Paraíba

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Estado da Paraíba
Bandeira da Paraíba
Brasão de Armas da Paraíba
(Bandeira) (Brasão)
Hino: Hino da Paraíba
Gentílico: Paraibano

Localização da Paraíba no Brasil

Localização
 - Região Nordeste
 - Estados limítrofes Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará
 - Mesorregiões 4
 - Microrregiões 23
 - Municípios 223
Capital Brasão de João Pessoa.svg João Pessoa
Governo
 - Governador(a) Ricardo Coutinho (PSB)
 - Vice-governador(a) Rômulo Gouveia (PSD)
 - Deputados federais 12
 - Deputados estaduais 36
 - Senadores Cássio Cunha Lima (PSDB)
Cícero Lucena (PSDB)
Vital do Rêgo Filho (PMDB)
Área  
 - Total 56 469,778 km² (21º) [1]
População 2014
 - Estimativa 3 943 885 hab. (13º)[2]
 - Densidade 69,84 hab./km² ()
Economia 2011[3]
 - PIB R$35.444.000 (19º)
 - PIB per capita R$9.348 (24º)
Indicadores 2010[4] [5] [6]
 - Esper. de vida 71,2 anos (18º)
 - Mort. infantil 18,2‰ nasc. (15º)
 - Analfabetismo 20,2% (25º)
 - IDH (2010) 0,658 (23º) – médio [7]
Fuso horário UTC−03:00
Clima tropical e semi-árido Bs'h
Cód. ISO 3166-2 BR-PB
Site governamental http://www.paraiba.pb.gov.br/

Mapa da Paraíba

A Paraíba é uma das 27 unidades federativas do Brasil.[8] Localiza-se no leste da Região Nordeste.[8] Limita-se com três estados: Rio Grande do Norte (norte), Pernambuco (sul) e Ceará (oeste).[9] Sua área é de de 56 469,778 km²,[1] pouco menor que a Croácia.[10] Com uma população de 3 914 418 habitantes em 2013, a Paraíba é o 13º estado mais populoso do Brasil.[11] A capital e cidade mais populosa é João Pessoa.[12] Está dividido em 4 mesorregiões[13] e 23 microrregiões,[14] divididos em 223 municípios.[15] Outros municípios com população superior a cem mil habitantes são Campina Grande, Santa Rita, Patos e Bayeux.[2] O estado tem um relevo modesto, mas as altitudes não são baixas: 66% do território varia de 300 até 900 metros de altitude.[16] Paraíba, Branco, Piranhas, Taperoá, Mamanguape, Curimataú e Peixe são os rios de maior importância.[17] As principais atividades econômicas são a agricultura (cana-de-açúcar, abacaxi, mandioca, milho, feijão), a indústria (alimentícia, têxtil, de açúcar e álcool), a pecuária e o turismo.[18]

Nas primeiras décadas do século XVII, os franceses já foram responsáveis pela ocupação da região e pelo estabelecimento das relações que tinham com o grupo étnico indígena potiguares. Somente em 1585 João Tavares foi o fundador, na foz do rio Paraíba, do forte São Felipe, para favorecer a defesa da área. A paz com os indígenas se alcançou em 1599. Apesar disso, uma epidemia de varíola foi a causa de morte da população autóctone. De 1634 e 1654, os neerlandeses ocuparam a região. André Vidal de Negreiros expulsou os neerlandeses. Os novos indígenas apresados nos anos posteriores constituíam num agente provocador das revoltas. Estas revoltas foram responsáveis pelo forçamento de uma intervenção militar que ocorreu na metrópole. No ano de 1753, passou a pertencer à capitania de Pernambuco, da qual teve seu novo desmembramento em 1799. A Paraíba foi participante da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador (1825). No ano de 1930, Getúlio Vargas indicou João Pessoa como vice-presidente do Brasil. Naquela época administrou como governador do estado. O fato de que João Duarte Dantas assassinou João Pessoa foi constituído num estopim para a Revolução de 1930.[19]

A Paraíba é berço de vários notáveis poetas e escritores brasileiros como Augusto dos Anjos, José Américo de Almeida, José Lins do Rêgo, Pedro Américo (este mais conhecido por suas pinturas de cenas da História nacional), Assis Chateaubriand (mais conhecido por ter fundado os Diários Associados, a TV Tupi e o MASP), Ariano Suassuna, entre muitos outros. O estado também deu origem a um dos economistas mais influentes da história latino-americana: Celso Furtado.

História[editar | editar código-fonte]

Colonização e conquista[editar | editar código-fonte]

Na época do descobrimento do Brasil, Portugal mostrava-se desinteressado em dominar e explorar as terras pertencentes ao atual Brasil. Isso ocorreu porque esse país não encontrou, na costa brasileira, nenhuma riqueza tão preciosa que chamasse atenção. Além disso, os portugueses estavam mais interessados no comércio de especiarias nas Índias. Esse desinteresse chamou muita atenção dos corsários e piratas, vindos principalmente da França, que logo chegaram à costa brasileira, onde começaram a explorar e extrair o pau-brasil, espécie de árvore muito encontrada no local e de grande valor por conter um pigmento utilizado no continente europeu para tingimento de tecido. Com isso, esses invasores franceses se aliaram com os indígenas locais e firmaram uma troca comercial denominada escambo, prática muito utilizada no Brasil Colônia que consista na utilização da mão de obra indígena em troca de alguma manufatura sem qualquer valor.[19] [20]

Brasão da Capitania da Paraíba
Engenho na Paraíba, obra do pintor holandês Frans Post, de 1645.

Preocupados com o contrabando dessa espécie nativa, os colonizadores portugueses logo enviaram expedições para a colônia. No entanto, todas elas não obtiveram êxito devido às alianças formadas entre os índios e os invasores, o que levou o rei de Portugal a dividir a colônia em uma sistema de quinze capitanias hereditárias, para serem administradas por doze donatários. No caso da Paraíba, o território ficou subordinando à Capitania de Itamaracá, que se estendia desde Baía da Traição até o rio Santa Cruz, em Igarassu (Pernambuco). O primeiro a ser nomeado para ser donatário da capitania foi Pedro Lopes de Souza, que não chegou a assumir, ficando, em seu lugar, Francisco Braga. Durante sua administração, este entrou em rivalidade com Duarte Coelho Pereira - primeiro capitão-donatário da Capitania de Pernambuco e fundador da cidade de Olinda -, provocando a falência da capitania e, consequentemente, o fim da administração de Francisco Braga e o início da administração de João Gonçalves, que foi responsável pela construção de engenhos na capitania de Itamaracá e pela fundação da Vila da Conceição. Após sua morte, a capitania novamente entrou em decadência e o contrabando de madeira tornou-se ainda maior.[19] [20]

Em 1574, ocorreu o ataque ao engenho Tracunhaém, no qual índios mataram todos os moradores de um engenho chamado Tracunhaém, em Pernambuco, levando o rei de Portugal, [[D. Sebastião de Portugal|D.Sebastião], a desmembrar a Capitania de Itamaracá e fundar a Capitania da Paraíba. O governador-geral da capitania recém-criada, D. Luís de Brito, recebeu a ordem do rei português de punir os responsáveis pelo ataque do engenho e fundar uma nova cidade para abrigar a sede do governo da capitania, dando origem a cinco expedições que tinham o propósito de conquistar a Paraíba. A primeira ocorreu em 1574 e foi comandada pelo ouvidor Geral D. Fernão da Silva e ocorreu sem êxito; a segunda ocorreu em 1575, sendo ordenada por D. Luís de Brito, governador-geral da capitania da Paraíba, e no final também acabou fracassando; a terceira (1579) e a quarta (1582) foram comandadas pelo português Frutuoso Barbosa, novamente não atingindo o resultado esperado; a última, realizada em 1584, foi comandada por Flores Valdez e novamente por Frutuoso Barbosa, que finalmente conseguiram repelir os invasores franceses, concretizando o desejo de conquista da Paraíba. Após essa conquista, foram construídos os fortes de São Felipe e São Tiago.[19] [20]

Para a conquista da Paraíba, Martim Leitão, ouvidor geral da Capitania da Bahia, formou tropas com brancos, indígenas, escravos e religiosos, que ao chegarem encontraram índios indefesos logo aprisionados. Contudo, ao saber que eram tabajaras, libertou-os e os convenceu que sua luta era contra os potiguaras, por sinal, rivais dos tabajaras. Leitão tentou se unir a eles, mas estes, com medo de mais uma traição, rejeitaram. Após muita negociação, os portugueses se uniram aos tabajaras e expulsaram os índios potiguaras, permitindo assim que em agosto de 1585 se desse a conquista efetiva da Paraíba, com a união de um português e um chefe indígena chamado Pirajibe. Após a conquista, Martim Leitão começou o processo de edificação na cidade de Nossa Senhora das Neves (atual João Pessoa) e viaja para Baía da Traição para expulsar o restante dos franceses que ali residiam.[19] [20]

Vista atual do Forte de Santa Catarina do Cabedelo. Ao fundo, a Casa de Pólvora.

Invasão holandesa[editar | editar código-fonte]

Com a morte do rei Sebastião de Portugal, em 1578, o trono português foi deixado para o cardeal D. Henrique, que morreu no ano seguinte, principalmente devido à sua idade avançada. No ano seguinte, o rei espanhol Felipe II assumiu o trono e iniciou o período da União Ibérica, entre 1580 e 1640. O início do governo de Felipe II foi desfavorável à Holanda, pois ela lutava pela sua independência contra a Espanha e era a principal responsável pela comercialização de açúcar na colônia do Brasil. O reino espanhol logo proibiu os holandeses de embarcarem nas terras brasileiras. Após essa proibição, os holandeses formaram a Companhia das Índias Ocidentais, para conseguir de volta os lucros realizados através do comércio com as possessões portuguesas.[19]

Vista de Frederiksstad, atual João Pessoa, em 1638.

Em 1624, ocorreu a primeira tentativa da Holanda em invadir a colônia brasileira, em Salvador. O governador da capitania da Bahia, Diogo de Mendonça Furtado, mostrava-se praticamente preparado para enfrentar os invasores. A demora da esquadrilha holandesa em atacar a colônia levou os habitantes nativos a desacreditarem em uma possível invasão, mas o impossível aconteceu e tais habitantes foram pegos surpreendentemente pelos holandeses. O governador geral da Bahia foi capturado e preso e vários chefes batavos foram mortos pelas forças brasileiras, sob o comando de Marcos Teixeira. Foi apenas em maio de 1625 que as tropas holandesas, já enfraquecidas, foram expulsas da Bahia, pela esquadra de D. Fradique de Toledo Osório. Sob a liderança de Hendrikordoon, os holandeses seguiram em direção a Baía da Traição, onde atingiram seu auge. Mas o governador geral paraibano, Antônio de Albuquerque, contando com o apoio de Francisco Carvalho, enviou tropas vindas da Paraíba e de Pernambuco, além de índios, para conter e repelir os holandeses, o que viria a acontecer apenas em agosto de 1625. Após a expulsão, os invasores seguiram de volta para Pernambuco, onde o governador Matias de Albuquerque, com o objetivo de enfraquecer ainda mais os holandeses, queimou vários armazéns contendo suprimento e foi para a trincheira. Os índios potiguaras, que chegaram a auxiliar os holandeses, foram também expulsos.[19]

Mapa da Paraíba e do Rio Grande do Norte, 1643.

Para evitar novas invasões holandesas na Paraíba, foi construído o Forte de Santa Catarina, atualmente localizado no município de Cabedelo, na margem direita do Rio Paraíba. Na outra margem foi edificado o Forte de Santo Antônio. Em 5 de dezembro de 1632, 1,6 mil batavos chegaram na Paraíba, comandados por Callenfels. Ocorreu um verdadeiro tiroteio e os holandeses ergueram trincheiras logo em frente ao Forte de Santa Catarina. Mesmo assim, os invasores novamente foram derrotados após a chegada de seiscentos homens enviados pelo governador à cidade de Nossa Senhora das Neves. Os brasileiros também tentaram construir uma trincheira em frente ao mesmo forte, mas logo enfrentaram resistência holandesa. Sem capacidade de vencer, os batavos se retiraram do local e fugiram para Pernambuco. Os invasores holandeses decidiram ir em direção ao Rio Grande do Norte e atacá-lo, contudo cerca de duzentos indígenas e três companhias da Paraíba conseguiram impedir o ataque. Os invasores voltaram para a Paraíba para atacar o Forte de Santo Antônio. Porém, uma trincheira levantada pelos próprios paraibanos nesse forte provocou a desistência dos holandeses em realizar o ataque. Por isso, eles seguiram diretamente para o Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco.[19]

Paisagem da Paraíba em 1665.

