Parábola do Amigo Inoportuno

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Searchtool.svg
Esta página ou secção foi marcada para revisão, devido a inconsistências e/ou dados de confiabilidade duvidosa. Se tem algum conhecimento sobre o tema, por favor, verifique e melhore a consistência e o rigor deste artigo. Considere utilizar {{revisão-sobre}} para associar este artigo com um WikiProjeto e colocar uma explicação mais detalhada na discussão.
Ilustração da parábola.

A Parábola do Amigo Inoportuno (ou Amigo Fora de Hora), é uma conhecida Parábola de Jesus. No entanto, ela aparece em apenas um dos evangelhos canônicos do Novo Testamento. De acordo com Lucas 11:5-8, um amigo que é um tanto sem compaixão, eventualmente, concorda ajudar o próximo, devido a suas demandas persistentes.

No artigo serão apresentados os três personagens: o amigo visitante, o amigo inoportuno e o amigo com má vontade. Também a interpretação e comentários de alguns comentaristas bíblicos.

Esta parábola demonstra aos cristãos a necessidade de orar e nunca desistir. É semelhante à Parábola do Juiz Iníquo.

Narrativa[editar | editar código-fonte]

"

5. Disse-lhe mais: Se um de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, 6. porque um amigo meu acaba de chegar à minha casa de uma viagem, e nada tenho para lhe oferecer; 7. e se do interior o outro lhe responder: Não me incomodes; a porta já está fechada, eu e meus filhos estamos deitados; não posso levantar-me para tos dar. 8. Digo-vos: Embora não se levante para lhos dar por ser seu amigo, ao menos por causa da sua importunação se levantará e lhe dará quantos pães precisar.

"

S:Tradução Brasileira da Bíblia/Lucas/XI

Interpretação[editar | editar código-fonte]

Esta parábola aparece no Evangelho de Lucas imediatamente após Jesus ensinar o Pai Nosso, e pode, portanto, ser visto como uma continuação de Jesus ensinando seus discípulos a orar, 1 enquanto os versos que seguem ajudam a explicar o significado da parábola. Joel B. Green sugere que a pergunta que abre a parábola ("Qual de vocês que tem um amigo ...?" também expresso como" Você pode imaginar ...?") se destina a ser respondida como um enfático "Não! ", já que nenhum amigo se recusariam a ajudar em tais circunstâncias 1 . No entanto, Jesus continua a salientar que mesmo que a amizade não fosse uma motivação grande o suficiente, a ajuda ainda estaria próxima. 1 Tal como acontece com os versículos 9-13 , a parábola é, portanto, um incentivo para orar. 2 A parábola do juiz iníquo tem um significado similar. 3

Cristo alenta o fervor e a constância na oração. Os cristãos devem ir pelo que necessitam, como faz o homem que açude a seu vizinho ou amigo, que é bem com ele. vamos por pão; porque é o necessário. Se Deus não responde rapidamente as orações, o fará a seu devido tempo, se continuar orando.4

Vejam acerca de que orar: deve-se pedir o Espírito Santo, não só por necessário para orar bem, senão porque todas as bênçãos espirituais estão incluídas nisso. Porque pelo poder do Espírito Santo se conduz a Deus e ao arrependimento, a crer em Cristo e a amá-lo; assim sendo consolados neste mundo, e destinados para a felicidade no próximo. O Pai celestial está pronto para outorgar todas estas bênçãos a cada um que as peça, mais que um pai ou mãe terreno está disposto a dar comida a um menino faminto. Esta é a vantagem da oração de fé: que acalma e fixa o coração em Deus.4

Na sociedade de hoje, as pessoas freqüentemente sentem-se incapazes de orar e admitem que a habilidade de orar é presente em alguns e ausente em outros. Mas os talmidim de Yeshua, embora se, sentissem incapacitados a orar, estavam no caminho certo ao supor que Yeshua poderia ensiná-los. Seu ensino consistia em quatro partes:

