Parábola do Amigo Importuno

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Ilustração da parábola.

A Parábola do Amigo importuno (ou Amigo à Meia Noite), é uma conhecida Parábola de Jesus. No entanto, ela aparece em apenas um dos evangelhos canônicos do Novo Testamento. De acordo com Lucas 11:5-8, um amigo que é um tanto sem compaixão, eventualmente, concorda ajudar o próximo, devido a suas demandas persistentes.

No artigo serão apresentados os três personagens: o amigo visitante, o amigo importuno e o amigo com má vontade. Também a interpretação e comentários de alguns comentaristas bíblicos.

Esta parábola demonstra aos cristãos a necessidade de orar e nunca desistir. É semelhante à Parábola do Juiz Iníquo.

Índice

Narrativa [editar]

" 5. Disse-lhe mais: Se um de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, 6. porque um amigo meu acaba de chegar à minha casa de uma viagem, e nada tenho para lhe oferecer; 7. e se do interior o outro lhe responder: Não me incomodes; a porta já está fechada, eu e meus filhos estamos deitados; não posso levantar-me para tos dar. 8. Digo-vos: Embora não se levante para lhos dar por ser seu amigo, ao menos por causa da sua importunação se levantará e lhe dará quantos pães precisar. "

S:Tradução Brasileira da Bíblia/Lucas/XI

Interpretação [editar]

Esta parábola aparece no Evangelho de Lucas imediatamente após Jesus ensinar o Pai Nosso, e pode, portanto, ser visto como uma continuação de Jesus ensinando seus discípulos a orar, 1 enquanto os versos que seguem ajudam a explicar o significado da parábola. Joel B. Green sugere que a pergunta que abre a parábola ("Qual de vocês que tem um amigo ...?" também expresso como" Você pode imaginar ...?") se destina a ser respondida como um enfático "Não! ", já que nenhum amigo se recusariam a ajudar em tais circunstâncias 1 . No entanto, Jesus continua a salientar que mesmo que a amizade não fosse uma motivação grande o suficiente, a ajuda ainda estaria próxima. 1 Tal como acontece com os versículos 9-13 , a parábola é, portanto, um incentivo para orar. 2 A parábola do juiz iníquo tem um significado similar. 3

Cristo alenta o fervor e a constância na oração. Os cristãos devem ir pelo que necessitam, como faz o homem que açude a seu vizinho ou amigo, que é bem com ele. vamos por pão; porque é o necessário. Se Deus não responde rapidamente as orações, o fará a seu devido tempo, se continuar orando.4

Vejam acerca de que orar: deve-se pedir o Espírito Santo, não só por necessário para orar bem, senão porque todas as bênçãos espirituais estão incluídas nisso. Porque pelo poder do Espírito Santo se conduz a Deus e ao arrependimento, a crer em Cristo e a amá-lo; assim sendo consolados neste mundo, e destinados para a felicidade no próximo. O Pai celestial está pronto para outorgar todas estas bênçãos a cada um que as peça, mais que um pai ou mãe terreno está disposto a dar comida a um menino faminto. Esta é a vantagem da oração de fé: que acalma e fixa o coração em Deus.4

Na sociedade de hoje, as pessoas freqüentemente sentem-se incapazes de orar e admitem que a habilidade de orar é presente em alguns e ausente em outros. Mas os talmidim de Yeshua, embora se, sentissem incapacitados a orar, estavam no caminho certo ao supor que Yeshua poderia ensiná-los. Seu ensino consistia em quatro partes:

