Papa Inocêncio III

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Inocêncio III
176º papa
Brasão pontifical de Inocêncio III
Nome de nascimento Lotario
Nascimento Anagni, Itália,
1160 (ou 1161)
Eleição 8 de janeiro de 1198
Fim do pontificado 16 de Julho de 1216 (56 anos)
Antecessor Celestino III
Sucessor Honório III
Listas dos papas: cronológica · alfabética

Papa Inocêncio III (Anagni, Itália, 1160 ou 116116 de Julho de 1216 na Perugia [1] ), considerado pelos historiadores como o papa mais poderoso da história, foi papa de 8 de janeiro de 1198 até à data da sua morte. Nasceu com o nome Lottario dei Conti di Segni, por vezes escrito apenas como Lotário de Segni.

Nascido em uma notável família nobre italiana, com grande influência na Igreja, inicialmente teve uma formação educacional requintada e logo ocupou vários cargos eclesiásticos na Cúria Romana.

Eleito papa em 1198, Inocêncio III convocou o IV Concílio de Latrão, o mais fundamental concílio da Idade Média, que teve grande importância em diversos campos teológicos.

Desempenhou um papel importante na política da França, Suécia, Bulgária, Espanha, e especialmente na Inglaterra.[2] .

Foi contemporâneo de São Francisco de Assis e é muito conhecido por ter aprovado sua recente ordem religiosa.

No entanto ele é mais lembrado possivelmente pelas suas fortes afirmações em defesa do primado papal, tendo continuado às medidas disciplinares conhecidas como Reforma Gregoriana, iniciada no século XI, bem como sua importante participação em questões seculares, que o levou a reposição dos direitos papais no Sacro Império Romano-Germânico.

Assim como por ter convocado a Cruzada albigense e a Quarta Cruzada ao Oriente, assim como uma Quinta Cruzada que não chegou a assistir.

O papa, ao ver a Quarta Cruzada ser desviada para Constantinopla e apesar de ter castigado os cruzados que atacaram cidades cristãs, manteve sua presença neste local, porque sentia, erroneamente, julgava que ela traria uma reconciliação entre a Igreja Ortodoxa e a Igreja Católica.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Vida inicial e eleição para o papado[editar | editar código-fonte]

Lotário de Conti nasceu em Anagni, Itália.[1] O seu pai era o Conde Trasimund de Segni e era membro de uma famosa casa, Conti, do qual posteriormente provieram nove Papas, incluindo o Papa Gregório IX (1227-1241), o Papa Alexandre IV (1254-1261) e o Papa Inocêncio XIII (1721-1724). Apesar de Lotário ser habitualmente identificado como sobrinho do Papa Clemente III (1187-1191), na realidade isto é um erro, devido à semelhança entre o nome da família de Clemente, Scolari, com o de Scotti, a família romana da mãe de Lotário, Clarice.[3]

Lotário estudou em Roma, onde recebeu a sua formação inicial, posteriormente em Paris, estudou teologia, e em Bolonha, estudou jurisprudência. Pouco depois da morte de Alexandre III (30 de agosto de 1181), Lotário retornou a Roma e ocupou vários cargos eclesiásticos durante os curtos pontificados de Lúcio III, Urbano III, Gregório VIII e Clemente III, que o tornou Cardeal-diácono de São Jorge em Velabro, e Santos Sérgio e Baco em 1190, e depois Cardeal-presbítero de Santa Pudenciana.[4]

Durante o pontificado do Papa Celestino III (1191-1198), membro da Casa de Orsini e inimigo da Casa dos Segni, retirou-se para Anagni, dedicando-se a literatura. Neste período, Lotário escreveu "A miséria da condição humana" (De Miseria Humanae Conditionis).[5] O seu trabalho foi muito popular por séculos, sobrevivendo em cerca de 500 manuscritos. Ele nunca retornou ao trabalho complementar que pretendia escrever "Sobre a dignidade da natureza humana".[6]

