Parakoimomenos

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Parakoimōmenos (em grego: παρακοιμώμενος , "Aquele que dorme ao lado [do quarto do imperador]") era uma posição cortesã bizantina, usualmente reservada para eunucos. Muitos de seus titulares, especialmente nos séculos IX-X, atuaram como os principais ministros do Império Bizantino.

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História e funções [editar]

O título era geralmente anacronisticamente referido, por vários escritores bizantinos, como tendo sido ostentado por proeminentes funcionários judiciais eunucos tais como Eufratas sob Constantino (r. 324-337), o notório Crisáfio sob Teodósio II (r. 408-450) ou um anônimo sob Maurício I (r. 582-602). Contudo, foi mais provável que tenha sido criado apenas depois, no século VII, e é primeiro atestado seguramente apenas sob Leão IV (r. 775-780), quando o cronista Teófanes, o Confessor registra a existência de três "koubikoularioi e parakoimomenoi".1 2 3

No começo era um ofício modesto dado aos koubikoularioi (em latim: cubicularius, denotado para servos eunucos do "dormitório sagrado" dos imperadores, o sacrum cubiculum) que eram encarregados de dormir fora do quarto do imperador durante a noite como uma medida de segurança. Como evidenciado por selos dos séculos VII-VIII, era usualmente combinado com outras funções palacianas, tais como o epi tēs trapezēs, e seus titulares possuíam dignidades inferiores tais como ostiarios.2 3 É possível que nos casos quando vários imperadores bizantinos reinavam ao mesmo tempo, um parakoimōmenos seria atribuído para cada.4

A partir do século IX, contudo, o ofício aumentou em importância, superando seu superior nominal, o praipositos, até chegar a ser considerado como o mais alto posto reservado para eunucos, com seus titulares elevados à dignidade de patrikios. Nos próximos dois séculos, muitos dos titulares, alguns dos quais não eram eunucos, eram capazes de usar sua proximidade com a pessoa imperial para exercer considerável influência. Especialmente durante os reinos de imperadores fracos e desinteressados, homens como Samonas, José Bringas e Basílio Lecapeno atuaram como os principais principais, enquanto o imperador Basílio I (r. 867-886) foi capaz de usar sua posição para eventualmente usurpar o trono de Miguel III (r. 842-867).2 5

Samonas incitando o imperador Leão contra Andrônico Ducas. Miniatura do Skylitzes de Madri.
Constantino, o Paflagônio sendo tonsurado por ordens de Samonas. Miniatura do Skylitzes de Madri.

Por volta do século XI, o parakoimōmenos tinha assumido a maioria das antigas funções do praipositos. O posto continuou a ser importante no século XI, mas parece que declinou no século XII, quando também começou a ser atribuído - possivelmente como um título nobilitário ao invés de uma função ativa - para não-eunucos.2 6 O posto sobreviveu no Império de Niceia (r. 1204-1261) e no período paleólogo, quando foi dividido em parakoimōmenos tou koitōnos (em grego: παρακοιμώμενος τοῦ κοιτῶνος), retendo os direitos do koitōn (o dormitório imperial), e o parakoimōmenos tēs sphendonēs (em grego: παρακοιμώμενος τῆς σφενδόνης), sendo encarregado de manter o sphendonē, o selo pessoal do imperador, usado para selar a sua correspondência privada. Ambos os postos logo foram transformados em dignidades cortesãs da hierarquia imperial em meados do século XIV; ao mesmo tempo, a maioria de seus titulares deixaram de ser eunucos palacianos, mas eram importantes nobres e administradores como Aleixo Apocaucos.2 7

Titulares conhecidos [editar]

Sob Teófilo (r. 829-842), apenas um titular é conhecido, o ostiarios Escolastício. O patrikios Damiano serviu Miguel III até cerca de 856, e foi então substituído pelo favorito de Miguel, Basílio, o Macedônio.3 Após a ascensão de Basílio como co-imperador em 866, o ofício era ocupado por um certo Rentácio até o assassinato de Miguel III. A julgar pela sua própria experiência, que o ofício era muito poderoso e próximo do imperador, Basílio I não apontou um parakoimōmenos. Seu filho e sucessor, Leão VI (r. 886-912) reviveu o ofício em 907 apontando seu favorito Samonas, que até então era um protovestiarios. Ele manteve o posto até sua desgraça no verão de 908.8 9 Ele foi substituído por Constantino, o Paflagônio, que manteve o ofício até cerca de 919 com exceção no reinado de Alexandre (r. 912-913), que instalou o patrikios Barbatos em seu lugar. Romano I Lecapeno (r. 920-944) nomeou seu assessor de confiança Teófanes como parakoimōmenos.10

A frota comandada por Teófanes foi vitoriosa na guerra contra os rus' em 941. Miniatura do Skylitzes de Madri.
O parakoimomenos Teófanes (direita, beijando a imagem) recebe o mandylion. Miniatura do Skylitzes de Madri.

