Paleontólogo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Um paleontólogo ou paleontologista é um cientista que estuda Paleontologia, e é reconhecido como um profissional da área através da legislação de uma Sociedade Científica de cada país. No Brasil, paleontólogo é aquele que apresenta uma graduação (Geologia, Biologia ou áreas afins) e uma pós-graduação com monografia (dissertação ou tese) versando sobre uma pesquisa desenvolvida na área da Paleontologia. Aqueles que gostam de Paleontologia, como passatempo e não profissionalmente, e que não apresentam uma formação na área, não são paleontólogos. Por exemplo, não basta gostas de animais para ser Zoólogo, é preciso ser um profissional da área. Em alguns países há o reconhecimento dos Paleontólogos Amadores. No Brasil, por questões de impedimento legal, não há o reconhecimento de Paleontólogos Amadores, pois a coleta de fósseis por não-profissionais (com a devida autorização) é terminantemente proibida, considerada um crime contra o Patrimônio Natural.

O Paleontólogo deve possuir conhecimentos em Geologia e Biologia, e estuda os fósseis para investigar como eram os organismos e os ecossistemas do passado geológico da Terra. O paleontólogo estuda os fósseis, também, para perceber como estes se formaram e como podem ser usados para a datação relativa dos estratos rochosos em que ocorrem. Para investigar a vida do passado da Terra e estudar os fósseis é necessário conhecer bem a geologia dos locais onde estes ocorrem e a biologia dos organismos que lhes deram origem.

Diferente do arqueólogo, que estuda as evidências culturais do passado dos seres humanos, o paleontólogo estuda a vida do passado do planeta Terra, incluindo os fósseis de humanos, mas de um ponto de vista paleobiológico. Apesar de, no que toca à escavação de fósseis de vertebrados, a prática paleontológica se assemelhar a uma escavação arqueológica, a arqueologia utiliza métodos de escavação e de estudo diferentes e usa, por vezes, técnicas de datação distintas.

O trabalho do paleontólogo se dá inicialmente pela prospecção e coleta de fósseis, encontrados em estratos sedimentares. A coleta é um trabalho cuidado, que demanda tempo e técnica, e que deve ser feita apenas por profissionais treinados, pois os fósseis são muito frágeis e podem se fragmentar facilmente. Após a coleta, decorre meses de trabalho de laboratório e de gabinete, preparando, montando e estudando todos os fósseis recolhidos, para no final produzir um documento conclusivo, um relatório ou um artigo científico, que deverá em seguida ser publicado e divulgado entre a comunidade científica e o público em geral.

O dia do paleontologo é comemorado no dia 15 de junho. No Brasil, é comemorado no dia 3 de março, o dia da criação da Sociedade Brasileira de Paleontologia.

A metodologia de trabalho do paleontólogo varia consoante o tipo de fósseis que pretende estudar (fósseis de plantas ou de animais, de animais vertebrados ou de invertebrados,somatofósseis ou icnofósseis), mas é sempre um trabalho rigoso e meticuloso, pautado por critérios científicos bem definidos, com o objetivo último de recuperar o máximo de informação possível sobre os organismos que povoaram o Planeta no passado geológico. Apesar de a metodologia de trabalho do paleontólogo variar de caso para caso, pode estruturar-se este trabalho em algumas etapas básicas:

Trabalho de campo[editar | editar código-fonte]

Material de campo de um Paleontólogo.

O trabalho de campo consiste em procurar e coletar fósseis. Normalmente os fósseis são encontrados por algum transeunte que comunica a alguma instituição de pesquisa. A função do paleontólogo é ir até o afloramento e coletar o fóssil. É necessário documentar e fotografar o local onde foi achado o fóssil. Algumas vezes é preciso usar um GPS para identificar as coordenadas geográficas do local. Fazer medições, para estabelecer a concentração de fósseis no afloramento. Após coletado o fóssil é necessário que o local seja visitado periodicamente, pois a erosão pode expor um novo fóssil futuramente ou deve-se começar um processo de escavação sistemático. Todas as informações do sítio devem ser devidamente documentas, fotografado e mapeado.

No trabalho de coleta ou escavação, é feito removendo-se o material por cima e entorno. Deve-se preparar o material para o transporte até o laboratório de paleontologia. Se o fóssil for pequeno, enrolar bem o fóssil com fita de caixa, já é o suficiente para o transporte. Às vezes é necessário engessar o bloco para ser transportado. Mas, dependendo do local e de outras condições é necessário fazer grande parte do trabalho de laboratório no local.

