Partido Democrático Trabalhista

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Partido Democrático Trabalhista
Número no TSE 12
Presidente Carlos Lupi
Fundação 17 de junho de 1979
Sede Brasília, DF
Ideologia Social-democracia, Trabalhismo, Socialismo democrático e Populismo
Afiliação internacional Internacional socialista
Deputados Federais
25 / 513
Senadores
5 / 81
Deputados Estaduais
72 / 1 060
Cores       Azul

      Vermelho

      Branco
Site PDT Nacional
Política do Brasil
Partidos políticos
Eleições

Partido Democrático Trabalhista (PDT) é um partido político brasileiro de centro-esquerda e de ideologia trabalhista, fundado por políticos e intelectuais brasileiros no final da década de 1970, logo após o início do processo de abertura política da ditadura militar. Seu número eleitoral é o 12.[1] O PDT é o único partido brasileiro a integrar a Internacional Socialista.

É o partido de origem da atual presidente Dilma Rousseff, que o trocou pelo Partido dos Trabalhadores no ano 2000, pelo convite do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e amigo do fundador do partido Leonel de Moura Brizola. É, com efeito, uma das legendas de situação do atual governo, estando à frente do Ministério do Trabalho e Emprego.

Ideologia partidária[editar | editar código-fonte]

O trabalhismo é um conceito que começa a ser estabelecido a partir da Revolução Industrial, quando começa a se organizar um movimento com vistas à melhoria da condição de vida dos trabalhadores.

O PDT, com o passar dos anos, o “movimento democrático trabalhista”, ligado a Internacional Socialista, que tem uma ideologia bem diferente da Comunista, segundo seu fundador, a começar pela democracia da sigla, começa a crescer e a gerar diferentes ideologias na defesa desse ideal, tendo uma variação de abordagem em relação ao tema. Nesse espectro se encontram desde as ideologias mais brandas como a democracia-cristã, passando pelo próprio trabalhismo, social-democracia, socialismo e chegando até as mais radicais como o comunismo e o anarquismo, como discussão no partido e a real viabilidade desses, experiência de Brizola durante seu exílio.

No Brasil, o “movimento trabalhista” só começa a ganhar corpo no início do século XX, na parte final da República Velha, vindo a se fazer mais presente na vida nacional por volta das décadas de 1920 e 1930. (o Partido Comunista Brasileiro – PCB foi fundado em 1922).

A ideologia trabalhista tem início na Inglaterra, com a criação de sindicatos de trabalhadores que visam lutar pela melhoria da qualidade de suas vidas, assim como a busca da regulação da atividade trabalhadora, bem como a busca pelo estabelecimento de direitos e garantias aos trabalhadores, tendo como exemplo o fim do trabalho infantil, o direito ao descanso semanal remunerado, um limite na jornada de trabalho etc.

No Brasil, a ideologia trabalhista ganha força através da ação política do Presidente Getúlio Vargas de estímulo à criação de sindicatos e o exercício de sua influência sobre eles e a classe trabalhadora, que acabará culminando com a fundação do Partido Trabalhista Brasileiro – PTB em 1945.

O conceito do trabalhismo, tal como desenvolvido na Inglaterra, sofreu uma certa “abrasileiramento”, dando ensejo a uma ideologia tipicamente nacional, e tendo como um de seus principais ideólogos o sociólogo e político Alberto Pasqualini, que tinha como base os princípios do solidarismo cristão (democracia-cristã).

Definia-se o trabalhismo como expressão equivalente a de capitalismo solidarista. De acordo com essa expressão, a ideologia trabalhista reconhece o capitalismo como sistema econômico, não se opondo, portanto, à propriedade privada, mas defendendo uma intervenção do Estado na economia, de modo a corrigir os excessos do sistema capitalista, e atingir uma forma mais moderada e humana do capitalismo, dando ênfase nas políticas públicas com objetivo de melhorar a condição de vida dos trabalhadores, o que seria atingindo baseado na “conciliação de classes”.

O trabalhismo sustenta então a prevalência do trabalho sobre o capital, buscando a sua convivência harmônica, bem como a superação das diferenças de classe, sem violência, através da melhor distribuição da riqueza e da promoção da justiça social.

Tem-se então que o trabalhismo não defende o fim do capitalismo, mas sim o abrandamento de suas consequências como o faz a democracia-cristã, porém, a diferença entre as duas ideologias é que o trabalhismo é uma ideologia que dependendo da variante assumida pelo movimento trabalhista pode ser totalmente laica, não pregando necessariamente a fidelidade aos ensinamentos cristãos.

O trabalhismo do PDT[editar | editar código-fonte]

Com a anistia política e o fim do bipartidarismo no final dos anos 1970, Leonel Brizola, ainda no exílio, resolve reunir políticos e intelectuais progressistas para a refundação do trabalhismo na vida partidária nacional. É nesse sentido que um congresso é realizado na cidade de Lisboa, Portugal culminando ao final com a redação de um documento que ficou conhecido como Carta de Lisboa, e que é considerada como sendo da fundação do PDT.

Nesse momento, o trabalhismo que viria a ser adotado pelo PDT sofre uma certa mutação. Tendo maior contato com os ideais socialistas e social-democratas do Estado do bem-estar social dos países europeus durante a segunda metade do século XX, políticos que viriam a formar a liderança do PDT, resolvem patrocinar uma evolução no conceito trabalhista, considerando-o como sendo uma forma democrática de se chegar ao socialismo, o que não existia no trabalhismo defendido nas décadas anteriores.

Essa evolução pode ser confirmada pelo seguinte trecho da Carta de Lisboa:

“Analisando a conjuntura brasileira, concluímos pela necessidade de assumirmos a responsabilidade que exige o momento histórico e de convocarmos as forças comprometidas com os interesses dos oprimidos, dos marginalizados, de todos os trabalhadores brasileiros, para que nos somemos na tarefa da construção de um Partido Popular, Nacional e Democrático, o nosso PTB. Tarefa que não se improvisa, que não se impõe por decisão de minorias, mas que nasce do encontro do povo organizado com a iniciativa dos líderes identificados com a causa popular.