Algum tempo depois, os holandeses decidiram voltar à tentativa de invadir a Paraíba. Em 25 de novembro de 1634, chegou à costa paraibana uma esquadra contendo 29 navios. E 4 de dezembro do mesmo ano, os invasores chegaram ao norte do Jaguaribe, onde prenderam o governador (que conseguiu escapar mais tarde) e mais dois brasileiros. No dia seguinte, já em direção a Cabedelo, os batavos foram conseguindo se fortificar. Enquanto Callabar estava furtando várias propriedades, Antônio de Albuquerque Maranhão - filho de Jerônimo de Albuquerque Maranhão, que conquistou o Maranhão no início do século XVII - enviou à Paraíba vários combatentes para repelir os holandeses, contando com ajuda de Pernambuco e do Rio Grande do Norte. Mesmo com a chegada com conde Bagnuolo para tentar ajudar os paraibanos, estes já se encontravam muito enfraquecidos, razão pelo qual entregaram os fortes de Santa Catarina e Santo Antônio. O conde decidiu abandonar a Paraíba e fugiu para Pernambuco. As tropas comandadas por Antônio de Albuquerque, contando com apoio da população local, tentaram fundar o Arraial do Engenho Velho.[19]

Os holandeses se dirigiram então à cidade de Filipeia de Nossa Senhora das Neves, e, como resultado, encontraram a cidade praticamente abandonada e vazia. Tentaram procurar Antônio de Albuquerque, que também não foi encontrado. Somente algum tempo depois, o comandante e líder das tropas holandesas encontrou-se Duarte Gomes, que foi preso por Antônio de Albuquerque e mandado em direção ao Arraial do Bom Jesus, sendo posteriormente libertado pelos invasores da Holanda. Sob a liderança de André Vidal de Negreiros, os paraibanos conseguiram vencer os invasores, no engenho do Espírito Santo. A população local ainda possuía o desejo de expulsar todos os holandeses de suas terras. Novamente sendo comandados por André Vidal de Negreiros, novos homens foram contratados para poder repelir os holandeses, que, ao saberem da notícia, também foram reforçados e treinados para o combate. Em Timbiri, os paraibanos se reuniram e caminharam em direção ao engenho de Santo André, local em que foram atacados pelas tropas de Paulo Linge. Depois de vários combates e lutas, mais de oitenta paraibanos foram dizimados, incluindo o capitão Francisco Leitão. A situação tornou-se mais complicada em Pernambuco, quando os combatentes situados no engenho de Santo André continuaram desafiando os holandeses. A fortaleza de Pernambuco foi dada aos prisioneiros libertados por Hauntyn. No contexto das invasões holandesas na Paraíba, este era dividido em dois grupos diferentes: os homens livres (formados por brasileiros, holandeses, portugueses) e os escravos (naturais da África ou da própria colônia).[19]

Conquista do interior[editar | editar código-fonte]

Mapa da Paraíba em 1698.

Após o contexto das invasões holandesas, foram organizadas bandeiras, entradas, missões de catequese que culminaram na conquista no interior da Paraíba. Primeiramente, a conquista do interior foi realizada por meio das missões de catequese, que objetivavam, principalmente, a catequização dos índios. Entre os principais missionários, um dos mais importantes é Padre Martim Nantes, fundador da vila de Pilar. Posteriormente foram realizadas as bandeiras, que tinham o propósito de captura de índios.[19]

A primeira bandeira organizada na Paraíba foi comandada pelo capitão-mor Teodósio de Oliveira Ledo. Ela ocorreu a partir do rio Paraíba, e, mais tarde, culminou no surgimento de um povoado denominado Boqueirão (atualmente município). Como resultado, vários indígenas foram capturados e presos e, no final, bem-sucedida. O comandante desta bandeira é também reconhecido por ser o principal responsável pela colonização do interior paraibano, uma vez que ele, além de estabelecer nesta região, trouxe consigo várias famílias para povoar o interior da Paraíba. Além de Teodósio, outro responsável pela ocupação do interior foi o capitão-mor Luís Soares. Outros nomes que também tiveram importância no projeto de conquista e colonização do interior foram Elias Hickman - que, juntamente com Manuel Rodrigues, estabeleceu-se na região em busca de minas de ouro, principalmente na Serra da Borborema - e Francisco Dias D’ávila - fundador da Casa da Torre. A colonização interiorana também foi marcada por conflitos entre os colonizadores e os principais grupos indígenas que habitavam a região, como os caicós, os icós, os janduís e sucurus.[19]

No final do século XVII, a capitania da Paraíba ganhou sua autonomia política, tornando-se independente. Em 1º de janeiro de 1756, o mesmo perdeu sua autonomia, passando a ser subordinada por Pernambuco, tornando-se novamente independente em 11 de janeiro de 1799.[19]

Revoltas coloniais e imperiais[editar | editar código-fonte]

Possível mapa da Confederação do Equador.

Ao longo de sua história, a Paraíba participou de várias revoltas ocorridas, desde o Brasil Colonial até a República. A Guerra dos Mascates, ocorrida entre 1710 e 1712 em Olinda, Pernambuco, contou com a participação de João da Mata, mascate apoiado por João da Maia Gama, governador da Paraíba, com o intuito de desforrar-se dos senhores de engenho, o que culminou na captura e prisão do governador pernambucano e o início de um novo governo, comandado por Félix José Machado de Mendonça, a princípio imparcial, até depois seguir ao lado dos mascates, que no final venceram o conflito. Depois, a Paraíba participou de revoluções liberais, estimuladas principalmente pela maçonaria. No período colonial, destaca-se a Revolução Pernambucana de 1817, que surgiu em Pernambuco, espalhando-se posteriormente por Alagoas, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, com o objetivo de tornar o Brasil independente, baseado na Independência dos Estados Unidos e nos ideais da Revolução Francesa; no final, o governo federal reagiu prendendo e matando vários líderes do movimento, entre eles o comerciante Domingos José da Silva e os militares paraibanos Amaro Gomes e Peregrino de Carvalho.[19]

Após a independência do Brasil, ocorrida em 1822, o Brasil adotou a monarquia como forma de governo, tendo D. Pedro I como primeiro monarca. Foi formada uma assembleia constituinte com o objetivo de elaborar uma constituição para o novo país recém-declarado independente. No entanto, em dezembro de 1823, o imperador dissolveu a assembleia e outorgou a constituição em 1824. A situação tornou-se mais grave e difícil quando D. Pedro I substituiu o governador da província de Pernambuco, Manoel Pais de Andrade, por Francisco Barreto, provocando uma revolta articulada principalmente em torno das câmaras municipais de Olinda e Recife, conhecida como Confederação do Equador. Em 2 de julho de 1824, o ex-governador Manoel envolveu-se contou o apoio das províncias de Alagoas, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, com objetivo de tornar o Nordeste uma república independente. A revolta fracassou e seus principais líderes, entre eles o Frei Caneca, foram mortos.[19]

Entre o final de 1848 e 1849, ocorreu a Revolta Praieira, cujo palco principalmente foi novamente Pernambuco. Durou cerca de cinco meses, teve seus ideais inspirados pelas revoluções ocorridas em 1848 na Europa. A Revolta Praieira reivindicava várias reformas sociais e econômicas, como a divisão latifundiária, a instalação de um regime democrático e a liberdade de imprensa. Mais uma vez, a revolta terminou sem sucesso. Três anos depois, em 1851, a Paraíba, juntamente com suas províncias vizinhas, envolveu-se em mais uma revolta, intitulada Ronco da Abelha, que objetivava controlar os trabalhadores livres, na época da diminuição do tráfico de escravos. Em 1874, a Paraíba se envolveu na Revolta do Quebra-Quilos, que ocorreu após uma modificação no sistema de pesos e medidas; seus principais líderes foram presos, entre os quais o pároco da paróquia de Campina Grande, Calisto Correia Nóbrega.[19]

República[editar | editar código-fonte]

Epitácio Pessoa foi o único paraibano a tornar-se Presidente da República, entre 1919 e 1922, além de ter sido o único brasileiro a ter ocupado a presidência dos poderes executivo, legislativo e judiciário federais.

Em novembro de 1889, após a queda do regime monárquico e a consequente instituição da república no Brasil, a Paraíba, assim como as outras províncias, transforma-se em estado da federação.[20] Seu primeiro governador foi Venâncio Augusto de Magalhães Neiva, entre 1889 e 1891, quando foi deposto, assumindo em seu lugar um triunvirato, que governou o estado até 1892, quando Álvaro Lopes Machado foi nomeado por Floriano Peixoto para assumir o governo da Paraíba. Em sua gestão foi promulgada uma nova constituição para a Paraíba, foi instalado o tribunal de justiça do estado, bem como colocou em dia o pagamentos dos funcionários públicos, construiu vários açudes públicos em todas as regiões do estado, pavimentou estradas, reduziu a dívida do estado, aumentou a efetivação da força pública, criou a imprensa estadual, criou a junta comercial da Paraíba, a diretoria de obras públicas, entre outras. Seu governo durou até 1896, quando ele renunciou ao cargo para se candidatar ao Senado, assumindo, em seu lugar, o vice-presidente do estado, o Monsenhor Valfredo Leal e, posteriormente Antônio Alfredo da Gama e Melo.[21] [22] Durante o período da República Velha, entre 1889 e 1930, o poder paraibano era exercido por coronéis e oligarquias que controlavam o estado; nessa fase, a Paraíba foi governada por três oligarquias: o venancismo (Venâncio Neiva), o alvarismo (Álvaro Machado) e o epitacismo (Epitácio Pessoa). Em geral, o primeiro período republicano na Paraíba foi caracterizado pelo crescimento da população urbana, bem como pelo crescimento de reivindicações e organização dos trabalhadores, que foram reprimidas durante o governo de Epitácio Pessoa (1919-1922). Com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a economia da Paraíba entrou em crise, principalmente devido à queda nas exportações do algodão, um dos principais produtos agrícolas do estado.[21] [23]

João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, Presidente do Estado da Paraíba entre 1928 e 1930.

Em 1926, a Coluna Prestes, comandada por Luís Carlos Prestes, Miguel Costa e Juarez Távora, passou pela Paraíba.[24] Nessa mesma época, o estado também teve destaque no cangaço, tendo Antônio Silvino, Chico Pereira e Virgulino Ferreira da Silva (o Lampião) como líderes de bandos que atuaram nas localidades de Cajazeiras, Guarabira, Piancó e Sousa. Em 1930, ocorreu um movimento revolucionário considerado o acontecimento mais marcante já registrado em toda a história do estado.[25] O presidente Washington Luís, que deveria apoiar a candidatura do mineiro Antônio Carlos, acabou apoiando a candidatura do paulista Júlio Prestes, provocando, por parte de Minas Gerais, sua ruptura com a aliança paulista, juntamente com a Paraíba e com o Rio Grande do Sul, que se uniram e criaram a Aliança Liberal, que indicou Getúlio Vargas para ser candidato à Presidência da República e o presidente da Paraíba, João Pessoa, para vice-presidente. A vitória de Júlio Prestes desencadeou o movimento revolucionário, que o impediu de tomar posse. Na Paraíba, João Pessoa, candidato derrotado, passou a enfrentar várias rebeliões. Uma delas ocorreu em Princesa Isabel e foi comandada pelo coronel José Pereira, aliado de Júlio Prestes, onde várias casas e escritórios de suspeitos de receptar armamentos para os rebeldes foram invadidas pela polícia. Mais tarde, em Recife, em 26 de julho de 1930, João Pessoa foi assassinado por João Duarte Dantas em uma confeitaria da cidade, evento que gerou muita repercussão em todo o Brasil e também um outro fator que deu origem à Revolução de 1930. O seu corpo foi enterrado no Rio de Janeiro e a capital paraibana, antes chamada Cidade da Paraíba, passou a se chamar João Pessoa em sua homenagem, até os dias atuais.[23] [26] [27] [28]

Em 1989, foi encontrado no distrito de São José da Batalha, município de Salgadinho, uma nova espécie de turmalina, que leva o nome do estado. Posteriormente, essa mesma pedra foi encontrada no vizinho estado do Rio Grande do Norte e no continente africano, mais especificamente em Moçambique e Nigéria.[29] No mesmo ano, foi promulgada a atual constituição do estado.[30]

Em 2009 o governador e o vice-governador do estado na época, Cássio Cunha Lima e José Lacerda Neto, respectivamente, tiveram seus mandatos cassados pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder econômico cometido nas eleições de 2006, assumindo, em seu lugar, o segundo colocado nas eleições realizadas naquele mesmo ano, José Maranhão, e seu vice, Luciano Cartaxo.[31] [32] Em 2010, José Maranhão se candidatou à reeleição, mas acabou sendo derrotado por Ricardo Coutinho, que venceu as eleições do referido ano com mais de 53% dos votos e é governador do estado até os dias atuais.[33]

Skyline de João Pessoa, a capital paraibana.

