Pauline Réage

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Anne Cécile Desclos (Rochefort , 23 de setembro 1907 - Corbeil-Essonnes, 27 de abril 1998) foi uma escritora, tradutora, editora e jornalista francesa, mais conhecida por suas obras de crítica literária e literatura erótica, respectivamente sob os pseudônimos de Dominique Aury e Pauline Réage. 1

Vida e obra[editar | editar código-fonte]

Nascida de uma família conservadora e católica, foi abandonada na tenra infância pela mãe, e criada de forma bilíngue (francês e inglês) pela avó, na Bretanha. Estudou mais tarde em Paris, nos Liceus Fénelon e Condorcet, tendo concluído seus estudos de inglês na Universidade de Sorbonne.

Na década de 1920, assumiu o pseudônimo jornalístico de Dominique Aury. Com ele, tornou-se conhecida e respeitada como crítica literária e tradutora, tendo apresentado aos leitores franceses importantes autores anglo-saxões, como Evelyn Waugh, Virginia Woolf, T.S. Eliot and F. Scott Fitzgerald.

No início da Segunda Guerra, conheceu Jean Paulhan, membro da Academia Francesa e diretor da revista literária Nouvelle Revue Française (que mais tarde se tornou a prestigiosa casa Gallimard), onde passou a contribuir. Anne e Paulhan se tornaram amantes, apesar da diferença de idade de 20 anos. Em 1946, Paulhan convidou-a a ocupar o cargo de editora da Gallimard. Durante a guerra, Anne participou do movimento de resistência e publicou uma antologia de poesia erótica francesa. 2

Anne trabalhou também com o famoso escritor francês André Gide na revista L'Arche.

Em função de sua carreira como crítica literária e tradutora, Dominique recebeu diversas homenagens importantes, como o Prêmio Clarouin (de tradução), o Grande Prêmio da Crítica Francesa e a prestigiosa Legião de Honra da França.

No ano de 1954, em plena maturidade, escreveu, sob o pseudônimo de Pauline Réage, o romance A História de O, que se tornou um dos ícones da literatura erótica do século XX. Nesta obra, com considerável coragem para a época, a autora aprofunda a análise das pulsões sexuais, desmistifica as práticas sadomasoquistas e concede respeitabilidade àqueles que buscam e encontram prazer sexual na submissão e na dor. Quinze anos mais tarde, em 1969, ainda como Réage, publicou uma continuação do romance, intitulada Retorno a Roissy.

A identidade real de Pauline Réage só foi ser revelada em 1994, em uma entrevista concedida à revista americana The New Yorker. Nesta entrevista, Anne contou também ter escrito "A História de O" em resposta ao fato de Jean Paulhan, um admirador da obra do Marquês de Sade, haver dito que "mulheres não eram capazes de escrever romances eróticos". 3

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]