Nós, Trabalhistas, assumimos a responsabilidade desta convocatória, porque acreditamos que só através de um amplo debate, com a participação de todos, poderemos encontrar nosso caminho para a construção no Brasil de uma sociedade socialista, fraterna e solidária, em Democracia e em Liberdade.”

“Art. 1 – O Partido Democrático Trabalhista – PDT – é uma é uma organização política da Nação Brasileira para a defesa de seus interesses, de seu patrimônio, de sua identidade e de sua integridade, e tem como objetivos principais lutar, sob a inspiração do nacionalismo e do trabalhismo, pela soberania e pelo desenvolvimento do Brasil, pela dignificação do povo brasileiro e pelos direitos e conquistas do trabalho e do conhecimento, fontes originárias de todos os bens e riquezas, visando à construção de uma sociedade democrática e socialista.”

Deve-se, no entanto, frisar que o trabalhismo se diferencia do socialismo na medida em que ele não se posiciona contra o mercado, nem prega a luta e de classes, muito menos sua extinção e substituição por uma sociedade sem classes, buscando no entanto superar o capitalismo de forma processual, através de reformas democráticas, na busca por uma sociedade mais justa e equitativa, numa espécie de socialismo de mercado, sendo possível a existência de uma economia mista, onde os meios de produção estratégicos devem ser coletivos, enquanto que em outras áreas, a existência das praticas capitalistas e da propriedade privada são aceitas, sendo, no entanto, reguladas pelo Estado, com intervenções voltadas para o bem estar social. Nesse sentido o trabalhismo foi considerado por Leonel Brizola como o “socialismo moreno”, e é por isso que o PDT é o único partido político brasileiro filiado à Internacional Socialista.[carece de fontes?]

Socialismo Moreno do PDT[editar | editar código-fonte]

Eles gostam de assustar o povo brasileiro com o fantasma do comunismo, elevando-o à categoria de ´bicho-papão´. Ora – não temos medo de bicho-papão: confiamos no povo brasileiro! É um povo que sabe o que quer e sabe o que não quer. E o que este não quer são os figurinos de importações, quer de Moscou, quer de Nova Iorque.” - BRIZOLA, L. “Conferência realizada em Presidente Prudente – 25.11.61”, in DALL´AGNOL, F. Brizola, esperança de um povo. P.128.

Difamado, injuriado, caluniado.... Brizola juntamente com Vargas e Goulart, foi um dos personagens mais injustiçados na história recente do Brasil, sempre vilipendiado por uma imprensa venal aliciada pelo capital internacional, a servir de carrasco contra aqueles que se levantam em favor do Brasil e dos brasileiros.

Portanto, sempre oportuno expressar quem era e oque pensava esse homem que dedicou toda sua vida pelo Brasil.

Mangabeira Unger, conta que ao presentear o Brizola com alguns livros, o Brizola teria ido a uma estante e voltou com um livro que resumia o ideário de Castilhos, dizendo:

" - Vamos fazer uma coisa: eu leio os seus e você lê o meu".

João Carlos Guaragna, antigo colaborador, é outro que também conta que: ''No exílio, ele andava sempre com um manifesto de Júlio de Castilhos no bolso".

Brizola foi um fiel seguidor das idéias de Júlio de Castilhos, sua constante preocupação com a educação pública, gratuita e de qualidade advén com as teses castilhistas de progresso humano pela ciência, bem como a tecnificação do Estado administrado por parâmetros científicos, a meritocracia dentro da Administração Pública, o absoluto respeito e probidade a coisa pública, marcas profundas de seu governo.

Isso posto, o Trabalhismo Brasileiro se assenta sob essa base Castilhista, se não é o próprio Castilhismo moldado e adaptado em suas circunstâncias a época, é nesses termos que Brizola define o nosso Trabalhismo:

"A história do Trabalhismo Brasileiro é muito rica e isto garante sua identidade. Contudo, nossas preocupações são com o futuro e não com as recordações. Naturalmente, para a reconstrução da Pátria, devemos nos valer das lições recebidas no passado, especialmente aquelas do grande presidente Getúlio Vargas

A história criou as alternativas de esquerda e direita que envolveu as ideologias políticas. Contudo, para um prefeito, tapar um buraco na rua não é uma questão de esquerda ou de direita é o sentido de dever do homem público, do amor pela sua cidade. Por igual, a falta de escola em uma comunidade, a falta de ensino para as crianças, também não é um problema de esquerda ou de direita e sim a indiferença do governante para com as crianças.(vê-se nesse trecho do pronuciamento forte caráter castilhista)

...Getúlio nunca se declarou da esquerda ou da direita e que seu desejo era a construção de um Ambiente Nacional de Desenvolvimento e Igualdade Social. Por isto, apesar de sermos muitas vezes considerados da esquerda clássica, nunca nos identificamos como tal. Em certos momentos, necessários e adequados, emprestamos solidariedade à esquerda brasileira, pois nossos objetivos eram semelhantes, apesar dos nossos meios serem diferentes e, especialmente nisto, o Trabalhismo Brasileiro se distingue da esquerda.

Como dizia Alberto Pasqualini: nem Nova Iorque nem Moscou. Na Internacional-Socialista onde estão os socialistas, os sociais-democratas e os Trabalhistas Britânicos (da linha labor-britânicos, australiana e canadense) não nos identificamos com estas correntes, nós representamos um outro movimento social:

[...]o Trabalhismo Brasileiro, diferente do Trabalhismo Inglês porque somos do terceiro mundo. Nós temos uma identidade própria, não somos o resultado de um transplante dos socialistas-teóricos, dos socialistas fabiano e outras correntes socialistas. As idéias, as teorias e a experiência externa, não nos serviram de modelo. Trabalhismo Brasileiro é autóctone e autenticamente brasileiro, é crioulo. [...] na América Latina, também não há nada igual ao nosso trabalhismo.

