Paripiranga

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Município de Paripiranga
Bandeira desconhecida
Brasão desconhecido
Bandeira desconhecida Brasão desconhecido
Hino
Fundação 6 de junho de 1944 (70 anos)
Gentílico paripiranguense
Prefeito(a) George (PSD)
(2013–2016)
Localização
Localização de Paripiranga na Bahia
Paripiranga está localizado em: Brasil
Paripiranga
Localização de Paripiranga no Brasil
10° 41' 16" S 37° 51' 43" O10° 41' 16" S 37° 51' 43" O
Unidade federativa  Bahia
Mesorregião Nordeste Baiano IBGE/2008 [1]
Microrregião Ribeira do Pombal IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Pinhão (SE), Simão Dias (SE), Poço Verde (SE), Adustina e Coronel João Sá
Distância até a capital 366 km
Características geográficas
Área 435,698 km² [2]
População 29 654 hab. IBGE/2013[3]
Densidade 68,06 hab./km²
Clima Não disponível
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,577 baixo PNUD/2010 [4]
PIB R$ 113 224,256 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 3 843,45 IBGE/2008[5]
Página oficial

Paripiranga é um município do estado da Bahia, no Brasil. Sua população estimada em 2013 era de 29 654 habitantes.

Topônimo[editar | editar código-fonte]

O nome primitivo da localidade onde se originou o município era "Malhada Vermelha" (proveniente da abundância de terrenos argilosos com a denominação local de "selão"), depois mudado para "Patrocínio do Coité", havendo ligação desse nome com a existência, na extrema oriental do município, de grande exemplar de uma árvore denominada "coité". Finalmente, por força do Decreto Estadual 7.341, de 30 de março de 1931, passou o município a denominar-se "Paripiranga", que, segundo alguns, vem do tupi e significa "terra vermelha"[carece de fontes?], nome primitivo do lugar; segundo outra versão, significa "pari vermelho", pela junção dos vocábulos tupis pari (espécie de armadilha de pesca)[6] e pyranga (vermelho)[7] , donde viria também "Ipiranga"[carece de fontes?], o antigo nome do Rio Vaza-Barris.

História[editar | editar código-fonte]

Com a instalação do Governo-Geral do Brasil na cidade do Salvador, para esse fim criada em 1549, os primeiros colonos portugueses foram se estabelecendo nas terras adjacentes da Baía de Todos-os-Santos, que, além de fértil, oferecia a segurança desejada aos constantes ataques dos índios tupinambás, senhores da gleba, os quais eram considerados de índole belicosa e feroz, vivendo em contínua hostilidade com os seus irmãos de outras tribos.

Já no primeiro século da colonização portuguesa do Brasil, o abastado fazendeiro e intrépido bandeirante Garcia Dias d'Ávila levou os seus currais muito além de Açu da Torre (Enseada do Tatuapara) e obteve enormes sesmarias que o tornaram o mais opulento proprietário territorial do Brasil. Profundamente divergiam os índios do interior baiano daqueles que assentavam os seus arraiais às ribas do oceano. De tipo mais baixo, tez mais acobreada, menos aptos talvez à civilização europeia, com língua considerada mais rude pelos colonizadores portugueses e pelos índios tupis do litoral, como a onomástica no-lo atesta, constituíam o que se tem convencionado chamar de tapuias.

Com a chegada dos portugueses, foi-lhes declarada guerra aberta, cuja intensidade diminuiu com a vinda dos padres da Companhia de Jesus, em missão de catequese, ministrando, aos gentios, a doutrina cristã, o que contribuiu de modo significativo para lhes domar a índole guerreira, chamando-os à grei cristã, possibilitando, destarte, a penetração luso-tupi no interior.

Há incerteza quanto à tribo que ocupava a região onde hoje está localizado o município de Paripiranga. Tupinambás não o eram, certamente, porquanto estes estavam localizados no baixo Irapiranga (Rio Vaza-Barris), em terras férteis e não tinham necessidade nem lhes servia estabelecerem-se no agreste. Na vasta região circunscrita pelos rios São Francisco, Jacurici e Itapicuru, algumas tribos mantinham seus aldeamentos. Sabemos que, na região de Jeremoabo, havia as tribos mungurus e ceriacás, quase sempre em pé de guerra, a ponto de o governador-geral dom João Lancastre, em 1697, ameaçar o chefe dos muncurus de mandar decapitá-las se a sua gente não sustasse os ataques reiterados contra os cariacás e, na região de Euclides da Cunha, contra a tribo dos caimbés.