Celestino III morreu no dia 8 de janeiro de 1198. Antes de sua morte, pediu ao Colégio de Cardeais para eleger Giovanni di San Paolo como seu sucessor,[4] mas, tal não foi atendido pois foi o nosso Lotário de Conti que é eleito papa, em Roma, em 22 de fevereiro de 1198. Depois de coroado, tomou o nome de Inocêncio III. Tinha apenas trinta e sete anos de idade na época.[1]

Reposição do poder papal[editar | editar código-fonte]

Como papa, Inocêncio III desenvolveu um sentido muito amplo de sua responsabilidade e autoridade. A recaptura de Jerusalém pelos muçulmanos em 1187, foi considerado por Inocêncio um castigo divino devido aos lapsos morais dos príncipes cristãos. Ele também determinou a proteção da liberdade da Igreja dos príncipes seculares. Essa determinação significa, entre outras coisas, que os príncipes não deviam ser envolvidos na escolha dos bispos, e foi focado principalmente nos Estados Pontifícios, localizados no centro da Itália, que era rotineiramente ameaçado pelos reis alemães da Casa de Hohenstaufen que, como os imperadores romanos, reivindicavam este território para si próprios.

Com a morte do imperador Henrique VI, posteriormente seu filho, o príncipe Frederico II deveria se tornar rei da Sicília, rei dos alemães, e imperador romano, uma combinação que deixava a Alemanha, Itália e Sicília sob um único governante e os Estados Pontifícios extremamente vulneráveis.[1] A viúva de Henrique VI, mãe de Frederico, Constança, governou a Sicília, antes que seu filho atingisse a maioridade. Antes de sua morte, em 1198, Constança tornou Inocêncio guardião de Frederico, até que ele atingisse a maioridade. Desta forma, Inocêncio recuperou os direitos papais na Sicília, que haviam sido abolidos décadas antes por Guilherme I da Sicília sob o Papa Adriano IV (1154-1159).

Participação nas eleições imperiais e poder feudal na Europa[editar | editar código-fonte]

A participação do Papa Inocêncio III nas eleições imperiais do Sacro Império Romano Germânico foi documentada por muitas de suas cartas, dentre elas estão:

Sobre a autoridade papal: Carta ao prefeito Acérbio e os nobres da Toscana, 1198,
Assim como o Fundador do universo estabeleceu duas grandes luzes no firmamento do céu, a luz maior para governar o dia e a luz menor para governar a noite, assim também Ele estabeleceu duas grandes dignidades no firmamento da Igreja universal (…), a maior para governar o dia, isto é, as almas, e a menor para governar a noite, isto é, os corpos. Estas dignidades são a autoridade papal e o poder real. Agora, assim como a lua retira sua luz [quando surge] o sol; e é certamente menor em quantidade e qualidade, na posição e no poder, assim também o poder real deriva do esplendor da dignidade da autoridade pontifícia (…)".[7]

Outras cartas de Inocêncio III enviadas durante esta tentativa de garantir o poder papal e minimizar a autoridade dos imperadores foram escritos sob o título de "Políticas Papais":

  • "Em Heresia": carta ao arcebispo de Auch, 1198;
  • "Em Usura": Carta aos bispos franceses, 1198;
  • "A Independência da Igreja/Dízimos": Carta a um bispo, 1198;
  • "Na cruzada e no Comércio, Sarracenos": Carta aos venezianos, 1198;
  • "Sobre os judeus": Decreto de 1199.[8]

Durante o pontificado de Inocêncio III, os papas estavam no auge de seu poder temporal, e Inocêncio foi considerado a pessoa mais influente na Europa no momento,[9] sendo que ele afirmou a suprema autoridade espiritual dos papas. Com a morte do imperador Henrique VI da Germânia em 1197, o seu sucessor, segundo as regras vigentes, deveria ser designado pelo papa, embora Inocêncio tenha afirmado que não tinha intenção de usurpar os direitos dos príncipes, ele insistiu sobre os direitos da Igreja nesta matéria, e enfatizou especialmente que a atribuição da coroa imperial devia ser feita somente pelo papa. Assim declararam-se dois candidatos na eleição: Otto IV (de Brunswick, da família Welf), favorito do papa e apoiado pelo seu tio João I da Inglaterra, e Filipe da Suábia, irmão de Henrique VI apoiado por Filipe II. Em 1201 o papa decidiu ficar abertamente ao lado de Otto IV.