Geografia[editar | editar código-fonte]

A Paraíba está localizada a leste da Região Nordeste do Brasil, fazendo divisa com os estados do Rio Grande do Norte (norte), de Pernambuco (sul) e do Ceará (a oeste) e o Oceano Atlântico (a leste).[34] A distância entre seus pontos extremo norte e sul, em linha reta, é de 263 quilômetros; enquanto isso, seus pontos extremo leste e oeste estão separados por uma distância reta de 443 quilômetros.[35] O ponto mais a leste da Paraíba, a Ponta do Seixas, em João Pessoa, é também o ponto mais oriental do Brasil e da América.[34] Sua área territorial é de 56 479,778 km², sendo um dos menores estados do país.[1]

Relevo e hidrografia[editar | editar código-fonte]

Vista da Pedra do Ingá, o sítio arqueológico mais visitado da Paraíba.[19]
Rio Paraíba no município de Itabaiana.

O relevo da Paraíba é diversificado, e varia conforme cada região do estado. No litoral, há a Planície Litorânea; no restante da zona da mata, os tabuleiros formados a partir de acúmulos de terras que descem de localidades mais altas; na região agreste, depressões situadas entre os tabuleiros e o Planalto da Borborema - com altitudes entre trezentos e oitocentos metros - e, no sertão, há a Depressão Sertaneja, que começa no município de Patos, estendendo-se até a Serra da Viração. Mais da metade do território estadual é dominada por rochas muito antigas e resistentes formadas durante o período Pré-Cambriano, há mais de 2,5 bilhões de anos atrás.[36] Desse período também se formaram alguns sítios arqueológicos do estado, como a Pedra do Ingá. As principais serras localizadas na Paraíba são: Serra do Teixeira (onde está localizado o Pico do Jabre, ponto culminante da Paraíba com uma altitude de 1 197 metros acima do nível do mar), Serra da Paula (1 147 m), Serra do Tabaquino (1 120 m), Serra do Pesa (1 084 m) e Serra do Cariris Velho (1 070 m).[37]

No Brasil, a Paraíba possui 100% do seu território inserido na Região hidrográfica do Atlântico Nordeste Oriental.[38] Em se tratando apenas das bacias hidrográficas do estado, a Paraíba é abrangida por um conjunto de onze bacias hidrográficas, sendo a maior de todas a do Rio Piranhas, com 26 047,99 km², formada pelas sub-bacias hidrográficas do Rio Piancó (9 424,75 km²), do Médio Piranhas (4 461,48 km²), do Rio Seridó (3 442,36 km²), do Rio do Peixe (3 420,84 km²), do Rio Espinharas (2 981,60 km²) e do Alto Piranhas (2 588,45 km²).[39] A segunda maior bacia é a do Rio Paraíba, com uma área de 20 071,83 km² e formada pelas sub-bacias do Alto Paraíba (6 717,39 km²), do Rio Taperoá (5 666,38 km²), do Baixo Paraíba (3 925,40 km²) e do Médio Paraíba (3 760,65 km². As demais bacias hidrográficas da Paraíba são as dos rios Mamanguape (3 522,69 km²), Curimataú (3 313,58 km², Jacu (977,31 km²), Camaratuba (637,16 km²), Gramame (589,38 km²), Abiaí (585,51 km²), Miriri (436,19 km²), Guaju (152,62 km²) e Trairi (16,08 km²).[40] Os rios dessas bacias hidrográficas são classificados em dois tipos: os litorâneos e os sertanejos. Os rios litorâneos nascem em serras do Planalto da Borborema e deságuam no litoral da Paraíba, mais especificamente no Oceano Atlântico, sendo os principais o Rio Paraíba - que nasce na Serra de Jabitacá, no município de Monteiro, percorrendo cerca de 360 quilômetros até desaguar no mar -, o Curimataú e o Mamanguape. Já os rios sertanejos são os que têm sua nascente no sertão e sua foz no litoral do Rio Grande do Norte; o principal é o Rio Piranhas - o mais importante do sertão da Paraíba, tendo sua nascente na Serra do Bongá, próximo à divisa da Paraíba com o Ceará e deságua em Macau, no litoral norte-riograndense, sendo, durante seu curso, aproveitado para a irrigação de alguns terrenos sertanejos -, que tem como principais afluentes o rios do Peixe, Piancó e o Espinharas.[36]

Os principais reservatórios de água da Paraíba são: a Barragem Doutor Estevam Marinho, também conhecido por Açude de Coremas, localizado no município de mesmo nome (com capacidade para 720 000 m³ de água); o Açude Mãe d'Água, também situado em Coremas (640 000 m³); o Açude Epitácio Pessoa, conhecido pela denominação Boqueirão Cabaceiras e localizado em Boqueirão (535 680 m³); o Açude Engenheiro Ávidos (255 000 m³) e a Lagoa do Arroz (94 481 m³), sendo os dois últimos localizados em Cajazeiras.[41]

Clima, vegetação e solos[editar | editar código-fonte]

Cabaceiras, apelidada de Roliúde Nordestina, é também considerado o município onde menos chove no país.[42]

Devido à sua proximidade com a Linha do Equador a Paraíba possui um clima quente, com temperaturas elevadas durante todo o ano, e variado conforme o relevo local. Na região litorânea, o clima é classificado como tropical úmido, com temperaturas médias em torno de 24°C, e duas estações, uma seca no verão e outra chuvosa no outono e no inverno, e precipitações médias de 1 700 mm por ano. Mais para o interior, após a Serra da Borborema, o clima abundante é o semiárido, caracterizado pelas chuvas escassas e irregulares, com baixa pluviosidade, que por vezes é inferior aos 500 milímetros anuais.[36] [43] Cabaceiras, na região da Borborema, possui o título de município mais seco do país, com chuvas inferiores a trezentos milímetros anuais.[42] Quase 98% do seu território está incluído no Polígono das Secas.[44] [45]

A vegetação do estado é, tal como o clima, variada conforme o relevo. Na região litorânea, a cobertura vegetal é formada pelos tabuleiros, com abundância de arbustos e gramíneas, sendo batiputá e mangabeira as espécies mais predominantes. No sertão, especialmente após a formação do Planalto da Borborema, a formação vegetal mais abundante é a caatinga, formada por espécies de árvores, como a baraúna, e arbustos, como mandacaru e xique-xique.[44]

De acordo com Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba, as classes de solos solos existentes no estado são: afloramentos de rocha (que cobre 0,26% do território estadual), areias quatzosas (1,17%), bruno não cálcico (25,95%), cambissolos (0,84%), gleissolos (0,04%) latossolos (0,60%), podzóis hidromórficos (0,49%), podzólico vermelho amarelo (14,36%), planossolos (0,86%), regossolos (4,77%), solos aluviais (3,38%), solos indiscriminados de mangue (0,26%), solos litólicos (39,11%), solos solonétzicos solodizados (3,98%), terra roxa estruturada (0,54%) e vertissolos (3,39%).[46] [47]

Litoral[editar | editar código-fonte]

Pôr do sol na Praia fluvial do Jacaré, em Cabedelo.

O litoral paraibano possui 138 quilômetros de extensão, com 55 praias, e se estende desde a divisa com o estado do Rio Grande do Norte até a divisa com Pernambuco.[48]

No litoral norte, as praias não são apenas de aspecto primitivo ou localizadas em área urbana, como também abrigam parte do patrimônio histórico estadual, como a Fortaleza de Santa Catarina em Cabedelo, uma das cidades mais portuárias do país. Ainda em Cabedelo, destacam-se as praias do Jacaré - que dispõe de um belo pôr do sol ao som do Bolero de Ravel, estilo musical tocado nos estabelecimentos de bares locais -, de Intermares, de Camboinha e de Poço, onde, nas duas últimas, está situada a ilha de Areia Vermelha. Em Baía da Traição, encontra-se preservada até os dias atuais uma reserva indígena dos índios potiguara.[49] [50]

O litoral sul possui as praias mais bonitas do Brasil, entre as quais as do Amor, de Carapibus, de Graú, de Jacumã, de Pitimbu e de Tabatinga. Mas a famosa de todas elas é a do Tambaba, cercada por falésias e matas densas, localizada na Barra de Garaú, município de Conde, a 25 quilômetros de João Pessoa, primeira praia de naturismo da Região Nordeste e a segunda do Brasil, atraindo milhares de visitantes anualmente. Outras praias importantes da região litorânea sul são as de Barra de Gramame, Cabo Branco, Coqueirinho, Tambaú - nesta última está localizado o Picãozinho, uma formação de corais de recifes -, todas localizadas na área urbana de João Pessoa.[49] [50]

Áreas protegidas[editar | editar código-fonte]

Parque Estadual da Pedra da Boca, no município de Araruna.
Área de Proteção Ambiental de Tambaba, no litoral sul paraibano.

Em 2010, a Paraíba possuía 28 unidades de conservação, sendo sete federais, sete estaduais, cinco municipais e nove reservas particulares do patrimônio natural.[51]

As unidades de conservação federais, administradas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), são a Área de Preservação Permanente Mata do Buraquinho (em João Pessoa), a Área de Proteção Ambiental da Barra do Rio Mamanguape (Mamanguape), a Floresta Nacional da Restinga de Cabedelo (em Cabedelo), Reserva Ecológica Guaribas (Mamanguape), a Reserva Extrativista Acaú-Goiana (nos municípios paraibanos de Caaporã e Pitimbu, além de Goiana, em Pernambuco), a Terra Indígena Jacaré de São Domingos (Baía da Traição) e a Terra Indígena Potiguara (nos municípios de Baía da Traição, Marcação e Rio Tinto). Por sua vez, as unidades de conservação estaduais, administradas pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente, são a Área de Proteção Ambiental do Cariri (nos municípios de Boa Vista, Cabaceiras e São João do Cariri), a Área de Proteção Ambiental das Onças (São João do Tigre), a Área de Proteção Ambiental do Roncador (em Bananeiras e Pirpirituba), a Área de Proteção Ambiental de Tambaba (nos municípios de Alhandra, Conde e Pitimbu), a Área de Relevante Interesse Ecológico Mata de Goiamunduba (em Bananeiras), a Estação Ecológica do Pau Brasil (Mamanguape), o Parque Estadual da Mata do Xem-xem (Bayeux), o Parque Estadual Mata de Jacarapé (João Pessoa), o Parque Estadual Mata do Aratu (João Pessoa), o Parque Estadual Mata do Pau-Ferro (Areia), o Parque Estadual Pedra da Boca (Araruna), o Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha (Cabedelo), o Parque Estadual Pico do Jabre (em Mãe d'Água e Matureia), o Parque Estadual do Poeta (em Campina Grande), a Reserva Ecológica Mata do Rio Vermelho (Rio Tinto) e o Vale dos Dinossauros (Sousa). São unidades de conservação municipais a Área de Proteção Ambiental Rosilda Cartaxo (Cajazeiras), o Parque Ecológico do Distrito de Engenheiro Ávidos (Cajazeiras), Parque Ecológico Municipal da Barra do Rio Camaratuba (Mataraca), o Parque Municipal de Cabedelo (em Cabedelo) e o Parque Municipal Lauro Xavier (João Pessoa). Por último, as reservas particulares do patrimônio natural, sob jurisdição federal, eram a Fazenda das Almas (São José dos Cordeiros, a Fazenda Pacatuba (Sapé), a Fazenda Santa Clara (São José do Cariri), a Fazenda Pedra d'Água (Casserengue) a Fazenda Tamanduá (Santa Teresinha), a Fazenda Várzea (Araruna), a Mata do Engenho Gargaú (Santa Rita), além da Fazenda Cabeça de Boi (localizada em Pocinhos) e da Gurugy dos Paus Ferros (em Conde).[51]

