Partido Comunista Japonês

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Partido Comunista Japonês
Presidente Kazuo Shii
Fundação 15 de julho de 1922
Sede 4-26-7 Sendagaya, Shibuya-ku, Tóquio 151-8586
Ideologia política Comunismo, leninismo, eurocomunismo
Site Site oficial

O Partido Comunista Japonês (PCJ) (Nihon Kyōsan-tō, em japonês) é um partido político do Japão de orientação marxista.

O PCJ defende o estabelecimento de uma sociedade democrática e pacífica baseada no socialismo, e em oposição ao militarismo. O partido propõe que para atingir esse objetivo não é preciso mudar as estruturas básicas do capitalismo,[1] e sim acabar com o "imperialismo e seu aliado incondicionado, o capital monopolista". Apesar de ser um partido leninista, o PCJ não defende uma revolução socialista; propõe, ao invés disso, uma revolução democrática que atinja mudanças na política e na economia, além de uma restauração da soberania nacional, que acredita ter sido infringida pelo tratado de cooperação militar mútua com os Estados Unidos da América. O partido acredita piamente no artigo 9 da Constituição Japonesa, que rejeita conflitos armados.

O PCJ é um dos maiores partidos comunistas do mundo, com cerca de 415 mil filiados e mais de 25 mil seccionais. Durante a ruptura sino-soviética, o partido começou a se distanciar do bloco socialista, especialmente da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Após o colapso da URSS, o PCJ lançou um comunicado na imprensa dizendo: "damos boas vindas ao fim de um grande mal histórico de imperialismo e hegemonia", enquanto ao mesmo tempo criticava os países do Leste Europeu por abandonarem o socialismo, descrito como um "revés histórico". Consequentemente, o partido não sofreu um desgaste interno com o fim da URSS, tampouco considerou mudar de nome ou se desfazer, como fizeram vários partidos comunistas ao redor do globo.

História[editar | editar código-fonte]

O PCJ foi fundado em 15 de julho de 1922 como uma associação política clandestina. Banido durante o governo de Kato Takaaki, o partido sofreu repressão e perseguição por parte do Exército e da polícia durante o Império do Japão. Foi o único partido político a se posicionar contra a entrada do Japão na Segunda Guerra Mundial. O partido foi legalizado durante a ocupação estadunidense no país em 1945 e desde então pôde concorrer às eleições livremente. O partido não se posicionou durante a ruptura sino-soviética da década de 1960. Foi nessa época que o partido atingiu seu pico de força eleitoral. De acordo com o Departamento de Estado dos Estados Unidos, o partido tinha aproximadamente 120 mil filiados (0,2% da população em idade ativa).

O PCJ teve 11,3% dos votos em 2000, 8,2% em 2003 e 7,3% em 2005. Enquanto isso representa um pequeno declínio, o PCJ ainda obteve cerca 5 milhões de votos, o que faz do Japão o país com o maior partido comunista do G8, atrás da Rússia. Nas eleições de julho de 2007 para os membros da Câmara dos Conselheiros, o partido teve 7,5% dos votos.

O PCJ conseguiu manter-se como um dos maiores partidos do país graças ao colapso do antigo Partido Socialista Japonês, que já foi um dos principais partidos de oposição e hoje está reduzido a 5,5% dos votos. O maior partido de oposição, o Partido Democrático do Japão, se difere pouco das políticas do Partido Liberal Democrático, que governa o país desde 1955, o que faz com que grande parte dos eleitores de esquerda votem no PCJ. O partido também foi privilegiado pela recente reforma do sistema eleitoral japonês.

Atualidade[editar | editar código-fonte]

Como consequência da crise econômica mundial sobre os trabalhadores japoneses, o PCJ vem experimentando um acentuado aumento no seu número de filiados. O partido vem recebendo cerca de mil novos filiados a cada mês.[2]

Vale notar que a sociedade japonesa em geral vem se interessando cada vez mais pelo socialismo. Kanikosen, um romance de Takiji Kobayashi, publicado em 1929, sobre uma rebelião liderada por um militante socialista em uma empresa de pesca saltou de uma vendagem média de 5 mil exemplares anuais para 507 mil em 2008 (a versão mangá vendeu outros 200 mil). O Capital, de Karl Marx, em versão mangá, vendeu 6 mil nos primeiros dias.[2] Apesar disso, entretanto, o partido não conseguiu aumentar seu número de cadeiras no parlamento durante as eleições gerais de 2009.

