Partido Comunista Revolucionário

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Este artigo não cita fontes confiáveis e independentes, o que compromete sua credibilidade (desde janeiro de 2013). Por favor, adicione referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Conteúdo sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Partido Comunista Revolucionário
Presidente Luiz Falcão (Comitê Central)
Fundação maio de 1966
Sede Recife, PE
Ideologia Comunismo, Marxismo-Leninismo, Stalinismo
Espectro político Esquerda
Extrema-esquerda
Ala Jovem União da Juventude Rebelião (UJR)
Cores       Vermelho       Amarelo
Site
Site oficial do PCR

Política do Brasil
Partidos políticos
Eleições

O Partido Comunista Revolucionário (PCR) é um partido político brasileiro de esquerda, baseado ideologicamente nos princípios do marxismo-leninismo com expressão nacional e forte penetração nos meios sindicais e estudantis. Seu símbolo é uma foice e um martelo cruzados com uma estrela vermelha na parte superior do martelo (simbolo soviético), simbolizando a aliança operário-camponesa, sobre um retângulo vermelho onde está escrito a sigla "PCR". Edita o jornal A Verdade, e internacionalmente, é membro da Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas (CIPOML).

Foi fundado em maio de 1966, em Recife a partir de uma ruptura do PCdoB. Reivindicando a trajetória política de Josef Stálin no comando da União Soviética, o PCR surge discordando tanto da linha maoísta do PCdoB (criado em 1962), quanto da linha khrushevista do PCB (criado em 1922), partidos por ele considerados "revisionistas". Ao longo da Ditadura militar no Brasil (1964-1985), a maior parte dos militantes do PCR foi perseguida e morta.[1] Os seus sobreviventes passaram então entram no MR-8, um outro partido comunista que permaneceu 30 anos dentro do PMDB. É a partir de 1995, quando esses militantes rompem com o MR-8 e com PMDB, que o PCR volta a se reorganizar,[2] lançando seus candidatos eleitorais pelo PDT.[3]

Atualmente, o PCR faz (junto com PSOL, PSTU e PCB) oposição de esquerda aos governos de Lula e Dilma (PT/PMDB/PCdoB). No movimento estudantil, o PCR organiza-se através da colateral União da Juventude Rebelião (UJR). Este coletivo impulsiona o movimento Rebele-se na UNE que compõe a Oposição de Esquerda da União Nacional dos Estudantes, junto com coletivos referenciados no PSOL. No movimento sindical, o PCR atua na corrente Movimento Luta de Classes (MLC), que, ao contrário dos seus parceiros da oposição de esquerda, deliberou por retornar à Central Única dos Trabalhadores (CUT), hegemonizada pelo PT.[4]

Apesar de fazer oposição ao governo federal, nas eleições presidenciais de 2010 o PCR chamou voto em Dilma Rousseff já no primeiro turno.[5] Quatro anos depois, nas eleições de 2014 o PCR apoiou Luciana Genro (do PSOL) no primeiro turno[6] e Dilma Rousseff no segundo.[7] Pretendendo conseguir o registro eleitoral como partido pelo TSE, o PCR vem recolhendo assinaturas para legalizar a chamada Unidade Popular pelo Socialismo (UP).[8]

História[editar | editar código-fonte]

O PCR é um partido político não-registrado que atua no Brasil desde o regime militar.

Fundado em maio de 1966, em Recife, o Partido Comunista Revolucionário foi organizado por um grupo de militantes egressos do PCdoB,formado por alguns militantes do movimento estudantil e alguns ativistas das Ligas Camponesas.

O núcleo inicial da formação do PCR foi constituído pelo já experiente líder camponês Amaro Luiz de Carvalho e pelos jovens Manoel Lisboa de Moura, Selma Bandeira, Valmir Costa e Ricardo Zarattini. Ainda em 1966, o Partido lança seu primeiro documento de formulação programática, a Carta de 12 Pontos aos Comunistas Revolucionários, onde defende a classe operária como vanguarda da revolução socialista brasileira e a ditadura do proletariado.

Em 1968, o PCR já tinha seu programa e seu estatuto, bem como a definição de seu Conselho Nacional, Regional, de Luta Operária e de Luta Estudantil. Sua linha era a da Guerra Popular Prolongada, isto é, o cerco das cidades pelo campo, sendo o Nordeste a melhor área definida para desencadear a luta.