Outras áreas naturais protegidas do estado, mas sem o estatuto de unidades de conservação, naquele mesmo ano, eram o Litoral norte da Barra do Rio Camaratuba (Mataraca), a Mata de Mangabeira (João Pessoa), a Mata de Cabedelo (em Cabedelo), Mata do Engenho Socorro (nos municípios de Alagoa Grande e Areia), Mata da Usina São João (Santa Rita), a Mata do Triunfo (João Pessoa) e o Sítio Arqueológico Boa Vista (em Boa Vista).[52]

Em virtude da remoção da cobertura vegetal ou da caça, de uma lista de 46 espécies ameaçadas de extinção na Paraíba, conforme estudo da Sudema, cerca de 25 têm (ou tinham) seu habitat na Mesorregião da Mata Paraibana.[53]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Crescimento populacional
Censo Pop.
1872 376 226
1890 457 232 21,5%
1900 490 784 7,3%
1920 961 106 95,8%
1940 1 422 282 48,0%
1950 1 713 529 20,5%
1960 2 018 023 17,8%
1970 2 445 419 21,2%
1980 2 810 032 14,9%
1991 3 200 667 13,9%
2000 3 439 344 7,5%
2010 3 766 528 9,5%
Censos demográficos do IBGE[54]

Segundo o censo brasileiro de 2010, a população do estado da Paraíba era de 3 766 528 habitantes, sendo a décima terceira unidade da federação mais populosa do país, concentrando cerca de 2% da população brasileira[54] [55] e apresentando uma densidade demográfica de 66,70 habitantes por quilômetro quadrado.[56] De acordo com este mesmo censo demográfico, 2 838 678 habitantes viviam na zona urbana (75,37%) e 927 850 na zona rural (24,63%). Ao mesmo tempo, 1 824 379 pessoas eram do sexo masculino (48,44%) e 1 942 149 do sexo feminino (51,56%),[57] tendo uma razão de sexo de 93,94.[58] Sua capital, João Pessoa, com seus 723 515 habitantes, concentrava, neste mesmo ano, 19,2% da população estadual[59] e possuía a maior densidade demográfica da Paraíba (3 421,30 hab./km²).[60] Da população total do estado, considerando-se a nacionalidade, 3 765 131 (99,96%) eram brasileiros, sendo 3 764 722 brasileiros natos (99,95%) e 409 naturalizados brasileiros (0,01%), além de 1 397 estrangeiros (0,04%).[61] Simultaneamente, 3 464 844 pessoas eram nascidas no próprio estado (91,99%) e os 301 684 restantes eram de outros estados ou até mesmo do exterior (8,01%).[62] [63] [64]

Densidade demográfica dos municípios da Paraíba (2010).
  0-25 hab/km²
  25-50 hab/km²
  50-100 hab/km²
  100-150 hab/km²
  150-200 hab/km²
  200-300 hab/km²
  300-400 hab/km²
  400-500 hab/km²
  > 500 hab/km²

Dos 223 municípios do estado, apenas quatro possuíam população superior a cem mil habitantes (João Pessoa, Campina Grande, Santa Rita e Patos), seis entre 50 e 100 mil habitantes (Bayeux, Sousa, Cajazeiras, Cabedelo, Guarabira e Sapé), 20 entre vinte e cinquenta mil, 56 entre dez e vinte mil, 68 entre cinco e dez mil, 63 entre dois e cinco mil e seis abaixo de dois mil habitantes (Areia de Baraúnas, Coxixola, Riacho de Santo Antônio, Quixaba, São José do Brejo do Cruz e Parari).[65] [66] Entre 2000 e 2010, a Paraíba registrou um crescimento populacional 9,51%, inferior às médias da região Nordeste (11,29%) e do Brasil (12,48%).[67] Para 2012, a estimativa populacional é de 3 815 171 habitantes.[68]

O Índice de Desenvolvimento Humano do estado da Paraíba é considerado médio conforme dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Segundo o último relatório, divulgado em 2008 com dados relativos a 2005, o seu valor era de 0,718, um pouco abaixo da média regional (0,720), estando na 24ª colocação a nível nacional e em sexto a nível regional, sendo superado pelos estados da Bahia (0,742), Sergipe (0,742), Rio Grande do Norte (0,738), Ceará (0,723) e Pernambuco (0,718), e à frente do Piauí (0,703), Maranhão (0,683) e Alagoas (0,677). Considerando-se o índice da educação, seu valor é de 0,793 (24º), o índice de longevidade é de 0,723 (23º) e o de renda é 0,638 (19º).[69] A incidência de pobreza, em 2003, era de 57,48% (sendo 61,75% o índice de pobreza subjetiva) e o índice de Gini no mesmo ano era 0,46.[70] Em 2009, a taxa de fecundidade era de 2,25 filhos por mulher, a décima maior do Brasil.[71]

Religião[editar | editar código-fonte]

A Catedral de Nossa Senhora da Piedade, sede da Diocese de Cajazeiras, no município de mesmo nome.
A Catedral de Nossa Senhora da Piedade, sede da Diocese de Cajazeiras, no município de mesmo nome.
Templo da Igreja Batista em Sousa.
Templo da Igreja Batista em Sousa.

Segundo a divisão da Igreja Católica no Brasil, a Paraíba pertence à Regional Nordeste II, que também abrange os estados de Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte, e seu território coincide com a Província Eclesiástica da Paraíba,[73] cuja sede é a Arquidiocese da Paraíba, inicialmente erguida como diocese, em 27 de abril de 1892, desmembrada da Arquidiocese de Olinda e Recife (Pernambuco), sendo elevada à categoria de arquidiocese em 6 de fevereiro de 1914. Desde a sua ereção, foram desmembradas as suas quatro dioceses sufragâneas: Cajazeiras (6 de fevereiro de 1914, no mesmo dia da elevação à arquidiocese), Campina Grande (14 de maio de 1949), Guarabira (11 de outubro de 1980) e Patos (11 de outubro de 1980), além da diocese de Natal (em 29 de dezembro de 1909, hoje arquidiocese).[74] [75] A diocese de Patos, por sua vez, foi erguida em 17 de janeiro de 1959, com partes dos territórios das dioceses de Cajazeiras e Campina Grande.[76] No censo de 2010, o catolicismo romano era a preferência religiosa da maioria da população, com 2 898 656 adeptos, ou 76,958 % dos habitantes do estado.[77]

A Paraíba também possui os mais diversos credos protestantes ou reformados. Em 2010, 571 015 habitantes (15,16% da população) declararam-se evangélicos. Desse total, 318 278 pertenciam às igrejas evangélicas de origem pentecostal (8,450%), 122 752 às evangélicas de missão (3,259%) e 129 986 a igrejas evangélicas não determinadas (3,451%). Do total de seguidores das igrejas evangélicas de origem pentecostal, 200 056 pertenciam à Assembleia de Deus, 28 850 à Igreja Universal do Reino de Deus (0,766%), 9 828 à Igreja Congregação Cristã do Brasil (0,261%), 4 970 à Igreja Deus é Amor (0,132%), 4 427 à Igreja Maranata (0,118%), 1 862 à Igreja Nova Vida (0,049%), 1 670 à Igreja O Brasil para Cristo (0,044%), 1 103 à Igreja Casa da Bênção (0,029%), 988 à Igreja do Evangelho Quadrangular e 912 à Comunidade Evangélica, além de 63 549 pertencerem a outras igrejas evangélicas pentecostais. Em relação às igrejas de missão, 71 831 eram pertencentes à Igreja Batista (1,907%), 20 956 à Igreja Evangélica Congregacional (0,556%), 12 867 à Igreja Adventista (0,342%), 12 480 à Igreja Presbiteriana, 1 706 à Igreja Luterana (0,045%), 1 639 à Igreja Metodista (0,044%) e outros 1 273 pertenciam a outras igrejas evangélicas de missão (0,034%).[77]

Além do catolicismo romano e do protestantismo, também existiam naquele mesmo ano 23 175 espíritas (0,615%), 17 587 testemunhas de Jeová (0,467%), 8 251 católicos apostólicos brasileiros (0,219%), 4 266 mórmons (0,113%), 1 962 católicos ortodoxos (0,052%), 1 311 seguidores do candomblé (0,035%), 1 088 umbandistas (0,029%), 883 esotéricos, 626 judaístas (0,017%), 514 seguiam religiões orientais (0,014%), 360 praticavam tradições indígenas (0,010%), 157 espiritualistas (0,004%), 76 islâmicos (0,002%), 60 hinduístas (0,002%), 21 pertenciam a outras declarações de religiões afro-brasileiras (0,001%) e quatro a outras religiosidades (0,0001%). Outros 213 214 não possuíam religião (5,66%), dos quais 3 981 ateus (0,11%) e 1 721 agnósticos (0,05%); 5 803 possuíam religião indeterminada e tinham múltiplo pertencimento (0,15%), sendo que 5 789 possuíam religião não determinada ou mal definida (0,1537%) e 14 declararam possuir múltiplas religiosidades (0,0004%); 5 803 também não souberam (0,15%) e 609 não declararam (0,02%).[77] [78]

Igreja de São Francisco.
Igreja de São Francisco.
Capela no interior da igreja, com rica talha.
Capela no interior da igreja, com rica talha.
Detalhe do teto da sacristia.
Detalhe do teto da sacristia.

Etnias[editar | editar código-fonte]

Conforme dados do censo de 2010, dos 3 766 528 paraibanos, 1 986 619 declararam-se como pardos (52,744%), 1 499 253 declararam-se brancos (39,804%), 212 968 eram pretos (5,654%), 48 487 eram amarelos (1,287%), 19 149 eram indígenas e 52 não tinham declaração (0,001%).[77]

Tal como os brasileiros, a origem dos paraibanos está ligada à miscigenação entre brancos (vindos da Europa), os indígenas locais e os negros (vindos da África). Isso contribuiu para que a população paraibana fosse considerada como mestiça. Os pardos constituem a maioria da população do estado e, entre eles, os principais são os caboclos. Ao contrário do que ocorreu na Bahia, no Maranhão e em Pernambuco, a Paraíba teve pouco destaque na cultura da cana de açúcar, o que fez com que pouca oferta da mão de obra africana viesse ao local e, consequentemente, contribuiu para que apenas uma pequena parte da população atual seja formada por negros.[79]

Panorama de Baía da Traição, o quarto município mais indígena do Brasil.[80]

Antes da descoberta do Brasil, a Paraíba era habitada pelos cariris e tupis, que se comunicavam e falavam principalmente a língua tupi-guarani. Na época da conquista, o mesmo era habitado principalmente pelos potiguaras e tabajaras. Atualmente, eles constituem apenas 0,5% da população e estão espalhados em várias comunidades de quilombos, por todo o território estadual. Os descendentes de europeus ocupam principalmente os maiores centros urbanos do estado, bem como as região do alto sertão e do brejo.[79] Na região litorânea, os potiguaras, que já chegaram a ocupar a costa litorânea do Maranhão até Pernambuco, estão localizados principalmente nos municípios de Baía da Traição, Marcação e Rio Tinto, onde ocupam 26 aldeias, além das zonas urbanas, e uma área de mais de 33 mil hectares de terra.[81]

No interior e no litoral norte, os caboclos são os mestiços mais predominantes, enquanto nas regiões do agreste e do Cariri (mais especificamente o centro-sul paraibano), a população de mestiços é formada principalmente por mulatos.[79] A identidade mestiça foi reconhecida como um grupo étnico-racial-culturais pela lei estadual nº 8 374, de 9 de novembro de 2007, que também instituiu o Dia do Mestiço na Paraíba, comemorado desde então no dia 27 de junho.[82] Existem também pequenas populações de cafuzos dentro do estado.[79]

Criminalidade[editar | editar código-fonte]

