Partido Comunista Revolucionário

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O 'Partido Comunista Revolucionário (PCR) é um partido político brasileiro de esquerda, baseado ideologicamente nos princípios do marxismo-leninismo com expressão nacional e forte penetração nos meios sindicais e estudantis. Fundado em maio de 1966, em Recife - PE, foi reorganizado em 1995. Seu símbolo é uma foice e um martelo cruzados com uma estrela Vermelha na parte superior do martelo (simbolo soviético), simbolizando a aliança operário-camponesa, sobre um retângulo vermelho onde está escrito a sigla PCR. Edita o jornal "A Verdade", e internacionalmente, é membro da Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas (CIPOML).

História[editar | editar código-fonte]

O PCR é um partido político não-registrado que atua no Brasil desde o regime militar.

Fundado em maio de 1966, em Recife, o Partido Comunista Revolucionário foi organizado por um grupo de militantes egressos do PCdoB,formado por alguns militantes do movimento estudantil e alguns ativistas das Ligas Camponesas.

O núcleo inicial da formação do PCR foi constituído pelo já experiente líder camponês Amaro Luiz de Carvalho e pelos jovens Manoel Lisboa de Moura, Selma Bandeira, Valmir Costa e Ricardo Zarattini. Ainda em 1966, o Partido lança seu primeiro documento de formulação programática, a Carta de 12 Pontos aos Comunistas Revolucionários, onde defende a classe operária como vanguarda da revolução socialista brasileira e a ditadura do proletariado.

Em 1968, o PCR já tinha seu programa e seu estatuto, bem como a definição de seu Conselho Nacional, Regional, de Luta Operária e de Luta Estudantil. Sua linha era a da Guerra Popular Prolongada, isto é, o cerco das cidades pelo campo, sendo o Nordeste a melhor área definida para desencadear a luta.

Com isso, o PCR seria talvez o único dos clandestinos a insistir numa tentativa de regionalizar suas estratégias. Mas no que se referia ao programa, mantinha firme a luta contra a burguesia nacional e internacional, o imperialismo e o latifúndio.

O partido discordava das resoluções da OLAS, e achava que só um partido com características leninistas poderia conduzir a guerra revolucionária. Em virtude dessa direção, não foi possível a realização de uma aproximação do partido com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) em 1968.

"A Luta" era o nome do material impresso que seria publicado pelo PCR para a divulgação de suas concepções políticas, e o "Luta Operária", que era dirigido para o meio operário de algumas capitais. Em novembro de 1969 a repressão colocaria as mãos em alguns importantes quadros do partido, entre eles o Capivara - que posteriormente seria assassinado na Casa de Detenção de Recife. Sua morte foi anunciada em agosto de 1971 atribuindo a autoria do crime a alguns presos comuns - mais tarde era divulgada a notícia que os tais presos comuns cometeram o crime a mando dos próprios chefes carcerários.

O PCR, ao mesmo tempo, tentava intensificar sua penetração em outros estados do Nordeste; a propaganda era feita através de panfletagens nas portas de algumas fábricas. Em 1973 o partido sofreria novos golpes dos órgãos repressores que resultaram na morte de mais um de seus fundadores, Manuel Lisboa, e prisão de vários efetivos.

Luta armada[editar | editar código-fonte]

O PCR neste período tinha como reduto de atuação,as capitais e a zona canavieira dos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Passou um período de cerca de sete anos com forte atuação na luta de resistência armada à ditadura militar, promovendo diversas ações de massas como panfletagens nas portas de fábricas e greves e passeatas estudantis, além de ações clandestinas como assaltos a quartéis e incêndios de canaviais.

Com a efetivação do regime ditatorial a partir de 1968,as diversas organizações revolucionárias que lutavam pela retomada da democracia e pelo socialismo sofrem uma brutal e crescente perseguição, o mesmo ocorre com o PCR que resiste bravamente, mas também é atingido por duros golpes consecutivos e se desarticula parcialmente.

No dia 22 de agosto de 1971, Amaro Luiz de Carvalho é executado, dois meses antes de quando sairia da Casa de Detenção do Recife, onde cumpria pena. Entre os anos de 1971 e 1972, outro líder camponês do PCR é assassinado: Amaro Félix Pereira. E em agosto/setembro de 1973, as forças policiais capturam, torturam e matam três outros destacados dirigentes do Partido: Manoel Lisboa de Moura, Emmanuel Bezerra dos Santos e Manoel Aleixo.

Na década de 1970, o PCR atua decisivamente no movimento estudantil universitário, dirigindo, em Pernambuco, os Diretórios Centrais das principais universidades, além da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP). O PCR também cumpriu um destacado papel na reconstrução de outros DCEs no Nordeste e na mobilização para a reconstrução da União Nacional dos Estudantes (UNE), que se concretizou em 1979, chegando à vice-presidência da entidade, em 1981, representado pelo militante Luiz Falcão, hoje editor do jornal A Verdade. Neste mesmo periodo ocorre a prisão de Edival Nunes Cajá, dirigente do PCR e líder estudantil da Universidade Federal de Pernambuco. Cajá foi sequestrado e preso na cidade do Recife, em 12 de maio de 1978, e, três dias depois, mais de 12 mil estudantes da UFPE realizaram uma greve pelo fim das torturas e por sua libertação. Ocorrendo ato de solidariedade por todo o Brasil e no exterior, além de setores da Igreja Católica alinhados a Dom Hélder Câmara. Cajá é hoje presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa, de Pernambuco.