Nada se pode adiantar de positivo quanto aos índios que habitavam as terras onde atualmente está situado o município de Paripiranga. É, no entanto, tradição corrente, que ali existiu uma tribo denominada "vermelhos", havendo quem admita pertencesse ela à família dos tapuias.

A primeira penetração portuguesa no território ocorreu no século XVII, quando colonos portugueses se fixaram no município, fazendo nascer a povoação de Malhada Vermelha, cujo nome foi, mais tarde, mudado para Patrocínio do Coité, hoje cidade de Paripiranga.

Nos seus primórdios, a povoação de Malhada Vermelha foi premiada pelo cidadão José Antônio de Menezes, que construiu uma capela sob a invocação de Nossa Senhora do Patrocínio, filiada à Freguesia de Nossa Senhora do Bom Conselho dos Montes do Boqueirão. A dita capela foi elevada à categoria de freguesia pela Lei Provincial 1.168, de 22 de maio de 1871, com o nome de Nossa Senhora do Patrocínio do Coité.

Foi o Arraial de Patrocínio de Coité elevado à categoria de vila pela Lei Provincial 2.553, de 1º de maio de 1886, que criou o município de Patrocínio de Coité, com território desmembrado do de Bom Conselho (atual Cicero Dantas), que se instalou a 1 de fevereiro de 1888. Pelo Decreto Estadual 7.341, de 30 de março de 1931, o município teve o seu nome mudado para Paripiranga.

Os decretos estaduais 7.455, de 23 de julho de 1931 e 7.479, de 8 de julho do mesmo ano, anexaram a Paripiranga o município de Cícero Dantas, sendo ai criada a subprefeitura do mesmo nome. O município de Cícero Dantas foi restabelecido pelo Decreto Estadual 8 447, de 27 de maio de 1933, ficando o município de Paripiranga constituído de dois distritos: Paripiranga e Adustina, cuja composição administrativa foi ratificada de acordo com a Lei 62-8, de 30 de dezembro de 1953. Recentemente, o distrito de Adustina ganhou autonomia administrativa e elevou-se à categoria de cidade.

Foi primeiro intendente o padre Vicente Valentim da Cunha e compunha a primeira câmara os seguintes vereadores: João Cardoso dos Santos (presidente), Alexandre José Ribeiro, Ludgero de Sousa Rocha, Joaquim Norberto de Santana, Diocleciano Mainart de Oliveira e João Antônio dos Anjos (Compilação da Inspetoria Regional de Estatística por José de Almeida Costa; Chefe da Agência Municipal de Estatística - Antunes Santa Rosa Carvalho).

Política[editar | editar código-fonte]

Esta é uma lista de prefeitos e vice-prefeitos de Paripiranga.