  • 1) Pelo que orar (vv. 2-4).
  • 2) A importância da perseverança (vv. 5-10).
  • 3) A certeza de uma resposta positiva por causa do amor e bondade de Deus (vv. 9-13).
  • 4) O supremo dom do Espírito Santo, que é a fonte e poder para toda a

oração correta (v. 13b; veja Romanos 8:26-27).5

Nesse grandioso capítulo, que fala sobre oração, há três figuras parabólicas as quais, embora este­jam separadas, são ligadas umas às outras pelo mesmo tema. A ilustra­ção do Pai e o Filho (Mateus 7:7-11), que Mateus também registrou, trata do mesmo tema que a do Amigo impor­tuno, ou seja, "Oração". E a Parábo­la do valente (Mateus 12:29) relatada aqui mais detalhadamente, apresen­ta Jesus, o homem de oração e cheio do Espírito, como aquele que é o mais forte do que o poderoso diabo. Por meio de sua morte, Cristo derrotou o inimigo e lhe tomou os bens. Se dese­jamos ser vencedores, devemos tam­bém buscar, pela oração, ser continu­amente cheios do Espírito Santo. Na oração, como em todos os ou­tros aspectos de seu ministério, Jesus ensinou aos seus discípulos, não somente através de mandamentos, mas por praticar o que ensinava. Quando ele orava, veio o ensina­mento da Oração Dominical. Os seus discípulos O ouviram orar em certo lugar, e esperaram até que ele ter­minasse sua intercessão, e então lhe pediram: "Senhor, ensina-nos a orar". Ao concordar com o seu pedi­do, ele lhes deu aquele maravilhoso modelo de oração "que tanto é váli­da, logo de início, como a primeira lição para crianças principiantes, como para o exercício pleno dos po-deres, de homens fortes". E, após ter ensinado aos seus discípulos a orar através de seu exemplo, e pelo pró­prio mandamento de orar, ele lhes deu uma parábola sobre a importu-nação e a perseverança na oração, que vamos agora considerar. 6

Na realidade há três amigos nes­sa parábola. Um deles tinha outro que precisava de pão e então ele foi a um vizinho para emprestá-lo. Cris­to é o quarto amigo, o que estava sobre todos os outros, que nos ama sempre e "está mais unido a nós do que um irmão". Costumamos dizer que um amigo necessitado é real­mente um amigo —e Cristo é esse amigo que nunca falha, e que está acima de todos os outros.6

O poder dramático de muitas pa­rábolas do Senhor é visto nes­sa narrativa dos Três Amigos, cuja mensagem focaliza um conflito de interesses. "O treinamento dos doze progrediu através do cenário impres­sionante desse método de ensino parabólico."6

Butterick prossegue e diz que a narrativa faz parte da vida e talvez tenha sido um incidente que Jesus lembrava de seus dias do passado, ao ouvir com os olhos bem abertos na escuridão, enquanto José, seu padrasto, tinha uma conversa rude com um vizinho que esmurrava a porta de sua casa para pedir algo.6

Nos versículos que se seguem (Lucas 11:11-13), Jesus expõe o propósito central de sua parábola. Deus é o chefe de família e tem mais desejo de dar do que possuímos de receber. Ele nunca dorme; portanto, jamais é perturbado quando vamos a ele. Tiago diz que ele é o Deus que dá liberalmente (Tiago 1:5), e uma das coi­sas que ele tem grande prazer, é sa­tisfazer as nossas necessidades. Po­rém precisamos orar com perseve­rança, porque "a oração bem-sucedi-da é a oração perseverante". Se a insistência e a repetição de um pe­dido venceram aquele homem ego­ísta, preguiçoso e rude, quanto mais a oração prevalecerá perante Deus, que cuida de nós com amor de Pai!6