Antigamente era feitos desenhos de todo o processo de escavação, para documentar a posição dos ossos e isso requeria habilidade para desenhar. Hoje, usam-se câmaras fotográficas digitais com grande resolução gráfica, de preferência acima de 3 mega pixeis e o quanto maior melhor. Também o uso de um laptop, em campo pode ser muito útil, para coletar as fotos e analisadas no próprio local. Mas a mão suja pela escavação, torna este trabalho um pouco difícil.

O uso de cinzel, martelo e pincel, é uma constante, durante uma escavação. É bom ter uma grande variedade destes materiais. O pincel é necessário, pois durante a remoção da terra, vai ficando uma poeira, que impede a visualização do fóssil, por isso ele é usado constantemente. É bom ter pinceis de vários tamanhos e dureza, pois às vezes é necessário o uso de pinceis macios. Tenho preferido o uso de cinzel com borracha de proteção na ponta, pois a borracha evita as marteladas nos dedos. É bom ter cinzéis de vários tamanhos. Uma picareta também é necessária, para remover grandes quantidades de terra. Também podem ser necessários óculos para proteção, cola para fixar, sacos e sacolas. É bom ter réguas e fitas métricas para medições. Uma prancheta com papel e lápis para anotações.

Quando sair para a procura de fósseis deve-se levar pouca coisa. Leva-se um martelo, um cinzel, um pincel, sacos plásticos, fita de caixa, lápis, papel e câmera fotográfica. É bom ter uma mochila para carregar este material, mais uma garrafa com água, pois é muito fácil se desidratar em campo. Um bom chapéu e protetor solar. Também existem situações em que é necessário o uso de botas de borracha, pois é muito comum os afloramentos estarem em córregos e riachos.

Trabalho de laboratório[editar | editar código-fonte]

Após o material chegar ao laboratório começa a fase mais demorada de todo o trabalho. Dependendo do fóssil e suas características pode haver vários procedimentos a serem seguidos. Descreverei apenas o que geralmente ocorre durante este processo.

O fato de o material estar no laboratório, permite que a remoção da terra possa ser feita lentamente e com mais cuidado do que em campo, acarretando menos dados ao fóssil. É feito o uso constante de fotografia durante a remoção da terra, para documentação da posição dos ossos.

Usa se espátulas para remover a terra e em alguns casos brocas de diamante, do mesmo tipo usado por dentistas, para remover restos de concreto.

Também pode haver a quebra de ossos durante a remoção, o que requer o uso de cola. Para fichar o fóssil durante o processo de colagem, usa-se massa de modelar.

Usa-se uma caixa com areia para colocar-se os ossos, conforme são removidos do local onde estão e colocando-os em uma posição correspondente na caixa. Também pode se fazer um molde do fóssil, para ser posto em um museu mostrando a posição dos ossos conforme ele estava enterrado.

Muitas vezes quando falta um pedaço do fóssil, usa-se um complemento feito de durepox.

Dependendo do estado de conservação do fóssil pode ser necessário o uso de fixadores para preservar-lo.

Réplica de Fósseis[editar | editar código-fonte]

Figura 1.
Figura 2.

Deve-se fazer o máximo para preservar o fóssil, por isso são feitas cópias do fóssil e geralmente as copias devem ser expostas em museus. Esta técnica permite que um fóssil possa ser exposto em vários museus, além de preservar o original. Também é bom fazer uma cópia matriz que será usado como base para fazer futuras cópias.

Antigamente as cópias eram feitas de gesso, e os moldes eram feitos de borracha. Hoje se costuma usar silicone como molde e as cópias são feitas de poliuretano.

