Parasitoide
Parasitóides são organismos que parasitam outros seres não deixando-os chegarem à fase adulta de reprodução. Um parasitóide é um ser vivo que passa um período importante da sua vida agarrado ou no interior de um único organismo hospedeiro que, invariavelmente, mata (e muitas vezes consome). O parasitoidismo é, por isso, semelhante ao parasitismo excepto no facto de o hospedeiro ser morto. Numa relação parasítica habitual, o parasita retira os nutrientes necessários sem que os danos provocados no hospedeiro sejam mortais e o impeçam de se reproduzuir normalmente. No caso do parasitoidismo o hospedeiro é morto, normalmente antes de este ser capaz de se reproduzir. Este tipo de relação parece ocorrer mais habitualmente em organismos com uma taxa de crescimento elevada (como os insectos). Muitos parasitóides co-evoluiram com os seus hospedeiros estando, por isso, dependentes da sua existência. Existem alguns tipos diferentes de parasitóides: parasitóides idiobiontes são aqueles que impedem qualquer desenvolvimento do hospedeiro após a parasitação inicial. Isto envolve tipicamente uma fase imóvel da vida do hospedeiro como por exemplo a fase de pupa ou ovo. Os idiobiontes vivem, quase sem excepção, no exterior do hospedeiro.
Os parasitóides coinobiontes permitem ao hospedeiro continuar o seu desenvolvimento e normalmente não o matam nem o consomem até o hospedeiro estar pronto para pupar ou tornar-se adulto. Isto implica normalmente viver com um hospedeiro móvel e activo. Os coinobiontes podem subdividir-se em endoparasitóides e ectoparasitóides. Os primeiros desenvolvem-se no interior do corpo do hospedeiro e os segundos no exterior (no entanto estão frequentemente agarrados ou no interior dos tecidos da presa). Não é raro um parasitóide ser hospedeiro de uma cria de outro parasitóide. O nome adequado para este último parasitóide é parasitóide secundário ou hiperparasitóide, pois tanto o parasitóide primário como o hospedeiro são mortos.
Cerca de 10% das espécies de insectos descritos são parasitóides embora, devido à falta de conhecimentos deste grupo, a percentagem possa subir até aos 20%. Há quatro ordens de insectos que são particularmente conhecidas pelos seus parasitóides: Hymenoptera, Diptera, Strepsiptera e Coleoptera. Os parasitóides himenópteros são, de longe, os mais numerosos. Parasitóides e o controlo biológico de pragas Os parasitóides são usados pelo Homem para controlar diversas pragas agrícolas e florestais entre as quais de incluem diversos lepidópteros (borboletas diurnas e nocturnas).
Um dos casos mais conhecidos de parasitóides de pragas agrícolas é o da Cotesia glomerata (Braconidae), um pequeno himenóptero que ataca principalmente borboletas da família Pieridae. Nesta espécie o acasalamento e a postura de ovos ocorre normalmente logo após a emersão dos adultos das respectivas pupas. Os ovos são depositados no interior das lagartas (normalmente no 1º instar) num número que anda à volta dos 20 a 60 ovos por hospedeiro. Quando as larvas do himenóptero emergem para construir o seu casulo (Foto 1) isto significa a morte da lagarta. Numa determinada época do ano chegam a ser parasitadas 60-75% de lagartas da espécie Pieris brassicae (os dados referem-se à América do Norte).
Outra espécie de borboleta que pode ser uma praga é a nocturna Lymantria dispar (Lagarta-do-sobreiro). O sobreiro (Quercus suber) é a espécie mais afectada por este lepidóptero. O ataque por parte das lagartas afecta o crescimento das árvores e provoca a perda da frutificação. No caso do sobreiro, e quando a desfolha é intensa, provoca falsos crescimentos na cortiça, diminuindo a sua qualidade e desaconselhando o descortiçamento. Quando a desfolha é intensa, as lagartas são obrigadas a deslocar-se para novas áreas de alimentação, atacando inúmeras espécies de plantas que encontram pelo caminho. Os parasitóides naturais desta espécie são um meio muito importante no controlo das suas populações.