Pasadena Refinery System Inc

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A Refinaria da Pasadena (Pasadena Refining System Inc. - PRSI) é uma refinaria localizada na cidade de Pasadena, no estado do Texas (Estados Unidos), que pertence à Petrobras com capacidade instalada para 106.000 mil barris/dia.

Histórico

Em agosto de 2000, um informe da Golnoy Barge Company, empresa que detinha 14% das ações da refinaria de Pasadena, aos outros sócios minoritários fala da preocupação dos sócios pequenos com a gestão de Henry Rosenberg, e seus dois filhos, à frente da refinaria. Eles estavam preocupados com uma operação financeira que Rosenberg tinha iniciado para ampliar sua participação acionária da refinaria e aumentar seu controle sobre ela.

O final da década de 90 tinha sido bem difícil para o negócio de refinaria. Em 1998, a Crown Central (nome antigo da refinaria de Pasadena) havia registrado fortes prejuízos, e ainda enfrentava inúmeros processos trabalhistas.

Segundo um artigo publicado no Oil Daily, o mercado desconfiava que Henry Rosenberg estava se preparando para vender a companhia. Até aí nada demais, a empresa era dele e ele podia vender quando quisesse. Acontece que ninguém confiava em Rosenberg, nem os sócios pequenos, muito menos os sindicatos.

A matéria informa que a Refinaria Crown registrou prejuízo de 829,4 milhões de dólares em 1998. Segundo a matéria, parte desse prejuízo se devia ao boicote que os sindicatos vinham fazendo à empresa. Era uma campanha popular. Ninguém queria comprar a gasolina vendida nos postos da Crown. A empresa, por sua vez, atribuía o prejuízo a situação do mercado, e lembrava que todas as empresas estavam amargando prejuízo aquele ano, o que era verdade.

O caso de Pasadena, contudo, era mais alarmante porque Rosenberg, dono da empresa, enfrentava um grave problema de crédito na praça. E não estava conseguindo renegociá-lo junto aos bancos.

No documento de agosto de 2000, da Golnoy Barge Company, somos informados que o mercado de refinaria se recuperou vigorosamente a partir do início da nova década. O faturamento líquido (EBITDALL) da Crown nos primeiros seis meses de 2000 totaliza US$ 66,6 milhões. O lucro líquido no primeiro semestre de 2000 atingiu US$ 5,6 milhões, comparado ao prejuízo de US$ 22 milhões no mesmo período de 1999.

Documento da Golnoy, sócios pequenos da refinaria, dão duas informações fundamentais para entender o preço pago pela Astra em 2005.

A Crown tinha promissórias junto a seus acionistas pelas quais “qualquer um que quisesse adquirir a Crown Central, em 2000, deveria estar preparado para refinanciar o débito de US$ 125 milhões”. Em 2003, esse débito teria subido para US$ 200 milhões. segundo documento dos próprios sócios da Crown.

A outra informação importante é sobre o valor dos estoques da Crown no ano 2000. Os sócios achavam que esses podiam ser US$ 83 milhões maiores do que o informado oficialmente pela empresa. A refinaria tinha capacidade para estocar mais de 6 milhões de barris, portanto o valor desses estoques poderia até ultrapassar US$ 1 bilhão. A volatilidade alucinante das cotações do petróleo e seus derivados, torna estratégico, para uma refinaria, ter uma boa capacidade de estoque, para ordenar a oferta e evitar vendas em momento inadequado.

Em 2004 a Astra junta-se à Crown (Pasadena) mediante a compra de seus estoques de petróleo e de seus derivados, a aquisição do controle acionário da refinaria pelo valor de US$ 42,5 milhões e assumindo a dívida milionária, mobilizou US$ 300 milhões, comprou estoques, e ainda fez investimentos de quase US$ 100 milhões para modernizar a refinaria.[1]

Em novembro 2005, a Petrobras assinou um Memorando de Entendimento com a Astra Oil Company ("Astra") com o objetivo de estabelecer uma operação conjunta de comercialização e refino nos EUA.[2] Em setembro de 2006, a Companhia concluiu a aquisição através de sua subsidiária Petrobras America Inc. (PAI). O valor total pago de US$ 360 milhões inclui US$ 190 milhões por 50% das ações e ainda US$ 170 milhões pelos estoques da refinaria.

