Parque Ecológico do Rio Cocó

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Vista do Rio Cocó

O Parque Ecológico do Rio Cocó é uma área de conservação, um parque estadual da vida natural localizado na cidade de Fortaleza, Ceará. Tem esse nome devido ao rio que forma o bioma de mangue, o rio Cocó.

É considerado de grande importância tanto para a cidade, como para a biodiversidade que é protegida dentro de suas bordas.

Contendo diversas espécies de vida animal e vegetal endêmicas e ameaçadas, ele é considerado a herança cultural e ecológica mais importante de Fortaleza. Ambientalmente, ele serve para reduzir a temperatura do ar na cidade, e também forma uma bacia protetora que previne enchentes durante tempos de fortes chuvas. Economicamente, o parque é de extrema importância para a cidade, gerando uma grande renda anual por conta do turismo ecológico.

A reserva ecológicas está atualmente sobre ameaça de uma proposta do governo de construir um viaduto que necessitará da derrubada de uma parte da reserva florestal, resultando em uma grande perda para a flora e fauna local. O governo de Cíd Gomes e Roberto Cláudio argumenta que o viaduto é a única solução possível aos problemas de mobilidade na cidade. Outros grupos sugerem soluções favorecendo transporte publico e bicicletas. A proposta atraiu diversas críticas de arquitetos, de professores de universidade, de grupos ambientalistas e de várias organizações não-governamentais. [1]


Historia[editar | editar código-fonte]

O primeiro ponto do rio Cocó a ter sido protegido e aparelhado foi criado em 29 de março de 1977 declarado de utilidade pública para desapropriação. Em 11 de novembro de 1983 o decreto municipal número 5.754 deu a denominação de Parque Adhail Barreto.

Em 5 de setembro de 1989 o decreto estadual número 20.253 cria o Parque Ecológico do Cocó e expandido em 8 de junho de 1993 atualmente abrange uma área de 1.155,2 hectares.


Benefícios sociais para a cidade[editar | editar código-fonte]

O parque do Cocó tem sido citado como uma parte importante da solução para vários problemas sociais, de saúde e do meio ambiente. Um estudo citado, pela Universidade de Delaware [2] , mostra que o fácil acesso à parques pode reduzir a obesidade e a diabetes através de oportunidades para exercício. Outro estudo em Chicago mostrou que espaços vegetados também cortam a criminalidade pela metade. [3]

Importância ambiental[editar | editar código-fonte]

Trilha.

Áreas vegetadas como o Cóco também oferecem alívio ao sobre-aquecimento do espaço urbano causado pela qualidade do asfalto, do concreto e de materiais de construção de capturar calor. O ar embaixo da copa de uma árvore pode chegar a ser de 3 - 6º C mais frio do que quando comparado a um espaço aberto sem cobertura. [4]


O parque é também uma área de Mangue, que é um ecossistema extremamente importante e globalmente ameaçado [5] , que inclui várias espécies endêmicas e ameaçadas de plantas e vida selvagem, que requer atenção especial para a realização de pesquisas sobre essas espécies.

Importância para o turismo e a economia[editar | editar código-fonte]

Como um dos maiores parques urbanos da América do Sul, o parque representa uma atração turística importante, oferecendo as melhores possibilidades de ecoturismo da cidade [6] .

De acordo com o site Lonely Planet: “Ele é o mais popular parque de lazer de Fortaleza, e organiza atividades que promovem a percepção e conhecimento de preservação ambiental para seus visitantes [7] .

Importancia para a educação e a cultura[editar | editar código-fonte]

O parque representa também um recurso muito importante na cidade na educação, acolhendo muitas aulas de campo de diversas escolas da cidade, onde os alunos atravessam diversas trilhas ecológicas com um grande valor biótico. [8] É uma chance singular de acesso para as crianças da zona urbana à espaços naturais, que outrora seria impossível. Além disso, o parque possui um campo de futebol onde os moradores da região ou transeuntes organizam, com bastante frequência, campeonatos ou jogos amistosos.

No espaço do Parque conhecido como Parque Adahil Barreto, encontra-se um anfiteatro, oferecendo diversas atrações culturais e espaço amplo para a realização de reuniões, festas ou encontros [9] .

Ameaça de degradação ecológica[editar | editar código-fonte]

Edifícios construídos em área controversa dentro do parque.

