Pardos
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Nota: Se procura pelo município espanhol na província de Guadalajara, veja Pardos (Espanha).
| Brasileiros pardos |
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| Brasileiros pardos notáveis: Ronaldinho • Machado de Assis[1] • Nilo Peçanha[2] • Alice Braga • Gilberto Freyre[3] • Lima Barreto[4] • Vanessa da Mata • Dorival Caymmi[5] • Francisco Félix de Souza[6] • Mariana Rios • Adriana Lima[7] • Maria Bethânia[8] |
| População total |
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Pardos |
| Regiões com população significativa |
| Todas as regiões do Brasil. Predominante nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. |
| Línguas |
| Língua portuguesa |
| Religiões |
| Católicos romanos 74% · Protestantes 18,2% · Sem religião 5,6% · Outras denominações 2% |
| Grupos étnicos relacionados |
| Brasileiros, portugueses, africanos, índios e europeus em geral |
Pardo é um termo oficial no Brasil formalmente utilizado para descrever alguém de origem multirracial. Noutros países em que se utiliza a língua portuguesa, usam-se com o mesmo significado os termos mulato ou mestiço. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o grupo pardo é um dos cinco grupos de "Cor ou Raça" que compõem a população brasileira, junto com brancos, pretos, amarelos e indígenas.[9]
De acordo com o IBGE, oitenta e quatro milhões de brasileiros se auto-declararam pardos em 2009, fazendo dos pardos a segunda maior raça/cor que compõe o povo brasileiro, atrás apenas dos brancos. E o percentual de pardos é o que mais cresce na população brasileira. Em 2000, os brasileiros que se auto-declaravam pardos representavam 38,5%[10] da população; em 2006 passaram a ser 42,6% e em 2009 passaram a ser 44,2%.[11]
Existem terminologias tradicionais usadas no Brasil para vários tipos de pardos, essas terminologias são as seguintes: mulatos para descendentes de brancos e pretos; caboclos e mamelucos para descendentes de brancos e indígenas; cafuzos para descendentes de pretos e indígenas; curiosamente, parece não haver uma terminologia além de pardo para definir alguém que seja descendente de brancos, índios e pretos simultaneamente.[12]
Índice |
[editar] Definição
[editar] IBGE
Nos últimos anos, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em suas análises de indicadores apenas socioeconômicos, vem agregando as categorias pardos e pretos numa categoria única denominada "negros".[carece de fontes] Esta forma de categorizar os brasileiros não está relacionada a questões de ordem racial, cultural, de cor, genética ou antropológica, mas apenas a avaliação das condições de vida dos brasileiros. A explicação dada pelo IBGE para isso é que os indicadores de condição de vida dos pardos e dos pretos são parecidos e que a origem da palavra "negro" faz com que ela possa ser usada em outros contextos e não só quando se trata de populações africanas.[13] Porém, esta decisão tem causado muitas polêmicas, pois não é um consenso geral na sociedade brasileira. Os brasileiros, geralmente, utilizam-se dos mais variados "termos raciais" para denominarem uns aos outros numa perspectiva multirracial. Entre os brasileiros, a "raça" de um indivíduo é baseada mais na aparência, e alguns critérios subjetivos, do que propriamente na ancestralidade. Isto gera, obviamente, equívocos e ambiguidades, porém é um traço da cultura brasileira que não pode ser ignorado. Os enganos causados pelo desconhecimento dessa nova metodologia do IBGE são grandes, sendo cometidos até por jornais e políticos.[14]
[editar] Reinterpretações do conceito
O conceito de miscigenação em si não contém nenhum sentido político. Porém, atualmente, há grupos que entendem que este conceito deve ser reinterpretado, embora reconheçam que a miscigenação é um traço marcante da sociedade brasileira.