O Trabalhismo Brasileiro formou sua base na realidade nacional, e se ergueu tratando nossos problemas de uma forma própria e com sucesso, sem precisar dos fundamentos da esquerda ou da direita.

...é bom que se reafirme em alto e bom som: nós não excluímos o capital. Consideramos o capital como trabalho economizado e necessário para a produção. O nosso trabalhismo considera que o erro do capitalismo está na má distribuição da renda e sua transformação em instrumento de exploração e opressão do ser humano. É nisso que se afirma o Trabalhismo Brasileiro. Também nos identificamos pelos compromissos sociais e nossa ação é para que não falte o essencial ao desenvolvimento do brasileiro. Queremos construir isto através da fonte geradora do próprio capital: o Trabalho. Com oportunidade e trabalho podemos construir uma grande nação.

Em lugar de nos submetermos de maneira obcecada ao Capital devemos buscar, pelo trabalho, a solução dos nossos problemas. Nós não eliminamos a busca de recursos, inclusive externos, para aliar ao trabalho e assim realizar o progresso, mas, não colocamos o Capital à frente do Trabalho."

“É por isto, meus amigos, que o PDT é a força brasileira. É o partido trabalhista de Vargas, o verdadeiro partido trabalhista brasileiro o dos trabalhadores. E não o desses politiqueiros que andam por aí vendendo a nossa legenda. E só seremos verdadeiros como partido se tivermos os sindicatos aqui ombro a ombro conosco.

Se tivermos os trabalhadores de todas as categorias porque não excluímos os empresários que tenham o mesmo pensamento social que cultivamos. Ao contrário, precisamos da experiências deles, da oportunidade que eles tiveram de aprender que muitos trabalhadores não tiveram. Essa união fraterna se chama Trabalhismo. Na verdade, todas as doutrinas que estão aí, inclusive algumas que se apresentam como socialistas, não passam de transplantes vindos de fora. Pegaram mudas de algumas árvores e plantaram aqui. O trabalhismo, não, ele é autóctone, ele nasceu aqui no Brasil”.

Quanto a propriedade privada, e a demonização por aqueles contrários a reforma agrária, Brizola é ainda mais enfático:

"(...)quem apologiza o problema das transformações no campo: " - é agitação!", "- é pressão política!", "- é comunismo!".... isto aí são as classes privilegiadas. Nós defendemos o direito de propriedade, achamos que um país como o nosso concede a ocupação da terra através da propriedade. Porque achamos que é uma coisa tão boa que queremos para todos.". - Brizola.

Desse modo, a pergunta que se poderia fazer é: se o Brizola não era comunista, oque seria o "Socialismo Moreno" do qual falava? 

Esse Socialismo Moreno tem justamente uma conotação de diferenciação do que seria propriamente o "socialismo". Para Brizola "socializar" significava democratizar os meios de produção, tornar acessível a todos:

"Democratizar, portanto, não é só proclamar, abstratamente, a igualdade jurídica, que todos são iguais perante as leis, mas abolir privilégios econômicos, sociais e políticos, que terminam por negar a própria democracia e sufocar a liberdade. Socializar, por outro lado, não é transferir pura e simplesmente para o Estado o monopólio dos meios de produção. É democratizá-los, mediante o controle social de sua utilização e dos valores que gerar, o que só o exercício das liberdades políticas assegura, corrigindo distorções, que terminam por comprometer a própria socialização." - Leonel Brizola; em entrevista concedida a Moniz Bandeira, em 1978.

É nesse sentido que Brizola, ao regressar do exílio, fala em "Socialismo Moreno". 

Fundação[editar | editar código-fonte]

A fundação do PDT é considerada a Carta de Lisboa, de 17 de junho de 1979.

Com a iminência da assinatura da Lei da Anistia, Leonel Brizola, que após a morte de João Goulart se tornou o líder natural do trabalhismo democrático brasileiro, convoca personalidades progressistas que se encontravam no exílio, assim como outros jovens vindos do Brasil ao "Encontro dos Trabalhistas do Brasil com Trabalhistas no Exílio" realizado na cidade de Lisboa, Portugal, para um congresso com vistas à reorganizar o movimento trabalhista no Brasil.

Deste Encontro, produziu-se a Carta de Lisboa, documento que continha as bases programáticas do partido político que Brizola pretendia reorganizar no contexto da redemocratização que se anunciava no fim da década de 1970, o Partido Trabalhista Brasileiro – PTB.

Segundo o TSE, sua fundação só ocorreu em maio de 1980 (seu registro, porém, só foi concedido em 1981).

A disputa pela legenda do PTB[editar | editar código-fonte]

Com a Anistia Política concedida em agosto de 1979, e a volta do pluripartidarismo ao sistema eleitoral brasileiro, muitos políticos ao voltarem do exílio, tentaram recuperar os antigos partidos políticos que existiam antes do inicio da Ditadura Militar (período pré-1964).

Com a morte de João Goulart durante o período ditatorial, Leonel Brizola surge naturalmente como o principal líder do antigo PTB, e após sua chegada ao país, tenta reorganizar a legenda. Porém, é surpreendido pela ação concorrente de Ivete Vargas, sobrinha-neta de Getúlio Vargas, que também reivindica para si o controle da legenda PTB.

Após disputas judiciais, o TSE decide finalmente conceder a legenda ao grupo liderado por Ivete Vargas, que agrupava políticos que não coadunavam com os ideais trabalhistas históricos do partido, sem também possuírem uma história partidária no antigo PTB. Nomes como o de Jânio Quadros (político que se elegeu Presidente da República em 1960 fazendo oposição ao PTB) e Sandra Cavalcanti (secretária de Carlos Lacerda da UDN) encontraram abrigo no “novo” PTB. Na época, acusou-se Golbery do Couto e Silva de tramar a cessão da sigla para Ivete, a fim de enfraquecer o grupo de Brizola, então um dos políticos mais populares do país, e ferrenho opositor da Ditadura.

