Papa Alexandre VI

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Alexandre VI
214º papa
Brasão pontifical de Alexandre VI
Nome de nascimento Rodrigo Bórgia
Nascimento Valência, Espanha,
1 de Janeiro de 1431
Eleição 11 de Agosto de 1492
Fim do pontificado 18 de agosto de 1503 (72 anos)
Antecessor Inocêncio VIII
Sucessor Pio III
Listas dos papas: cronológica · alfabética
Papa Alexandre VI

Alexandre VI, nascido Rodrigo de Borja, italianizado em Roderico Borgia (Xàtiva, 1 de Janeiro de 1431Roma, 18 de Agosto de 1503) foi o 214º papa da Igreja Católica, de 10 de Agosto 1492 até a data da sua morte[1] [2] , adotou o nome de Rodrigo Borgia ao chegar à Itália.

Natural de Valência[2] , estudou em Roma depois foi com seu primo Luis Juan del Milà y Borja foi para a Universidade de Bolonha aonde completou os estudos obtendo a graduação em leis.[3]

O nome de sua família foi elevado à cátedra do Vaticano com a eleição do seu tio materno, Afonso Bórgia, como Papa Calisto III, por quem foi feito cardeal.[2] Foi sucessivamente elevado a cargos de mais qualidade: bispo, cardeal e vice-chanceler da Igreja. Se tornou um grande diplomata após servir à Cúria Romana durante cinco pontificados, adquiriu experiência administrativa, influência e riqueza, mas não grande poder.

Ele teve várias amantes, em particular Vanozza Catanei, tendo sido também sua amante Giulia Farnese, mulher de Orsino Orsini Migliorati.

Família[editar | editar código-fonte]

Foram seus pais Jofré de Borja i Escrivà e Isabella Bórgia, irmã do cardeal Alfonso Borja que foi o Papa Calisto III[1] . Era primo do cardeal Luis Juan del Milà y Borja, tendo sido o pai do também cardeal Cesare Borgia. Foram seus descendentes os cardeais Juan de Borja Llançol de Romaní, Pedro Luis de Borja Llançol de Romaní, Francisco Lloris y de Borja e Rodrigo Luis de Borja y de Castre-Pinós.[3]

Seu relacionamento com a dama romana Vannozza dei Cattanei começou em 1470, e eles tiveram quatro filhos:

Outros filhos com maternidade não registrada foram:

Com Giulia Farnese possivelmente teve uma filha:

  • Laura Orsini (1492-1530)

Eleição[editar | editar código-fonte]

Rodrigo Bórgia usou sua fortuna e promessas para comprar a maior parte dos votos dos vinte e três cardeais quando se realizou o conclave para definir a sucessão do papa Inocêncio VIII.[2] No conclave houve três candidatos: ele próprio, Ascanio Sforza e Giuliano della Rovere. Reuniram-se em agosto de 1492, na capela apelidada Capela Sistina, por ter sido construída pelo papa Sisto IV, adornada com obras-primas de Botticelli, Pinturicchio, Ghirlandaio e Michelangelo. A eleição foi definida na madrugada de 10 para 11 de agosto. A coroação se deu em 26 de agosto[4] Rodrigo Bórgia tinha 60 anos, adotou o nome de Alexandre VI (em latim, Alexander VI), e teve infeliz distinção de ser considerado, por muitos, o pior de todos os papas.[2]

Papado[editar | editar código-fonte]

O papado de Alexandre VI começou tranqüilo, mas não tardou para que se manifestasse sua ganância em sacrificar todos os interesses em favor da família. Nomeou Cardeais o seu filho de dezesseis anos, César Bórgia, os seus sobrinhos Francisco Borgia e Juan Lanzol de Bórgia de Romaní, o maior, um primo deste último Juan Castellar y de Borgia (it. Giovanni), os seus sobrinhos-neto Juan de Borja Llançol de Romaní, o menor, Pedro Luis de Borja Llançol de Romaní e Francisco Lloris y de Borja e o cunhado do seu filho César, Amanieu d'Albret. César seria posteriormente retratado por Maquiavel em sua obra O príncipe como o ideal do político e governante pragmático.

