Partido Democrático (Turquia)

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Partido Democrático
Demokrat Parti
Líder Hüsamettin Cindoruk
Fundação 1946; a 1961; b 1983; c 2007 d
Sede  Turquia, Ancara
Ideologia centro-direita, conservador, kemalista
Cores vermelho e branco
Site www.dp.org.tr
a 1º Partido Democrático histórico, dissolvido em 1960

b Partido da Justiça
c Partido da Via Justa
d 2º Partido Democrático

O Partido Democrático (em turco: Demokrat Parti; sigla: DP) é um partido político de centro-direita conservador da Turquia, fundado em 1983 com o nome de Partido da Via Justa (Doğru Yol Partisi; DYP) por Süleyman Demirel. É o sucessor do partido anterior homónimo e do Partido da Justiça (Adalet Partisi; AP), dois partidos com ideologias semelhantes que foram ilegalizados após os golpes militares de, respetivamente, 27 de maio de 1960 e de 12 de setembro de 1980. O nome atual foi adotado em maio de 2007. Em novembro de 2009 o Partido da Pátria (Anavatan Partisi; ANAP) fundiu-se com o Partido Democrático.

O Partido da Via Justa esteve à frente de quatro governos. Um desses governos foi chefiado por Demirel e os outros três pela primeira primeira-ministra da Turquia, Tansu Çiller. Atualmente (2010), o partido não tem qualquer deputado no parlamento turco, tendo obtido 1 898 873 votos (5,42%) nas eleições legislativas de 2007.[1] Segundo os analistas, grande parte dos anteriores votantes no partido passaram a votar no Partido da Justiça e Desenvolvimento (Adalet ve Kalkınma Partisi, AKP), que está no poder desde 2002.

Em 5 de maio de 2007 foi anunciada a fusão do DYP e do ANAP, tendo então o nome do Partido da Via Justa mudado para Partido Democrático. No entanto, pouco antes das eleições a fusão foi abortada,[2] apesar do ANAP não concorrer às eleições. Após as eleições de 2007, Mehmet Ağar demitiu-se da liderança do partido,[3] sendo substituído por Süleyman Soylu, que por sua vez seria substituído em maio de 2009 por Hüsamettin Cindoruk.

Contexto[editar | editar código-fonte]

O DP é considerado um partido de centro-direita, conservador e kemalista. Por vezes é comparado ao Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) por ter estruturas conservadoras semelhantes, apesar dos dois partidos terem origens consideravelmente diferentes. A história do DP remonta ao partido histórico homónimo, fundado em 1946, aquando da introdução do pluripartidarismo na Turquia, enquanto que o AKP foi fundado pela antiga ala moderada do Partido da Virtude (Fazilet Partisi; FP), de matiz islamista, declarado inconstitucional e desmantelado em junho de 2001.[4] O logotipo do DYP, um cavalo branco em fundo vermelho, derivava da corruptela popular do nome do partido anterior — a palavra demokrat era de difícil pronúncia para os eleitores rurais, os quais achavam mais fácil pronunciar "demir kır at" (ferro, cavalo branco).[5] Após a mudança de nome em 2007 para o nome do partido de 1946, foi acrescentada um mapa da Turquia atrás do cavalo branco.

História[editar | editar código-fonte]

Primeiro Partido Democrático (1946-1960)[editar | editar código-fonte]

O predecessor homónimo do atual DP foi um partido conservador responsável por relaxar as estritas leis do secularismo impulsionadas por Atatürk. Quando se deu o golpe militar, o DP estava no governo, tendo como primeiro-ministro Adnan Menderes, que foi deposto e executado por enforcamento. O DP foi ilegalizado pela novo regime, mas no ano seguinte os seus antigos membros formaram pelo menos dois partidos, o Partido Nova Turquia (Yeni Türkiye Partisi) e o Partido da Justiça (Adalet Partisi, AP).[6]

Partido da Justiça (1961-1980)[editar | editar código-fonte]

O Partido da Justiça, fundado pelo general Ragıp Gümüşpala, conseguiu recuperar a maior parte das estruturas do DP, principalmente nas regiões ocidentais, embora no início o primeiro tenha sido mais bem sucedido na mesma tarefa nas regiões orientais.[7]

O AP esteve no governo, sozinho ou em coligação, durante a maior parte das décadas de 1960 e 1970. Em 26 de março de 1971, o governo do AP chefiado por Süleyman Demirel foi ameaçado pelos militares e forçado a demitir-se. Em 1980, os militares foram mais longe, levando a cabo um novo golpe, desta vez não palaciano, no qual foi deposto o governo, igualmente chefiado por Demirel, e suprimindo todos os partidos.[8]

Partido da Via Justa (1983-2007)[editar | editar código-fonte]

Em 1983 Demirel fundou o Partido da Via Justa (Doğru Yol Partisi, DYP), com um programa mais laico que o seu antecessor. Apesar disso, o DYP foi declarado ilegal e os seus membros foram perseguidos. Finalmente, em 1987, depois do clima político ter acalmado, o DYP foi legalizado e rapidamente ganhou grande sucesso. Nas eleições gerais de 1991, o DYP derrotou o Partido da Pátria (Anavatan Partisi, ANAP) e o Partido Social Democrata Populista (Sosyaldemokrat Halkçı Parti, SHP). Süleyman Demirel foi nomeado primeiro-ministro de um governo de coligação entre o DYP e o SHP. Demirel foi eleito presidente da república em 1993, sendo substituido na liderança do partido por Tansu Çiller, a primeira primeira-ministra da Turquia[9] .