Inconformados com tal atitude, considerando que o novo PTB não representava mais os ideais trabalhistas históricos, o grupo liderado por Leonel Brizola foi obrigado a formar um novo partido, o Partido Democrático Trabalhista. – PDT.

Um dos fatos mais marcantes da perda da legenda PTB foi a cena em que Leonel Brizola chora copiosamente e rasga um papel com a sigla PTB dizendo: “Consumou-se o esbulho”.

No dia seguinte, a foto desta cena é publicada no Jornal do Brasil ao lado do seguinte poema de Carlos Drummond de Andrade:

Vi um homem chorar porque lhe negaram o direito de usar três letras do alfabeto para fins políticos. Vi uma mulher beber champanha porque lhe deram esse direito negado ao outro. Vi um homem rasgar o papel em que estavam escritas as três letras, que ele tanto amava. Como já vi amantes rasgarem retratos de suas amadas, na impossibilidade de rasgarem as próprias amadas.

Vi homicídios que não se praticaram mas foram autênticos homicídios: o gesto no ar, sem consequência, testemunhava a intenção. Vi o poder dos dedos. Mesmo sem puxar gatilho, mesmo sem gatilho a puxar, eles consumaram a morte em pensamento.

Vi a paixão e todas as suas cores. Envolta em diferentes vestes, adornada de complementos distintos, era o mesmo núcleo desesperado, a carne viva; E vi danças festejando a derrota do adversário, e cantos e fogos. Vi o sentido ambíguo de toda festa. Há sempre uma anti-festa ao lado, que não se faz sentir, e dói para dentro.

A política, vi as impurezas da política recobrindo sua pureza teórica. Ou o contrário… Se ela é jogo, como pode ser pura?… Se ela visa o bem geral, por que se nutre de combinações e até de fraude? Vi os discursos...”

Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 de maio de 1980, Caderno B. P. 1

História[editar | editar código-fonte]

O PDT é um dos mais tradicionais partidos criados após a abertura política no final do regime militar.

Década de 1980[editar | editar código-fonte]

Dando sequência ao processo de abertura política no país, o regime militar restabelece o pluripartidarismo e convoca as primeiras eleições gerais diretas (com exceção dos cargos de Presidente da República, prefeitos de capitais e prefeitos de cidades designadas como áreas de segurança nacional) em 1982. Com apenas um ano de existência, o PDT sai das eleições como o terceiro maior partido brasileiro, ficando atrás somente dos partidos tradicionais, PDS (substituto da ARENA) e PMDB (substituto do MDB), se apresentando como a primeira força de esquerda do país, posição que manterá até meados da década de 1990.

Nas eleições majoritárias (governos estaduais e renovação de 1/3 do Senado Federal) o PDT foi o único dos novos partidos a conseguir vitórias.

O PDS ganhou 12 estados, concentrando-se mais no Nordeste brasileiro, o PMDB ganhou 9 estados, e o PDT ganhou no Rio de Janeiro com Leonel Brizola para o governo estadual e Saturnino Braga para o Senado Federal.

Nas eleições proporcionais, o PDT elege 24 deputados federais, ficando atrás somente de PDS (235 deputados) e PMDB (200 deputados), e na frente do PTB (13 deputados) e do PT (8 deputados).

No plano nacional, o partido se posiciona como oposição ao governo do General João Figueiredo.

Pouco tempo depois, Leonel Brizola e o PDT, junto com os outros partidos e lideranças partidárias consideradas progressistas, lideram a Campanha das Diretas Já! em favor da realização de eleições diretas para o cargo de Presidente da República. Apesar da grande manifestação popular em favor da aprovação da Emenda Dante de Oliveira pelo Congresso Nacional em 1984, ela não foi aprovada por uma diferença mínima de apenas 22 votos, sendo as próximas eleições presidenciais realizadas indiretamente através de um Colégio Eleitoral.

Durante a eleição indireta, o PDT apoia a eleição do candidato do PMDB, Tancredo Neves, que consegue a vitória graças à dissidência da candidatura governista, a chamada Frente Liberal, que insatisfeita com a escolha do candidato do PDS, Paulo Maluf, apoiou a candidatura de Tancredo Neves.

Com a morte de Tancredo Neves, assume em seu lugar o vice-presidente de sua chapa, José Sarney, dissidente do PDS/ARENA e integrante da Frente Liberal.

Tendo em vista esse acontecimento, o PDT se posiciona como oposição ao governo José Sarney.

Em 1985, nas primeiras eleições diretas para municípios capitais de estado, o PDT ganha o controle da cidade do Rio de Janeiro com a eleição de Saturnino Braga, e de Porto Alegre com Alceu Collares.

Em 1986, ano eleitoral, o presidente José Sarney lança o Plano Cruzado, criticado abertamente por Brizola. Após sucesso inicial do plano com o estancamento da crise econômico-financeira pela qual o país passava, o partido do presidente, o PMDB elege 22 dos 23 governos estaduais.

Apesar da boa avaliação do PDT, o partido não consegue eleger o vice-governador fluminense Darcy Ribeiro como sucessor de Brizola, graças ao Plano Cruzado, que beneficiou seu rival do PMDB, Moreira Franco, que Brizola o apelidara como "gato angorá". Moreira Franco, ex-PDS, era apoiado por partidos de centro-direita: PFL, PTB, PL e outros. Pouco tempo depois das eleições, o plano se mostra um fracasso, confirmando as declarações de Brizola, e a crise volta.

Confirmando sua ascensão, nas eleições municipais de 1988, O PDT elege prefeito de quatro capitais: Marcello Alencar no Rio de Janeiro, Jackson Lago em São Luís, Jaime Lerner em Curitiba, e Wilma de Faria em Natal.

Em 1989, com a primeira eleição direta para o cargo de Presidente da República, o PDT lança como seu candidato Leonel Brizola. Depois de uma campanha acirrada, Brizola chega em terceiro lugar perdendo uma vaga no segundo turno por uma diferença de apenas 0,5% dos votos para o segundo colocado, o candidato do PT, Luís Inácio Lula da Silva.

No segundo turno o PDT apoia a candidatura de Lula, que perde a eleição para o candidato conservador do pequeno PRN, Fernando Collor de Melo, apoiado pelas forças conservadoras e com grande apoio da mídia (lembre-se a edição manipulada do último debate presidencial a favor de Collor pela Rede Globo).

Juventude Socialista[editar | editar código-fonte]

No processo de redemocratização, com a formação do Partido Democrático Trabalhista (PDT) em 26 de maio de 1980 - fruto da perda da sigla do PTB pelo grupo de Ivete Vargas - seria necessário a criação de uma juventude que dialogasse com o segmento jovem os valores do trabalhismo, com uma perspectiva de âmbito socialista. Dois núcleos seriam formados, a partir de 1978, sendo denominados de "Juventude Trabalhista do PTB". No RJ, era liderado por Alfredo Sirkis, enquanto que, no Rio Grande do Sul, teria a liderança de Calino Pacheco Filho.

No retorno de Brizola ao Brasil em 07 de setembro de 1979, na cidade de São Borja, um conjunto de jovens carregaria uma faixa com o slogan "Juventude Trabalhista, Popular e Socialista". Ele inspiraria mais tarde a formação da futura Juventude do PDT que, em seu I Encontro Nacional, entre os dias 14 e 15 de fevereiro de 1981, teria como tema o mesmo slogan da faixa utilizada em setembro de 1979.

A Juventude Trabalhista do PDT (JT), fundada oficialmente em 15 de fevereiro de 1981, se constituiu numa organização política de jovens que se configurava na luta e na defesa pela soberania nacional, pelo nacionalismo democrático-popular, pelo trabalhismo e pela defesa dos ideais socialistas. Estiveram presentes 123 delegados, oriundos de 10 estados e mais o Distrito Federal, com o destaque às bancadas de delegados oriundos do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Entre seus componentes, circulavam social-democratas, socialistas e comunistas - associados à corrente prestista. Embora o nome inicial em destaque fosse Alfredo Sirkis, entretanto, após a cisão das bancadas do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e de Minas Gerais, Anacleto Julião seria o primeiro presidente desta nova organização juvenil.

No seu I Congresso Nacional (23 e 24 de janeiro de 1982), na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, a JT reconduziria Anacleto Julião para a Presidência da Juventude, com Hélio Rabelo na Vice-Presidência e Milton Zuanazzi como Secretário-Geral. Foram também escolhidos ao primeiro Diretório Nacional 30 membros titulares e 15 suplentes. A JT somente se transformaria na Juventude Trabalhista e Socialista (JTS) no seu II Congresso Nacional, realizado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, entre os dias 12 e 14 de outubro de 1983 - uma vez que, embora boa parte dos quadros juvenis fosse de viés prestista e socialista, a escolha da sigla JS teria resistência inicial do próprio Leonel Brizola - que cria na Juventude nos moldes da antiga Mocidade Trabalhista do PTB pré-1964. Anacleto Julião estava confirmado como o Presidente da Juventude e seu Vice-Presidente seria Hélio Rabelo.

Entretanto, entre 1° e 3 de fevereiro de 1985, o III Congresso Nacional da JTS consagraria o nome da juventude do PDT como Juventude Socialista (JS), com a aprovação de uma forte bancada constituída por marxistas e, em destaque, os oriundos do segmento prestista e do Coletivo Gregório Bezerra (CGB). Seu novo presidente seria Carlos Alberto Tejera De Ré (Minhoca) e a sua Vice-Presidente era Izaura Gazen. Dentre os quadros proeminentes com presença neste congresso, com a presença de mais de 500 delegados, estava Vieira da Cunha. Mais tarde, Izaura assumiria a presidência desta agremiação a partir do IV Congresso Nacional da JS (novembro de 1986) até a realização do V Congresso Nacional (23 de junho de 1989), onde Anthony Garotinho, Miguel Zuanazzi e Fábio Maciotti fariam parte do inédito triunvirato para assumir o comando da Juventude, em um congresso bastante controvertido. Nesta etapa, já havia dentro da JS quadros de envergadura como André Figueiredo, Julio Cesar Chaise, Aurélio Fernandes, Ronaldo Selle, Jerry Abrantes, Giles Azevedo e Léo de Souza. O retorno ao presidencialismo, entretanto, apenas voltaria em junho de 1996, com a realização do VIII Congresso Nacional em Curitiba, com a posse de Flávio Zacher e a presença, na Executiva Nacional, de quadros como Sandro Alencar e André Menegotto.

Na JS, surgiram grandes expoentes do trabalhismo, além de ter uma participação destacada nos movimentos juvenis, como a UNE e a UBES. Na UBES, a JS já teria participação em meados da década de 1980, tornando-se a 3ª maior força política desta entidade. Na UNE, embora a JS esboçasse a sua entrada em 1986, com a candidatura de Aurélio Fernandes à Vice-Presidência da Região Sudeste na chapa de oposição PT-PDT-PRC, o primeiro Diretor da UNE pela JS seria Ivanilson Gomes, no 41° Congresso da UNE, em 1991. A partir de meados para o final da década de 1990, a JS passaria a ter quadros destacados na UNE, na UBES e nas demais entidades estudantis estaduais, como Flávio Zacher, Luiz Klippert, André Luiz Bernardes, André Menegotto, Sandro Alencar, Márcio Bins Ely, Sósthenes Macedo, Weverton Rocha, Saney Sampaio, Carlos Brum e Henrique Matthiesen. Destes, a JS lograria com a presença de Zacher (1995-1997), Klippert (1997-1999), Sósthenes (1999-2003) e Saney (2003-2005) na Secretaria-Geral da UNE, além da presença de André Luiz Bernardes (1999-2000) e de Henrique Matthiesen (2000-2003) na Vice-Presidência da UBES.