Teófanes foi retido por Constantino VII (r. 945-959) até 947, quando ele foi substituído por Basílio Lecapeno. Lecapeno, o filho bastardo do imperador Romano I, desempenharia um dominante papel na história bizantina durante os próximos quarenta anos, derrubando imperadores e servindo como regente virtual ou co-regente (paradynasteuōn) do império por mais de trinta anos, compreendendo os reinados de Nicéforo Focas (r. 963-969) e João I Tzimisces (r. 969-976), e o começo do reinado de Basílio II (r. 976-1025) até sua demissão em 985. Basílio foi substituído sob Romano II (r. 959-963) pelo capaz José Bringas, que também exerceu de fato controle sobre o Estado, mas foi derrubado por Lecapeno após a morte de Romano II.11

No século XI, o mais importante titular do ofício foi Nicolas, que era parakoimōmenos e proedros bem como domestikos ton scholon sob Constantino VIII (r. 1025-1028) e serviu novamente nos mesmos ofícios por um tempo sob Constantino IX (r. 1042-1055).12 João Comneno, um parente do imperador João II Comneno (r. 1118-1143), foi nomeado como parakoimōmenos e confiado como o encargo dos assuntos do Estado juntamento com Gregório Taronita.13 No final do século XII, o eunuco Nicéforo Oinopolites sob Andrônico I Comneno (r. 1183-1185) e o eunuco João Oinopolites sob Aleixo III Ângelo (r. 1195-1203) são os únicos titulares conhecidos.14

No Império de Niceia, titulares conhecidos são Aleixo Cratero (atestado cerca de 1227-1231) sob João III Vatatzes (r. 1222-1254) e Jorge Zagarommates sob Teodoro II Láscaris (r. 1254-1258).14 Miguel VIII Paleólogo (r. 1259-1282) nomeou um agente de confiança dele, o refugiado turco chamado Basílio que serviu como parakoimōmenos tou koitōnos durante seu primeiro reinado (1259-1261). Após tornar-se imperador único em 1261, Miguel nomeou Macreno ao posto. Macreno participou na campanha para recuperar a Moreia dos latinos e lutou nas batalhas de Prinitza e Macriplagi, sendo capturado na última. Ele mais tarde retornou para Constantinopla onde foi acuado de traição e cegado. Três parakoimōmenoi tēs sphendonēs são conhecidos sob Miguel VIII: Isaac Ducas (tio de Miguel), Gabriel Sfrantzes (sobrinho de João I Ducas da Tessália) e Constantino Ducas Nestongos (outro parente do imperador).7 15

Quatro parakoimōmenoi são conhecidos sob Andrônico II Paleólogo (r. 1282-1328): Andrônico Cantacuzeno, Andrônico Comneno Ducas Paleólogo Tornike, João Facrases, autor de um tratado de ofícios imperiais, e um general, João Choumnos, o filho mais velho do acadêmico e ministro Nicéforo Choumnos.16 Talvez o mais famoso dos últimos parakoimōmenoi bizantinos foi o capaz e ambicioso Aleixo Apocaucos, um homem de nascimento humilde que cresceu em ofício como um protegido de João VI Cantacuzeno e o principal instigador da guerra civil bizantina de 1341-1347. Ele foi feito parakoimomenos em 1321, e ostentou o posto até sua elevação ao posto de megas doux em 1341.17 Finalmente, os últimos titulares conhecidos são, sob João V Paleólogo (r. 1341-1391), Angelos Calotetes, atestado em uma carta em 1362, e Teofilactos, que foi enviado como um emissário ao papa Urbano V em 1367.18

Referências

  1. Bury 1911, pp. 124-125
  2. a b c d e Kazhdan 1991, pp. 1584
  3. a b c Guilland 1967, pp. 204
  4. Guilland 1967, pp. 203
  5. Guilland 1967, pp. 202-204
  6. Guilland 1967, pp. 203; 206-208
  7. a b Guilland 1967, pp. 208-209
  8. Tougher 1997, pp. 198
  9. Guilland 1967, pp. 204-205
  10. Guilland 1967, pp. 205
  11. Guilland 1967, pp. 205-206
  12. Guilland 1967, pp. 206-207
  13. Guilland 1967, pp. 207
  14. a b Guilland 1967, pp. 208
  15. Maksimovic 1988, pp. 19
  16. Guilland 1967, pp. 209-210
  17. Guilland 1967, pp. 210
  18. Guilland 1967, pp. 211

Bibliografia [editar]

  • Bury, John B.. The Imperial Administrative System of the Ninth Century: With a Revised Text of the Kletorologion of Philotheos. Londres: Oxford University Press, 1911.
  • Guilland, Rodolphe. Recherches sur les Institutions Byzantines, Tomo I. Berlim: [s.n.], 1967.
  • Kazhdan, Alexander Petrovich. The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press, 1991. ISBN 0-19-504652-8
  • Maksimovic, Ljubomir. The Byzantine Provincial Administration Under the Palaiologoi. Amsterdã: [s.n.], 1988. ISBN 90-256-0968-6
  • Tougher, Shaun. The Reign of Leo VI (886-912): Politics and People. [S.l.]: Brill, 1997. ISBN 978-90-04-10811-0