De acordo com dados do "Mapa da Violência 2012", publicado pelo Instituto Sangari e pelo Ministério da Justiça, a taxa de homicídios por 100 mil habitantes, que era de 10,8 em 1980, subiu para para 33,8 em 2009 (ficando acima da média nacional, que era de 27,0). Nos mesmos anos, o número de homicídios subiu de 519 para 1 269. Em geral, a Paraíba subiu catorze posições no ranking nacional dos estados e Distrito Federal por taxa de homicídios, passando da vigésima posição em 2000 para a sexta em 2010. João Pessoa e região metropolitana possuíam taxas quase duas vezes maiores que a do estado (64,3), enquanto que, no interior, o mesmo era menor que a média estadual (21,2). Em 2000, os dois municípios mais populosos da Paraíba concentravam 67,6% dos casos de homicídios do estado, número que se reduziu para 55% em 2010. Considerando-se todos os municípios com mais de cem mil habitantes, que em 2000 eram responsáveis por 25% do total de homicídios, passaram, em 2010, para 35% do total do mesmo. Entre os municípios acima de 50 000 e abaixo de 100 000 habitantes, destacam-se Cabedelo e Bayeux, que apresentaram forte crescimento nos níveis de violência. Ao mesmo tempo, a região metropolitana da capital registrou um forte aumento de 164,2% nas taxas de homicídios, enquanto no interior do estado registrou uma queda de 30,4%.[83] [84]

De acordo com dados do "Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros 2008", também publicado pelo Instituto Sangari, os municípios paraibanos que apresentavam as maiores taxas de homicídios por grupo de cem mil habitantes eram João Pessoa (46,7), Conde (40,5), Campina Grande (36,2), São Mamede (33,4), São Sebastião do Umbuzeiro (33,4).[85]

Política[editar | editar código-fonte]

Palácio da Redenção, sede do poder executivo da Paraíba.
Palácio da Redenção, sede do poder executivo da Paraíba.
Prédio Governador Ernani Sátyro, onde está localizada a Assembleia Legislativa da Paraíba, sede do poder legislativo estadual.
Prédio Governador Ernani Sátyro, onde está localizada a Assembleia Legislativa da Paraíba, sede do poder legislativo estadual.
Tribunal de Justiça da Paraíba, sede do poder judiciário do estado.
Tribunal de Justiça da Paraíba, sede do poder judiciário do estado.

A Paraíba é um estado da federação, sendo governado por três poderes, o executivo, o legislativo e judiciário. A atual constituição do estado foi promulgada em 5 de outubro de 1989, acrescida das alterações resultantes de posteriores emendas constitucionais.[30]

O poder executivo estadual, sediado no Palácio da Redenção,[86] está centralizado no governador do estado, eleito pelo voto popular para mandatos de quatro anos, podendo ser reeleito para mais um mandato. O primeiro governador republicano do estado foi Venâncio Augusto de Magalhães Neiva,[87] em 16 de novembro de 1889, um dia após a proclamação da república. O atual é Ricardo Vieira Coutinho, do Partido Socialista Brasileiro, eleito em 2010 com 53,7% dos votos válidos.[88] [89] O vice-governador, eleito juntamente com o governador e responsável por substituir este em caso da renúncia, afastamento do poder ou necessidade de se afastar do cargo temporariamente, é Rômulo José de Gouveia.[33]

O poder legislativo estadual está sediado na Assembleia Legislativa da Paraíba, formada por 36 deputados eleitos para mandatos de quatro anos.[90] O primeiro presidente da assembleia legislativa foi José Lucas de Souza Rangel, em 1835, e o atual é Ricardo Marcelo, do Partido Ecológico Nacional.[91] No Congresso Nacional, a representação paraibana é de três senadores e doze deputados federais;[90] a partir de 2015, essa representação irá diminuir, passando para trinta deputados estaduais e dez deputados federais.[92]

O poder judiciário da Paraíba possui sede no Tribunal de Justiça da Paraíba, e é composto por dezenove desembargadores.[93] A atual presente do tribunal e chefe do poder judiciário estadual é Maria de Fatima Moraes Bezerra Cavalcanti, além de Romero Marcelo da Fonseca Oliveira como vice-presidente e Marcio Murilo da Cunha Ramos como corregedor-geral de justiça.[94] Representações deste poder estão espalhadas por todo o estado por meio de comarcas, classificadas em primeira, segunda ou terceira entrância; ao todo, existem 77 comarcas instaladas na Paraíba, sendo 39 de primeira entrância, 33 de segunda e cinco de terceira.[95]

Tratando-se sobre partidos políticos, dos trinta partidos existentes no Brasil, todos possuem representação no estado. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, baseado em dados de abril de 2013, o partido político com maior número de filiados na Paraíba é o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), com 50 508 membros filiados, seguido do Democratas (DEM), com 36 801 membros e do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), com 32 129 filiados. Completando a lista dos cinco maiores partidos políticos no estado, por número de membros, estão o Partido dos Trabalhadores (PT), com 28 913 membros e o Partido Progressista (PP), com 24 750 filiados; enquanto isso, o partido político que possuía a menor representatividade no estado é o Partido Ecológico Nacional (PEN), com apenas oito membros filiados.[96] Ainda de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, o estado da Paraíba possuía, em abril de 2013, 2 860 681 eleitores, o que representa 2,023% do eleitorado brasileiro.[97]

Símbolos estaduais[editar | editar código-fonte]

São símbolos oficiais do estado da Paraíba a bandeira, o brasão e o hino.[30]

Bandeira da Paraíba

A atual bandeira do estado, conhecida como Bandeira do Nego, foi adotada em 1930, após uma bandeira que vigorou entre 1907 e 1922. Um terço dela está na cor preta - representando os dias de luto que vigoraram no estado após o assassinato de João Pessoa em Recife, ano de 1930 - e os dois terços restantes na cor vermelha - representando a Aliança Liberal, que adotou a bandeira rubro-negra em 25 de setembro de 1930, por meio da lei n° 204. No meio da parte vermelha, há a inscrição "NEGO", na cor branca e em letras maiúsculas, que é a conjugação do verbo "negar" no presente do indicativo da primeira pessoa do singular e representa a não aceitação do sucessor à presidência da república indicado pelo presidente brasileiro da época, Washington Luís. Quando da adoção da bandeira, o vocábulo era escrito com um acento agudo na letra E (NÉGO). Em 26 de julho de 1965, o decreto estadual 3 919 oficializou a bandeira rubro-negra como a bandeira estadual, vigorando até os dias de hoje.[98]

Brasão da Paraíba

O brasão da Paraíba foi adotado durante a gestão do presidente estadual (hoje governador) Castro Pinto (1912-1915). Ele é usado em papéis oficiais e é formado por quatro ângulos (três na parte superior e um na parte inferior). As estrelas contidas respeitam a divisão administrativa do estado. No alto, há uma estrela de tamanho maior de cinco pontas e com um círculo em sua parte central. No interior desse círculo há um barrete frígio, que significa "liberdade". No meio do brasão, há um escudo com um desenho de homem guiando um rebanho, que representa o sertão, e um sol ao amanhecer, representando o litoral. À direita desse escudo, há o desenho de um ramo de algodão e, à esquerda, uma rama de cana-de-açúcar. Na parte~inferior do brasão, há um laço que "prende" os ramos de algodão e cana-de-açúcar e, dentro dele, uma inscrição mostrando a data de fundação da Paraíba: 5 de agosto de 1585.[98]

O hino foi adotado pela primeira vez em 30 de junho de 1905. Com letra de Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo e a música de Abdon Felinto Milanez.[98]

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Mesorregiões, microrregiões e municípios[editar | editar código-fonte]

Uma mesorregião é uma subdivisão dos estados brasileiros que congrega diversos municípios de uma área geográfica com similaridades econômicas e sociais. Foi criada pelo IBGE e é utilizada para fins estatísticos e não constitui, portanto, uma entidade política ou administrativa. Oficialmente, as quatro mesorregiões do estado são: Agreste Paraibano, Borborema, Mata Paraibana e Sertão Paraibano.[13]

Uma subdivisão da mesorregião é a microrregião. A Paraíba é dividida em 23 microrregiões; são elas: Brejo Paraibano, Cajazeiras, Campina Grande, Cariri Ocidental, Cariri Oriental, Catolé do Rocha, Curimataú Ocidental, Curimataú Oriental, Esperança, Guarabira, Itabaiana, Itaporanga, João Pessoa, Litoral Norte, Litoral Sul, Patos, Piancó, Sapé, Seridó Ocidental Paraibano, Seridó Oriental Paraibano, Serra do Teixeira, Sousa e Umbuzeiro.[14] No total, a Paraíba está dividida em 223 municípios, sendo o nona unidade de federação com o maior número de municípios e a terceira do Nordeste (atrás apenas da Bahia e do Piauí).[15]

 Mesorregiões (4)  #   Agreste Paraibano #   Borborema #   Mata Paraibana #   Sertão Paraibano
 Microrregiões (23)  #   Brejo Paraibano #   Cajazeiras #   Campina Grande #   Cariri Ocidental #   Cariri Oriental #   Catolé do Rocha #   Curimataú Ocidental #   Curimataú Oriental #   Esperança #   Guarabira #   Itabaiana #   Itaporanga #   João Pessoa #   Litoral Norte #   Litoral Sul #   Patos #   Piancó #   Sapé #   Serra do Teixeira #   Sousa #   Seridó Ocidental Paraibano #   Seridó Oriental Paraibano #   Umbuzeiro
Municípios (223)
Municípios (223)

Regiões metropolitanas[editar | editar código-fonte]

De acordo com a constituição federal, uma região metropolitana, no Brasil, é constituída por agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum.[99]

Oficialmente, existem doze regiões metropolitanas no estado da Paraíba. A primeira delas foi a Região Metropolitana de João Pessoa, criada em 2003,[100] e a segunda foi a Região Metropolitana de Campina Grande, criada em 2009.[101] Em 2011, foram instituídas as regiões metropolitanas de Guarabira e Patos; em 2012, foram criadas as regiões metropolitanas de Barra de Santa Rosa,[102] Cajazeiras,[103] Esperança[104] e Vale do Piancó,[105] e, em 2013, as de Araruna,[106] Itabaiana,[107] Sousa[108] e Vale do Mamanguape.[109]

Regiões metropolitanas (12)

  Araruna
  Barra de Santa Rosa
  Cajazeiras
  Campina Grande
  Esperança
  Guarabira
  Itabaiana
  João Pessoa
  Patos
  Sousa
  Vale do Mamanguape
  Vale do Piancó

Economia[editar | editar código-fonte]

Exportações da Paraíba (2012).[110]

A economia da Paraíba é a décima nona mais rica do país e o sexto da região Nordeste (ficando atrás de Bahia, de Pernambuco, do Ceará, do Maranhão e do Rio Grande do Norte, e à frente de Alagoas, Sergipe e Piauí). De acordo com dados relativos a 2010, o Produto Interno Bruto da Paraíba era de R$ 31 947 milhões (0,8% do PIB nacional), enquanto o PIB per capita era de R$ 8 481,14. Desse total, R$ 3 386 mil eram de impostos sobre produtos e líquidos de subsídios.[111] [112] As maiores economias da Paraíba são João Pessoa, Campina Grande, Cabedelo, Santa Rita e Patos.[113]

Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa, é a terceira maior economia do estado e o maior PIB per capita da Paraíba.[114]
Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa, é a terceira maior economia do estado e o maior PIB per capita da Paraíba.[114]
Patos, maior centro econômico do sertão da Paraíba e a quinta maior economia do estado.[114]
Patos, maior centro econômico do sertão da Paraíba e a quinta maior economia do estado.[114]

No final do século XVI, quando começou a ocupação do território paraibano, a economia da Paraíba era centralizada no setor primário (agropecuária), principalmente no cultivo de cana-de-açúcar.[115] Atualmente, é o menos participativo no produto interno bruto total do estado (10,3% em 2004). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, na pecuária (praticada principalmente na região do Cariri paraibano), a Paraíba possuía, em 2011, 8 265 235 frangas, frangos, galos e pintos; 2 477 534 galinhas; 1 354 268 cabeças de gado; 580 867 caprinos; 447 406 ovinos; 259 283 vacas ordenhadas; 151 702 suínos; 143 702 codornas; 48 284 equinos; 40 557 asininos e 21 637 muares. No mesmo ano o estado produziu 303 078 quilos de mel de abelha, 237 102 mil litros de leite, 32 421 mil dúzias de ovos de galinha e 1 619 mil dúzias de ovos de codorna. Na lavoura permanente 2011 foram produzidos abacate (717 t), algodão arbóreo (34 t, em caroço), banana (202 791 t, em cacho), castanha de caju (1 897 t), coco-da-baía (64 718 mil frutos), goiaba (4 475 t), laranja (7 379 t), limão (1 648 t), mamão (29 217 t), manga (15 558 t), maracujá (5 974 t), pimenta-do-reino (99 t), sisal (7 240 t), tangerina (15 670 t), urucum (739 t) e uva (2 016 t).[116] Na lavoura temporária do mesmo ano produziram-se abacaxi (276 250 mil frutos), algodão herbáceo (2 367 t, em caroço), alho (24 t), amendoim (547 t, em casca), arroz (4 332 t), batata-doce (44 640 t), batata-inglesa (2 261 t), cana-de-açúcar (6 417 385 t), cebola (2 718 t), fava (7 681 t, em grãos), feijão (37 680 t, em grãos), fumo (367 t, em folhas), girassol (83 t, em grãos), mamona (149 t, em baga), mandioca (220 874 t), melancia (7 089 t), melão (170 t), milho (62 426 t, em grãos) e tomate (23 102 t).[117] Os municípios que possuem o maior produto interno bruto agropecuário do estado são, em ordem decrescente, Pedras de Fogo, Santa Rita, Itapororoca, Alagoa Nova e Araçagi (2009).[114]

Campina Grande, no agreste, é a principal cidade do interior da Paraíba.