Em 1995 a coligação entre o DYP e o SHP desmorou-se, fazendo cair o governo. O SHP tinha-se entretanto fundido no Partido Republicano do Povo (Cumhuriyet Halk Partisi, CHP), o rival histórico do DP. Nas eleições de dezembro desse ano a vitória foi do Partido do Bem-estar (Refah Partisi, RP), de cariz islamista, que obteve 158 deputados e 21,4% dos votos, tendo o DYP ficado em terceiro em número de votos (19,2%) e em segundo em número de deputados (135). O ANAP obteve 19,7% dos votos e 132 deputados.[10] Tansu Çiller foi novamente primeira-ministra à frente de uma coligação com o ANAP, liderado por Mesut Yılmaz. Em junho de 1996, o DYP acabou com a aliança com o ANAP e coligou-se com o RP para formar o primeiro governo islamista da Turquia, tendo como primeiro-ministro o líder do RP, Necmettin Erbakan.[11]

Em 1997, num "golpe silencioso", os militares forçaram a queda do governo RP-DYP. Entretanto a popularidade do DYP tinha sofrido muito com os efeitos na opinião pública do "caso Susurluk, que envolveu relações pouco entre o crime organizado ligado ao tráfico de drogas, o governo e as forças armadas, a pretexto de operações secretas de contra a guerrilha dos separatistas Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). O DYP integrarou outro governo de coligação com o ANAP chefiado por Mesut Yılmaz. Esta coligação conservadora desfez-se em 1998.[carece de fontes?] No mesmo ano, o DYP fomentou o adesão de elementos dos serviços de informação da polícia.[12] , o que danificou ainda mais a reputação já débil do partido.[carece de fontes?]

O ANAP continuou no governo após a queda da coligação com o apoio do Partido da Esquerda Democrática (Demokratik Sol Parti, DSP), enquanto que o DYP se juntou ao Partido da Virtude na oposição.

Nas eleições de novembro de 2002 o DYP obteve 9,54% dos votos[13] , ligeiramente abaixo do minímo de 10% a que a lei turca obriga para que haja representação parlamentar. No entanto, em novembro de 2004, o partido tinha quatro deputados dissidentes de outros partidos. Tansu Çiller demitiu-se da liderança após a derrota de 2002, tendo sido substituída por Mehmet Ağar, um antigo membro da polícia e um dos principais envolvidos no caso Susurluk.

Notas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Türkıye Seçımlerı - Milletvekili Genel - 2007 Yili Genel Seçım Sonuçlari (em turco) www.belgenet.net BELGEnet. Visitado em 2010-10-16.
  2. DYP-ANAP Ayrıldı (em turco) www.ozgurkocaeli.com.tr Özgür Kocaeli Gazetesi Künye Bilgileri (2007-04-19). Visitado em 2010-10-16.
  3. Turkish DP leader resigns (em inglês) english.people.com.cn People's Daily (2007-07-23). Visitado em 2010-10-16.
  4. Fulya Atacan. . Explaining Religious Politics at the Crossroad: AKP‐SP (em Inglês). Turkish Studies 6 (2): 187-199. DOI:10.1080/14683840500119510.
  5. Kaplan, Sam. The Pedagogical State: Education and the Politics of National Culture in Post-1980 Turkey (em inglês). [S.l.]: Stanford University Press, 2006. 172 pp. ISBN 9780804754330
  6. Ahmad, Feroz. Turkey: The Quest for Identity (em inglês). Oxford: Oneworld, 2003.
  7. Sherwood, W.B.. (outubro 1967). "The Rise of the Justice Party in Turkey" (em inglês). World Politics 20 (1): 54-65.
  8. Turkey - Military Intervention and the Return to Civilian Rule (em Inglês) Country Studies Library of Congress (USA). Visitado em 2 de Julho de 2011.
  9. Turkey timeline (em Inglês) BBC News. Visitado em 2 de Julho de 2011. "Tansu Ciller becomes Turkey's first woman prime minister, and Demirel elected president"
  10. Türkıye Seçımlerı - Milletvekili Genel - 1995 Yili Genel Seçım Sonuçlari (em turco) www.belgenet.net BELGEnet. Visitado em 2010-10-16.
  11. Necmettin Erbakan, Turkey's first Islamist PM, dies (em Inglês) BBC News (27 de Fevereiro de 2011). Visitado em 2 de Julho de 2011. "Mr Erbakan became prime minister in June the following year in coalition with Tansu Ciller's centre-right True Path Party"
  12. DYP'de istihbaratçı savaşı (em turco) webarsiv.hurriyet.com.tr Hürriyet (1999-02-03). Visitado em 2010-10-16. Cópia arquivada em 2010-10-16.
  13. Türkıye Seçımlerı - Milletvekili Genel - 2002 Yili Genel Seçım Sonuçlari (em turco) www.belgenet.net BELGEnet. Visitado em 2010-10-16.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]