Passa Quatro

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Município de Passa Quatro
"Cidade Amiga"
Estação ferroviária de Passa Quatro

Estação ferroviária de Passa Quatro
Bandeira de Passa Quatro
Brasão de Passa Quatro
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 19 de janeiro
Fundação 1º de setembro de 1888
Gentílico passaquatrense
Prefeito(a) Paulo José de Almeida Brito
(2013–2016)
Localização
Localização de Passa Quatro
Localização de Passa Quatro em Minas Gerais
Passa Quatro está localizado em: Brasil
Passa Quatro
Localização de Passa Quatro no Brasil
22° 23' 24" S 44° 58' 01" O22° 23' 24" S 44° 58' 01" O
Unidade federativa  Minas Gerais
Mesorregião Sul/Sudoeste de Minas IBGE/2008 [1]
Microrregião São Lourenço IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Itanhandu, Itamonte, Resende (RJ), Queluz (SP), Lavrinhas (SP), Cruzeiro (SP), Marmelópolis e Virgínia.[2] [3]
Distância até a capital 432 0 km
Características geográficas
Área 276,568 km² [4]
População 15 578 hab. Censo IBGE/2010[5]
Densidade 56,33 hab./km²
Altitude 938 m
Clima tropical de altitude Cwa
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,777 alto PNUD/2000 [6]
PIB R$ 124 741,525 mil IBGE/2008[7]
PIB per capita R$ 7 884,55 IBGE/2008[7]
Página oficial

Passa Quatro é um município da Microrregião de São Lourenço, no estado de Minas Gerais, no Brasil. De acordo com o censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2000, sua população era de 14 885 habitantes e, em 2010, de 15 578. A sua área é de 277 km² e a densidade demográfica, de 53,73 habitantes por quilômetro quadrado. É uma estância hidromineral e região turística.

História[editar | editar código-fonte]

Inspeção das obras do túnel da estrada de ferro que contou com a participação do imperador dom Pedro II, em Passa Quatro, em 1882

No século XVI, toda a região do sul do atual estado brasileiro de Minas Gerais era território disputado entre vários povos indígenas brasileiros: a oeste, situavam-se os caingangues; ao sudoeste, situavam-se os tupiniquins; a sudeste, situavam-se os tupinambás e, a leste, situavam-se os puris. Remonta ao tempo da bandeira de Fernão Dias Paes Leme, em 1674, a origem dessa cidade encravada na Serra da Mantiqueira, no sul do Estado de Minas Gerais. Situada logo após um marco geográfico bastante notável na serra, a Garganta do Embaú, por onde passou a expedição liderada por aquele bandeirante, teve sua localização descrita em documentos que dão origem ao nome da cidade. Constam também expedições de Jacques Felix, fundador de Taubaté e seu filho de mesmo nome, em expedições anteriores, datadas de 1646, pela região, que podem ter dado origem ao povoamento mais antigo. Este caminho ficou conhecido, mais tarde, como Caminho Velho da Estrada Real. No caminho descrito por André João Antonil, consta o nome do Ribeirão do Passatrinta, logo após a descida da serra da Amantiqueira, mas segundo nota de Andrée Mansuy Diniz Silva, o nome atual desse afluente do Rio Verde é Passaquatro, ou Passa Quatro.[8]

A região começou a ser povoada mais ativamente na segunda metade do século XIX após ser elevado a Distrito em 1854, servindo de parada para quem atravessava a Mantiqueira e se dirigia à cidade de Pouso Alto pela Estrada Real (Caminho Velho). Em 1884, a antiga Estrada de Ferro Minas-Rio, construída pelos ingleses, contribuiu decisivamente para aumentar o povoamento e desenvolvimento da região, tendo tido em sua inauguração a presença do governante de então, o Imperador D. Pedro II. Em 1888, separou-se de Pouso Alto e emancipou-se como município de Passa Quatro pela Lei 3 657 de 1º de setembro, passando esse dia a ser feriado municipal em comemoração do Dia da Cidade.

A cidade teve como autor de seu projeto inicial de saneamento e coleta pluvial o engenheiro sanitarista Paulo de Frontin, que hoje dá nome uma das praças da cidade, localizada no largo da estação ferroviária.