Com isso, o PCR seria talvez o único dos clandestinos a insistir numa tentativa de regionalizar suas estratégias. Mas no que se referia ao programa, mantinha firme a luta contra a burguesia nacional e internacional, o imperialismo e o latifúndio.

O partido discordava das resoluções da OLAS, e achava que só um partido com características leninistas poderia conduzir a guerra revolucionária. Em virtude dessa direção, não foi possível a realização de uma aproximação do partido com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) em 1968.

"A Luta" era o nome do material impresso que seria publicado pelo PCR para a divulgação de suas concepções políticas, e o "Luta Operária", que era dirigido para o meio operário de algumas capitais. Em novembro de 1969 a repressão colocaria as mãos em alguns importantes quadros do partido, entre eles o Capivara - que posteriormente seria assassinado na Casa de Detenção de Recife. Sua morte foi anunciada em agosto de 1971 atribuindo a autoria do crime a alguns presos comuns - mais tarde era divulgada a notícia que os tais presos comuns cometeram o crime a mando dos próprios chefes carcerários.

O PCR, ao mesmo tempo, tentava intensificar sua penetração em outros estados do Nordeste; a propaganda era feita através de panfletagens nas portas de algumas fábricas. Em 1973 o partido sofreria novos golpes dos órgãos repressores que resultaram na morte de mais um de seus fundadores, Manuel Lisboa, e prisão de vários efetivos.

Luta armada[editar | editar código-fonte]

O PCR neste período tinha, como reduto de atuação, as capitais e a zona canavieira dos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Passou um período de cerca de sete anos com forte atuação na luta de resistência armada à ditadura militar, promovendo diversas ações de massas como panfletagens nas portas de fábricas e greves e passeatas estudantis, além de ações clandestinas como assaltos a quartéis e incêndios de canaviais.

Com a efetivação do regime ditatorial a partir de 1968, as diversas organizações revolucionárias que lutavam pela retomada da democracia e pelo socialismo sofrem uma brutal e crescente perseguição, e o mesmo ocorre com o PCR, que resiste bravamente, mas também é atingido por duros golpes consecutivos e se desarticula parcialmente.

No dia 22 de agosto de 1971, Amaro Luiz de Carvalho é executado, dois meses antes de quando sairia da Casa de Detenção do Recife, onde cumpria pena. Entre os anos de 1971 e 1972, outro líder camponês do PCR é assassinado: Amaro Félix Pereira. E em agosto/setembro de 1973, as forças policiais capturam, torturam e matam três outros destacados dirigentes do Partido: Manoel Lisboa de Moura, Emmanuel Bezerra dos Santos e Manoel Aleixo.

Na década de 1970, o PCR atua decisivamente no movimento estudantil universitário, dirigindo, em Pernambuco, os Diretórios Centrais das principais universidades, além da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP). O PCR também cumpriu um destacado papel na reconstrução de outros DCEs no Nordeste e na mobilização para a reconstrução da União Nacional dos Estudantes (UNE), que se concretizou em 1979, chegando à vice-presidência da entidade, em 1981, representado pelo militante Luiz Falcão, hoje editor do jornal A Verdade. Neste mesmo periodo ocorre a prisão de Edival Nunes da Silva Cajá, dirigente do PCR e líder estudantil da Universidade Federal de Pernambuco. Cajá foi sequestrado e preso na cidade do Recife, em 12 de maio de 1978, e, três dias depois, mais de 12 mil estudantes da UFPE realizaram uma greve pelo fim das torturas e por sua libertação. Ocorrendo ato de solidariedade por todo o Brasil e no exterior, além de setores da Igreja Católica alinhados a Dom Hélder Câmara. Cajá é hoje presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa, de Pernambuco.

A unificação dos Comunistas[editar | editar código-fonte]

Em julho de 1981, os militantes do PCR, com a finalidade de melhor se articular nacionalmente para realizar sua agitação política e um trabalho de massas mais amplo, visando a unidade das forças comunistas brasileiras, decidem pela fusão do Partido com o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), e assim deixando de atuar independentemente como partido até 1995.

Reorganização do PCR[editar | editar código-fonte]

Em fevereiro de 1995, após muita luta política interna, o núcleo original do PCR rompe definitivamente com o MR-8 e dá início à refundação do Partido Comunista Revolucionário.