Herbert Lockyer diz o que precisamos fazer é nos prevenirmos de ver na parábola mais do que Jesus quis mostrar com ela. O amigo que foi acordado teve de ser molestado para, então, em­prestar o pão de que o outro precisa­va. Mas Deus não cochila nem dor­me, e não precisamos forçá-lo a nos dar algo, pois ele nunca reluta para nos dar o que pedimos. Se achamos que ele não nos responde, precisa­mos ser incansáveis em nos dirigirmos ao trono da misericórdia. Os que no passado tornaram-se poderosos em oração, foram os que, como Jacó, lutaram e clamaram: "Não te deixa­rei ir, se não me abençoares" (Gênesis 32:26). Arnot faz este precioso co­mentário: "O esforço persistente da­quele homem que cria (Jacó) foi doce para o anjo da aliança, e assim tam­bém é suave para o mesmo Senhor, hoje, diante da pressão daquele que suplica ansiosamente [...] O Senhor ama ser assim pressionado; portan­to vamos fazer pressão sobre ele, porque sua própria palavra nos as­segura que ele, o qual ouve as ora­ções, nunca considera a insistência algo ruim". Butterick diz: "Os fortes de alma durante a história da hu­manidade provaram a Deus que as suas orações eram súplicas que ex­pressavam os seus desejos conscien­tes e deliberados".6

Essa intensidade na oração é re­velada pela exortação do Senhor: Pedi, Buscai, Batei, quando os dois últimos imperativos repetem o sig­nificado do primeiro de forma figu­rada e dão expressão ao conteúdo da parábola. Goebel diz: "Nem todo o 'pedir' pode ser chamado de buscar; mas não é qualquer pedir, mas sim uma petição enérgica e persistente, expressa pelo bater. Que por sua vez não é qualquer tapinha, mas uma batida forte". Cristo nos exorta à ora­ção perseverante e persistente, e faz isso através de parábola e de man­damento. Se o amigo que desejava pão para o seu visitante não foi desencorajado pela recusa do outro; porém continuou a pedir ainda com maior intensidade o que desejava, quanto mais nós, a quem Jesus cha­mou de seus "amigos", nos convém sermos incansáveis em apresentar­mos as nossas petições a Deus, cujo amor paterno não precisa, como a precária amizade humana, ser cons­trangido e relutante, mas de boa von­tade e alegremente deixa-se conduzir pelos nossos pedidos. Deus não responde às nossas repetidas orações para se ver livre de nós, mas porque nos ama.6

Amigo visitante[editar | editar código-fonte]

Esse viajante seguia o seu caminho através da noite fria, para escapar do calor agres­sivo do dia, e dirigiu-se à casa de um amigo, onde ele sabia que lhe seri­am oferecidos comida e abrigo. Após muitas horas de viagem, ele chegou, por volta da meia-noite, muito cansado e com os pés doentes; e o seu amigo, ao ouvi-lo bater à porta e re­conhecer a sua voz, abriu-lhe a resi­dência, recebeu aquele viajante can­sado e ofereceu-lhe a costumeira hospitalidade oriental. "A lei da hos­pitalidade é sagrada para todo o ver­dadeiro judeu, e para ele é normal, por mais tarde que seja, ir à casa de um amigo".6

Amigo importuno[editar | editar código-fonte]

William Holman Hunt's The Importunate Neighbour.

Ao ver a hora avançada em que o viajante chegou, o seu amigo percebeu a pro­blema. No fim do dia, após todos os de sua casa se alimentarem, não havia mais pão, e agora todos já des­cansavam. Na manhã seguinte eles assariam mais pão para o consumo de mais um dia. A falta de pão para um visitante era uma censura insu­portável para um oriental. Por isso, apesar de ser tão tarde, o chefe da família foi à casa de seu amigo, que morava perto, para pedir-lhe em­prestados três pães —que seriam su­ficientes para a refeição de seu hós­pede. Aqueles que querem dar algum significado parabólico para cada de­talhe de uma parábola vêem nos "três pães" uma descrição figurada de três dons espirituais específicos. Tudo o que essa cena pretende nos transmitir é o fato que esse amigo era hospitaleiro; portanto, à meia-noite ele foi bater à porta de seu vi­zinho, exatamente como o viajante batera na sua.6

Amigo com má vontade[editar | editar código-fonte]

Amigo importuno.