  • Prepare um desmoldante para ser usado no processo. Deve ser feito com uma mistura de vaselina sólida misturada a vaselina liquida. Nunca usar apenas uma, a vaselina liquida flutua e deixa as rachaduras do fóssil sem preenchimento, o que pode danificar-lo quando for removido o molde negativo do silicone. A vaselina sólida preenche as rachaduras, mas deixa farpas que podem descaracterizar a cópia.
  • A caixa para o molde deve ser feita com cartolina, plastificada em um dos lados. A caixa dever ser feita para ficar do tamanho do fóssil (caixa em vermelho na Figura 1). As extremidades da caixa devem ser coladas com fita de caixa, para impedir o vazamento do silicone. Passe o desmoldante dentro da caixa.
  • Para endurecer o silicone deve ser adicionado um catalisador, use as especificações do fabricante. Coloque um pouco de silicone no fundo da caixa para que fique com uma base no fundo para que possa ser deitado o fóssil. Espere 48 horas para o endurecimento do silicone.
  • O fóssil é o osso da perna de um Rincossauro, coletado no Geoparque da Paleorrota. Passe o desmoldante de vaselina no osso, preenchendo bem as rachaduras, para evitar danos. (Fóssil original está em baixo a esquerda na Figura 1).
  • Coloque o fóssil dentro da caixa, em cima da base já endurecida de silicone. Prepare um novo silicone e preencha a caixa até cobrir a metade do fóssil e espere mais 48 horas. Terminado você terá o molde em azul que esta a direita na Figura 1.
  • Terminado de endurecer o silicone, passe uma camada de desmoldante em cima da superfície do silicone, para que ele no cole com a próxima camada que será colocada em cima desta.
  • Usando massa de modelar, crie uns cones que devem postos em cima do fóssil, na parte mais alta. Isso é necessário para criar furos por onde deve entrar o poliuretano.
  • Prepare um novo silicone e preencha a caixa até cobrir totalmente o fóssil deixando aparecer apenas uma parte da massa de modelar. Espere mais 48 horas. Terminado você terá o molde em azul que esta a esquerda na Figura 1.
  • Retire a massa de moderar, remova a parte de cima do moldo de silicone, retire o fóssil e retire a parte de baixo do molde. Agora você deve ter duas peças de silicone que formam o negativo do molde.

Agora chegou o momento de fazer a cópia (positivo) de poliuretano. O poliuretano também requer um catalisador, e após adicionar o catalisador o endurecimento é rápido, alguns minutos, e o material aquecer um pouco devido à reação química. Também é possível adicionar corantes ao poliuretano para dar varias cores a cópia. Consulte com o fornecedor do produto.

  • Passe um pouco de desmoldante dentro da cavidade de silicone onde vai ficar a cópia do fóssil.
  • Coloque as duas peças negativas do molde uma sobre as outra.
  • Coloque o catalisador no poliuretano e a partir de agora seja rápido, e injete o poliuretano pelo furo que foi feito no molde negativo. O material esquenta um pouco, aguarde alguns minutos e retire a cópia do molde.
  • Deixe a cópia descansar por um dia, para que adquira a sua dureza máxima. As copias de poliuretano podem se quebra facilmente se forem derrubadas. À direita em baixo, na Figura 1, temos uma cópia em poliuretano sem corante. No centro em baixo, na Figura 1, temos uma cópia em poliuretano com corante branco.
  • Na Figura 2 à esquerda, temos o fóssil original dentro do molde. Na Figura 2 à direita, temos a cópia do fóssil.

A cópia pronta, um paleoartista pode pinta-la para adquirir uma aparência de fóssil verdadeiro. O processo para fazer uma cópia, pode ser mais complexo. De um molde podem ser feitas dezenas de cópias. É bom guardar as primeiras cópias como matrizes para futuras copias, evitando danificar o original.

Documentação[editar | editar código-fonte]

Todas as peças coletadas devem ser enumeradas e catalogadas em um inventario. Também é bom tirar fotos de inventário. Pois as fotos são importantes como documentação e também para divulgação. As cópias são maneiras de divulgar a paleontologia nas escolas e museus.

Paleontólogos eminentes[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Para saber mais[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Livros que tratam da paleontologia no Rio Grande do Sul:

  • Do Mar ao Deserto.Autor : Michael Holz. Para todas as idades, profissionais e amadores. Conta toda a História do que viria a ser o estado do Rio Grande do Sul, através das várias eras geológicas.
  • Elementos Fundamentais de Tafonomia.Autores : Michael Holz e Marcello G. Simões. Para quem quer se aprofundar em Paleontologia.
  • Paleobotânica. Autores: Roberto Iannuzzi e Carlos E. L. Vieira. Para quem quer se aprofundar em Paleobotânica.
  • Dossier PaleoTerraUma base de dados de links para quem quer se aprofundar em Paleontologia