Panchatantra

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Uma página do Kelileh o Demneh datada de 1429, de Herat, uma tradução em persa do Panchatantra derivada da versão árabeKalila wa Dimna — descreve o jacal-vizir manipulativo, Dimna, tentando levar seu rei-leão à guerra.

O Panchatantra[1] [2] [3] [4] (IAST: Pañcatantra, sânscrito: पञ्चतन्त्र, 'Cinco Princípios') é a mais antiga coleção de fábulas indianas conhecida. Originalmente era uma coleção de fábulas com animais em verso e prosa em sânscrito (hindu) e em pali (budista). O texto original em sânscrito, atualmente perdido, que foi provavelmente composto no século III AEC,[5] é atribuido a Vishnu Sarma. Entretanto, sendo baseado em tradições orais mais antigas, seus antecedentes entre contadores de histórias provavelmente são tão antigos quanto a origem da língua e dos primeiros agrupamentos sociais do subcontinente de caçadores e pescadores reunidos em torno de fogueiras.[6] É certamente o produto literário da Índia mais traduzido e possui mais de 200 versões em mais de 50 línguas.[7]

Na décima terceira narrativa encontramos uma história com temática similar a da nossa conhecida Festa no Céu.

Trata-se da história de "Kambugriva, uma tartaruga que morava no lago Fulatpala, no país de Magada. Dois gansos, Sancata e Vicata, para salvá-la da estiagem que seca as águas do lago, levam-na pelos ares, segura pela boca a um bastão. Vendo o espanto dos lavradores que a olham nas nuvens, Kambugriva abre a boca para dizer: que admiração é esta? E vem morrer aos pedaços, nos rochedos"[8]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Rajan 1993
  2. Ryder 1925
  3. Olivelle 1997
  4. Dharma 2004
  5. Jacobs 1888, Introdução, página xv: "A data mais recente na qual as histórias estão conectadas está fixada pelo fato de que algumas delas foram esculpidas ao redor dos templos budistas sagrados de Sanchi, Amaravati e Bharhut, no último caso com o título de Jatakas sobrescrito. Estes foram dataos por arqueologists indianos como anteriores a 200 AEC, e Mr Rhys-Davids produz evidencia que colocaria as histórias tão cedo quanto 400 AEC. Entre 400 AEC e 200 AEC, muitas de nossas histórias foram colocadas num padrão formado pela vida e experiência do Buda."
  6. Problems, Myths and Stories por Doris Lessing, Institute for Cultural Research Monograph Series No. 36, p 13, London 1999: "... quando nós no nosso tempo falamos de histórias, contos, nós frequentemente esquecemos que para a maior parte da história humana, milhares de anos — histórias eram contadas ou cantadas. Leitura veio muito mais tarde, é comparativamenterecente, e mudou não apenas a forma com a qual recebemos as histórias, mas também a forma como pensamos. A revolução da imprensa perdeu-nos nossas memórias — ou parcialente. Antes guardavam-se as informações nas cabeças. Pode-se encontar ainda hoje um velho ou velha, iletrado, que nos lembra o que uma vez fomos — o que todos foram. Eles lembram-se de tudo, o que foi dito por quem, quando e porquê: datas, lugares, endereços, história. Eles não precisam usar livros de referência. Esta faculdade desapareceu com a escrita."
  7. Introdução, Olivelle 2006
  8. Luis da Câmara Cascudo, Literatura Oral no Brasil, Belo Horizonte: Itatiaia, 1984.

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