O vi­zinho que dormia, quando foi acor­dado por seu amigo que, por sua vez, fora despertado pelo viajante, não fi­cou muito contente por ser pertur­bado tão tarde da noite, e respondeu ao pedido por pão com uma recusa educada, porém definitiva. Sua es­posa e filhos dormiam tranqüilamen­te, e movimentos estranhos poderi­am acordá-los e alarmá-los. Era me­lhor alguém ficar sem comer até à manhã seguinte, do que uma famí­lia inteira ser perturbada à meia-noite! Mas aquele que suplicava à sua porta não aceitou um não como resposta. Ele fechou os ouvidos à recusa, e continuou a bater e pedir. O amigo, que acordou com os seus rogos, agora percebe que o método adotado para preservar a agradável quietude da noite era, na verdade, a melhor forma de conturbá-la, apesar de sua intenção de preservar a sua família, que dormia, de ser pertur­bada. O bater insistente na porta e os gritos acordariam não apenas a sua família, mas também a vizinhan­ça. Por isso ele saiu da cama e deu ao seu amigo o pão que ele pedia. Note bem que ele não o fez por ami­zade, mas rendeu-se por causa do incômodo. A descrição que Butterick faz aqui é cativante: "Não havia como dormir com aquele tumulto! Por isso era melhor um arrastar de pés pela pequena casa, um mover desajeitado da tranca da porta e uma mão estendida pela fresta da porta entreaberta, com a seguinte expres­são: 'Tome! Pegue o seu pão e suma!' Certamente os olhos de Jesus brilha­ram quando disse: 'Digo-vos que, ainda que não se levante a dar-lhe os pães, por ser seu amigo, levantar-se-á, todavia, por causa da sua importunação, e lhe dará tudo o que ele necessitar'".6

A palavra importunação[editar | editar código-fonte]

Campbell Morgan diz que aqui é a única vez que ela aparece no NT, e origina-se do latim impor-tunas, que significa perturbador ou impertinência. "No grego significa 'não ter vergonha' ". Goebel usa a palavra audácia para "impor­tunação" e diz: "A expressão foi in­tencionalmente forte e, pelo compor­tamento daquele que pedia os pães, aponta para o que garantiu o seu sucesso —a importunação que não teve vergonha; isso porque a importunação no final torna-se mais cansativa para aquele a quem se pede, do que o simples ato de levan­tar-se da cama. E uma vez de pé, ele deu sem restrição tudo o que o outro precisava, porque somente assim conseguiria livrar-se rapidamente de sua importunação". Arnot comenta que o termo traduzido como "impor­tunação" significa ser livre da ver­gonha que não consegue pedir uma segunda vez.6

Na língua hebraica significa "coragem, ousadia, afronta, insolência, atrevimento, descaramento, presunção, arrogância, persistência, e simplesmente 'audácia', em variadas combinações, proporções e intensidades". Para mim, o ideal é a utilização do termo anaideia, que Arndt & Gingrich em A Greek English Lexican af the New Testament traduzem como "descaramento, despudor". 5

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Parábola do Amigo Inoportuno

Referências

  1. a b c Joel B. Green, The Gospel of Luke, Eerdmans, 1997, ISBN 0802823157, pp. 445–450.
  2. I. Howard Marshall, The Gospel of Luke: A commentary on the Greek text, Eerdmans, 1978, ISBN 0802835120, pp. 462–465.
  3. Craig L. Blomberg, Interpreting the Parables, InterVarsity Press, 1990, ISBN 0830812717, p. 275.
  4. a b Matthew Henry
  5. a b David H. Stern, Comentário Judaico do N.T.
  6. a b c d e f g h i j k Herbert Lockyer, ISBN 8573675217