O setor secundário é a segunda maior fonte geradora do PIB do estado. O perfil industrial da Paraíba está voltado principalmente para o benefício de minerais e de matéria-prima vindas do setor primário. Os principais centros industriais da Paraíba, bem como os principais industriais do estado, são: na zona da mata, a Região Metropolitana de João Pessoa (notadamente Bayeux, Cabedelo, Conde, João Pessoa, Lucena e Santa Rita), onde se encontram principalmente as indústrias alimentícia, de cimento, de construção civil e a têxtil; no agreste, Campina Grande, onde se destacam novamente as indústrias de alimentos, como também as de bebidas, calçados, frutas industrializadas e, mais recentemente, de software; no sertão, Cajazeiras, Patos, São Bento e Sousa, com destaque para as indústrias de confecções e a têxtil. Atualmente, a atividade industrial no estado encontra-se, até os dias atuais, em processo de desenvolvimento, com intuito de gerar melhores condições de vida à população.[118] [119] Os maiores PIBs do setor secundário são João Pessoa, Campina Grande, Santa Rita, Cabedelo e Caaporã.[114]

O setor terciário, por sua vez, é a maior fonte geradora de riquezas da Paraíba. No comércio, o estado é o quinto maior em exportação no Nordeste, destacando-se na exportação de bens de consumo, bens intermediários e de capital. Açúcar, álcool etílico, calçados, granito, roupas, sisal e tecidos são os principais produtos exportados da Paraíba para o exterior, destinados principalmente para a Austrália, Argentina, Estados Unidos, Rússia e União Europeia.[120] Sua pauta de exportação, em 2012, foi baseada em Calçados de Borracha (46,76%), Açúcar in Natura (27,06%), Álcool Etílico (10,99%), Minério de Titânio (4,20%) e Calçados de Materiais Têxteis (2,45%)[110] .

Turismo[editar | editar código-fonte]

Lagoa do Parque Sólon de Lucena, no centro de João Pessoa.
Lagoa do Parque Sólon de Lucena, no centro de João Pessoa.

Outra importante fonte de renda econômica na Paraíba é o turismo. Eleito melhor destino nacional do ano em 2013, cerca de um milhão de turistas que visitam o estado todos os anos.[121]

A capital paraibana é considerada porta de entrada para o turismo no estado da Paraíba.[122] Desde 1970, com a construção do Hotel Tropical Tambaú, João Pessoa investiu bastante no setor turístico, o que contribuiu com o desenvolvimento comercial na orla da cidade. Tendo como principal cartão-postal o Parque Sólon de Lucena, João Pessoa possui 37 quilômetros de praias, como as de Bessa, Manaíra e Penha e Tambaú, além de um vasto acervo cultural e construções históricas, desde construções mais antigas no centro histórico (como a Casa da Pólvora, o Centro Cultural São Francisco, o cruzeiro monolítico, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo e o mosteiro de São Bento), até as mais recentes (tais como o Hotel Globo e o Teatro Santa Rosa), além de contar com a segunda maior reserva de Mata Atlântica do Brasil localizada em área urbana.[23] [123] Ainda em João Pessoa está localizado o Espaço Cultural José Lins do Rego, no bairro de Tambauzinho, construído em uma área de 55 000 m³, onde funciona o primeiro planetário da região Nordeste, além de ocorrerem apresentações culturais, exposições e feiras.[124]

O Museu de Arte Popular da Paraíba, localizado em Campina Grande, é a última edificação contemporânea finalizada em vida pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

No restante do litoral, destacam-se as areias coloridas (em Pitimbu), Baía da Traição (município que possui praias e redutos indígenas com aldeias), a Fortaleza de Santa Catarina (em Cabedelo), a Igreja de Nossa Senhora da Guia (no município de Lucena), a praia do Intermares (também em Cabedelo) e a praia de Tambaba (em Conde).[125] No interior, destaca-se Campina Grande, que, juntamente com João Pessoa, abriga os principais eventos realizados na Paraíba, como O Maior São João do Mundo, o Micarande, o festival de Inverno, o Encontro da Nova Consciência, além de contar com hotéis e diversos outros atrativos, como o Museu de Arte Assis Chateaubriand, o mais famoso da Paraíba.[126] [127] [128] Outros importantes atrativos turísticos naturais e culturais do interior paraibano são: na região agreste, a Cachoeira do Roncador (nos municípios de Bananeiras e Borborema), o Memorial Frei Damião (em Guarabira), a Pedra da Boca (em Araruna), a Pedra do Ingá (em Ingá); na região da Borborema, o Lajedo de Pai Mateus (em Cabaceiras); no sertão, a Estância Termal de Brejo das Freiras (em São João do Rio do Peixe) e o Vale dos Dinossauros (em Sousa).[23] [125] [129] [130] [131]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Casas e apartamentos em João Pessoa, no bairro Manaíra.

O estado da Paraíba possuía, segundo o censo de 2010, 1 080 672 domicílios, sendo 829 761 na zona urbana (76,78%) e 250 911 na zona rural (23,22%). Desse total, 998 777 eram casas (92,42%); 63 376 eram apartamentos (5,86%); 16 451 eram casa de vila ou em condomínio (1,52%), 2 065 eram habitações em casa de cômodos, cortiço ou cabeça de porco (0,19%) e apenas três eram ocas ou malocas (0,00%). Quanto ao tipo de ocupação, 793 976 domicílios eram próprios (73,47%), sendo 762 489 próprios já quitados (70,56%) e 31 487 em processo de aquisição (2,91%); 185 101 eram alugados (17,13%); 95 046 eram cedidos (8,80%), sendo 19 130 por empregador (1,77%) e 75 916 cedidos de outra forma (7,02%) e os 6 549 era ocupados sob outras condições (0,61%).[132]

No quesito de abastecimento de água, 829 018 domicílios eram abastecidos pela rede geral (76,71%); 57 089 por meio de poços ou nascentes situados dentro da propriedade (5,28%); 50 988 por meio de poços ou nascentes fora da propriedade; 45 348 através de rios, açudes, lagos ou igarapés (4,20%); 645 a partir de poços ou nascentes na aldeia (0,06%); 38 por meio de poços ou nascentes fora da aldeia (0,00%) e 97 546 eram abastecidos de outras maneiras (9,03%). Em relação à energia elétrica, 1 072 551 domicílios eram abastecidos (99,25%) e, quanto ao destino do lixo domiciliar, a maioria (839 321) destinava-o à coleta, que era feita ou por serviço de limpeza (762 646 domicílios, 77,67%) ou por meio de caçambas (76 575 domicílios, 7,09%). E, por último, na questão de existência de banheiros e esgotamento sanitário, dos 958 570 domicílios que tinham banheiros de uso exclusivo do próprio domicílios (88,70%), 523 473 eram atendidos pela rede geral de esgoto ou pluvial ou fossa séptica (48,44%) e os 435 097 de outra maneira (40,26%); havia ainda 62 305 domicílios com banheiro de uso comum a mais de um domicílio, sendo 9 228 por meio da rede geral de esgoto ou pluvial ou fossa séptica (0,85%) e 53 077 possuíram outro escoadouro (4,91%); outros 59 797 não tinham banheiros nem sanitários (5,53%).[133]

Saúde[editar | editar código-fonte]

Mortalidade infantil (2009) 35,6 por mil nascimentos[134]
Médicos (2005) 10,5 por 10 mil hab.[134]
Leitos hospitalares (2009) 462,2 por habitante[134]

Em 2009, existiam, no estado, 2 622 estabelecimentos hospitalares, com 8 149 leitos. Dos estabelecimentos hospitalares, 1 825 eram públicos, sendo 1 762 de caráter municipal, 57 de caráter estadual e apenas seis de caráter federal. 797 estabelecimentos eram privados, sendo 734 com fins lucrativos e 63 sem fins lucrativos. 79 unidades de saúde eram especializadas, com internação total, e 2 145 unidades eram providas de atendimento ambulatorial.[135]

De acordo com uma pesquisa realizada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios em 2008, 72,5% da população paraibana avaliou sua saúde como boa ou muito boa, 65,2% afirmaram ter realizado consulta médica nos últimos doze meses anteriores à data da entrevista, 41,3% dos habitantes consultaram o dentista no mesmo período e 7,2% da população esteve internado em leito hospitalar. 29,5% dos habitantes declararam ter alguma doença crônica e apenas 12,2% dos residentes tinham cobertura de plano de saúde. No mesmo ano, 83,7% dos domicílios particulares permanentes estavam cadastrados no programa Unidade de Saúde Familiar.[136]

De acordo com a mesma pesquisa, na questão de saúde feminina, 24,4% das mulheres com mais de 40 anos fizeram exame clínico das mamas nos últimos doze meses, 27,8% das mulheres entre 50 e 69 anos fizeram exame de mamografia nos últimos dois anos e 65,3% das mulheres entre 25 e 59 anos fizeram exame preventivo para câncer do colo do útero nos últimos três anos.[136]

Educação[editar | editar código-fonte]

Faculdade de Direito do Centro de Ciências Jurídicas da Universidade Estadual da Paraíba, câmpus de Campina Grande.
Faculdade de Direito do Centro de Ciências Jurídicas da Universidade Estadual da Paraíba, câmpus de Campina Grande.
Câmpus da Universidade Federal de Campina Grande em Pombal.
Câmpus da Universidade Federal de Campina Grande em Pombal.