  • 1) Pelo que orar (vv. 2-4).
  • 2) A importância da perseverança (vv. 5-10).
  • 3) A certeza de uma resposta positiva por causa do amor e bondade de Deus (vv. 9-13).
  • 4) O supremo dom do Espírito Santo, que é a fonte e poder para toda a

oração correta (v. 13b; veja Romanos 8:26-27).5

Nesse grandioso capítulo, que fala sobre oração, há três figuras parabólicas as quais, embora este­jam separadas, são ligadas umas às outras pelo mesmo tema. A ilustra­ção do Pai e o Filho (Mateus 7:7-11), que Mateus também registrou, trata do mesmo tema que a do Amigo impor­tuno, ou seja, "Oração". E a Parábo­la do valente (Mateus 12:29) relatada aqui mais detalhadamente, apresen­ta Jesus, o homem de oração e cheio do Espírito, como aquele que é o mais forte do que o poderoso diabo. Por meio de sua morte, Cristo derrotou o inimigo e lhe tomou os bens. Se dese­jamos ser vencedores, devemos tam­bém buscar, pela oração, ser continu­amente cheios do Espírito Santo. Na oração, como em todos os ou­tros aspectos de seu ministério, Jesus ensinou aos seus discípulos, não somente através de mandamentos, mas por praticar o que ensinava. Quando ele orava, veio o ensina­mento da Oração Dominical. Os seus discípulos O ouviram orar em certo lugar, e esperaram até que ele ter­minasse sua intercessão, e então lhe pediram: "Senhor, ensina-nos a orar". Ao concordar com o seu pedi­do, ele lhes deu aquele maravilhoso modelo de oração "que tanto é váli­da, logo de início, como a primeira lição para crianças principiantes, como para o exercício pleno dos po-deres, de homens fortes". E, após ter ensinado aos seus discípulos a orar através de seu exemplo, e pelo pró­prio mandamento de orar, ele lhes deu uma parábola sobre a importu-nação e a perseverança na oração, que vamos agora considerar. 6

Na realidade há três amigos nes­sa parábola. Um deles tinha outro que precisava de pão e então ele foi a um vizinho para emprestá-lo. Cris­to é o quarto amigo, o que estava sobre todos os outros, que nos ama sempre e "está mais unido a nós do que um irmão". Costumamos dizer que um amigo necessitado é real­mente um amigo —e Cristo é esse amigo que nunca falha, e que está acima de todos os outros.6

O poder dramático de muitas pa­rábolas do Senhor é visto nes­sa narrativa dos Três Amigos, cuja mensagem focaliza um conflito de interesses. "O treinamento dos doze progrediu através do cenário impres­sionante desse método de ensino parabólico."6

Butterick prossegue e diz que a narrativa faz parte da vida e talvez tenha sido um incidente que Jesus lembrava de seus dias do passado, ao ouvir com os olhos bem abertos na escuridão, enquanto José, seu padrasto, tinha uma conversa rude com um vizinho que esmurrava a porta de sua casa para pedir algo.6

Nos versículos que se seguem (Lucas 11:11-13), Jesus expõe o propósito central de sua parábola. Deus é o chefe de família e tem mais desejo de dar do que possuímos de receber. Ele nunca dorme; portanto, jamais é perturbado quando vamos a ele. Tiago diz que ele é o Deus que dá liberalmente (Tiago 1:5), e uma das coi­sas que ele tem grande prazer, é sa­tisfazer as nossas necessidades. Po­rém precisamos orar com perseve­rança, porque "a oração bem-sucedi-da é a oração perseverante". Se a insistência e a repetição de um pe­dido venceram aquele homem ego­ísta, preguiçoso e rude, quanto mais a oração prevalecerá perante Deus, que cuida de nós com amor de Pai!6

Herbert Lockyer diz o que precisamos fazer é nos prevenirmos de ver na parábola mais do que Jesus quis mostrar com ela. O amigo que foi acordado teve de ser molestado para, então, em­prestar o pão de que o outro precisa­va. Mas Deus não cochila nem dor­me, e não precisamos forçá-lo a nos dar algo, pois ele nunca reluta para nos dar o que pedimos. Se achamos que ele não nos responde, precisa­mos ser incansáveis em nos dirigirmos ao trono da misericórdia. Os que no passado tornaram-se poderosos em oração, foram os que, como Jacó, lutaram e clamaram: "Não te deixa­rei ir, se não me abençoares" (Gênesis 32:26). Arnot faz este precioso co­mentário: "O esforço persistente da­quele homem que cria (Jacó) foi doce para o anjo da aliança, e assim tam­bém é suave para o mesmo Senhor, hoje, diante da pressão daquele que suplica ansiosamente [...] O Senhor ama ser assim pressionado; portan­to vamos fazer pressão sobre ele, porque sua própria palavra nos as­segura que ele, o qual ouve as ora­ções, nunca considera a insistência algo ruim". Butterick diz: "Os fortes de alma durante a história da hu­manidade provaram a Deus que as suas orações eram súplicas que ex­pressavam os seus desejos conscien­tes e deliberados".6