Nome Partido Início do mandato Fim do mandato Observações
1 Vicente Valentim da Cunha,
Padre Valentim
1886 1890 Intendente
2 1890 1893 Intendente
3 1893 1896 Intendente
4 Coronel Joaquim de Matos Carregosa 1896 1900 Intendente
5 Coronel Joaquim de Matos Carregosa 1900 1904 Intendente
6 Coronel Teotônio Teles de Carregosa 1904 1908 Intendente
7 1908 1910 Intendente
8 Antônio Olavo Santos Lima,
Olavo
1910 1911 Intendente
9 Major Justino José das Virgens 1912 1915 Intendente
10 Coronel João Carregosa da Trindade 1916 1919 Intendente
11 João de Matos Carregosa 1920 1923 Intendente
12 Coronel Manoel de Matos Santa Rosa 1924 1925 Intendente
13 Deocleciano da Fraga Dias 1926 1927 Intendente
14 Jônathas Lima de Menezes 1928 1931 Intendente
15 Coronel João Carregosa da Trindade 1931 1933 Intendente
16 Ismael Quirino da Trindade 1933 1946 Intendente
17 Jônathas Lima de Menezes 1947 1950 Prefeito nomeado
18 Jerônimo Evangelista de Carvalho 1950 1954 Prefeito eleito
19 Francisco Dias Trindade 1955 1956 Prefeito nomeado
20 Antônio Dias Trindade 1957 1958 Prefeito eleito
21 João Vitorino de Meneses 1959 1963 Prefeito eleito
22 Pedro Rabelo de Matos 1963 1967 Prefeito eleito
23 João Vitorino de Meneses 1967 1971 Prefeito nomeado
24 Raimundo de Sales e Silva 1971 1972 Prefeito nomeado
25 João Vitorino de Meneses 1973 1976 Prefeito eleito
26 Clarival Dantas e Trindade,
Vavá
1977 1982 Prefeito eleito
27 José Menezes de Carvalho,
Zé Menezes
1983 31 de dezembro de 1988 Prefeito eleito
28 Clarival Dantas e Trindade,
Vavá
1º de janeiro de 1989 31 de dezembro de 1992 Prefeito eleito
29 José Vieira Sobrinho,
Zé de Nezinho
1º de janeiro de 1993 31 de dezembro de 1996 Prefeito eleito
José Bonfim Carregosa Leal 1º de janeiro de 1993 31 de dezembro de 1996 Vice-prefeito eleito
30 José Menezes de Carvalho,
Zé Menezes
PTB 1º de janeiro de 1997 31 de dezembro de 2000 Prefeito eleito
Ismael Gregório dos Reis 1º de janeiro de 1997 31 de dezembro de 2000 Vice-prefeito eleito
31 Carlos Alberto Andrade de Oliveira,
Carlinhos
PFL 1º de janeiro de 2001 31 de dezembro de 2004 Prefeito eleito
Carlos Alberto Andrade de Oliveira,
Carlinhos
PFL 1º de janeiro de 2005 31 de dezembro de 2008 Prefeito reeleito
Wanilda de Oliveira Aquino Trindade PSC 1º de janeiro de 2005 31 de dezembro de 2008 Vice-prefeito eleito
32 George Roberto Ribeiro Nascimento,
George
DEM 1º de janeiro de 2009 31 de dezembro de 2012 Prefeito eleito
Marco Antonio Menezes de Carvalho DEM 1º de janeiro de 2009 31 de dezembro de 2012 Vice-prefeito eleito
George Roberto Ribeiro Nascimento,
George
PSD 1º de janeiro de 2013 Atual Prefeito reeleito
Maria Andrade de Oliveira,
Dona Maria
DEM 1º de janeiro de 2013 Atual Vice-prefeita eleita
  • Presidentes da Câmara de Vereadores: Ednaldo Santos Silva (1998-1999), Antonio José de Souza (PFL) (2004), Paulo de Jesus Santana (2007), Marcos Antonio Menezes de Carvalho (PFL) (2008-2009), Ubirajara Dias Rabelo Andrade (2009), Jeronimo Evangelista de Carvalho Neto (PP) (2010), Jerônimo de Brício (2011-2012), Marco Antônio de Bizé (PSD) (2013-2014).

Localização e Posição do Município em Relação ao Estado e Sua Capital[editar | editar código-fonte]

O município de Paripiranga localiza-se na Zona Fisiográfica do Nordeste, ficando totalmente incluído no Polígono das Secas. Limita com os municípios de Cícero Dantas, Jeremoabo, Simão Dias e Poço Verde, os dois últimos do estado de Sergipe. A sede municipal possui as seguintes coordenadas geográficas: 100 41' 02" de latitude Sul e 37° 51' 54" de longitude W. Gr. rumo da capital do estado em direção à sede municipal, da qual dista em linha reta 250 quilômetros, N.N.E.

Distância Rodoviária dos Principais Centros Urbanos[editar | editar código-fonte]

Capital Federal - 1974 km; Capital do Estado - 366 km; cidades vizinhas de Cícero Dantas - 66 quilômetros; Jeremoabo - 125 quilômetros; Simão Dias - nove quilômetros ; Poço Verde - 48 quilômetros e Aracaju - 110 quilômetros.

Altitude[editar | editar código-fonte]

A altitude da sede municipal é de 430 metros.

Área[editar | editar código-fonte]

A área do município é de 289 km².