Em 1912, a cidade abrigou uma expedição científica internacional cujo objetivo era estudar a ocorrência de um eclipse solar. Na ocasião, cientistas de diversos países, chefiados pelo astrônomo Henrique Morize, diretor do Observatório Nacional, compareceram junto com uma comitiva da qual fazia parte o Marechal Hermes da Fonseca, presidente da república. O fenômeno foi pouco observado devido às más condições atmosféricas naquele dia.

Foi palco de dois episódios militares do século XX, as revoluções de 1930 e 1932 (em tal Revolução, atuou como médico no hospital municipal o futuro presidente Juscelino Kubitschek). Em 1941 foi considerada Estância Hidromineral pelas propriedades medicinais de várias de suas fontes de águas óligo-minerais, radioativas na fonte, principalmente devido à grande concentração de radônio e torônio.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

A região de Passa Quatro em Minas Gerais possui mais de trezentos anos de história e cem anos como município. Abaixo podem ser vistos os principais momentos dessa história.

Século XVII[editar | editar código-fonte]

" ...a única passagem tranquila depois de uma garganta profunda de onde deve-se galgar a serra e passar quatro vezes o rio que se escorrega por um verde e espaçoso vale. Chegarás assim a um pouso".

Transcrição dos Manuscritos da Expedição de Fernão Dias Paes, 1674

Século XVIII[editar | editar código-fonte]

  • 1º de novembro de 1717: O Conde de Assumar passa pela região de Passa Quatro, durante sua viagem do Rio de Janeiro a Mariana, para assumir o cargo de primeiro governador da capitania de Minas Gerais.
  • 1733: Pedido de Domingos Rodrigues Correia ao governador da Capitania das Minas a fim de obter uma sesmaria, alegando ter sido o primeiro povoador das terras ao sul onde vivia “com mulher e filhos e mais família”. Afirmava, também, que tal sesmaria lhe havia sido concedida pelo Conde de Assumar, mas como não tinha provas disso refazia o pedido.
  • 2 de outubro de 1733: Concessão de Carta de Sesmaria, pela Coroa Portuguesa, a Domingos Rodrigues Correia, dando-lhe posse de “meia légua de terra em quadra” (1 089 hectares ou 10,89 quilômetros quadrados) no sítio então já denominado Passa Quatro.
  • 1750: Construção da primeira igreja no local.

Século XIX[editar | editar código-fonte]

''Lei nº 3657 de 1º de setembro de 1888 - Eleva à categoria de Villa, sem foro, a freguezia de Passa Quatro.
O Barão de Camargos, Vice-presidente da Provícia de Minas Geras: Faço saber a todos, os seus habitantes, que a Assembleia Legislativa Provincial decretou, e eu sanccionei a lei seguinte:
Art. único. Fica elevada à categoria de villa, sem foro, a freguezia de Passa Quatro; revogadas as disposições em contrário.
Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nella se contem. O secretário desta Provícia a faça imprimir, publicar e correr, dada no Palácio da Presidência da Província de Minas Geraes, ao primeiro dia do mez de setembro do anno do nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e oitenta e oito, sexagésimo sétimo da Independência e do Império.
Barão de Camargos

Sellada e publicada nesta Secretaria, aos 20 de outubro de 1888. Servindo de Secretário Pedro Queiroga Martins Pereira