Essa intensidade na oração é re­velada pela exortação do Senhor: Pedi, Buscai, Batei, quando os dois últimos imperativos repetem o sig­nificado do primeiro de forma figu­rada e dão expressão ao conteúdo da parábola. Goebel diz: "Nem todo o 'pedir' pode ser chamado de buscar; mas não é qualquer pedir, mas sim uma petição enérgica e persistente, expressa pelo bater. Que por sua vez não é qualquer tapinha, mas uma batida forte". Cristo nos exorta à ora­ção perseverante e persistente, e faz isso através de parábola e de man­damento. Se o amigo que desejava pão para o seu visitante não foi desencorajado pela recusa do outro; porém continuou a pedir ainda com maior intensidade o que desejava, quanto mais nós, a quem Jesus cha­mou de seus "amigos", nos convém sermos incansáveis em apresentar­mos as nossas petições a Deus, cujo amor paterno não precisa, como a precária amizade humana, ser cons­trangido e relutante, mas de boa von­tade e alegremente deixa-se conduzir pelos nossos pedidos. Deus não responde às nossas repetidas orações para se ver livre de nós, mas porque nos ama.6

Amigo visitante [editar]

Esse viajante seguia o seu caminho através da noite fria, para escapar do calor agres­sivo do dia, e dirigiu-se à casa de um amigo, onde ele sabia que lhe seri­am oferecidos comida e abrigo. Após muitas horas de viagem, ele chegou, por volta da meia-noite, muito cansado e com os pés doentes; e o seu amigo, ao ouvi-lo bater à porta e re­conhecer a sua voz, abriu-lhe a resi­dência, recebeu aquele viajante can­sado e ofereceu-lhe a costumeira hospitalidade oriental. "A lei da hos­pitalidade é sagrada para todo o ver­dadeiro judeu, e para ele é normal, por mais tarde que seja, ir à casa de um amigo".6

Amigo importuno [editar]

William Holman Hunt's The Importunate Neighbour.

Ao ver a hora avançada em que o viajante chegou, o seu amigo percebeu a pro­blema. No fim do dia, após todos os de sua casa se alimentarem, não havia mais pão, e agora todos já des­cansavam. Na manhã seguinte eles assariam mais pão para o consumo de mais um dia. A falta de pão para um visitante era uma censura insu­portável para um oriental. Por isso, apesar de ser tão tarde, o chefe da família foi à casa de seu amigo, que morava perto, para pedir-lhe em­prestados três pães —que seriam su­ficientes para a refeição de seu hós­pede. Aqueles que querem dar algum significado parabólico para cada de­talhe de uma parábola vêem nos "três pães" uma descrição figurada de três dons espirituais específicos. Tudo o que essa cena pretende nos transmitir é o fato que esse amigo era hospitaleiro; portanto, à meia-noite ele foi bater à porta de seu vi­zinho, exatamente como o viajante batera na sua.6

Amigo com má vontade [editar]

Amigo importuno.