A Paraíba possui várias instituições educacionais, sendo as mais renomadas delas localizadas principalmente em João Pessoa e Campina Grande e em outras cidades de médio porte. A educação da Paraíba é considerada a quarta pior do país, comparado à dos demais estados brasileiros. Na lista de estados brasileiros por IDH, com dados de 2005, o fator "educação" atingiu a marca de 0,793 de índice, sofrendo apenas um aumento de 0,001 em relação ao ano 2000, quando o mesmo índice era de 0,792. É um patamar considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), ficando, em todo o país, à frente apenas do Maranhão (0,784), do Piauí (0,779) e de Alagoas (0,759).[137] Tratando sobre o analfabetismo, a lista de estados brasileiros por taxa de alfabetismo (mais o Distrito Federal) mostra a Paraíba com a terceira maior taxa, com 20,2% de sua população considerada analfabeta, mais que o dobro da média nacional (9,02%), de acordo com o censo de 2010.[138]

Em 2009, a Paraíba dispunha de um total de 4 430 escolas de ensino pré-escolar, 5 708 estabelecimentos de ensino fundamental e 535 de ensino médio. Nesses estabelecimentos de ensino existiam 927 217 matrículas - a maioria de ensino fundamental - e um total de 51 926 docentes (37 573 de ensino fundamental).[139] No censo demográfico de 2010, 1 224 467 habitantes do estado frequentavam creches e/ou escolas; 2 072 661 afirmaram que não frequentavam escola, mas já haviam frequentado alguma vez e 469 400 nunca frequentaram a escola. Com relação ao tipo de ensino, 113 584 pessoas estavam no ensino pré-escolar, 53 106 na classe de alfabetização, 32 971 na alfabetização de jovens e adultos, 649 265 no ensino fundamental, 38 384 na educação de jovens e adultos do ensino fundamental, 156 962 no ensino médio, 29 876 na educação de jovens e adultos do ensino médio, 106 878 frequentavam cursos superiores de graduação, 8 624 faziam especialização de nível superior, 3 381 faziam mestrado e apenas 1 524 faziam doutorado.[140]

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica do estado, em 2011, foi de 4,3 para os anos iniciais (1ª à 4ª série), 3,4 para os anos finais (5ª à 8ª série) e 3,3 para a terceira série do ensino médio.[141] Tomando-se por base o desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio de 2011, as escolas com a melhor nota do exame (considerando-se somente as provas objetivas) foram o Colégio Motiva de João Pessoa (Centro Pessoense de Educação), com 628,06 pontos, e o Colégio Motiva de Campina Grande (Centro Campinense de Educação Ltda.), com 625,42 pontos, sendo ambas da rede privada; considerando-se apenas a rede pública, as escolas com o melhor desempenho no exame foram a unidade do Instituto Federal da Paraíba em João Pessoa (584,98) e a Escola Técnica de Saúde de Cajazeiras (576,62), ambas federais.[142]

Entre as várias instituições de ensino superior da Paraíba, estão o Centro Universitário de João Pessoa (UNIPE),[143] a Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas (FACISA),[144] a Faculdade de Enfermagem Nova Esperança (FACENE)[145] , as Faculdades Integradas de Patos (FIP),[146] o Instituto de Educação Superior da Paraíba (IESP),[147] o Instituto Federal da Paraíba (IFPB),[148] a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB),[149] a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)[150] e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB).[151]

Transporte[editar | editar código-fonte]

Mapa viário da Paraíba.

A frota estadual em 2012 era de 878 860 veículos, sendo 376 456 automóveis, 335 084 motocicletas, 55 059 caminhonetes, 45 922 motonetas, 24 141 caminhões, 18 439 camionetas, 5 434 ônibus, 4 790 veículos utilitários 3 588 micro-ônibus, 2 098 caminhões-trator e trinta tratores de roda. Outros tipos de veículos incluíam 7 819 unidades.[152]

Trecho da BR-101, na divisa da Paraíba com o Rio Grande do Norte.
Trecho da BR-101, na divisa da Paraíba com o Rio Grande do Norte.
Início da rodovia Transamazônica (BR-230) em Cabedelo.
Início da rodovia Transamazônica (BR-230) em Cabedelo.

No transporte rodoviário, a Paraíba está ligada a outros estados e regiões do Brasil por meio de rodovias federais e estaduais.[153] Entre as federais, cujos trechos totalizam 1 400 km de extensão,[154] estão a BR-101 - começa em Touros, no Rio Grande do Norte, passa pela Paraíba, cujo trecho encontra-se duplicado, e se estende até São José do Norte, no Rio Grande do Sul -,[155] a BR-104 - rodovia que tem início em Macau, no vizinho estado do Rio Grande do Norte, entra na Paraíba pelo município de Nova Floresta e sai do mesmo por Alcantil, e prossegue até terminar em Maceió, no estado de Alagoas -,[156] a BR-110 - inicia-se em Areia Branca, litoral norte potiguar, entra no estado por Brejo do Cruz e sai por Monteiro, até terminar em São Sebastião do Passé, na Bahia -,[157] a BR-116 - começa em Fortaleza, Ceará, e termina em Jaguarão, no Rio Grande do Sul, próximo à fronteira do Brasil com o Uruguai; apenas um pequeno trecho pavimentado da rodovia, de aproximadamente quatorze quilômetros de extensão, passa por dentro do estado da Paraíba, somente pelo município de Cachoeira dos Índios, extremo oeste do estado -,[158] a BR-230 - rodovia que tem início em Cabedelo, corta a Paraíba de leste a oeste, saindo do estado por Bom Jesus e se estendendo até a fronteira do Brasil com o Peru, no estado do Amazonas -,[159] a BR-412 - única rodovia federal localizada inteiramente em território paraibano, começa no distrito de Farinha, município de Boa Vista, e termina em Monteiro, onde se encontra com a BR-110 -[160] e a BR-427, começa em Pombal, no sertão do estado, cruza a divisa da Paraíba com o Rio Grande do Norte, e termina em Currais Novos, onde se encontra com a BR-226.[161] Há diversas outras rodovias estaduais no estado,[162] que, juntamente com as rodovias federais, somam um total de 5 030 quilômetros de estradas, sendo 2 140 km pavimentados, 1 468 km implantados, 1 372 km em leito natural e 50 km planejados.[163] O Departamento de Estradas de Rodagem da Paraíba (DER/PB) foi criado pelo decreto-lei 832 de 26 de junho de 1946 e possui a função de executar a política de transporte definida pelo governo estadual, bem como executar, manter, operar e planejar o sistema rodoviário de todo o estado.[163]

Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto, situado em Bayeux.
Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto, situado em Bayeux.
Estação ferroviária em Campina Grande.
Estação ferroviária em Campina Grande.

Na Paraíba existem apenas dois aeroportos administrados pela Infraero.[164] São eles o Aeroporto Presidente Castro Pinto (que está localizado a onze quilômetros do centro de João Pessoa, no município de Bayeux, é internacional e de porto médio, foi inaugurado em 1957 e atualmente possui uma movimentação anual de até 2,3 milhões de passageiros)[165] [166] e o Aeroporto Presidente João Suassuna (localizado em Campina Grande, a seis quilômetros da zona urbana do município, inaugurado em 1957 e com um fluxo de até 250 mil passageiros por ano).[167] [168] Há também outros aeroportos menores: os de Cajazeiras, Catolé do Rocha, Conceição, Guarabira, Itaporanga, Monteiro, Patos, Rio Tinto e Sousa.[169]

No transporte ferroviário, a Paraíba possui 660 quilômetros de ferrovias,[170] a maior parte desativada e em péssimas condições.[171] Anteriormente, a Paraíba era servida por duas importantes ferrovias: a primeira, operada pela Rede Ferroviária do Nordeste, tinha início em Natal, capital do Rio Grande do Norte e chegava até a Paraíba, possuindo um ramal em direção a Cabedelo e outro em Campina Grande com destino a Patos e, posteriormente a Sousa; a segunda era operada pela Rede de Viação Cearense, e partia de Fortaleza, capital do Ceará, e, na Paraíba, chegava até Sousa, onde se encontrava com o trecho da Rede Ferroviária do Nordeste.[172] [173] Nos dias atuais, está ativo apenas o ramal que faz a ligação entre Santa Rita, João Pessoa e Cabedelo, servindo aos trens metropolitanos da Superintendência de Trens Urbanos de João Pessoa, administrado pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos.[174]

Quanto ao transporte marítimo, que é um dos vetores fundamentais da economia do estado, a Paraíba possui o Porto de Cabedelo, que está localizado vizinho à Fortaleza de Santa Catarina, na margem direita do estuário do Rio Paraíba[175] e foi construído na primeira metade do século XX, sendo inaugurado em 1935 e com a sua administração exercida pelo governo da Paraíba até 1978, quando passou a ser administrado pela Empresa de Portos do Brasil S.A., extinta em 1990, ano em que o porto teve sua administração exercida pela Companhia Docas do Rio Grande do Norte e, desde 1998, pela Companhia Docas da Paraíba.[176] Há também o Porto de Capim, de pequeno porte, localizado em João Pessoa, à beira do rio Sanhauá e permaneceu ativo até a inauguração do porto de Cabedelo.[177]

Serviços e comunicações[editar | editar código-fonte]

Unidade da CAGEPA em Campina Grande

A responsável pelo abastecimento de água em 181 dos 223 municípios paraibanos, bem como a coleta de esgotos em 22 municípios, é a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba, criada em 1966.[178] A principal distribuidora de energia elétrica do estado era a Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba (SAELPA), até 2007, ano em que a empresa foi extinta e passou a se chamar Energisa, que hoje atende 216 municípios do estado.[179] Ainda há serviços de internet discada e banda larga (ADSL) sendo oferecidos por diversos provedores de acesso gratuitos e pagos. No campo do serviço telefônico móvel, por telefone celular, o estado faz parte da "área 10" da Agência Nacional de Telecomunicações (que compreende, além da Paraíba, os estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Piauí e Alagoas)[180] e é servido por quatro operadoras telefônicas: dados de fevereiro de 2013 apontavam a Oi com a maior participação neste mercado no estado (33,04%), seguido pela TIM (32,24%), Claro (25,91%) e Vivo (8,81%).[181] O código de discagem direta a distância de todos os municípios do estado é 083.[182] Desde 1º de dezembro de 2008 o estado passou a ser servido pela portabilidade numérica, juntamente com outras localidades com código 012 e 013 (ambas no interior do estado de São Paulo) e 082 (em Alagoas).[183]

Existem vários jornais em circulação em diversos municípios do estado. Alguns deles são: Diário do Sertão (Cajazeiras); Jornal da Paraíba e Rede Campina (Campina Grande); Alternativa Nordeste, Click PB, Correio da Paraíba, Folha da Paraíba, Paraíba News e Portal BIP (João Pessoa) e Notícias do Cariri (Monteiro), além de vários outros, como Paraíba Online, Paraibeabá, Virgulino e Vitrine do Cariri.[184] Havia também os jornais Diário da Borborema (Campina Grande) e O Norte (João Pessoa), que saíram de circulação em 1º de fevereiro de 2012.[185]

Há transmissão de canais nas faixas Very High Frequency (VHF) e Ultra High Frequency (UHF). A Paraíba é sede de diversas emissoras de televisão, como: em João Pessoa, a TV Arapuan (afiliada da Rede TV!),[186] TV Cabo Branco (afiliada da Rede Globo)[187] e a TV Miramar (afiliada à Rede Cultura),[188] TV Paraíba (afiliada à Rede Globo);[187] no interior, a TV Borborema (afiliada do Sistema Brasileiro de Televisão)[189] e a TV Itararé (afiliada da TV Cultura),[190] ambos sediados em Campina Grande.

Segurança pública[editar | editar código-fonte]

As principais unidades das forças armadas presentes na Paraíba são: no Exército Brasileiro, o estado é integrante do Comando Militar do Nordeste, com sede em Recife, capital de Pernambuco, e abrange toda a área do nordeste brasileiro, com exceção de uma pequena parte do oeste do Maranhão;[191] na Marinha do Brasil, o estado faz parte do 3º Distrito Naval, com sede em Natal, Rio Grande do Norte;[192] e na Força Aérea Brasileira, a Paraíba integra o II Comando Aéreo Regional - sediado na Base Aérea de Recife e com jurisdição sobre todos os estados nordestinos, exceto o Maranhão -,[193] e o 3º Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo, ambos com sede em Recife.[194]

A Polícia Militar da Paraíba foi criada durante o período imperial, sendo órgão público em atividade mais antigo do estado. Tem por função primordial o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública no estado da Paraíba. Ela é Força Auxiliar e Reserva do Exército Brasileiro, e integra o Sistema de Segurança Pública e Defesa Social do Brasil, sendo seus integrantes denominados militares dos estados.[195] [196]

O Corpo de Bombeiros Militar do Estado da Paraíba é um comando intermediário da polícia militar estadual, cuja missão consiste na execução de atividades de defesa civil, prevenção e combate a incêndio, buscas, salvamentos e socorros públicos, no âmbito do estado da Paraíba.[197] Assim como ocorre com os policiais militares, os integrantes do Corpo de Bombeiros também são denominados militares dos estados pela constituição federal.[198]

A Polícia Civil do Estado da Paraíba foi criada pela lei estadual nº 4273, de setembro de 1981, tem a função de polícia judiciária e é responsável pela apuração das infrações penais, com o objetivo de promover o bem-estar e a paz social da população.[199]

Corporações policiais da Paraíba
Brasão da Polícia Militar da Paraíba
Brasão da Polícia Militar da Paraíba.
Brasão do Corpo de Bombeiros Militar do Estado da Paraíba
Brasão do Corpo de Bombeiros Militar do Estado da Paraíba.
Brasão da Polícia Civil do Estado da Paraíba
Brasão da Polícia Civil do Estado da Paraíba.

