Paraisópolis (bairro de São Paulo)

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Paraisópolis
Paraisópolis em 2007, antes do processo de urbanização
Bairro de São Paulo Bandeira da cidade de São Paulo.svg
Área: 798.695 m2[1]
Fundação: 1950[1]
Habitantes: 55.699[2]
Distrito: Vila Andrade
Subprefeitura: Campo Limpo
Região Administrativa: Sul

Paraisópolis é um bairro da cidade de São Paulo, pertencente ao distrito de Vila Andrade,[3] [4] localizado na zona sul paulistana. É derivado do loteamento de Paraísopolis, e tem uma população de mais de 100.000 habitantes.[5]

História[editar | editar código-fonte]

O bairro de Paraisópolis originou-se de um loteamento destinado à construção de residências para a classe alta realizado em 1921[1] , resultado da divisão da antiga Fazenda do Morumbi em 2.200 lotes com quadras regulares de 10m x 50m e ruas de 10m de largura.[6] A partir da década de 1950 iniciou-se a invasão dos terrenos, na época não-habitados e de caráter semi-rural, por famílias de baixa renda,[1] em sua maioria migrantes nordestinos, atraídos pelo emprego na construção civil.[7]

Devido ao descaso público e a dificuldade da regularização dos terrenos[1] , em 1970 já residiam irregularmente 20 mil habitantes.[7] E ao mesmo tempo novos bairros nobres e seus condomínios luxuosos eram criados ao redor das áreas de invasão, que eram muitas vezes construídos pelos próprios moradores de Paraisópolis.[8]

Houve uma tentativa de remoção da área de invasão, por meio de uma obra rodoviária, elaborada na gestão de Paulo Maluf, no início da década de 1980. Devido à construção de uma avenida que visava interligar a Avenida Giovanni Gronchi à Marginal Pinheiros, haveria a remoção de uma grande área de habitações de baixa renda, porém a obra foi embargada.[8]

No início do século XXI Paraisópolis já era a segundo maior invasão de terras em solo paulistano, e começaria a receber investimentos públicos. Em 2005, foi iniciado um processo de urbanização e regularização dos imóveis construídos lá irregularmente, semelhante ao processo que aconteceu na antiga favela de Heliópolis. Há investimentos do poder público (municipal, estadual e federal) em mais de R$ 250 milhões de reais, e da iniciativa privada, onde, de acordo com decreto assinado pelo prefeito Gilberto Kassab, donos de imóveis invadidos poderão doar seus antigos terrenos em troca de abatimento de eventuais dívidas com a prefeitura.[9]

Atualidade[editar | editar código-fonte]

Prédio inaugurado em 2008 pela CDHU, em substituição as casas construídas irregularmente.

Localizada em uma das regiões mais ricas da cidade paulistana, o bairro popular limita-se com: os luxuosos condomínios Jardim Vitória Régia, Paço dos Reis e Portal do Morumbi, sendo este último o primeiro condomínio vertical da região; o distrito do Morumbi e a favela do Jardim Colombo.

Apresenta alta densidade populacional, 1000 habitantes por hectare. Dessa população somente 25% mora em residências abastecidas de rede de esgoto, metade das ruas não é asfaltada e 60% utiliza meios irregulares para obtenção de energia elétrica.[7]

Entre as ações de urbanização realizadas em Paraisópolis, e que resultaram na classificação formal como "bairro" encontram-se: a pavimentação das vias de tráfego; obras emergenciais de reparos da infra-estrutura; regularização fundiária; canalização de córregos; abertura de novas ruas e adequação das calçadas; construção de rede integral de água e esgoto; construção de escadarias hidráulicas; construção da avenida perimetral; desocupação do leito dos córregos; remoção de moradias em área de risco; construção de novas calçadas e sarjetas; construção de espaços de lazer e de um parque linear e construção de 2.500 unidades habitacionais em convênio com a CDHU.