Em 3 de julho de 1201, o legado papal, o cardeal-bispo da Palestrina; Guido, anunciou para o povo, na catedral de Colónia, que Otto IV tinha sido aprovado pelo Papa como rei romano e havia ameaçado de excomunhão todos aqueles que se recusassem a reconhecê-lo.

Inocêncio III apresenta uma bula "Venerabilem", que fala sobre as responsabilidades dos príncipes alemães, se dirigindo ao duque de Zähringen em maio de 1202. Esse decreto, que se tornou famoso, foi mais tarde incorporada no "Corpus Juris Canonici."

  • Os príncipes alemães têm o direito de eleger o rei, que depois se torna imperador. Este direito foi-lhes dado pela Sé Apostólica (…);
  • O direito de decidir se um rei assim eleito é digno das insígnias imperiais pertence ao papa, cuja responsabilidade é ungí-lo, consagrá-lo, e coroá-lo (…);
  • Se o papa considera que o rei que foi eleito pelos príncipes é indigno das insígnias imperiais, os príncipes devem eleger um novo rei, ou, se recusarem-se, o papa irá conferir a dignidade imperial para outro rei, porque a Igreja é (…) uma patrona e defensora,
  • Em caso de uma dupla eleição, o papa deve exortar os príncipes a chegar a um acordo. Se depois de um devido intervalo, eles não chegarem a um acordo, devem pedir ao Papa para arbitrar, pois ele pela sua própria vontade e pela força do seu cargo deve decidir a favor de um dos reclamantes. A decisão do papa não precisa ser baseadas na legalidade maior ou menor de uma eleição, mas sobre a qualificação dos requerentes.[1]

Inocêncio arrepender-se-ia do apoio que dera a Otto, pois ele mostraria ambições sobre os Estados Pontifícios, sendo que Inocêncio o excomungou. Inocêncio e Filipe II de França negociam com Frederico II da Germânia, filho de Henrique VI e o coroa rei dos Romanos em Mogúncia em 1212. Apesar de excomungado, Otto tentou permanecer no poder aliando-se com a Inglaterra (ele era o sobrinho de João sem terra), Otto é derrotado na Batalha de Bouvines no que é hoje a Bélgica, em 27 de julho de 1214 e Frederico II se torna indiscutivelmente o rei, o que já era por direito embora representasse um perigo para as aspirações da Santa Sé.

Cruzadas e supressão de heresias[editar | editar código-fonte]

Afresco do Papa Inocêncio III no mosteiro beneditino de Subiaco, Lazio, em torno de 1219.

Inocêncio III foi um vigoroso adversário das heresias, e empreendeu várias campanhas, tanto pacíficas quanto violentas contra elas. No início de seu pontificado, ele incidiu sobre os albigenses, uma seita que vinha crescendo no sul da França.

Em 1199, ele condenou as traduções não autorizadas da Bíblia para o francês. Dois monges cistercienses foram enviados para ensinar aos Albigenses na França a fé e os ensinamentos católicos. Em 1208, o assassinato de Pedro de Castelnau, um representante do Papa no território dos Albigenses, alterou o foco das missões, que se tornaram violentas.

Nessa altura ordena uma cruzada, que moderou com sucesso a heresia dos cátaros na França, de forma violenta.[10] [11]

Dirigi-a para Languedoc sob sob a proteção do Reino de França, a liderança de Simão de Montfort. A cruzada foi interrompida em 1213 após a batalha de Muret em que Montfort foi derrotado por Raimundo de Toulouse e matou seu aliado, Pedro II de Aragão.[12]