Detalhe do afresco Ressurreição do apartamento de Borgia que mostra o Alexandre VI em oração.

O cardeal Della Rovere o acusou de simonia, e trouxe o rei da França Carlos VIII para depô-lo, mas Bórgia fez um acordo, permitindo o trânsito dos exércitos franceses, e foi reconhecido como Papa pelo rei francês.[2] Enquanto isto, ele negociou com o imperador alemão Maximiliano I e os governantes da Espanha e Veneza uma aliança, que derrotaram os franceses.[2]

Um de seus acusadores era o frei dominicano Girolamo Savonarola, que havia conseguido reformar Florença através de muita coragem e uma brilhante oratória.[2] Alexandre se conteve, diante dos ataques de Savonarola, até que, enfraquecido por ter repetidamente quebrado seu voto de obediência ao chefe da Igreja, Savonarola sofreu a sentença de excomunhão. Savonarola, porém, continuou seus ataques, e a ministrar a comunhão, e desafiou caminhar nas chamas para provar que ele tinha a palavra de Deus. Um outro frei dominicano se ofereceu para ir junto, porém quando o circo foi armado, e a multidão estava ansiosa para assistir ou um milagre ou uma tragédia, o frei se recusou a entrar nas chamas, e a influência de Savonarola diminuiu.[2]

Um dos seus maiores desgostos foi quando seu filho, o Duque de Gandia, foi assassinato, com suspeitas recaindo sobre César Bórgia; quando seu corpo, mutilado, foi encontrado no Rio Tibre, o papa, entristecido, clamou que isto era uma punição por seus pecados. Após a morte do filho, Alexandre convocou os cardeais para reformar a Igreja e acabar com o nepotismo. Mas as reformas não foram adiante.[2]

Seu pontificado é um paradigma de corrupção papal ocasionada pela invasão secular dentro da Igreja, mais tarde esse fato foi tido como desculpa para a separação dos protestantes. Alexandre VI protegeu as Ordens Religiosas, aprovando Congregações recém-fundadas e a evangelização do Novo Mundo e da Groelândia.[5]

Durante seu pontificado, foram decretadas as Bulas Alexandrinas, tratados responsáveis pela divisão das possessões portuguesas e espanholas no mundo. Dentre elas são destaque as bulas Inter Coetera, Eximiae Devotionis e Dudum Siquidem. As negociações ibéricas levaram ao Tratado de Tordesilhas que confirmaria a divisão do mundo entre Portugal e Espanha, que foi contestado por outros monarcas, com destaque para Francisco I de Angoulême, rei da França. Tanto a França como a Inglaterra não reconheceram a decisão papal e estabeleceram colônias nas novas terras descobertas.[5]

Morte[editar | editar código-fonte]

Tumba dos papas Calisto III e Alexandre VI, na igreja Santa Maria in Monserrato degli Spagnoli, em Roma.

Durante o verão de 1503, Alexandre e César ficaram gravemente doentes; o filho conseguiu se recuperar, mas o pai morreu, e houve boatos de que cada um havia ficado doente ao tomar vinho envenenado que era destinado ao outro. John Farrow não acredita nesta história, porque houve uma epidemia de febre durante este verão em Roma, e o mais provável é que ambos tenham sido infectados pela mesma doença, mas foi comprovado que ao tentar dar uma maçã envenenada para Cesare, Lucrécia o avisa e ele enfia a maçã na bocado próprio pai. [2]

Segundo Charles Haddon Spurgeon, ele foi envenenado pelo vinho que ele havia preparado para envenenar outra pessoa.[6] Seu funeral foi breve e sem grandes comemorações, tendo sido sepultado com a seguinte epígrafe em seu túmulo em Espanha: "Aqui Jaz Alexandre VI, que foi papa". O seu túmulo encontra-se na igreja de Santa Maria in Monserrato.