  • 2 de março de 1822: Chegada à região da missão científica do naturalista Auguste de Saint-Hilaire.
  • 1850: Fundação do arraial de Passa Quatro pelo casal José Ribeiro Pereira e Ana Mota Pais.
  • 11 de maio de 1853: Instituição canônica da primeira capela.
  • 24 de maio de 1854: Criação do distrito de Passa Quatro, pertencente ao município de Baependi e estabelecimento de suas divisas territoriais pela Lei Provincial n° 693, art. 2° e art. 5°.
  • 13 de julho de 1868: Criada a paróquia de São Sebastião de Passa Quatro, pela Lei Ministerial n° 1.493, sendo designado seu primeiro vigário, o padre José Narciso da Silva Soares'.
  • 19 de dezembro de 1874: A freguesia de Passa Quatro é incorporada ao município de Pouso Alto pela Lei Provincial n° 2.461
  • 3 de junho de 1876: O Governo Imperial do Brasil aprova o projeto de construção de uma ferrovia no sul de Minas Gerais ligando a capital federal ao centro do estado.
  • 11 de junho de 1876: Criação da primeira escola pública de instrução primária, aberta exclusivamente para o sexo masculino, pela Lei Provincial n° 2.301.
  • 21 de abril de 1881: Início da construção da Estrada de Ferro Minas e Rio pela “The Minas and Rio Railway”, ligando Cruzeiro (São Paulo) a Três Corações do Rio Verde (Minas Gerais).
  • 5 de maio de 1883: Inauguração do túnel da Mantiqueira, ligando São Paulo a Minas Gerais, contando com a presença da comitiva imperial, que foi fotografada por Marc Ferrez.
  • 14 de junho de 1884: Inauguração da Estrada de Ferro Minas e Rio pelo Imperador D. Pedro II
  • 25 de junho de 1888: Envio de um abaixo-assinado pela população passaquatrense à Assembleia Legislativa da Província, solicitando a criação do município. Tal petição foi assinada por 134 cidadãos entre os quais se encontravam: Antônio Ribeiro Pereira, que era fazendeiro e juiz de Paz, Francisco Ribeiro da Mota, segundo juiz de Paz, Esmeraldo Francelino da Silva, professor público, Ângelo Rafael D'Alessandro, negociante, Bernardo da Silva Brito, diretor do Atheneu Passaquatrense, José Fernandes de Barros, padeiro, Joaquim José Diniz, açougueiro, Frederico Marques, Antonio Gianetti, artífice, Cirilo Guedes, caixeiro, Henrique Turner, artífice, Antônio Luz da Silva Pinto, negociante, Citti Natalli, negociante, G. Powell, inspetor da Empresa Minas and Rio Railway, Robert H. Powell, estudante, Cláudio Vieira da Mota, foguista, João Correia da Silva, lavrador, Joaquim Rodrigues Nogueira, maquinista, e Artur Tibúrcio Ribeiro, caixeiro.
  • 7 de junho de 1888: Emissão de um ofício da câmara municipal de Pouso Alto à Assembleia Legislativa Provincial com moção de aprovação e apoio à pretensão do povo da cidade.
  • 1º de setembro de 1888: Criação do município de Passa Quatro pela Lei Provincial n° 3.657, transcrita ao lado na ortografia da época. Por este motivo a data é comemorada hoje como aniversário da cidade e também é feriado municipal.
  • 13 de dezembro de 1890: Instalação da Câmara Municipal de Passa Quatro, posse dos primeiros vereadores e do Presidente Coronel Antônio Ribeiro Pereira.
  • 31 de janeiro de 1892: Primeira eleição para a câmara municipal.
  • 19 de março de 1892: Inauguração do cemitério municipal. Outras fontes apontam a data de 1 de janeiro de 1900.

Século XX[editar | editar código-fonte]