A partir destas obras de urbanização antiga favela começou a receber investimentos privados, como na abertura da primeira filial de uma loja das Casas Bahia na região, ocorrida no dia 12 de novembro de 2008 com a presença do então prefeito Gilberto Kassab.Paraisópolis recebeu no dia 13 de dezembro de 2008 a escola CEU Paraisópolis, que apresenta mais de 10 mil m² de área construída, num terreno de 25.400 m², com a capacidade para atender 2.800 alunos, eliminando o terceiro turno em três escolas municipais de Ensino Fundamental (EMEFs).[10] Apesar dos investimentos em educação as piores escolas da cidade situam-se no bairro, segundo dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica divulgados em 2010.[11] Essa realidade contrasta com os colégios particulares presentes ao redor do bairro, exemplo da: Graded School, escola estadunidense e do Colégio Visconde de Porto Seguro, e com uma Escola Técnica Estadual (Etec Abdias do Nascimento), já considerado o melhor da cidade.

Em março de 2008 delegações internacionais de Lagos (Nigéria), Ekurhuleni (África do Sul), Cairo (Egito), Manila (Filipinas), Bombaim (Índia), Rio de Janeiro (Brasil), La Paz (Bolívia), Chile, Île-de-France (França) e Gana, visitaram diversas favelas de São Paulo.[12] Paraisópolis foi um dos destaques, devido a sua infraestrutura, sendo muito elogiada pelos urbanistas estrangeiros, os quais chegaram à conclusão de que a "favela" é incomparável a qualquer outra no mundo e não poderia assim ser classificada.[13] Nos anos seguintes ganha maior repercussão internacional e recebe delegações de diversas localidades como: França[14] , Anistia Internacional[15] , pesquisadores das escolas de Arquitetura das universidades americanas Columbia e Harvard[1] e até visitas de personalidades internacionais como o rapper Ja Rule[16] e de Stefania Fernández, ganhadora do Miss Universo 2009.[17]

Apesar de haver uma convivência pacífica na região[1] [3] , em fevereiro de 2009 houve uma série de confrontos entre moradores e autoridades públicas. Ocorreram assaltos a residências próximas às zonas de menor renda, atos de vandalismo e troca de tiros, devido à presença do PCC na área.[18]

2013: incêndio em Paraisópolis.

Em dezembro de 2013, um incêndio em Paraisópolis deixou cerca de 250 famílias desabrigadas.[19]

Além de apresentar uma extensão do Corredor Parelheiros-Rio Bonito-Santo Amaro, o maior corredor de ônibus da cidade e sete linhas de micro-ônibus fazerem ponto final em suas ruas[1] , está em projeto a chegada do Metrô de São Paulo, que passaria por dois pontos do bairro[20] , com intuito de aliviar o "caos" no transporte público presente na região. Através da Linha 17 (ouro) Paraisópolis ligaria-se com os distritos de: Santo Amaro, Itaim Bibi, Campo Belo e Jabaquara.[20]


Referências

  1. a b c d e f g h Segunda maior de SP, favela de Paraisópolis passa por mudança
  2. http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/aglomerados_subnormais/agsn2010.pdf
  3. a b Folha de S. Paulo: Violência não assusta Paraisópolis - Núcleo de Estudos da Violência - NEV - Universidade de São Paulo - USP
  4. O bairro Paraisópolis é frequentemente declarado como parte do distrito do Morumbi, entretanto, legalmente, pertence ao distrito de Vila Andrade, conforme fonte anterior.
  5. http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/aglomerados_subnormais/agsn2010.pdf
  6. Prefeitura.SP: Donos de terrenos em Paraisópolis fazem doação à Prefeitura e têm dívida perdoada
  7. a b c Violência em Paraisópolis, a segunda maior favela da cidade
  8. a b Os interesses que cercam a comunidade
  9. Prefeitura.SP - Paraisópolis: Lotes em Paraisópolis são trocados por perdão de dívida de IPTU
  10. [1]
  11. Piores escolas de SP estão em Paraisópolis
  12. [2]
  13. [3]
  14. Delegação francesa visita Paraisópolis
  15. Anistia Internacional visita favela Paraisópolis e ouve denúncias de violações da Operação Saturação da PM-SP
  16. Rapper Ja Rule visita jovens de Paraisópolis, diz Mônica Bergamo
  17. Miss Universo visita favela em SP
  18. Polícia ocupa favela Paraisópolis (SP) após confronto com moradores
  19. Incêndio em Paraisópolis deixa cerca de 250 famílias desabrigadas. Agência Brasil, 10 de dezembro de 2013.
  20. a b Sem data prevista para metrô, Paraisópolis (SP) vive "caos" no transporte público


Links externos[editar | editar código-fonte]

  • Paraisopolis.org Website mantido pela União de Moradores e do Comércio local.