Cultura[editar | editar código-fonte]

A responsável pelo setor cultural do estado da Paraíba é o Conselho Estadual de Cultura, juntamente com a Secretaria Estadual de Cultura. O conselho foi instituído pelo decreto estadual nº 32 408 de 14 de setembro de 2011, está vinculada ao gabinete do governador e tem por objetivo planejar e executar a política cultural do estado por meio da elaboração de programas, projetos e atividades que visem ao desenvolvimento cultural, além de defender a conservação do patrimônio artístico, cultural e histórico da Paraíba.[200]

Em todos os municípios da Paraíba ocorre uma diversa quantidade de eventos, sendo os mais importantes: na capital, a festa da padroeira Nossa Senhora das Neves e de Nossa Senhora da Penha; em Campina Grande, O Maior São João do Mundo e Micarande; em Guarabira, a festa da Luz; em Pombal e Santa Luzia, a festa do Rosário e, em Patos, a festa da Guia. Entre os folguedos, estão a barca, o bumba-meu-boi, a cavalhada, os cocos, as lapinhas, entre outros.[201]

A Paraíba também é terra de vários escritores, músicos e intelectuais, e de várias outras personalidades, como os políticos Aurélio Lira (presidente da Junta Militar de 1969), Epitácio Pessoa (presidente do Brasil entre 1919 e 1922 e o único brasileiro a ocupar a presidência dos três poderes da república), Humberto Lucena (que foi por duas vezes presidente do Senado Federal do Brasil) e João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque (que foi candidato na chapa de Getúlio Vargas à presidência da república em 1930, presidente do estado da Paraíba entre 1928 a 1930, ano em que foi assassinado; atualmente, a capital paraibana, João Pessoa, leva seu nome).[202] Outras personalidades famosas são André Vidal de Negreiros (governador colonial português e herói da Insurreição Pernambucana de 1645), Assis Chateaubriand (que foi empresário, jornalista, fundador do Museu de Arte de São Paulo, membro da Academia Brasileira de Letras e político), Cláudia Lira (atriz), Elpídio Josué de Almeida (historiador e político), Fábio Gouveia (surfista), Inácio de Sousa Rolim (conhecido como padre Rolim, foi educador, missionário e sacerdote), Ingrid Kelly (modelo), João Câmara Filho (pintor), Piragibe (herói da conquista da Paraíba), José Dumont (ator), Luiza Erundina (política filiada ao Partido Socialista Brasileiro, prefeita de São Paulo entre 1989 e 1993 e atualmente deputada federal pelo estado de São Paulo), Maílson da Nóbrega (ex-ministro da Fazenda do Brasil), Manuel Arruda Câmara (religioso, médico e intelectual), Marcélia Cartaxo (atriz), Vladimir Carvalho (cineasta), Walter Carvalho (também cineasta e irmão de Vladimir Carvalho) e Wills Leal (jornalista).[202]

Artesanato e espaços teatrais[editar | editar código-fonte]

Museu Histórico e Geográfico de Campina Grande.
Teatro Santa Rosa, em João Pessoa, o mais importante da Paraíba.[203]

O artesanato é uma das formas mais espontâneas da expressão cultural paraibana. Em várias partes da Paraíba é possível encontrar uma produção artesanal diferenciada, criada de acordo com a cultura e o modo de vida local e feita com matérias-primas regionais, como os bordados, a cerâmica, o couro, o crochê, a fibra, o labirinto, a madeira, o macramê e as rendas.[204] Alguns grupos reúnem diversos artesãos da região, disponibilizando espaço para confecção, exposição e venda dos produtos artesanais. Normalmente essas peças são vendidas em feiras, exposições ou lojas de artesanato. Entre os principais centros de artesanato do estado estão: a Casa do Artista Popular, situada na capital, inaugurada em 2006, reunindo mais de mil peças e representações do artesanato paraibano;[205] o Salão do Artesanato Paraibano, vinculado ao Programa de Artesanato da Paraíba, que conta com mais de cinco mil artesãos;[206] o Mercado de Artesanato da Paraíba, espaço de 120 lojas com vários produtos artesanais variados, como bordados e redes, além de comidas típicas regionais;[207] e a Feira de Artesanato de Tambaú, que possui lanchonetes, praças de alimentação e restaurantes, além de contar com diversas apresentações culturais.[208]

O estado também possui vários museus, dentre os quais destacam-se o Museu da Rapadura (em Areia), Museu de Arte Assis Chateaubriand (está localizado em Campina Grande e é o mais famoso da Paraíba;[209] foi inicialmente denominado Museu de Arte de Campina Grande em 1967, ano de sua fundação, depois Museu Regional de Arte Pedro Américo e, desde a década de 1980, o museu possui seu nome atual),[128] o Museu Histórico e Geográfico (também em Campina Grande), o Museu da Fundação Ernani Satyro (está situado em Patos e possui arquitetura do século XIX, sendo doada posteriormente para a fundação Ernani Satyro e atualmente possui vários objetos e utensílios da antiga residência de Ernani Satyro),[210] e o Museu Sacro (em João Pessoa).[201]

O primeiro teatro construído na Paraíba foi o Minerva, localizado em Areia, na segunda metade do século XIX (1859). Com o decorrer dos anos, foram surgindo novos espaços teatrais que foram ganhando importância, como o Teatro Santa Rosa, no Centro Histórico de João Pessoa, o mais importante do estado. Em 2012, foi implantado o Teatro Facisa, em Campina Grande, o mais recente do estado. Outros espaços teatrais do estado são o teatro Santa Inês (em Alagoa Grande); teatro Santa Catarina (Cabedelo); teatro Íracles Pires (Cajazeiras); Espaço Paulo Pontes e teatros Elba Ramalho, Rosil Cavalcanti e Severino Cabral (Campina Grande); teatros de Arena, Ariano Suassuna, Cilaio Ribeiro, Ednaldo Egypto, Lampião, Lima Penante, Paulo Pontes, Piollin e da SESI, além do Cine Teatro Banguê (em João Pessoa); teatro Oficina de Artes (em Santa Rita) e cine-teatro Gadelha (em Sousa).[203]

Culinária[editar | editar código-fonte]

A culinária da Paraíba é diversificada, sendo resultado da miscigenação entre africanos, europeus e indígenas.[211]

Arroz doce, buchada de bode, carne de sol preparado ao forno ou com purê de macaxeira, galinha de cabidela, lagosta ao alho e óleo, moqueca de camarão, moqueca de peixe, paçoca, panelada, peixe misturado a camarão e legumes e pernil de cabrito assado são os salgados típicos do estado, enquanto arroz doce, bolo de fubá, bolo de macaxeira, bolo de milho, canjica, cuscuz de tapioca, pamonha, pudim de macaxeira e pudim de tapioca são os principais doces.[212] Outros pratos típicos de todas as regiões do estado são arroz de leite, arrumadinho, bode guisado, cabeça de gado, chouriço doce, lagosta, macaxeira, mungunzá, pamonha, peixes, queijo assado e tapioca.[213] [214]

Os pratos típicos também variam em cada região do estado. No litoral, destacam-se os frutos do mar, bem como os petiscos de beira da praia. No interior, os pratos mais consumidos no cardápio são galinha a cabidela e as carnes de bode e sol. Na região do brejo, onde estão localizadas algumas das principais marcas de bebidas alcoólicas do Brasil, a cachaça é muito popular. No sertão, o principal cardápio são o arroz vermelho, as carnes e os grãos.[214]

Literatura, música e dança[editar | editar código-fonte]

Augusto dos Anjos, considerado o maior poeta de literatura paraibana.[215]

A literatura paraibana tem dado grandes contribuições para o cenário literário brasileiro, destacando-se Augusto dos Anjos, Ariano Suassuna, Assis Chateaubriand, Celso Furtado, Pedro Américo, José Lins do Rego, José Américo de Almeida, Félix Araújo, José Nêumanne Pinto, Lúcio Lins, Moacir Japiassu, dentre muitos.[202] Além dos escritores, também pode-se citar a literatura de cordel, gênero literário geralmente expresso em folhetos expostos ou não em barbantes, trazido pelos portugueses durante o período colonial; além da Paraíba, esse tipo de produção também é típico dos seus vizinhos Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte.[216] [217]

A música paraibana varia em vários ritmos, como baião, ciranda, forró e xote,[218] e destes são influenciados vários grupos musicais e artistas. Algumas das personalidades musicais nascidas na Paraíba são Abdon Felinto Milanês, Barros de Alencar, Chico César, Elba Ramalho, Flávio José, Geraldo Vandré, Herbert Vianna, Jackson do Pandeiro, Renata Arruda, Roberta Miranda e Zé Ramalho.[202] A Orquestra Sinfônica da Paraíba foi criada pelo professor Afonso Pereira da Silva em 4 de novembro de 1945 por meio de uma iniciativa da Sociedade de Cultura Musical da Paraíba e, posteriormente, por meio de uma parceira entre a Universidade Federal da Paraíba e o governo estadual.[219]

Entre as danças mais praticadas pelo povo paraibano, encontram-se: bumba-meu-boi, coco-de-roda, ciranda, nau-catarineta, pastoril e xaxado, muito populares durante todo o ano, sendo algumas principalmente durante o carnaval e o mês de junho, durante o período das festas juninas.[220]

Esporte[editar | editar código-fonte]

Partida do Campeonato Paraibano de Futebol de 2006, entre o Botafogo e o Treze, em 2006, no Estádio José Américo de Almeida Filho, em João Pessoa.

O futebol, esporte originário da Grã-Bretanha, foi introduzido pela primeira na Paraíba no início do século XX, quando, em 1908, o estudante José Eugênio Soares trouxe da cidade do Rio de Janeiro para a Paraíba a primeira bola de futebol, dando origem ao primeiro clube de futebol paraibano, o Club de Foot Ball Parahyba. A partir daí, a popularidade do esporte começou a crescer e, em 1914, foi fundada a Liga Parahyba de Foot Ball. Cinco anos depois, foi criada a Liga Desportiva Paraibana, cujo primeiro jogo ocorreu em 25 de maio de 1919, no Hypodromo Parahybano. A Federação Desportiva da Paraíba foi criada em 1941, transformando-se, seis anos depois, na atual Federação Paraibana de Futebol. As equipes com maior número de títulos do Campeonato Paraibano de Futebol são o Botafogo (de João Pessoa), Campinense (de Campina Grande), Confiança (de Sapé), Santa Cruz (de Santa Rita), Sousa (de Sousa) e Treze (de Campina Grande). Uma das personalidades paraibanas mais importantes no futebol é Givanildo Vieira de Souza (o Hulk), nascido em Campina Grande no ano 1986, jogou em alguns clubes brasileiros, entre eles o Esporte Clube Vitória (time de Salvador, Bahia) até os dezoito anos, quando começou sua carreira no Japão, depois em Portugal e, atualmente, na Rússia, onde atualmente joga pelo Zenit (time de São Petersburgo), sendo também convocado algumas vezes pela Seleção Brasileira de Futebol.[221]

Kay France cruzando o Canal da Mancha em 1979. A atleta paraibana foi a primeira mulher latino-americana a atravessar o Canal, em 1979.

A natação também ganhou importância na Paraíba a partir da década de 1960, com o surgimento dos clubes pessoenses Astrea e Cabo Branco e, posteriormente, do polo aquático, do nado sincronizado e das maratonas aquáticas. Em 1979, a paraibana Kay France tornou-se a primeira mulher da América Latina a atravessar o Canal da Mancha, entre França e Reino Unido, na Europa. O desenvolvimento da natação na Paraíba também foi possível com a conquista de títulos nacionais ou internacionais, destacando-se a figura de Kaio Márcio de Almeida, pessoense, especialista no nado borboleta e um dos melhores nadadores do país. Além da natação, há a prática de kitesurf e windsurf, no litoral. Outras personalidades importantes nascidas na Paraíba e dedicadas ao esporte são Aline Pará (no handebol), Edinanci Silva (no judô), Ednalva Laureano da Silva (no atletismo) e José Marco Melo (no vôlei de praia).[221]

Feriados estaduais[editar | editar código-fonte]

Existem na Paraíba dois feriados estaduais, instituídos pela lei estadual 3 489 de 1967. São eles o dia 26 de julho, data da morte do ex-presidente do estado João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque; e o dia 5 de agosto, data de fundação do estado e da capital João Pessoa.[222]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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