Legado[editar | editar código-fonte]

Alguns historiadores consideram que as histórias sobre ele foram escritas com malícia, e questionam as acusações feitas contra ele, mas, exageros à parte, ele não estava preparado para o cargo. De acordo com John Farrow, o melhor que se pode dizer dele é que sua moral privada não era diferente dos príncipes de sua época, e que, se as histórias soam escandalosas hoje, na sua época não causavam nenhuma surpresa.[2]

Como a maior parte dos papas do Renascimento, Alexandre patrocinou as artes, e Roma beneficiou-se de seu programa de restaurações e decorações. A cidade floresceu com poetas e autores.[2]

A favor[editar | editar código-fonte]

Nem todos seus contemporâneos o acusaram; Sigismundo Conti, que o conhecia bem, elogiou sua dedicação à Igreja e sua atuação nos trinta e sete anos em que foi cardeal (nos papados de Pio II, Paulo II, Sixto IV e Inocêncio VIII), seu trabalho como legado na Espanha e na Itália, seu conhecimento da etiqueta, e seus esforços em se mostrar brilhante nas conversas e digno em seus modos.[2]

Hieronimus Portius o descreveu como um homem alto, nem muito pálido nem muito moreno, de olhos negros, de boca cheia; sua saúde era ótima, e ele conseguia resistir a qualquer esforço; era eloquente no discurso e uma natureza boa.[2]

O historiador alemão Hartmann Schedel, após fazer um resumo de sua carreira, o descreve como um homem de visão ampla, abençoado com grande prudência, habilidade de ver o futuro, e conhecimento do mundo; por seu conhecimento dos livros, apreciação da arte e probiedade ele foi um sucessor digno do seu tio Calisto III; ele era amável, confiável, prudente, piedoso e conhecedor dos assuntos relacionados ao seu digno cargo; Schedel termina dizendo que foi uma bênção que uma pessoa com tantas virtudes tenha sido elevada a esta posição digna.[2]

Quanto às críticas que eram feitas, Alexandre comentou que "Roma é uma cidade livre, aqui todos tem o direito de escrever e falar o que quiserem".[2]

Um autor escreveu "Não existe abuso ou vício que não seja praticado abertamente no palácio do Papa. A perfidez dos Citas e dos Cartagineses, a bestialidade e selvageria de Nero ou Calígula, são superadas. Rodrigo Bórgia é um abismo de vício, um subversor de todas as justiças, humana e divina". Este autor não sofreu nenhuma vingança, e foi recebido pelo Papa em audiência.[2]

Contra[editar | editar código-fonte]

O julgamento de Savonarola, porém, foi diferente; ele escreveu aos reis cristãos pedindo que fosse convocado um concílio para depô-lo, o acusando de simonia, heresia e descrença. Ainda segundo Savonarola, Alexandre não era um papa, e não era nem cristão, porque não acreditava em Deus.[2]

Na cultura[editar | editar código-fonte]

  • Alexandre VI - Bórgia o Papa Sinistro, livro do historiador alemão Volker Reinhardt.[7]
  • A lenda negra - Os Borgias, livro do jornalista, professor de história e literatura italiana Mario Dal Bello.[8]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Este artigo incorpora texto da verbete Pope Alexander VI na Catholic Encyclopedia, publicação de 1913 em domínio público.
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t John Farrow, Pageant of the Popes (1942), Fifteenth Century [em linha]
  3. a b BORJA Y BORJA, Rodrigo de (1430/1432-1503) (em inglês). Florida International University.. Página visitada em 22 de março de 2014.
  4. McBRIEN, Richard P. Os Papas. Edições Loyola. 2000.
  5. a b Estevão Bettencourt. Papa Alexandre VI (1492-1503). Revista "Pergunte e Responderemos". Página visitada em 22 de março de 2014.
  6. Charles Haddon Spurgeon, The Treasury of David (1869-85), Salmos, Capítulo 28 [em linha]
  7. Leia trecho de Alexandre VI - Bórgia o Papa Sinistro. Livraria da Folha, UOL. Página visitada em 22 de março de 2014.
  8. Antonio Gaspari. Uma leitura que reavalia o papa Alexandre VI. Página visitada em 22 de março de 2014.


Precedido por
Inocêncio VIII
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Papa

214.º
Sucedido por
Pio III


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