A partir das suas bandeiras, a JS, ao longo de sua existência, imprimiu marcas que conduziriam ao PDT lograr a sua coerência política, em momentos cruciais - inclusive, nas eleições de 2006, ao conseguir que a agremiação trabalhista não apoiasse nenhum dos candidatos, na defesa dos princípios ideológicos.

Durante o XII Congresso Nacional da JS, em Belo Horizonte-MG, nos dias 03 e 04 de dezembro de 2005, o ex-Ministro do Trabalho e Emprego Brizola Neto (PDT-RJ) seria eleito como Presidente da Executiva Nacional da JS. Em 2007 a presidência foi ocupada pelo gaúcho Luizinho Martins que assumiu após o XIII Congresso na Cidade do Rio de Janeiro. Na sua gestão, a JS se consolidaria em praticamente todas as unidades da federação do país. Em 2009, no XIV Congresso Nacional realizado em Praia Grande - SP, Luizinho Martins foi reeleito. Entretanto, em janeiro de 2011, Luizinho se licenciaria e, em seu lugar, assume Everton Wan-Dall. Depois, Weverton Rocha tomaria as funções presidenciais em outubro de 2011, até o retorno de Luizinho Martins às suas funções em janeiro de 2012. No XV Congresso, Luiz Marcelo Camargo seria eleito Presidente, tendo como o seu 1° Vice-Presidente o carioca Everton Gomes e o 2º Vice-Presidente, o cearense Julio Brizzi.

Na atual gestão, dentre outras atividades, a JS participou efetivamente 55° Conselho Nacional de Entidades Gerais (CONEG), na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e nos 50º, 51º e 52º Congressos da União Nacional dos Estudantes (CONUNE), com a participação destacada com o MOVIMENTO REINVENTAR, a partir da construção das suas teses "Reinventar o Brasil e o Movimento Estudantil" e “Pátria amada, Brasil”, além de retornar, após 10 anos, à UBES, no seu 39° Congresso, realizado no início de dezembro de 2011 em São Paulo.

Congressos da Juventude Socialista[editar | editar código-fonte]

  • Encontro Nacional da JT - 14 e 15 fev 1981 (Rio de Janeiro (cidade)
  • I Congresso Nacional da JT - 23 e 24 jan 1982 (Rio de Janeiro)
  • II Congresso Nacional da JT - 12 a 14 nov 1983 (Rio de Janeiro)
  • III Congresso Nacional da JTS - 1º a 3 fev 1985 (Niterói)
  • IV Congresso Nacional da JS - 27 a 29 nov 1987 (Rio de Janeiro)
  • V Congresso Nacional da JS - 23 jun 1989 (Brasília) - Realizado junto com a Convenção Nacional do PDT
  • VI Congresso Nacional da JS - 15 a 17 nov 1991 (Vitória (Espírito Santo)) - "Refundação" da JS
  • VII Congresso Nacional da JS - 27 a 30 jan 1994 (Cuiabá)
  • VIII Congresso Nacional da JS - 31 de maio a 02 jun 1996 (Curitiba)
  • IX Congresso Nacional da JS - 26 e 28 março 1999 (Rio de Janeiro)
  • X Congresso Nacional da JS - jun 2001 (Brasília)
  • XI Congresso Nacional da JS - 29 e 30 nov 2003 (São Paulo (cidade)
  • XII Congresso Nacional da JS - nov 2005 (Belo Horizonte)
  • XIII Congresso Nacional da JS - 14 a 16 nov 2007 (Rio de Janeiro)
  • XIV Congresso Nacional da JS - 12 a 15 nov 2009 (Praia Grande (São Paulo))
  • XV Congresso Nacional da JS - 1° a 3 jun 2012 (Fortaleza)

Juventude Socialista Do PDT do Estado de São Paulo[editar | editar código-fonte]

A última Juventude Socialista do PDT a ser organizada foi a do estado de São Paulo,que contou com o aval do Presidente Nacional da JS PDT Luiz Marcelo Camargo e de toda executiva da Js, O presidente nacional da JS esteve presente na sede do PDT paulista na cerimônia de posse da JS Paulista um momento histórico para a Juventude Pedetista , o único estado que não tinha a JS PDT organizada. A primeira comissão provisória da JS PDT formada no estado de São Paulo, conta com os seguintes membros e cargos:

Presidente: Eduardo Alves (São Paulo), [2]


 Vice Presidente: Kaio Ruiz (Bauru) , 


 Vice Presidente: Odair Costa (Guarulhos), ''''


 Secretario Geral: Ewerton Roberto (Barretos), ''''


 Secretario de Comunicação: Regis Renzi (Mogi das Cruzes) , ''''


 Secretaria de Mulher: Tulasi Schot (Osasco) , ''''


 Secretaria de Formação Politica: Renatas Paredes (Osasco), ''''


 Secretario de Esportes: Foca (Americana), ''''


 Secretario de Movimentos Estudantil: Bruno ( Barueri).

Atuação durante a Assembleia Nacional Constituinte[editar | editar código-fonte]

Nas eleições de 1986, o PDT elege 24 deputados federais, que viriam a ser constituintes durante esta legislatura.

A atuação do PDT durante a Constituinte foi marcada pela defesa dos temas nacionalistas.

O partido apoiou o presidencialismo, a jornada semanal de 40 horas, o monopólio estatal do petróleo e se posicionou contra os cinco anos de mandato para o Presidente José Sarney.