Clima, Vegetação e Riquezas Naturais[editar | editar código-fonte]

O clima do município é quente e seco no verão e frio e seco no inverno. A temperatura da sede municipal apresentou, em 1956, as seguintes graduações: máxima - trinta graus centígrados, mínima - dezoito graus centígrados, média - 24°C.

O município apresenta a topografia acidentada com algumas elevações; é banhado pelo rio Vaza-barris e por outros cursos de água de menor significação.

O revestimento florístico do município é rico, revelando a existência de madeiras de lei, destacando-se pau d'arco, jacarandá, pau-ferro e notando-se também as seguintes plantas medicinais: gengibre, jurubeba, purga de batata, catuaba, quina, capeba, mastruço, malva, herva de Santa Luzia, quebra-pedra, ipecacuanha, fedegoso, cássia, angico, barbatimáo e outras.

A fauna é peculiar à maioria dos municípios do Nordeste Brasileiro. De origem mineral, existem jazidas exploradas de pedra para construção, manganês e pedra calcária e não exploradas de cristal de rocha.

Cultos Religiosos[editar | editar código-fonte]

O município é sede da Paróquia Nossa Senhora do Patrocínio, subordinada à diocese de Paulo Afonso. Há algumas igrejas protestantes e comunidades de culto espírita e afro-brasileiro, mas de menor expressão.

As principais celebrações religiosas são: Natal - com a tradicional "Missa do Galo". São João - Queimam-se fogos de artifícios e à porta dos lares são queimadas fogueiras e são servidos aos visitantes canjica de milho verde, milho assado, licores, principalmente o de jenipapo, doces, etc. São Pedro - assemelha-se à de São João, havendo, no entanto, uma grande festa de cunho secular, realizada três dias seguidos, ao final do mês de junho à início de julho. Tendo bandas conhecidas nacionalmente como atração para os moradores e visitantes do município. Festa da Padroeira, Nossa Senhora do Patrocínio - realizada em novembro, consta de missa festiva e procissão que, à tarde, percorre as ruas da cidade e recolhe-se à Igreja Matriz, onde os fiéis recebem a bênção do Santíssimo Sacramento.

Justiça[editar | editar código-fonte]

Pela Lei Provincial 2 553, que o criou, o município ficou como termo da comarca de Jeremoabo, desta passando para têrmo da de Bom Conselho, pelo Ato Estadual de 16 de maio de 1890.

O Decreto Estadual 1 351, de 8 de janeiro de 1914, transferiu provisoriamente para o termo de Patrocínio do Coité a sede da comarca de Bom Conselho, que retomou ao seu lugar primitivo pela Lei Estadual 1 119, de 21 de agosto de 1915, passando Patrocínio do Coité, em virtude dessa mesma lei, a termo da Comarca de Jeremoabo.

Pelo Decreto Estadual 6 145, de 8 de abril de 1929, Patrocínio do Coité passou a ser sede provisória da Comarca de Jeremoabo, que retomou ao lugar primitivo pelo Decreto Estadual 6 527, de 11 de outubro do mesmo ano.

A Lei Estadual 2 225, de 14 de setembro de 1929, transferiu para a comarca de Bom Conselho o termo de Patrocínio do Coité. Já com a denominação de Paripiranga, o termo foi transferido desta última para a comarca de Jeremoabo, pelo Decreto Estadual 7 481, de 8 de julho de 1931. Desmembrada desta, foi a comarca de Paripiranga criada pelo Decreto-lei Estadual 141, de 31 de dezembro de 1943.

Outros aspectos do município[editar | editar código-fonte]

Aos naturais do município aplica-se o pátrio paripiranguenses.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 de outubro de 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 de dezembro de 2010.
  3. Censo Populacional 2013. Censo Populacional 2013. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (01 de julho de 2013). Página visitada em 30 de setembro de 2013.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Página visitada em 23 de agosto de 2013.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  6. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 271.
  7. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. 3ª edição. São Paulo. Global. 2005. 463 p.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Enciclopédia dos municípios brasileiros. Volume XXI Bahia (M – Z).
  • Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Rio de Janeiro: 1958.
  • LIMA, Eratóstenes Fraga. Livro: História e Estórias de Paripiranga, Paulo Afonso: Fonte Viva, 2004.
  • George, vice-prefeita e vereadores tomam posse na Câmara