Vista do Centro da Cidade e, ao fundo, a Serra da Mantiqueira
  • 1907: Inauguração do primeiro estabelecimento comercial destinado a ser um cinema.
  • 1908: Instalação do Sistema de águas e esgotos da cidade com apoio técnico do Dr. Arlindo Gomes Ribeiro da Luz e do Dr. Paulo de Frontin.
  • 1911: Inauguração do primeiro estabelecimento bancário.
  • 15 de novembro de 1911: Inauguração da Usina Hidroelétrica da Gomeira que passou a fornecer energia elétrica à cidade.
  • 29 de junho 1912: Inauguração do Posto Meteorológico, ainda em funcionamento, e que faz parte, atualmente, da Rede de monitoramento meteorológico do INMET.
  • 1912: Passa Quatro recebe a presença de várias personalidades e uma missão científica composta por estudiosos brasileiros e estrangeiros para observação de um eclipse solar total. Naquela época a cidade foi considerada a melhor localização para a observação do fenômeno. Em Passa Quatro a maioria dos observadores ficaram hospedados no sítio do sobrado do senhor Rodolpho Hess. Hoje o sítio ainda existe, mas a casa original foi demolida, e uma nova foi feita em 1916. Hoje em dia, a casa é patrimonio histórico de Passa Quatro. Entre as autoridades presentes, encontravam-se o presidente da República, marechal Hermes da Fonseca, o vice-presidente, Venceslau Brás, e o diretor do Observatório Nacional, Prof. Henrique Charles Morize.
  • 1º de janeiro de 1913: Inauguração do Orfanato Lar Santana.
  • 30 de setembro de 1921: É realizado um contrato para instalação de uma rede telefônica entre a prefeitura e Ângelo Rafael D'Alessandro.
  • 1925: Elevação da vila de Passa Quatro à categoria de cidade.
Soldados em frente a boca paulista do Túnel da Mantiqueira ligando os municípios de Cruzeiro (SP) a Passa Quatro (MG)
  • 14 de julho de 1932: Tropas constitucionalistas paulistas invadem a cidade e explodem a ponte ferroviária nas proximidades da rua Tenente Viotti
  • 29 de julho de 1935: Criação da comarca de Passa Quatro, conforme o decreto Estadual n° 155. Foi instalada no ano seguinte.
  • 1943: Fundação da primeira Assembleia de Deus no município.
  • 23 de novembro de 1954: Inauguração da Rádio Clube de Passa Quatro, hoje Rádio Mineira do Sul.
  • 1968: Pavimentação asfáltica da rodovia MG-158, ligando Passa Quatro a Itanhandu e o alto da Serra, onde passa a se denominar SP-52.
  • 23 de março de 1985: Criação da Escola Estadual Nossa Senhora Aparecida, conforme do Decreto Estadual nº 24540.
  • 29 de dezembro de 1985: Criação da Casa da Cultura de Passa Quatro.
  • 1º de setembro de 1988: Centenário da criação do município com festejos e a adoção oficial da data comemorativa da criação.
  • 2000: Estudo científico e construção de um Modelo Digital de Terreno (MDT) do Maciço Alcalino do Itatiaia e Passa Quatro, publicado pela UNESP.[9]

Século XXI[editar | editar código-fonte]

  • 2008: Tombamento do Núcleo Histórico da cidade, de acordo com a Lei Municipal n. 1.766/07.[10]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Cachoeira de Iporã na Floresta Nacional de Passa Quatro

Apesar de não ser a cidade brasileira situada em altitude mais elevada, o município encontra-se entre as regiões mais altas do país, apresentando o quinto mais alto pico brasileiro, a Pedra da Mina (2798 m), localizado na Serra Fina e ponto culminante da Serra da Mantiqueira e do estado de São Paulo, com o qual o município faz divisa. Aliás, nos limites do município também se encontram o Pico dos Três Estados, marco geodésico da divisa entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro e muitos outros picos elevados a mais de dois mil metros de altitude, tornando-a uma localidade onde se pratica o montanhismo. O relevo montanhoso está presente em 90% do município, sendo considerado ondulado em 8% e plano somente 2%, onde se encontra a maior parte do centro urbano.[11]

Na região do Maciço Alcalino de Passa Quatro são encontrados dois perfis de alteração de rochas alcalinas, que resultam lateritas aluminosas. São encontrados depósitos de bauxita ao longo dos perfis geológicos de toda a encosta.[12]

O município é cortado pelo Rio Passa Quatro e pelo Rio das Pedras, que são parte integrante da bacia do Rio Grande.

Inúmeras paisagens cênicas naturais, como cachoeiras e matas nativas, além das montanhas, preenchem a região que se encontra praticamente equidistante (cerca de 270 km) dos dois principais polos geradores de fluxo turístico do Brasil, as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

Por este motivo, atualmente, a cidade tem apresentado forte desenvolvimento no setor turístico, notadamente com o ecoturismo, o que vem mudando sua vocação tradicionalmente agrícola e de criação de gado leiteiro.

Limites[editar | editar código-fonte]

Os municípios limítrofes a Passa Quatro são: Itanhandu ao norte e nordeste, Itamonte (apenas poucas centenas de metros de divisa na região da Serra dos Ivos) a lés-nordeste, Resende (RJ) a sudeste, Queluz, Lavrinhas e Cruzeiro (SP) ao sul, Marmelópolis e Virgínia a oeste.[2] [3]

Rodovias[editar | editar código-fonte]

O município é servido pela MG-158, rodovia estadual de pista simples, mão dupla e sem acostamento em grande parte de sua extensão. Ele se liga ao estado de São Paulo pela SP-052, na divisa dos dois estados. Existem outras vias não pavimentadas e estradas rurais municipais que fazem acesso às diversas localidades do município e ainda levam aos municípios de Virgínia e Marmelópolis. O município ainda conta com ruas calçadas de paralelepípedos, na maior parte do centro da cidade, de terra batida, nas regiões periféricas e, algumas poucas, asfaltadas.