A unificação dos Comunistas[editar | editar código-fonte]

Em julho de 1981, os militantes do PCR, com a finalidade de melhor se articular nacionalmente para realizar sua agitação política e um trabalho de massas mais amplo, visando a unidade das forças comunistas brasileiras, decidem pela fusão do Partido com o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), e assim deixando de atuar independentemente como partido até 1995.

Reorganização do PCR[editar | editar código-fonte]

Em fevereiro de 1995, após muita luta política interna, o núcleo original do PCR rompe definitivamente com o MR-8 e dá início à refundação do Partido Comunista Revolucionário.

Junto com a refundação do PCR, é constituída, pela primeira vez na história do Partido, uma organização própria para a juventude: a União da Juventude Rebelião (UJR).

Programa[editar | editar código-fonte]

1. Socialização de todos os monopólios e consórcios capitalistas e dos meios de produção nos setores estratégicos da economia; planificação da economia para atender às necessidades da população e acabar com as desigualdades regionais e sociais; Planificação da economia para atender as necessidades materiais, intelectuais e culturais da população e para acabar com as desigualdades sociais e regionais;

2. Nacionalização dos bancos: união de todos os bancos em um só banco, ou seja, fusão de todos os bancos em um só banco de Estado;

3. Fim da espoliação imperialista sobre a economia nacional; estancamento da sangria de nossos recursos para o exterior, pondo fim às remessas de lucros, dividendos, pagamento de royalties e pagamentos da dívida externa; anulação dos acordos e dívidas do Estado com os capitalistas estrangeiros, que foram contraídos contra a soberania e os interesses dos trabalhadores; garantia de total independência econômica do Brasil frente aos países imperialistas, em particular ao imperialismo norte-americano; monopólio do comércio externo: transferência do comércio exterior para os órgãos do Estado;

4. Garantia de emprego e trabalho obrigatórios para todos: só come quem trabalha; proibição do trabalho infantil;

5. Expropriação da propriedade latifundiária e das grandes empresas agroindustriais; nacionalização da terra e fim do monopólio privado da terra;

6 .Anulação dos impostos extorsivos cobrados do povo; imposto sobre as grandes fortunas e progressivo. Quem ganha mais, paga mais;

7. Estatização de todos os meios de transporte coletivo;

8. Educação pública e gratuita para todos e em todos os níveis; fim do lucro na educação. Garantia de livre acesso do povo à universidade e/ou cursos técnicos profissionalizantes. Fim do vestibular, vestibulinho ou qualquer processo seletivo;

9. Democratização dos meios de comunicação, com a socialização de todos os grandes canais de televisão, jornais e rádios; garantia a todos os cidadãos de acesso aos meios de comunicação;

10. Ampla liberdade de expressão e organização para os trabalhadores e o povo; fim das doações de capitalistas para campanhas eleitorais;

11. Justiça: juízes e tribunais eleitos pelo povo;

12. Fim da discriminação das mulheres; direitos iguais; fim do racismo e da discriminação dos negros e punição aos infratores; firme combate à exploração sexual de mulheres e crianças;

13. Fim de qualquer discriminação religiosa, de raça ou sexo; plena garantia à liberdade religiosa;

14. Defesa e proteção do meio ambiente e da natureza; proibição da destruição de florestas; estabelecimento do controle popular sobre a Amazônia e expulsão de todos os monopólios estrangeiros da região;

15. Demarcação e posse imediata de todas as terras indígenas; garantia de escolas diferenciadas para os índios e incentivo e apoio às línguas indígenas; defesa da cultura e dos direitos dos povos indígenas;

16. Garantia de Saúde pública e gratuita para todos;

17. Defesa e incentivo à cultura nacional e popular; nacionalização de todas as companhias gravadoras de música e produtoras de filmes;

18. Jornada de trabalho: redução para seis horas para todos os trabalhadores e aumento geral dos salários;

19. Estabelecimento de lei garantindo o descanso em dias festivos, domingos e feriados para os trabalhadores, excetuando os setores essenciais;

20. Garantia de moradia digna, saneamento e coleta de lixo para todas as famílias brasileiras; destinar os imóveis abandonados para resolver o déficit habitacional; realização de uma profunda reforma urbana;

21. Julgamento, prisão e confisco dos bens de todos o corruptos;

22. Apoio à luta de todos os povos e países pela libertação da dominação capitalista e da espoliação imperialista; defesa da soberania, independência e autodeterminação dos povos.

O PCR nos dias de hoje[editar | editar código-fonte]

O PCR nos dias de hoje atua em entidades estudantis (atua por intermédio da União da Juventude Rebelião - UJR), na União Nacional dos Estudantes - UNE e na União Brasileira dos Estudantes Secundaristas - UBES); sindicais (Movimento Luta de Classe - MLC), e no movimento popular (Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas - MLB), tendo como órgão central do partido o Jornal A Verdade. A partir de 2004, passou a representar o Brasil na Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas (Unidade e Luta) (CIPOML).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]