Inocêncio também decretou a Quarta Cruzada, de 1198, destinada a recuperar a Terra Santa. O papa dirigiu seu apelo para os cavaleiros e os nobres da Europa, em vez dos reis, Inocêncio não estava tentando deliberadamente excluir os reis, mas Henrique da Alemanha tinha acabado de morrer, bem como Ricardo I de Inglaterra (1189-1199) e Filipe II de França, não estavam dispostos à iniciar uma cruzada. A chamada de Inocêncio III foi geralmente ignorada até novembro de 1199, quando uma cruzada foi finalmente organizada em Champagne. Os cruzados foram redirecionados para capturar Zara (Zadar) em 1202 para conseguir dos venezianos navios e transporte para o exército no mar. Constantinopla seria capturada pelo príncipe Aleixo IV Ângelo em 1204. Inocêncio III ficou horrorizado com o ataque aos bizantinos por parte dos cruzados. Os cruzados que atacaram Zara foram excomungados automaticamente de acordo com as ameaças de Inocêncio, uma vez que antes do lançamento da Cruzada, Inocêncio insistiu que as cidades cristãs não deviam ser atacadas".[13]

Posição espiritual[editar | editar código-fonte]

Sobre o casamento[editar | editar código-fonte]

O Papa Inocêncio III autorizou em 1198 pela primeira vez o casamento de um surdo dizendo: "Cum quod verbis non podes signis valet declare" ou " O que não pode falar, mas em sinais pode se manifestar".[14]

Na Espanha impediu a dissolução do casamento dos reis Pedro II, de Aragão, e Afonso IX, de Leão.

Aprovação da Ordem Franciscana[editar | editar código-fonte]

"O Sonho do Papa Inocêncio III", por Giotto.

São Francisco de Assis em 1210 reuniu um grupo de seguidores e dirigiu-se a Roma para obter a autorização do Papa Inocêncio para a fundação de sua Ordem. Segundo o cronista inglês Matthew Paris, lá chegando, sujos e vestidos pobremente, foram ridicularizados pela corte de Inocêncio, que a considerava excessivamente rigorosa, no entanto mais tarde, o papa decidiu recebê-los em uma audiência formal depois que se lavassem. Francisco e seus amigos se prepararam então para esse outro encontro conseguindo o apoio de alguns prelados. Segundo os relatos antigos, nesse ínterim Inocêncio teve um sonho, onde viu a Basílica de São João de Latrão prestes a desabar, apenas sustentada por um pobre religioso, que ele interpretou como sendo Francisco[15] . Com a recomendação favorável de alguns conselheiros e com o aviso recebido em sonho, Inocêncio finalmente autorizou o estilo de vida franciscano.

Quarto Concílio de Latrão[editar | editar código-fonte]

Inocêncio III convocou o Quarto Concílio de Latrão pela bula papal "Vineam Domini Sabaoth" de 19 de abril de 1213, tendo o concílio se reunido em 15 de novembro de 1215, sendo considerado o concílio ecumênico mais importante da Idade Média.[16] Com a sua conclusão, foram emitidos setenta decretos reformatórios.

Diante das diversas heresias que contestavam doutrinas cristãs fundamentais, o concílio proclamou dogmaticamente doutrinas sobre os sacramentos, como a transubstanciação e a confissão dos pecados anualmente. Foram emitidos procedimentos para combater a corrupção clerical. O concílio também ordenou que os judeus usassem marcações especiais de identificação em suas roupas - um sinal da crescente hostilidade sentida pelos cristãos contra os judeus na região.[9]

Brasão[editar | editar código-fonte]

Papa Inocêncio III é o primeiro Papa que se conhece a adotar um brasão:

  • Descrição: Escudo eclesiástico de goles com uma águia de asas abaixadas, xadrezada de sable e jalde, armada, bicada e coroada do último – armas dos Condes de Segni. O escudo está assente em tarja branca. O conjunto pousado sobre duas chaves decussadas, a primeira de jalde e a segunda de argent, atadas por um cordão de goles, com seus pingentes. Timbre: a tiara papal de argente, com uma única coroa de jalde. Quando são postos suportes, estes são dois anjos de carnação, sustentando cada um, na mão livre, uma cruz trevolada tripla, de jalde.
Brasão pontifício de Inocêncio III
  • Interpretação: O escudo obedece às regras heráldicas para os eclesiásticos. Nele estão representadas as armas familiares do pontífice, os Condes de Segni, que estarão presentes nos brasões dos papas Gregório IX, Alexandre IV e Inocêncio XIII. O campo de goles (vermelho), simboliza o fogo da caridade inflamada no coração do Soberano Pontífice pelo Divino Espírito Santo, que o inspira diretamente do governo supremo da Igreja, bem como valor e o socorro aos necessitados, que o Vigário de Cristo deve dispensar a todos os homens. A águia é símbolo de poder, generosidade e liberdade, e sua cor, sable (preto), representa: sabedoria, ciência, honestidade e firmeza. O xadrezado é uma das nobres e antigas figuras da armaria não sendo dado senão a valentes e esforçados guerreiros, por sinal de seu valor e ousadia. (Asêncio, 45), é também emblema da milícia e modelo de estratégia militar, porque representa convencionalmente um campo de batalha. (Asêncio, 45) – como num jogo de xadrez, em que duas pessoas fazem mover, num tabuleiro, diferentes peças cujo objetivo é a tomada do rei do parceiro contrário e a defesa do seu, representa o exército em mordem de batalha, estando composto de quadros que simbolizam os batalhões e esquadrões (Baron – Playbe, 256); e por seu metal e cor tem significado próprio, sendo que jalde (ouro) simboliza: nobreza, autoridade, premência, generosidade, ardor e descortínio e sable (preto), representa: sabedoria, ciência, honestidade e firmeza. Os elementos externos do brasão expressam a jurisdição suprema do papa. As duas chaves "decussadas", uma de jalde (ouro) e a outra de argente (prata) são símbolos do poder espiritual e do poder temporal. E são uma referência do poder máximo do Sucessor de Pedro, relatado no Evangelho de São Mateus, que narra que Nosso Senhor Jesus Cristo disse a Pedro: "Dar-te-ei as chaves do reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado no céu, e tudo o que desligares na terra, será desligado no céu" (Mt 16, 19). Por conseguinte, as chaves são o símbolo típico do poder dado por Cristo a São Pedro e aos seus sucessores. A tiara papal, usada como timbre, recorda, pela simbologia da coroa, a Jurisdição (o poder régio ou temporal) do papa sobre os territórios da Igreja.

Morte e legado[editar | editar código-fonte]

A tumba de Inocêncio III na Basílica de São João de Latrão.

Após o IV Concílio de Latrão, na primavera de 1216, Inocêncio mudou-se para o norte da Itália, em uma tentativa de conciliar as cidades marinheiras de Pisa e Gênova, removendo a excomunhão sobre Pisa decretada pelo seu antecessor, Celestino III e fazendo um pacto com Génova, para motivá-los religiosamente e comercialmente.[17]

Inocêncio III, no entanto, morreu repentinamente em Perugia, em 16 de julho de 1216. Após sua morte seu corpo foi esquecido numa saleta por alguns dias.[18] Só depois deste incidente ele foi sepultado na catedral de Perugia, onde seu corpo permaneceu até o Papa Leão XIII o transferir para a Basílica de São João de Latrão, em dezembro de 1891.

Efígie de Inocêncio III, no Congresso dos Estados Unidos, referido como um dos grandes legisladores da história e do mundo.

O legado mais significativo de Inocêncio III foi na definição do direito canónico, se tornando um dos maiores juristas de seu tempo.[1] Geralmente considera-se que Inocêncio III foi o primeiro papa a usar um brasão pessoal, além dos simbolismos próprios da Santa Sé. Duas de suas obras latinas ainda são amplamente lidas atualmente: De Miseria Humanae conditionis, um tratado sobre o ascetismo que Inocêncio III escreveu antes de se tornar papa, e De Sacro altaris Mysterio, que é uma descrição e uma exegese da liturgia.

Santa Lutgarda e Inocêncio III[editar | editar código-fonte]

Santa Lutgarda relatou que teve uma visão, na qual, viu Inocêncio III no purgatório no mesmo dia que ele morreu.

Apareceu-lhe no seu convento, em Aywieres, em Brabant, envolvido em chamas e declarava para ela: "Eu sou o Papa Inocêncio". Continuou explicando que estava no purgatório por três falhas. Solicitou a Lutgarda viesse em seu auxílio através de orações, dizendo: "Ai de mim! É terrível, e vai durar por séculos, se você não vier em meu auxílio. Em nome de Maria, que obteve para mim, o favor de apelar para você, ajude-me!". Naquele momento, ele desapareceu e Santa Lutgarda informou suas irmãs do que ela tinha visto.[19]

Referências

  1. a b c d e f Pope Innocent III Catholic Encyclopedia; New Advent. Visitado em 2009-10-01.
  2. Powell, James M. Innocent III: Vicar of Christ or Lord of the World? Washington: Catholic University of American Press, 2nd ed., 1994. ISBN 0813207835
  3. Michele Maccarrone, "Innocenzo III prima del pontificato," Archivo della R. Deputatazione romana di Storia patria, 66 (1943):59-134 at 66. Werner Maleczek, Papst und Kardinalskolleg von 1191 bis 1216, Vienna 1984, p. 101-104, do not mention this relationship at all.
  4. a b Giovanni Lotario di Segni, o papa Inocêncio III. Visitado em 2009-10-01.
  5. De miseria conditionis humanae Open Library. Visitado em 2009-11-05.
  6. On the dignity of human nature, Pope innocent III The Cambridge history of Renaissance philosophy. Visitado em 2009-11-05.
  7. Innocent III (r.1198-1216): Letters on Papal Polices Medieval Sourcebook. Visitado em 2009-10-01.
  8. "A Source Book for Medieval History," New York, 1905
  9. a b "Civilization in the West," Kishlansky, Geary, O’Brien, Volume A to 1500, Seventh Edition, pg. 277 e 278.
  10. Pope Innocent III About.com: Medieval History. Visitado em 2009-11-05.
  11. Pope Innocent III New World Encyclopedia. Visitado em 2009-11-05.
  12. Albigenses The Ecole Glossary. Visitado em 2009-11-05.
  13. Twelfth Ecumenical Council: Lateran IV 1215 Medieval Sourcebook. Visitado em 2009-10-01.
  14. Fonseca, Andreia. TEXTOS QUE AJUDAM A LUTAR Surdez Infor. Visitado em 2009-10-01.
  15. O sonho do Papa CBMF. Visitado em 2009-10-01.
  16. Brenda Bolton. A Reforma na Idade Média. Lisboa: Edições 70, 1985, p.126.
  17. Theology Library Archives
  18. Besen, Pe. José Artulino. MOVIMENTOS DE RENOVAÇÃO E REFORMA. Jornal - "MISSÃO JOVEM". Visitado em 2009-10-01.
  19. Schouppe, Fr. F.X., Purgatory. TAN, 2005

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Innocenzo III: Urbs et Orbis. 2 vols. Atti del Congresso Internazionale, Roma, 9-15 settembre 1998, ed. Andrea Sommerlechner. Rome, 2003.
  • Moore, John C. "Pope Innocent III (1160/61 - 1215): To Root Up and to Plant". Brill, 2003; Pbk U. of Notre Dame P., 2009.
  • Sayers, Jane. "Innocent III: Leader of Europe, 1198-121." Longman, 1994.
  • Werner Maleczek, Papst und Kardinalskolleg von 1191 bis 1216, Wien 1984
  • Lavergne, Félix Jr.. The Glory of Christendom. [S.l.]: Christendom Press, 1993.
  • Rendina, Claudio. I papi - Storia e segreti. Rome: Newton Compton, 1983.
  • Barraclough, Geoffrey. The Medieval Papacy. London: Thames and Hudson, 1968.
  • Moore, John C. "Pope Innocent III, Sardinia, and the Papal State." Speculum, Vol. 62, No. 1. (Jan., 1987), pp 81–101.
  • The Catholic Encyclopedia, Volume VIII. Published 1910. New York: Robert Appleton Company.
  • Papal Monarchy. August 27, 2007. Union County College . October 12, 2007
  • "A Source Book for Medieval History" New York, 1905.
  • "Civilization in the West" Kishlansky, Geary, O’Brien, Volume A to 1500, Seventh Edition
  • Powell, James M. "Innocent III: Vicar of Christ or Lord of the World?" Washington: Catholic University of American Press, 2nd ed., 1994. ISBN 0813207835
  • Schouppe, Fr. F.X., Purgatory. TAN, 2005


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