Junto com a refundação do PCR, é constituída, pela primeira vez na história do Partido, uma organização própria para a juventude: a União da Juventude Rebelião (UJR).

Programa[editar | editar código-fonte]

  1. Socialização de todos os monopólios e consórcios capitalistas e dos meios de produção nos setores estratégicos da economia; planificação da economia para atender às necessidades da população e acabar com as desigualdades regionais e sociais; Planificação da economia para atender as necessidades materiais, intelectuais e culturais da população e para acabar com as desigualdades sociais e regionais;
  2. Nacionalização dos bancos: união de todos os bancos em um só banco, ou seja, fusão de todos os bancos em um só banco de Estado;
  3. Fim da espoliação imperialista sobre a economia nacional; estancamento da sangria de nossos recursos para o exterior, pondo fim às remessas de lucros, dividendos, pagamento de royalties e pagamentos da dívida externa; anulação dos acordos e dívidas do Estado com os capitalistas estrangeiros, que foram contraídos contra a soberania e os interesses dos trabalhadores; garantia de total independência econômica do Brasil frente aos países imperialistas, em particular ao imperialismo norte-americano; monopólio do comércio externo: transferência do comércio exterior para os órgãos do Estado;
  4. Garantia de emprego e trabalho obrigatórios para todos: só come quem trabalha; proibição do trabalho infantil;
  5. Expropriação da propriedade latifundiária e das grandes empresas agroindustriais; nacionalização da terra e fim do monopólio privado da terra;
  6. Anulação dos impostos extorsivos cobrados do povo; imposto sobre as grandes fortunas e progressivo. Quem ganha mais, paga mais;
  7. Estatização de todos os meios de transporte coletivo;
  8. Educação pública e gratuita para todos e em todos os níveis; fim do lucro na educação. Garantia de livre acesso do povo à universidade e/ou cursos técnicos profissionalizantes. Fim do vestibular, vestibulinho ou qualquer processo seletivo;
  9. Democratização dos meios de comunicação, com a socialização de todos os grandes canais de televisão, jornais e rádios; garantia a todos os cidadãos de acesso aos meios de comunicação;
  10. Ampla liberdade de expressão e organização para os trabalhadores e o povo; fim das doações de capitalistas para campanhas eleitorais;
  11. Justiça: juízes e tribunais eleitos pelo povo;
  12. Fim da discriminação das mulheres; direitos iguais; fim do racismo e da discriminação dos negros e punição aos infratores; firme combate à exploração sexual de mulheres e crianças;
  13. Fim de qualquer discriminação religiosa, de raça ou sexo; plena garantia à liberdade religiosa;
  14. Defesa e proteção do meio ambiente e da natureza; proibição da destruição de florestas; estabelecimento do controle popular sobre a Amazônia e expulsão de todos os monopólios estrangeiros da região;
  15. Demarcação e posse imediata de todas as terras indígenas; garantia de escolas diferenciadas para os índios e incentivo e apoio às línguas indígenas; defesa da cultura e dos direitos dos povos indígenas;
  16. Garantia de Saúde pública e gratuita para todos;
  17. Defesa e incentivo à cultura nacional e popular; nacionalização de todas as companhias gravadoras de música e produtoras de filmes;
  18. Jornada de trabalho: redução para seis horas para todos os trabalhadores e aumento geral dos salários;
  19. Estabelecimento de lei garantindo o descanso em dias festivos, domingos e feriados para os trabalhadores, excetuando os setores essenciais;
  20. Garantia de moradia digna, saneamento e coleta de lixo para todas as famílias brasileiras; destinar os imóveis abandonados para resolver o déficit habitacional; realização de uma profunda reforma urbana;
  21. Julgamento, prisão e confisco dos bens de todos o corruptos;
  22. Apoio à luta de todos os povos e países pela libertação da dominação capitalista e da espoliação imperialista; defesa da soberania, independência e autodeterminação dos povos.

O PCR nos dias de hoje[editar | editar código-fonte]

O PCR nos dias de hoje atua em entidades estudantis (atua por intermédio da União da Juventude Rebelião - UJR), na União Nacional dos Estudantes - UNE e na União Brasileira dos Estudantes Secundaristas - UBES); sindicais (Movimento Luta de Classe - MLC), e no movimento popular (Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas - MLB), tendo como órgão central do partido o Jornal A Verdade. A partir de 2004, passou a representar o Brasil na Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas (Unidade e Luta) (CIPOML).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências