente da Companhia Telefônica a Borges de Medeiros, e um tapete de 42 metros quadrados, datado de 1930.

Nos salões Negrinho do Pastoreio e Alberto Pasqualini, os lustres são réplicas dos existentes no Palácio de Versalhes. Murais do pintor italiano Aldo Locatelli ilustram episódios da História do Rio Grande do Sul. Parte do mobiliário foi fabricado por presidiários da antiga Casa de Correção de Porto Alegre, e as soleiras e rodapés foram esculpidos em mármore de Carrara.

A arte de Paul Landowski também está presente no pátio interno, com o grupo escultórico A Primavera. No jardim, uma fonte com temas egípcios e uma escultura do Negrinho do Pastoreio, de Vasco Prado. Na área externa, foi construído em 1971 o Galpão Crioulo, onde os visitantes são recebidos com demonstrações da culinária e da cultura tradicional gaúchas.

Visitação pública[editar | editar código-fonte]

Salão Negrinho do Pastoreio.

O Piratini é aberto à visitação pública. Acompanhadas por guias, as visitas podem ser realizadas de segundas às sextas feiras, das 9 às 17 horas (menos nas quintas-feiras à tarde), em português, inglês, espanhol. A visitação publica infra-semanal só permite ver o Salão de Ingresso, dois carros antigos (um Ford Model T, 1919 e um carro alemão, 1929), a escada principal e o Salão Negrinho do Pastoreio. Uma visitação completa do complexo (incluindo mais salas, o jardim e a área residencial) é possivel todo ultimo sábado de mês as 09:00 e as 14:00 horas.

Principais salas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. FRANCO, Sérgio da Costa. Guia Histórico de Porto Alege. Porto Alegre: EDIUFRGS. pp. 303-304
  2. FRANCO, p. 304

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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