O vi­zinho que dormia, quando foi acor­dado por seu amigo que, por sua vez, fora despertado pelo viajante, não fi­cou muito contente por ser pertur­bado tão tarde da noite, e respondeu ao pedido por pão com uma recusa educada, porém definitiva. Sua es­posa e filhos dormiam tranqüilamen­te, e movimentos estranhos poderi­am acordá-los e alarmá-los. Era me­lhor alguém ficar sem comer até à manhã seguinte, do que uma famí­lia inteira ser perturbada à meia-noite! Mas aquele que suplicava à sua porta não aceitou um não como resposta. Ele fechou os ouvidos à recusa, e continuou a bater e pedir. O amigo, que acordou com os seus rogos, agora percebe que o método adotado para preservar a agradável quietude da noite era, na verdade, a melhor forma de conturbá-la, apesar de sua intenção de preservar a sua família, que dormia, de ser pertur­bada. O bater insistente na porta e os gritos acordariam não apenas a sua família, mas também a vizinhan­ça. Por isso ele saiu da cama e deu ao seu amigo o pão que ele pedia. Note bem que ele não o fez por ami­zade, mas rendeu-se por causa do incômodo. A descrição que Butterick faz aqui é cativante: "Não havia como dormir com aquele tumulto! Por isso era melhor um arrastar de pés pela pequena casa, um mover desajeitado da tranca da porta e uma mão estendida pela fresta da porta entreaberta, com a seguinte expres­são: 'Tome! Pegue o seu pão e suma!' Certamente os olhos de Jesus brilha­ram quando disse: 'Digo-vos que, ainda que não se levante a dar-lhe os pães, por ser seu amigo, levantar-se-á, todavia, por causa da sua importunação, e lhe dará tudo o que ele necessitar'".6

A palavra importunação [editar]

Campbell Morgan diz que aqui é a única vez que ela aparece no NT, e origina-se do latim impor-tunas, que significa perturbador ou impertinência. "No grego significa 'não ter vergonha' ". Goebel usa a palavra audácia para "impor­tunação" e diz: "A expressão foi in­tencionalmente forte e, pelo compor­tamento daquele que pedia os pães, aponta para o que garantiu o seu sucesso —a importunação que não teve vergonha; isso porque a importunação no final torna-se mais cansativa para aquele a quem se pede, do que o simples ato de levan­tar-se da cama. E uma vez de pé, ele deu sem restrição tudo o que o outro precisava, porque somente assim conseguiria livrar-se rapidamente de sua importunação". Arnot comenta que o termo traduzido como "impor­tunação" significa ser livre da ver­gonha que não consegue pedir uma segunda vez.6

Na língua hebraica significa "coragem, ousadia, afronta, insolência, atrevimento, descaramento, presunção, arrogância, persistência, e simplesmente 'audácia', em variadas combinações, proporções e intensidades". Para mim, o ideal é a utilização do termo anaideia, que Arndt & Gingrich em A Greek English Lexican af the New Testament traduzem como "descaramento, despudor". 5

Oração [editar]

Jesus orando.

A primazia da oração (v. 1) [editar]

Para o comentarista bíblico, Warren W. Wiersbe, costumamos pensar em João Batista como profeta e mártir, mas os discípulos de Jesus lembravamse dele como homem de oração. João foi um bebê extraordinário, que recebeu o Espírito Santo antes mesmo de nascer e, ainda assim, precisava orar. Teve o privilégio de apresentar o Messias a Israel, no entanto, precisava orar. Jesus disse que João foi o maior dos profetas (Lucas 7:28), e, mesmo assim, João dependia da oração. Se a oração era algo tão vital a um homem com todas essas vantagens, quanto mais não deve ser para nós, que não temos esses mesmos privilégios! Os discípulos de João precisavam orar, e os discípulos de Jesus queriam aprender a orar melhor. Não pediram ao Mestre que lhes ensinasse a pregar ou a fazer grandes sinais; antes lhe pediram que os ensinasse a orar. Às vezes, achamos que seríamos cristãos melhores se tivéssemos a oportunidade de andar com Jesus como seus discípulos andaram quando ele esteve aqui na Terra, mas isso é pouco provável, pois os discípulos fracassaram várias vezes! Eram capazes de realizar milagres, no entanto, queriam aprender a orar.

Mas o maior argumento em favor da primazia da oração é o fato de Jesus ter sido um homem de oração. Até aqui, vimos que orou em seu batismo (Lucas 3:21), antes de escolher os doze apóstolos (Lucas 6:12), quando as multidões aumentaram (Lucas 5:16), antes de pedir aos doze apóstolos que fizessem sua confissão de fé (Lucas 9:18) e em sua transfiguração (Lucas 9:29). Os discípulos sabiam que ele se retirava com freqüência para orar sozinho (Marcos 1:35) e desejavam aprender com ele o segredo do poder espiritual e da sabedoria. Se Jesus Cristo, o Filho perfeito de Deus, dependeu da oração "nos dias da carne" (Hebreus 5:7), nós dependemos muito mais! A oração eficaz é a provisão para todas as necessidades e a solução para todos os problemas. 7

Um modelo de oração (vv.2-4) [editar]

Exercitia spiritualia
1548, Primeira Edição por Antonio Bladio (Roma) (158x108 mm). Livro com exercícios espirituais (incluindo a oração).

Warren W. Wiersbe ainda nos diz que não há nada de errado em fazer essa oração pessoalmente ou com outros membros da igreja, desde que a façamos pela fé e com um coração sincero e submisso. Como é fácil "recitar" essas palavras sem que sejam nosso desejo verdadeiro, e o mesmo pode acontecer quando cantamos e pregamos! Mas a culpa é nossa, e não da oração. Trata-se de um "modelo de oração" dado para servir de orientação em nossas orações (para o texto paralelo, ver Mateus 6:9-15). Ela nos ensina que a oração verdadeira depende de um relacionamento espiritual com Deus, que nos permite chamá-lo de "Pai", o que só é possível por meio de Jesus Cristo (Romanos 8:14-17; Gálatas 4:1-7). Bill Moyers, secretário de imprensa do ex-presidente norte-americano Lyndon Johnson, estava orando antes de um almoço com o gabinete presidencial quando [ohnson gritou: "Fale mais alto Bill, não estou ouvindo nada". Ao que Moyers respondeu calmamente: "Não estava falando com o senhor, presidente". É bom lembrar que, quando oramos, estamos falando com Deus. A verdadeira oração também envolve responsabilidades: honrar o reino de Deus e fazer a vontade de Deus (Lucas 11:2). Alguém disse bem que o propósito da oração não é garantir que a vontade do homem seja feita no céu, mas sim que a vontade de Deus seja feita aqui na Terra. Orar não é dizer o que desejamos e depois desfrutar disso egoisticamente. Orar é pedir que Deus nos use para realizar aquilo que ele deseja, de modo que seu nome seja glorificado, seu reino seja expandido e fortalecido e sua vontade seja feita. Se espero que Deus responda a minhas orações, devo avaliar todos os meus pedidos pessoais de acordo com esses parâmetros. É importante que os cristãos conheçam a Palavra de Deus, pois é nela que descobrimos a vontade de Deus. Não se deve jamais separar a oração da Palavra (João 15:7). Durante meu ministério, tenho visto muitos cristãos professos desobedecerem a Deus e se defenderem, dizendo: "Orei sobre o assunto, e Deus disse que era certo". Isso inclui uma moça que se casou com um rapaz incrédulo (II Coríntios 6:14-18), um sujeito vivendo com uma moça que não era sua esposa (I Tessalonicenses 4:1-8) e um pastor que começou a própria rgreja, pois as outras igrejas estavam erradas e somente ele possuía verdadeiro "discernimento espiritual" (Filipenses 2:1-16). Uma vez que estamos firmes em nosso relacionamento com Deus e em sua vontade, é possível apresentar nossos pedidos (Lucas 11:3-4). Podemos pedir-lhe que supra nossas necessidades (não nossa ganância!) no dia de hoje, que nos perdoe pelo que fizemos ontem e que nos dirija para o futuro. Esses três pedidos abrangem todas as nossas necessidades: provisão material e física, perfeição moral e espiritual e proteção e orientação. Se orarmos dessa maneira, teremos certeza de orar dentro da vontade Deus. 7

A perseverança na oração (vv. 5-8) [editar]