Desentendimentos entre os sócios levaram a Astra a requerer o direito de vender seus 50% remanescentes à Petrobras. O direito da Astra Oil vender sua parte à Petrobras só existiu porque a estatal brasileira tinha direito à palavra final sobre os rumos e os investimentos futuros na refinaria. Se a Astra não estivesse de acordo, teria a opção de vender e a Petrobras, que como já se viu tinha o interesse em ficar à frente do negócio, teria a opção de comprar.

Assim, em laudo arbitral de abril de 2009 esse direito foi confirmado sendo fixado o valor de US$ 296 milhões pela segunda metade da refinaria, acrescido de US$ 170 milhões por sua parcela no estoque, totalizando, US$ 466 milhões.[3]

A esse montante foram acrescidos, ainda, US$ 173 milhões, conforme sentença arbitral proferida, correspondentes a reembolso de parte de uma garantia bancária pelos sócios, juros, honorários e despesas processuais. Com isso, o total objeto da decisão alcançou US$ 639 milhões, registrados na nota explicativa 11.4 das Informações Trimestrais - ITR do terceiro trimestre de 2009, divulgadas ao mercado em 13/11/2009.

Em 10 de março de 2010, a Corte Federal de Houston, Texas, EUA, confirmou Sentença Arbitral proferida em abril de 2009, a qual considerou que a PAI, seria a titular da refinaria de Pasadena e da sociedade de trading correlata (Trading Company).[4]

Finalmente, em junho de 2012, um acordo extrajudicial, que prevê o término de todos os litígios - arbitragem e outras causas judiciais - acrescidos de juros e custos legais pertinentes totalizou US$ 820 milhões. Parte desse montante, US$ 750 milhões, já vinha sendo provisionado para pagamento nas demonstrações financeiras da Petrobras, restando o complemento de provisão de US$ 70 milhões, a ser reconhecido no resultado da Companhia no segundo trimestre de 2012.[5]

A Petrobrás não adquiriu somente a refinaria de Pasadena. Ela comprou também a Astra Trading, que era o braço comercial da refinaria montado pela Astra quando a assumiu. Essa trading tinha recebido US$ 300 milhões da Astra. Não está claro se esse valor já embute os estoques. E não se sabe exatamente a dívida herdada pela Astra quando assumiu o controle da refinaria.

Segundo Graça Foster, a Petrobras irá manter a refinaria de Pasadena apesar dos prejuízos ocasionados e espera, com o tempo, revertê-los. Além disso, a Petrobras não tem disposição em fazer novos investimentos na refinaria de Pasadena ou vendê-la.[6]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://www.ocafezinho.com/2014/03/29/petrobras-chegou-a-hora-de-usar-o-blog/
  2. Memorando de Entendimento para refino nos EUA. Comunicados e Fatos Relevantes. Petrobrás (16 de Novembro de 2005). Página visitada em 26 de Junho de 2013.
  3. Exercício da Opção de Venda na Refinaria de Pasadena. Comunicados e Fatos Relevantes. Petrobrás (16 de Abril de 2009). Página visitada em 26 de Junho de 2013.
  4. Corte Americana confirma decisão sobre Refinaria de Pasadena. Comunicados e Fatos Relevantes. Petrobrás (12 de Março de 2010). Página visitada em 26 de Junho de 2013.
  5. Assinatura de Acordo: Refinaria de Pasadena. Comunicados e Fatos Relevantes. Petrobrás (29 de Junho de 2012). Página visitada em 26 de Junho de 2013.
  6. Chico de Gois (30 de Abril de 2014). Apesar de continuar a avaliar Pasadena como mau negócio, Graça descarta venda de refinaria. O Globo. Página visitada em 15 de Maio de 2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]