Políticas[editar | editar código-fonte]

Forças Armadas[editar | editar código-fonte]

Um dos principais objetivos do PCJ é acabar com o tratado de cooperação militar mútua entre o Japão e os Estados Unidos, o que desmantelaria todas as bases militares dos EUA no Japão. O partido quer que o Japão seja um país neutro e não-alinhado, de acordo com os princípios de soberania nacional. Vale notar que existem cerca de 130 bases miliatres estadunidenses no Japão; a província de Okinawa tem a maior quantidade de bases militares estadunidenses de toda a Ásia.

Em relação às Forças Armadas japonesas, o PCJ atualmente não se opõe à existência destas. Em 2000, o partido decidiu que elas devam existir para defender o país caso seja atacado. Entretanto, o PCJ afirma que irá tentar aboliar-as a longo prazo, mantendo-as apenas caso o país sofra ataques de outros países. O PCJ também se opõe à pose de armas nucleares por qualquer país, ao conceito de blocos militares e a qualquer tentativa de revisão do artigo 9 da Constituição, que diz "nunca mais (…) [o Japão] deve sofrer os horrores da guerra devido a ação do governo". No que diz respeito a disputas internacionais, o PCJ defende que a prioridade deve ser dada a meios pacíficos como a negociação e a diplomacia. O PCJ também defende a adesão do Japão à Carta das Nações Unidas.

O PCJ defende a ideia de que o Japão, como país asiático, deve parar de centrar suas relações diplomáticas no G8 e nos EUA, e dar mais ênfase à ideia de integração regional. O partido defende que o Japão se defina no cenário exterior com um "política internacional independente que defenda os interesses do povo japonês" e rejeita, sob qualquer hipótese, "seguir acriticamente qualquer potência estrangeira".

O PCJ defende o resgate da memória e mais desculpas pelas ações do Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Na década de 1930, o PCJ, ainda ilegal, foi o único partido político a se opôr à invasão da China e à participação do país na guerra.

Família imperial[editar | editar código-fonte]

O PCJ tradicionalmente se opõe à existência da Casa Imperial desde os anos pré-guerra. Hoje em dia, reconhece o Imperador como chefe de estado, desde que ele continue sendo uma figura meramente representativa. O PCJ declarou que se chegar ao poder não irá mais pedir a abdicação do Imperador. O partido também é contra o uso da bandeira e do hino nacional, que vê como relíquias do passado militarista.

Economia[editar | editar código-fonte]

O PCJ defende uma mudança no sistema econômico, de um que "está servindo aos interesses de grande corporações e bancos" para um que "defenda os interesses do povo". Para o partido, tem que ser estabelecidas "regras democráticas" que irão verificar as atividades das grandes corporações e "proteger as vidas e direitos básicos do povo". Quanto à economia estrangeira, o PCJ defende que seja estabelecisa uma nova ordem, mais democrática, que seja fundada no respeito da soberania econômica de cada país. Para o partido, os EUA, as corporações transnacionais e o capital financeiro internacional estão empurrando a globalização aos países mais pobres o que, diz, está afetando seriamente a economia global e o meio-ambiente. O partido defende uma "regulação democrática das atividades de corporações transnnacionais e do capital financeiro internacional em escala global".

Terrorismo[editar | editar código-fonte]

A posição do PCJ sobre o terrorismo internacional é que só pode ser eliminado com o "cerceamento das forças do terror através de forte solidariedade internacional com as Nações Unidas no centro". O partido defende que travar uma guerra como resposta ao terrorismo "produz uma brecha e contradiz a solidariedade internacional, o que, ao contrário, faz o campo fértil para o terror se expandir".

Referências

  1. "Communist Party drops 'revolution' call", The Japan Times (01-18-2004).
  2. a b COSTA, Antonio Luiz M. C. "Tempos de fúria". CartaCapital, 13 de março de 2009. Visitado em 29 de março de 2009.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]