Clima[editar | editar código-fonte]

A cidade possui um Clima tropical de altitude, com estações bem marcadas.

A temperatura média na cidade é baixa no inverno e relativamente amena no verão. A média anual de chuva na cidade é de 1.577 milímetros. As maiores temperaturas registradas na cidade são nos meses de dezembro e janeiro e as menores, entre junho e julho. Passa Quatro possui um clima Tropical de Altitude tipo Cwa, apresentando verões quentes, porém amenizados pela altitude da Serra da Mantiqueira e pela alta pluviosidade da estação. Seus invernos são secos e frios, (submetidos a forte geadas), devido à redução de chuva ocorrida durante o outono entre o fim de março até o fim de junho. O outono e a primavera são estações de transição entre o inverno e o verão e vice-versa.

Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura média mínima (°C) 18 17 16 13 10 8 7 8 12 14 16 17 13
Temperatura média máxima (°C) 28 29 29 27 25 24 24 26 27 27 28 28 27
Precipitação (mm) 280 231 170 71 58 36 25 33 76 132 185 280 1577
Fontes: INMET, Weather Channel e World Climate

Existem registros, inclusive fotográficos, de ocorrência de neve nos cumes mais altos do município em épocas recentes, sendo a última, de grande proporções, em 1985. Outros Gráficos:

PASSA QUATRO CLIMATE, FONTE: Somar Meteorologia
Climatologia

No município se encontra a Estação Climatológica Auxiliar, n° 83737, de tipo Convencional, do 5° Distrito de Meteorologia do INMET, situada a 920 m de altitude e nas coordenadas: 22° 23' S e 44° 58' O.

A estação meteorológica convencional é composta por vários sensores isolados, que registram continuamente os parâmetros meteorológicos tais como: pressão atmosférica, temperatura e umidade relativa do ar, precipitação, radiação solar, direção e velocidade do vento, etc. Esses parâmetros são lidos e anotados por um observador, em intervalos regulares, que os envia a um centro coletor por um meio de comunicação qualquer como telefone, fax, entre outros.

Em 20 de maio de 2007 foi inaugurada no município uma Estação Meteorológica de Observação de Superfície Automática que é composta de uma unidade de memória central ("data logger"), ligada a diversos sensores de parâmetros meteorológicos, tais como: pressão atmosférica, temperatura e umidade relativa do ar, precipitação, radiação solar, direção e velocidade do vento, entre outras. Esta estação integra os valores observados minuto a minuto e os envia automaticamente a cada hora para a sede do INMET que os armazena e processa. A antiga estação continua em funcionamento, por enquanto. Com a inauguração dessa estação é possível se acessar, através da página do INMET, as condições meteorológicas da cidade, desde a última medição até os dados históricos de algumas semanas antes da data em que se faz a pesquisa.

População[editar | editar código-fonte]

O município tem sua população regularmente medida pelo IBGE [13] e a evolução ao longo das últimas décadas é a apresentada no quadro abaixo, mas a população rural do município vem diminuindo porcentualmente, ao longo dos anos, enquanto as populações urbanas e totais aumentam, conforme pode ser visto na tabela a seguir, mas o ritmo diminuiu durante a última década:

Evolução populacional do município 1970-2010[13]
Ano Habitantes
2010
  
15.582
2007
  
15.285
2000
  
14.855
1996
  
14.168
1991
  
13.408
1980
  
12.046
1970
  
11.365
Fonte: IBGE
Ano Pop. Urbana  % Pop. Urbana Pop. Rural  % Pop. Rural
1970
6.665
58,6%
4.700
41,4%
1980
7.996
66,4%
4.050
33,6%
1991
9.149
68,2%
4.259
31,8%
2000
11.320
76,2%
3.535
23,8%
2010
11.985
76,9%
3.597
23,1%

Fonte: IBGE: Séries estatísticas e históricas.

Pirâmide etária do Município, segundo o IBGE, 2010

Educação[editar | editar código-fonte]

Segundo o IBGE [14] , em 2000, o município possuia 3.889 pessoas frequentando unidades de educação segundo a seguinte distribuição:

Ensino no município
Nível 2000[14]
Creche 105
Pré escola 587
Fundamental 2414
Ensino médio 661
Pré vestibular 3
Ensino superior 99
Mestrado ou Doutorado 3
Alfabetização de adultos 16

A distribuição dos habitantes segundo o grupo de anos de estudo é a seguinte:

Tempo de estudo da População
Faixa 2000[14]
Sem instrução e menos de 1 ano 813
1 a 3 anos 2432
4 anos 2910
5 a 7 anos 2091
8 anos 1069
9 e 10 anos 604
11 anos 1667
12 anos 28
13 anos 32
14 anos 121
15 anos ou mais 371
Não determinado 91

A taxa de alfabetização dos habitantes do município é de 92,7%, sendo 99,1% para crianças de 10 até 14 anos, 97,7% para adolescentes entre 15 e 19 anos e 91% para pessoas com mais de 20 anos. Apresentando um resultado geral melhor do que o do estado de Minas Gerais, que tem taxa de 89,7%.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Locomotiva 332 na plataforma da estação ferroviária
Passeio público na cidade, próximo à estação ferroviária

A cidade vem se firmando, nos últimos anos, como um polo de atração para o ecoturismo e o turismo rural. Em seu território se encontram diversas atrações turísticas como montanhas, cachoeiras, uma Flona, fazendas, pesqueiros entre outras atividades que favorecem a realização de atividades turísticas dessa natureza.

Também existem atividades turísticas relacionadas a festejos como o 'Corpus Christi', a Festa do Gado Leiteiro, o Carnaval, Festivais de Bandas, passeios ciclísticos, ralis etc.

Na cidade, atualmente, se encontra um passeio turístico no Trem da Serra da Mantiqueira que liga a estação local ao túnel ferroviário no alto da Serra da Mantiqueira, próximo à Garganta do Embaú, que foi palco de episódios militares durante a Revolução de 32.

Na cidade também pode se encontrar produtos típicos da região como doces e bebidas que trazem um aspecto gastronômico do interior aos turistas interessados em experimentar os sabores da culinária mineira do interior.

A localização da cidade, praticamente equidistante dos dois maiores centros geradores de demanda turística do Brasil: São Paulo e Rio de Janeiro, faz da sua localização um ponto privilegiado para a construção de pousadas e estabelecimentos voltados ao turismo, o que se viu nos últimos anos. No período de inverno, o fluxo de turistas procurando pelo clima tropical de altitude, com temperaturas geralmente abaixo de 0º Celsius, notadamente nas noites, e sem chuvas pronunciadas, aumenta e cria uma opção aos locais mais tradicionais de viagens de inverno. Algumas vezes é possível se ver formação de gelo no alto de suas montanhas, geadas nas áreas mais baixas e até algumas precipitações de neve já foram registradas nas montanhas mais altas.

Atrações culturais[editar | editar código-fonte]

Casarios

São construções realizadas na cidade desde o final do século XIX até as primeiras décadas do século passado. Formam um conjunto arquitetônico valorizado pela comunidade e recentemente tombados por serem reconhecidos como patrimônio histórico, arquitetônico e cultural a ser preservado.

Abastecimento da locomotiva 332 que faz o passeio turístico entre Passa Quatro e o túnel na divisa com a cidade de Cruzeiro-SP
Casa da Cultura e Biblioteca Pública Municipal

É um casarão do início do século passado, construído pela Família Hespanha, e depois sede do Banco Hypotecário e também sede da Prefeitura Municipal. Após ser reformado, o prédio foi adaptado para receber a Biblioteca Municipal e a Casa da Cultura. Em 2000 o imóvel foi tombado, o primeiro bem imóvel legalmente protegido da cidade, e passou a ser também sede do Patrimônio Histórico do Município.