A partir da década de 90, os movimentos sociais de cunho racial começam a ter maior visibilidade sociopolítica. Alguns destes grupos passam a adotar uma retórica birracial, pleiteando um rótulo único para os não-brancos num esquema similar ao estadunidense. As alegações destes grupos são que os indicadores socioeconômicos entre os não-brancos são bastante similares, e que uma categoria única facilitaria a implementação de políticas públicas de inclusão social.[15] Refutam a idéia de "pureza racial" e dizem que o termo "negro" se referiria a uma classe social, e não propriamente a uma "raça", nos moldes convencionais.
Porém, há grupos que são críticos a esta visão birracial da sociedade, pois alegam que há um percentual significativo de "brancos" pobres que não serão beneficiados por políticas públicas específicas para determinadas "raças".[16] Além disso, dizem que as pessoas têm o direito de se autodeclararem da forma que bem entenderem, e que a imposição de identidades arbitrárias fere o direito a liberdade de expressão, bem como gera constrangimentos desnecessários.
O movimento de mestiços, por sua vez, opõem-se à inclusão dos pardos na categoria 'negra' por entenderem que pardo refere-se à identidade mestiça e que esta é distinta daquelas que lhes deram origem.[17]
[editar] História
Em certas regiões do Brasil, houve o predomínio da miscigenação entre ambos europeus, africanos e índios, em outras regiões, predominou a miscigenação entre apenas os europeus e os indígenas.[19] e em outras regiões houve o predomínio da miscigenação entre europeus e africanos, sendo essa última forma de miscigenação citada tida por muitos como sendo a que ocorreu com mais frequência.[20][21]
Os pardos podem ter os mais variados perfis fenótipos (aparência) e comportamentais. A rigor, o que caracteriza um pardo é, simplesmente, sua miscigenação. Não há um senso de pertencimento étnico entre os integrantes deste segmento e, geralmente, os pardos se percebem mais como "brasileiros" do que como "mestiços"[22], mas a existência de movimentos próprios organizados mostra que os integrantes deste segmento possuem senso de pertencimento a identidade étnica distinta.[23]
[editar] Legislação sobre multirracialidade
Nunca houve no Brasil leis que proibissem casamentos mistos, a miscigenação ou que instituíssem entre os brasileiros segregação racial institucionalizada. Também nunca foi implantada no Brasil a chamada "One Drop Rule" ("Regra de uma gota"), um tipo de regra que vigorava nos Estados Unidos, até ser considerada inconstitucional pela Suprema Corte, e que considerava todos com "sangue preto" (qualquer descendência de pretos, por mais remota que fosse) como pretos sem que essas pessoas tivessem a escolha de se auto-identificarem.
De acordo com a Constituição Republicana de 1891:[24]
- Art° 72 A Constituição assegura a brasileiros e a estrangeiros residentes no País a inviolabilidade dos direitos concernentes à liberdade, à segurança individual e à propriedade, nos termos seguintes:
- $1º- Ninguém pode ser obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.
- $2º- Todos são iguais perante a lei.
- A República não admite privilégios de nascimento, desconhece foros de nobreza e extingue as ordens honoríficas existentes e todas as suas prerrogativas e regalias, bem como os títulos nobiliárquicos e de conselho.
O Estado Republicano brasileiro sempre reconheceu, formalmente, a igualdade entre os seus cidadãos.
[editar] Demografia
[editar] Por região
As grandes regiões do Brasil por porcentagem de indivíduos pardos.