Década de 1990[editar | editar código-fonte]

As eleições de 1990 marcam o apogeu do PDT com a eleição de 3 governadores de estado, Leonel Brizola no RJ, Alceu Collares no RS, e Albuíno Azeredo no ES. Além disso, elegeu 46 deputados federais, a melhor performance eleitoral de toda a sua história.

No plano nacional o partido se posicionou como oposição ao governo Collor.

Apesar de as eleições de 1990 terem sido o auge do partido no campo eleitoral, sua situação ao longo da década será de declínio, acentuado após as eleições de 1994, passando a dividir com o PT a liderança da esquerda no plano nacional, vindo até mesmo ser ultrapassado por este no fim da década.

Isso se deu em grande parte em razão do criticado desempenho de seus governadores e da demora de tomada de posição a favor das investigações contra o Presidente Collor. É nesse período que figuras importantes do partido começam a criar dissidência e sair do partido como por exemplo, César Maia, Marcello Alencar, Saturnino Braga e Jamil Haddad no Rio de Janeiro.

Com as primeiras denúncias de corrupção contra o ex-presidente Fernando Collor, o PDT não apoiam de imediato as pressões para a instalação de uma CPI, só vindo a mudar de posição pouco tempo depois com o agravamento das denúncias. A partir daí, o PDT entra fortemente na luta pelo impeachment do presidente Collor.

Afastado da presidência pelo Congresso Nacional, Itamar Franco assume o poder. Durante seu governo, é realizado um plebiscito para a escolha do sistema de governo no país, e o PDT é o único partido que se posiciona desde o início a favor do presidencialismo. Com o não avanço das ideias parlamentaristas, vários partidos começam a mudar de posição e a defender também o presidencialismo, que sai vitorioso.

Na mesma época, o PDT se empenhou firmemente no combate à Revisão Constitucional, que fracassou.

Nas eleições gerais de 1994, o PDT apresenta mais uma vez Leonel Brizola como candidato a presidente, conseguindo porém, apenas a 5ª colocação.

Na Bahia, o prefeito Humberto Soares Leite, é filiado ao partido.

Para os governos estaduais, o PDT consegue eleger somente 2 governadores, Jaime Lerner no estado do Paraná, que pouco tempo depois se muda para o PFL, e Dante de Oliveira, no Mato Grosso, que mais tarde, engrossaria as fileiras do PSDB, perdendo o PDT o controle de qualquer governo estadual, sofrendo um processo de esvaziamento. O partido elege 34 deputados federais e 4 senadores.

Com a vitória do candidato do PSDB, Fernando Henrique Cardoso para o cargo de Presidente da República, e a sua consequente reeleição em 1998, o quadro político brasileiro inicia um período político relativamente estável e sem alteração até o início dos anos 2000. O PDT, considerando o governo de FHC neoliberal e destruidor da chamada Era Vargas, e junto com o PT se posiciona firmemente como oposição a seu governo, chegando até mesmo a fazer campanha pela sua renúncia. É a partir deste período que o PDT perde a liderança na esquerda para o PT.

Nas eleições municipais de 1996,o PDT consegue 9% dos votos nacionais, permanecendo como o quinto maior partido nacional, e nas eleições de 1998, o PDT resolve formar uma coligação com PT, tendo Leonel Brizola como vice na chapa de Lula. Apesar da união dos dois principais partidos de esquerda, a chapa consegue apenas um segundo lugar, conseguindo o Presidente FHC se reeleger. Já para a Câmara Federal, o PDT elege uma bancada de 25 deputados.

Em relação aos governos estaduais, o PDT volta a eleger um governador, Anthony Garotinho no Rio de Janeiro, porém antes de terminar seu mandato, mais uma vez o PDT vê seus quadros serem diminuídos com a expulsão de Antony Garotinho e o consequente desligamento de seus correligionários.

Década de 2000[editar | editar código-fonte]

Com seu último grande esvaziamento, o PDT soma apenas 6,6% dos votos nacionais nas eleições municipais de 2000, ficando apenas como o sétimo maior partido nacional, caindo para a classificação de partido de porte médio.

Em 2001, após serem expulsos do PSDB, os irmãos Senadores Alvaro Dias e Osmar Dias, do Paraná, ingressam no PDT por convite de Leonel Brizola.

Nas eleições de 2002, o PDT resolve não lançar candidato a presidente, porém, forma a Frente Trabalhista com o PPS e o PTB apoiando a candidatura de Ciro Gomes que não obtém sucesso, conseguindo somente a quarta colocação. No segundo turno, o PDT resolve apoiar o candidato do PT, Lula, que vence a eleição contra o candidato da situação, José Serra do PSDB.

Em relação às eleições estaduais, o partido volta a eleger um governador com Waldez Goes pelo estado do Amapá e uma bancada de apenas 19 deputados federais.

Com a vitória de Lula, o PDT é convidado para fazer parte do governo através de sua ação no Ministério das Comunicações, tendo como seu ministro, o então deputado federal Miro Teixeira. Por discordar desse apoio, o Senador Álvaro Dias deixa o partido.

Após um ano de governo, entretanto, a primeira experiência governista do PDT chega ao fim. Discordando da política adotada por Lula, o partido rompe como governo, devolve todos os cargos aos quais ocupava no governo federal, passando a ser oposição.

Em junho de 2004, vitima de um infarto, o fundador e líder do PDT Leonel Brizola morre, levando a crer no fim de sua legenda. Porém, o desempenho do partido nas eleições municipais do mesmo ano deram um novo fôlego ao partido. Mesmo com a morte de Brizola o partido continuou na oposição. Após a crise do Mensalão, vários políticos migraram para o partido, entre eles o senador e ex-ministro da Educação de Lula, Cristovam Buarque.

Nas eleições de 2006, o PDT resolve lançar candidato à Presidência da República com a candidatura de Cristovam Buarque, que obtém apenas a quarta colocação com 3% dos votos. No entanto, para os cargos legislativos, o partido melhora seu desempenho, elegendo uma bancada de 24 deputados federais e 5 senadores, obtendo quase 6% dos votos nacionais, voltando a ser o quinto maior partido brasileiro, atrás apenas de PMDB, PT, PSDB e PFL.

