Paraisópolis (bairro de São Paulo)

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Paraisópolis
Paraisópolis em 2007, antes do processo de urbanização
Bairro de São Paulo Bandeira da cidade de São Paulo.svg
Área: 798.695 m2[1]
Fundação: 1950[1]
Habitantes: 42 826 [2] (Censo de 2010)
Distrito: Vila Andrade
Subprefeitura: Campo Limpo
Região Administrativa: Sul

Paraisópolis é um bairro favelizado da cidade de São Paulo, pertencente ao distrito de Vila Andrade,[3] [4] localizado na zona sul paulistana. É derivado do loteamento de Paraisópolis, e sua população, aferida no Censo de 2010, era de 42 826 habitantes.[2]

História[editar | editar código-fonte]

O bairro de Paraisópolis originou-se de um loteamento destinado à construção de residências para a classe alta realizado em 1921[1] , resultado da divisão da antiga Fazenda do Morumbi em 2.200 lotes com quadras regulares de 10m x 50m e ruas de 10m de largura.[5] A partir da década de 1950 iniciou-se a invasão dos terrenos, na época não-habitados e de caráter semi-rural, por famílias de baixa renda,[1] em sua maioria migrantes nordestinos, atraídos pelo emprego na construção civil.[6]

Devido ao descaso público e a dificuldade da regularização dos terrenos[1] , em 1970 já residiam irregularmente 20 mil habitantes.[6] E ao mesmo tempo novos bairros nobres e seus condomínios luxuosos eram criados ao redor das áreas de invasão, que eram muitas vezes construídos utilizando a mão de obra dos próprios moradores de Paraisópolis.[7]

Houve uma tentativa de remoção da área de invasão, por meio de uma obra rodoviária, elaborada na gestão de Paulo Maluf, no início da década de 1980. Devido à construção de uma avenida que visava interligar a Avenida Giovanni Gronchi à Marginal Pinheiros, haveria a remoção de uma grande área de habitações de baixa renda, porém a obra foi suspensa, sendo retomada parcialmente em 2012, tornando-se a avenida Hebe Camargo..[7]

No início do século XXI Paraisópolis já era a segunda maior favela em solo paulistano e começaria a receber investimentos públicos. Em 2005, foi iniciado um processo de urbanização e regularização dos imóveis construídos lá irregularmente, semelhante ao processo que aconteceu na antiga favela de Heliópolis. Há investimentos do poder público (municipal, estadual e federal) em mais de R$ 250 milhões de reais e da iniciativa privada, onde, de acordo com decreto assinado pelo prefeito Gilberto Kassab, donos de imóveis invadidos poderão doar seus antigos terrenos em troca de abatimento de eventuais dívidas com a prefeitura.[8]

Atualidade[editar | editar código-fonte]

Prédio inaugurado em 2008 pela CDHU, em substituição as casas construídas irregularmente.

Localizada em uma das regiões mais ricas da cidade paulistana, a favela limita-se com os luxuosos condomínios Jardim Vitória Régia, Paço dos Reis e Portal do Morumbi, sendo este último o primeiro condomínio vertical da região; o distrito do Morumbi e a favela do Jardim Colombo.

Apresenta alta densidade populacional, mil habitantes por hectare. Dessa população somente 25% mora em residências abastecidas de rede de esgoto, metade das ruas não é asfaltada e 60% utiliza meios irregulares para obtenção de energia elétrica.[6]

Entre as ações de urbanização realizadas em Paraisópolis encontram-se: a pavimentação das vias de tráfego; obras emergenciais de reparos da infra-estrutura; regularização fundiária; canalização de córregos; abertura de novas ruas, parte invadida e novamente suprimida do arruamento oficial, adequação das calçadas, também invadidas e estreitadas irregularmente a seguir, construção de rede integral de água e esgoto, construção de escadarias hidráulicas, também em seguida invadidas parcialmente, construção da avenida perimetral Hebe Camargo, desocupação do leito dos córregos, em seguida reinvadidos, remoção de moradias em área de risco, construção de novas calçadas e sarjetas, construção de espaços de lazer e de um parque linear e construção de 2.500 unidades habitacionais em convênio com a CDHU.

A partir destas obras de urbanização a favela começou a receber investimentos privados, como na abertura da primeira filial de uma loja das Casas Bahia na região, ocorrida no dia 12 de novembro de 2008 com a presença do então prefeito Gilberto Kassab. Paraisópolis recebeu no dia 13 de dezembro de 2008 a escola CEU Paraisópolis, que apresenta mais de 10 mil m² de área construída, num terreno de 25.400 m², com a capacidade para atender 2.800 alunos, eliminando o terceiro turno em três escolas municipais de Ensino Fundamental (EMEFs).[9] Apesar dos investimentos em educação as piores escolas da cidade situam-se no bairro, segundo dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica divulgados em 2010.[10] Essa realidade contrasta com os colégios particulares presentes ao redor do bairro, exemplo da: Graded School, escola estadunidense e do Colégio Visconde de Porto Seguro, e com uma Escola Técnica Estadual (Etec Abdias do Nascimento).

Em março de 2008 delegações internacionais de Lagos (Nigéria), Ekurhuleni (África do Sul), Cairo (Egito), Manila (Filipinas), Bombaim (Índia), Rio de Janeiro (Brasil), La Paz (Bolívia), Chile, Île-de-France (França) e Gana, visitaram diversas favelas de São Paulo.[11] Paraisópolis foi um dos destaques, devido a sua infraestrutura, sendo muito elogiada pelos urbanistas estrangeiros, os quais chegaram à conclusão de que a "favela" é incomparável a qualquer outra no mundo e não poderia assim ser classificada.[12] Bastante evidente que a análise foi apenas superficial,visto que o viário da região é caótico. Nos anos seguintes ganha maior repercussão internacional e recebe delegações de diversas localidades como: França[13] , Anistia Internacional[14] , pesquisadores das escolas de Arquitetura das universidades americanas Columbia e Harvard[1] e até visitas de personalidades internacionais como o rapper Ja Rule[15] e de Stefania Fernández, ganhadora do Miss Universo 2009.[16]

Apesar de haver uma convivência pacífica na região[1] [3] , em fevereiro de 2009 houve uma série de confrontos entre moradores e autoridades públicas. Ocorreram assaltos a residências próximas às zonas de menor renda, atos de vandalismo e troca de tiros, devido à presença do PCC na área.[17]

2013: incêndio em Paraisópolis.

Em dezembro de 2013, um incêndio em Paraisópolis deixou cerca de 250 famílias desabrigadas.[18]

Além de apresentar uma extensão do Corredor Parelheiros-Rio Bonito-Santo Amaro, o maior corredor de ônibus da cidade e sete linhas de micro-ônibus fazerem ponto final em suas ruas[1] , está em projeto a chegada do Metrô de São Paulo, que passaria por dois pontos do bairro[19] , com intuito de aliviar o "caos" no transporte público presente na região. Este caos é fomentado pelos próprios moradores, que removem as placas de trânsito indicativas de mão de direção instaladas pela prefeitura, fazendo com que todas as vias se tornem de mão dupla. O metro chegaria através da Linha 17 (ouro) Paraisópolis, ligando-se com os distritos de: Santo Amaro, Itaim Bibi, Campo Belo e Jabaquara.[19]


Referências


Links externos[editar | editar código-fonte]

  • Paraisopolis.org Website mantido pela União de Moradores e do Comércio local.