Dados de 2009:[25]
- 1) Região Norte – 71,2% de pardos
- 2) Região Nordeste – 62,7%
- 3) Região Centro-Oeste – 50,6%
- 4) Região Sudeste – 34,6%
- 5) Região Sul – 17,3%
[editar] Por estado
Segundo dados divulgados pelo IBGE em 2009,[26] dos dez estados brasileiros com maior população parda, cinco estavam na Região Norte e cinco na Região Nordeste:
- 1) Amazonas – 77,2% de pardos
- 2) Pará – 72,6%
- 3) Piauí – 69,9%
- 4) Tocantins – 68,8%
- 5) Maranhão – 68,6%
- 6) Alagoas – 67,7%
- 7) Acre – 67,7%
- 8) Sergipe – 67,1%
- 9) Amapá – 66,9%
- 10) Ceará – 66,1%
[editar] Por município
Segundo dados do recenseamento de 2000, feito pelo IBGE,[27] dos dez municípios brasileiros com maior população parda, oito estavam na Região Nordeste e dois na Região Norte:
- 1) Nossa Senhora das Dores (Sergipe) – 98,16% de pardos
- 2) Santo Inácio do Piauí (Piauí) – 96,90%
- 3) Boa Vista do Ramos (Amazonas) – 92,40%
- 4) Belágua (Maranhão) – 90,85%
- 5) Itacuruba (Pernambuco) – 90,05%
- 6) Monte Alegre de Sergipe (Sergipe) – 90,03%
- 7) Pracuuba (Amapá) – 89,99%
- 8) Ipubi (Pernambuco) – 89,93%
- 9) Floresta do Piauí (Piauí) – 89,37%
- 10) Pinhão (Sergipe) – 87,51%
[editar] Ver também
Referências
- ↑ http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_lit/index.cfm?fuseaction=biografias_texto&cd_verbete=4953
- ↑ http://www.ihggs.org.br/index2.php?option=content&do_pdf=1&id=254
- ↑ http://www.bvgf.fgf.org.br/portugues/critica/artigos_imprensa/freyre_da_casagrande.htm
- ↑ http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/lima-barrreto/lima-barreto.php
- ↑ http://filmow.com/dorival-caymmi-a93098/
- ↑ http://veja.abril.com.br/101203/p_114.html
- ↑ http://www.askmen.com/specials/2005_top_99/1.html
- ↑ http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2011/07/nelson-motta-fala-sobre-primeiro-encontro-com-maria-bethania.html
- ↑ a b http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2009/tabelas_pdf/brasil_1_2.pdf
- ↑ Cor e raça - Censo 2000 (em português)
- ↑ PNAD 2006 (em português)
- ↑ http://www.mundovestibular.com.br/articles/2854/3/RESUMO-HISTORIA-DO-BRASIL/Paacutegina3.html
- ↑ http://www.geledes.org.br/em-debate/negro-e-uma-construcao-social-afirma-especialista-do-ibge.html
- ↑ IBGE embaralha números e confunde debate sobre brancos e negros (em português)
- ↑ Argumentos favoráveis às políticas afirmativas na educação brasileira (em português)
- ↑ Ronaldo Vainfas. Colonização, miscigenação e questão racial: notas sobre equívocos e tabus da historiografia brasileira (em português)
- ↑ Políticas Públicas de Eliminação da Identidade Mestiça e Sistemas Classificatórios de Cor, Raça e Etnia (em português)
- ↑ (em português)Ciência Hoje - Livro explica surgimento do Homo brasilis
- ↑ Índios (em português)
- ↑ Sérgio D.J. Pena; Maria Cátira Bortolini. Pode a genética definir quem deve se beneficiar das cotas universitárias e demais ações afirmativas? (em português)
- ↑ Os frutos da miscigenação (em português)
- ↑ Sérgio D. J. Pena. Para remover a palavra raça dos prontuários médicos no Brasil (em português)
- ↑ Identidade Nacional e Identidade Mestiça (em português)
- ↑ Constituição Republicana de 1891 (em português)
- ↑ Síntese dos Indicadores Sociais 2010 (PDF). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Tabela 8.1 - População total e respectiva distribuição percentual, por cor ou raça, segundo as Grandes Regiões, Unidades da Federação e Regiões Metropolitanas - 2009. Página visitada em 19 set. 2010.
- ↑ Síntese dos Indicadores Sociais 2010 (PDF). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Tabela 8.1 - População total e respectiva distribuição percentual, por cor ou raça, segundo as Grandes Regiões, Unidades da Federação e Regiões Metropolitanas - 2009. Página visitada em 19 set. 2010.
- ↑ www.sidra.ibge.gov.br
[editar] Ligações externas
- Censo IBGE 2000 (em português)
- Pnad 2006 (em português)