Trem da Serra da Mantiqueira (Maria Fumaça)

Locomotiva “Maria Fumaça” da marca Baldwin de 1925 e de número 332 que era utilizada rotineiramente nas viagens ferroviárias do século passado. Atualmente conduz uma composição num passeio turístico cujo roteiro inicia na histórica estação de Passa Quatro, com uma parada para compras na Estação do Manacá, seguindo até à Estação Cel. Fulgêncio, no alto da Serra da Mantiqueira, junto à entrada do túnel na divisa de MG/SP. O trecho percorrido pertence a antiga The Minas and Rio Railway Company, que foi inaugurada em 1884 e na inauguração contou com a visita oficial de D. Pedro II.

Brasil Nota 10

É um museu de cenários históricos brasileiros modelados em miniatura, alguns com mais de 200 personagens, retratando momentos históricos do Brasil, como a Revolução de 32, que teve batalhas na cidade, a Revolução Farroupilha, Bandeirantes e Jesuítas, a Saga dos Pampas e outros.

Casa do Artesão

Espaço destinado à exposição e à venda do artesanato elaborado por artesãos locais.

Água mineral[editar | editar código-fonte]

O município possui diversas fontes de águas consideradas minerais. Uma delas é envasada e comercializada e possui as seguintes características físicas e químicas:

Características físico químicas e composição química
valores[15]
Temperatura da água na fonte 20,6 °C
PH a 25 °C 6,00
Resíduo de Evaporação a 180 °C, calculado 67,60 mg/L
Condutividade Elétrica a 25 °C 107uS/cm
Radioatividade na Fonte a 20 °C e 760mmHg 12,93 Maches
Bicarbonato 47,58 mg/l
Cálcio 7,71 mg/l
Sódio 7,05 mg/l
Sulfato 4,80 mg/l
Potássio 3,62 mg/l
Cloreto 2,88 mg/l
Magnésio 2,29 mg/l
Fluoreto 0,12 mg/l

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

Casa no centro da cidade

A Arquitetura apresentada pelas edificações da cidade é bastante eclética, mas destacam-se, sobretudo no centro, residências construídas durante as três primeiras décadas do século XX, que tomaram contornos inspirados em edificações portuguesas, francesas e italianas.

De acordo com a Lei Municipal n. 1.766/07, aprovada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural em 5 de julho de 2007, foi instituído o tombamento municipal do Núcleo Histórico do Centro Urbano de Passa Quatro, reconhecido através do Inventário de Proteção do Acervo Cultural de Passa Quatro, iniciado em 1998 e finalizado em 2008.

Todo o Núcleo Histórico (NH) do município foi registrado, caracterizando-o quanto as suas especificações arquitetônicas, tipológicas, paisagísticas, urbanísticas e de conservação. Para isso os imóveis foram separados em quatro categorias de proteção:

i) Grau de proteção 01: imóveis de extrema relevância histórica e/ou arquitetônica, considerados referências no NH;
ii) Grau de proteção 02: imóveis considerados como bens de interesse de preservação, cuja demolição é proibida, mas restrições para modificações e intervenções são menores do que as destinadas às edificações consideradas no grau anterior;
iii) Grau de proteção 03: imóveis considerados como bens de interesse de preservação, cuja demolição pode ser concedida a partir da análise e estudo específico do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Passa Quatro e desde que o novo projeto de ocupação do lote obedeça as diretrizes do tombamento do NH;
iv) Grau de proteção 04: imóveis considerados como bens sem interesse de preservação, mas encontram-se no perímetro de tombamento por resguardarem a ambiência do NH dentro desses limites; a demolição é permitida desde que o novo projeto de ocupação do lote obedeça as diretrizes do tombamento do NH;

O tombamento municipal do Núcleo Histórico do Centro Urbano de Passa Quatro foi regulamentado perante o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG) e as diretrizes para as áreas tombadas e entornos se encontram disponíveis para consulta na sede do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Passa Quatro.

Exemplos de bens tombados no NH

Feriados municipais[editar | editar código-fonte]

Personalidades nascidas no município[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CARNEIRO, Helena - Lembranças de Passa Quatro. Ed. Raízes, 1988.
  • CARNEIRO, Helena - Memórias de Passa Quatro. Ed. Raízes, 1988.
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Referências

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Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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