Por ter toda a sua área dentro do município de Fortaleza em região de grande desenvolvimento urbano, os limites do parque estão constantemente sofrendo problemas de impacto ambiental e degradação do bioma. Durante o ano de 2007 a Prefeitura de Fortaleza, após ter expedido licença para construção de um prédio vizinho ao parque, entrou com um pedido junto a Câmara Municipal de Fortaleza de realização de um referendo popular perguntando ao povo sobre a autorização da construção do prédio em questão.[10] Depois desse fato o Ministério Público Federal entrou com uma Ação Civil Pública pedindo a demarcação da área do parque e a finalização das desapropriações, que desde a publicação da lei criando o parque não teve conclusão. Essa medida jurídica ainda suspende o licenciamento de novas construções numa área até 500 m ao redor do parque. A liminar foi expedida em abril de 2008. Atualmente existem várias ações na justiça relativas as desapropriações e um dos casos mais curiosos tramita em Brasília uma ação de indenização contra o Estado do Ceará de uma desapropriação da área que supera os R$ 1,7 bilhão.

O problema não fica restrito a pobreza na medida em que algumas vizinhaças do parque estão sendo ocupadas por prédios de alto padrão gerando problemas de ordem ambiental como aumento do fluxo de trânsito nas vias adjacentes ao parque e de circulação do ar dentre outros. Alguns movimentos ambientalistas fazem manifestações contra os possíveis agressores tais como: SOS Cocó e o Instituto Terramar.

Parte da reserva ecológica do Cocó é actualmente sob ameaça de destruição devido à construção de um viaduto proposta no entorno do parque.

José Borzacchiello da Silva, Geógrafo e professor da UFC, argumentou num artigo do Povo [11] , que os viadutos são “geradores de um medo urbano e acelerado processo de degradação do território onde ele é construído”, citando os exemplos do viaduto do cruzamento das avenidas Santana Júnior e Santos Dumont, cuja “construção decretou a desvalorização de um comércio florescente que crescia nos quatro cantos do cruzamento” [12] , e resultou em “água empossada sob o viaduto, e um aumento de insegurança”. Ele cita também a forte pressão popular para que o viaduto minhocão do São Paulo seja demolido, e o fato de que, no Rio, o viaduto da avenida Perimetral está em fase de demolição.


Mais geralmente, a obra foi criticado por “favorecer o transporte individual em detrimento dos de massa”. [13]


Estrutura[editar | editar código-fonte]

O Parque possui três áreas estruturadas para atividades de lazer, esporte e cultura.

  • O Parque Adhail Barreto foi a primeira área a propiciar o uso da área do rio Cocó. É administrada pela Prefeitura Municipal de Fortaleza, com Núcleo de Conscientização ambiental, playground, promoção de eventos culturais e artísticos, assim como educação ambiental, pista de Cooper, trenzinho e trilha ecológica.
  • O Parque Ecológico do Cocó é a área urbanizada pelo Governo do estado sendo a segunda intervenção por volta do ano de 1993. Conta com anfiteatro, quadras esportivas, pista para caminhada, parques infantis, acontecendo shows e eventos, competições esportivas e educação ambiental e trilhas.
  • A Área urbanizada do Tancredo Neves foi a ultima intervenção na área do parque. Após a remoção de famílias nas áreas do parque, o governo do estado implantou no local duas quadras esportivas, campos de futebol, pistas para caminhada, ciclovias e áreas infantis.


Segurança[editar | editar código-fonte]

A Polícia Militar do Estado do Ceará tem dentro da área do parque uma Companhia de Polícia Militar Ambiental - CPMA que fica na área do bairro Jardim das Oliveiras e um posto policial no bairro que leva o nome do rio e onde se encontra a principal estrutura do parque. A PM utiliza um contingente de 30 policiais que garantem a segurança do parque e evita problemas de criminalidade o fuga dos criminais após atos de crime.


Programa Parque Vivo[editar | editar código-fonte]

Edifício sede do projeto Parque Vivo.

O Parque Vivo surgiu teve suas atividades iniciadas em 1993 como consequência de um trabalho de educação ambiental marinha desenvolvido pela equipe da Universidade Federal do Ceará. A prefeitura de Fortaleza convidou o grupo para desenvolver trabalhos de educação ambiental no Parque Adahil Barreto. Ao longo dos anos, as atividades desenvolvidas foram expandidas por uma demanda cada vez maior da sociedade. Assim o Parque Vivo desenvolveu vários projetos, tornando-se um programa que busca promover a educação ambiental através de vários segmentos: cursos, elaboração de materiais pedagógicos, promoção de oficinas em áreas de risco, organização de biblioteca, Museu do Mangue, campanhas educativas e comemoração de datas representativas.

O Parque Vivo trabalha em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMAM), Secretaria Executiva Regional II, EMLURB e FUNDEMA. É articulada com diversas entidades ambientalistas do Estado do Ceará, através da concepção e execução de projetos e diversas outras atividades de educação ambiental, principalmente em Fortaleza.



Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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