Passeata de 16 de maio

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Este artigo ou se(c)ção cita fontes fiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde fevereiro de 2013). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)

A Passeata de 16 de maio trata-se de um ato político ocorrido em 16 de maio de 2001, em Salvador, Bahia, contra o então senador Antônio Carlos Magalhães. A passeata contou com mais de oito mil pessoas, entre sindicalistas e principalmente estudantes, a maioria secundarista. O movimento foi brutalmente reprimido pela Polícia Militar da Bahia no campus da Universidade Federal da Bahia, bairro do Canela.[1]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Em 2001, ganhou repercussão a denúncia de que Antônio Carlos Magalhães teria cometido violação do painel eletrônico do Senado Federal do Brasil. Enquanto preparava sua renúncia para não ser cassado, diversas personalidades baianas, como a dançarina Carla Perez e a cantora Gal Costa, passaram a defendê-lo publicamente nos órgãos de comunicação detidos pelo político baiano.

Temerosos de que se criasse a impressão de uma Bahia pró-carlismo, diversos movimentos, incluindo sindicais, anarco-punks e estudantis, realizaram uma passeata no dia 10 de maio, com objetivo de chegar ao edifício Stella Maris, residência de Antônio Carlos Magalhães, e promover uma lavagem simbólica de suas escadarias. No entanto, os quase três mil manifestantes foram detidos pela Polícia Militar, sendo duramente reprimidos com gás lacrimogêneo e espancamentos em plenas ruas do bairro do Campo Grande, no centro da cidade. Alguns membros do movimento chegaram a ser detidos. O ato foi flagrado pelos principais veículos de comunicação do estado, exceto a Rede Bahia, retransmissora da Rede Globo no estado e de propriedade do senador.

O evento causou revolta e, desafiando ameaças da secretária de segurança do estado, os manifestantes tornaram a promover uma passeata, desta vez no dia 16, uma quarta-feira. A estratégia elaborada por uma comissão reunida na sede do Diretório Central dos Estudantes da UFBA era fazer com que a passeata seguisse pelo interior do campus da universidade federal, chegando ao edifício Stella Maris, no bairro da Graça, através de um acesso próximo à Faculdade de Direito. O fato de se tratar de uma área federal, em tese, impediria a presença de policiais militares, que por lei são proibidos de exercer suas funções nestes locais.

Com a chegada do dia 16, pela manhã, mais de oito mil pessoas seguiram o trajeto escolhido. Ao chegarem ao então viaduto Nelson Sampaio (rebatizado como viaduto 16 de Maio), já se encontrava, em torno da Faculdade de Direito e no vale do canela, uma força composta por centenas de homens da Polícia Militar da Bahia, contendo tropa de choque e cavalaria, em plena área federal, uma infração legal nunca antes vista, mesmo nos tempos de ditadura.

Durante quase uma hora, políticos de esquerda tentaram estabelecer uma negociação para permitir o prosseguimento do movimento, via bairro da Graça, sem sucesso. Já no período da tarde, após horas de espera por algum acordo, a Polícia Militar ofereceu aos líderes do movimento a opção de contornarem o bloqueio e se dirigirem ao vale do canela, descendo o viaduto.

Contudo, logo após tal medida, veio a ordem para que os PM's dispersassem os manifestantes, quando estes se dirigiam ao vale do canela, sendo que muitos deles, incluindo estudantes secundaristas, tentaram ultrapassar a barreira policial e foram gravemente feridos. A passeata se dividiu em três grupos dispersos: o que retornou pelo mesmo caminho, antes do viaduto Nelson Sampaio, o que foi compelido a tomar o vale do canela, e o grupo que foi sitiado, pela Polícia Militar, na Faculdade de Direito da Ufba.

Por quase uma hora e meia a Polícia Militar tentou desalojar estudantes que armaram barricadas no vale do canela, e os policiais chegaram a invadir algumas faculdades, como a de Direito, Administração e Medicina, e os Institutos de Educação e de Ciências da Saúde, destruindo vidraças e outras estruturas da universidade, buscando reprimir os estudantes.

O evento causou número não verificado de atingidos, mas estima-se que pode ter alcançado o número de cem feridos, a maior parte entre os manifestantes, constando alguns casos de lesões graves causadas por estilhaços de bombas, prolongada exposição a gás pimenta e lacrimogêneo e espancamentos.

A Passeata de 16 de Maio ganhou ainda mais repercussão. A mídia nacional retratou o episódio como um ato de extrema aberração legal e truculência contra um movimento público inteiramente legítimo, perpetrado pela Polícia Militar da Bahia, por ordem da Secretaria de Segurança Pública (então gerida pela Secretária Kátia Alves) e em função de autorização expressa do governador do estado na ocasião, César Borges - com respaldo do Senador Antônio Carlos Magalhães.

No dia seguinte, 17 de maio de 2001, mais de 20 mil manifestantes, incluindo Heonir Rocha, então reitor da UFBA, resolveram enfrentar novamente as forças do estado, e marcharam, em ato de repúdio e protesto, ao edifício Stella Maris, desta vez com sucesso e sem confronto com a polícia.

Referências

  1. PM baiana usa câmeras em passeata contra ACM Estadão (15/5/2001). Visitado em 24/11/2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Passeata de 16 de maio