No segundo turno, o PDT apoia novamente o candidato Lula, que vence a eleição contra o candidato oposicionista, Geraldo Alckmin do PSDB.

Com relação às eleições estaduais, o PDT elege 2 governadores, Waldez Góes no Amapá e Jackson Lago no Maranhão, pondo fim a 40 anos de predomínio da família Sarney no estado. Mesmo não sendo eleito, o Senador Osmar Dias atinge 49,90% dos votos no segundo turno das eleições para Governador do Paraná.

Devido ao apoio recebido pelo PDT no segundo turno das eleições, o PDT é novamente chamado a fazer parte do governo. Ao partido cabe colaborar com sua ação através do Ministério do Trabalho sendo seu titular, o então presidente do partido, Carlos Lupi, realidade que se mantém até a atualidade.

Nas eleições municipais de 2008, o PDT, elege somente o prefeito de uma capital, Roberto Góes em Macapá.

No cômputo geral, o PDT ficou com a sexta posição entre os partidos brasileiros em número de votos com 5,96 milhões de votos, atrás de PMDB (18,42 mi), PT (16,48 mi), PSDB (14,45 mi), DEM (9,29 mi) e PP (6,09 mi).

Esse grande número foi traduzido em um crescimento de aproximadamente 15% no número de prefeitos eleitos pelo PDT, que passou de 297 no primeiro turno de 2004 para 344 prefeitos eleitos no primeiro turno de 2008, ficando, porém, apenas na oitava posição atrás de PMDB (1194), PSDB (780), PT (548), PP (547), DEM (494), PTB (412) e PR (382) respectivamente.

Situação atual[editar | editar código-fonte]

Dados do TSE colocam o PDT na lista dos partidos grandes (mais de um milhão de filiados), como o quinto maior partido do país. Dentre as novas lideranças do partido, destacam-se José Antônio Machado Reguffe, do Distrito Federal; Pedro Taques, do Mato Grosso; Edio Hensel, José Fortunati e Vieira da Cunha, do Rio Grande do Sul; Brizola Neto, do Rio de Janeiro; Paulinho da Força e João Roberto Dado, de São Paulo; Gustavo Fruet, do Paraná; Manato, do Espírito Santo, André Figueiredo, do Ceará e Flávia Morais, de Goiás.

Os recentes anos do PDT caracterizam-se pela busca de um novo posicionamento político e ideológico após o falecimento de Leonel Brizola, seu principal líder e fundador. Há uma divisão entre os que continuam a defender os princípios trabalhistas e socialistas norteadores da elaboração da Carta de Lisboa (dotados de um posicionamento mais à esquerda que o próprio PT da presidente Dilma Rousseff) e os que reivindicam uma visão mais pragmática e conservadora da atividade política. Esses últimos em geral são políticos que já foram filiados a outros partidos.

Atualmente o PDT faz parte do governo Dilma, da mesma forma que apoiou Lula. Não conta com governadores em exercício dentro dos seus quadros. Seu último governador foi o do estado do Amapá, Waldez Góes.

Ranking da corrupção[editar | editar código-fonte]

Com base em dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral divulgou um balanço, em 4 de outubro de 2007, com os partidos com maior número de parlamentares cassados por corrupção desde o ano 2000. O PDT ocupa a sexta posição no ranking, com 23 cassações, atrás do DEM, PMDB e PSDB, PP e PTB.[3]

Bancada na Câmara dos Deputados[editar | editar código-fonte]

Composição atual[editar | editar código-fonte]

Deputados AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO
25 0 0 0 1 2 1 1 3 1 1 1 0 0 1 1 2 0 0 2 0 1 0 3 0 0 3 1

Bancada eleita para a legislatura[editar | editar código-fonte]

Legislatura Eleitos  % AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO Diferença
54ª (2011-2015)
26 5,07 0 0 0 1 4 1 1 3 1 0 2 0 0 1 1 1 0 0 3 0 0 0 3 0 0 3 1 +2
53ª (2007-2011)
24 4,68 0 1 0 1 3 0 0 2 0 2 2 1 0 1 0 1 0 1 3 0 0 0 3 0 0 3 0 +3
52ª (2003-2007)
21 4,09 0 0 0 2 1 0 0 1 0 3 2 0 0 1 0 0 0 1 3 0 0 2 3 1 0 1 0 -4
51ª (1999-2003)
25 4,87 1 0 0 0 1 0 0 0 0 1 1 0 0 1 0 0 0 1 7 0 2 0 4 2 0 4 0

Fonte: Portal da Câmara dos Deputados - Bancada na Eleição.

Participação do partido nas eleições presidenciais[editar | editar código-fonte]

Ano Candidato(a) a Presidente Candidato a Vice-Presidente Coligação Votos  % Colocação
2010 Dilma Rousseff (PT) Michel Temer (PMDB) PT, PMDB, PR, PSB, PDT, PC do B, PSC, PRB, PTC e PTN 55.752.529 56,05
2006 Cristovam Buarque Jefferson Peres sem coligação 2.538.844 2,64
2002 Ciro Gomes (PPS) Paulo Pereira da Silva (PTB) PPS, PTB e PDT 10.170.882 11,97
1998 Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Leonel Brizola (PDT) PT, PDT, PSB, PC do B e PCB 21.475.218 31,71
1994 Leonel Brizola Darcy Ribeiro sem coligação 2.015.836 3,18
1989 Leonel Brizola Fernando Lyra sem coligação 11.168.228 15,45

Cargos importantes ocupados por membros do PDT[editar | editar código-fonte]

Membros ilustres[editar | editar código-fonte]

Membros Históricos[editar | editar código-fonte]

Ex-membros de destaque[editar | editar código-fonte]

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]