Nesta parábola, Jesus não diz que Deus é como esse vizinho rabugento. Na verdade, diz justamente o contrário. Se um vizinho cansado e egoísta acaba suprindo as necessidades do amigo importuno, quanto mais nosso Pai celeste amoroso não suprirá as necessidades dos próprios filhos! Argumenta do menor para o maior. Vimos anteriormente que a oração é baseada em nossa filiação ("Pai Nosso"), não numa amizade; porém, Jesus usa a amizade para ilustrar a persistência na oração. Deus, o Pai, não é como esse vizinho, pois nunca dorme, nunca fica impaciente nem irritado, é sempre generoso e tem prazer em suprir as necessidades de seus filhos. O amigo à porta teve de continuar batendo a fim de conseguir o que desejava, mas Deus responde prontamente quando seus filhos clamam (Lucas 18:1-8). A argumentação é clara: se, no final das contas, o homem batendo à porta foi recompensado por sua persistência, a perseverança na oração traz ainda mais bênçãos quando oramos a um Pai celestial que nos ama! Afinai, somos filhos que vivem na casa dele! O termo traduzido por "importunação" quer dizer "impudência", "ausência de vergonha". Pode se referir ao homem que estava batendo à porta e que não teve vergonha de acordar seu amigo ou ao amigo dentro da casa. A hospitalidade com desconhecidos é uma lei fundamental do Oriente (Gênesis 18:1). Se alguém se recusasse a receber um hóspede, traria desgraça sobre toda a sua vila e seria marginalizado pelos vizinhos. O homem dentro da casa sabia disso e não desejava envergonhar a si mesmo, sua família nem sua vila, de modo que se levantou para suprir a necessidade do outro. Por que nosso Pai celestial responde às orações? Não apenas responde para suprir as necessidades de seus filhos, como o faz de tal maneira a glorificar seu nome. "Santificado seja o teu nome." Quando o povo de Deus ora, o que está em jogo é a reputação de Deus. A maneira de cuidar de seus filhos serve de testemunho a todo o mundo de que ele é um Deus digno de confiança. De acordo com PhiUips Brooks, a oração não é uma forma de superar a relutância de Deus; antes, é uma forma de captar sua mais nobre disposição. A persistência na oração não é uma tentativa de fazer Deus mudar de idéia ("Seja feita a tua vontade"), mas sim de nos colocar numa posição em que ele nos confie a resposta. 7

Promessas para a oração (vv. 9-13) [editar]

Os tempos verbais desta passagem são importantes: "Pedi continuem pedindo]... buscai [continuem buscando]... batei [continuem batendo]...". Em outras palavras, não procurem Deus só quando surgem emergências no meio da noite, mantenham-se constantemente em comunhão com o seu Pai. Jesus chamou isso de "permanecer" 15:1 ss), e Paulo nos exortou a "[orar] sem cessar" (I Tessalonicenses 5:17). Ao orar, Deus responderá ou mostrará por que não deve nos responder. Então, cabe a nós fazer o necessário para que o Pai nos confie sua resposta. Observe que a lição encerra com uma ênfase sobre Deus como Pai (Lucas 11:11-13). Pelo fato de Deus nos conhecer e nos amar, não precisamos temer sua resposta. Mais uma vez, Jesus constrói sua argumentação do menor para o maior: se um pai humano dá o que é melhor para os filhos, certamente o Pai celeste fará ainda mais pelos filhos, e isso inclui as "boas coisas do Espírito Santo" (comparar Lucas 11:13 com Mateus 7:11), bênçãos que, no Antigo Testamento, eram reservadas apenas a poucas pessoas especiais. 7


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Referências

  1. a b c Joel B. Green, The Gospel of Luke, Eerdmans, 1997, ISBN 0802823157, pp. 445–450.
  2. I. Howard Marshall, The Gospel of Luke: A commentary on the Greek text, Eerdmans, 1978, ISBN 0802835120, pp. 462–465.
  3. Craig L. Blomberg, Interpreting the Parables, InterVarsity Press, 1990, ISBN 0830812717, p. 275.
  4. a b Matthew Henry
  5. a b David H. Stern, Comentário Judaico do N.T.
  6. a b c d e f g h i j k Herbert Lockyer, ISBN 8573675217
  7. a b c d Wiersbe, Warren W., ISBN 8589956547