Peão (xadrez)

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O Peão no modelo Staunton.

O Peão é uma peça menor do xadrez ocidental tomada como unidade de valor das peças de xadrez.

No início de uma partida, cada jogador tem oito peças que são dispostas nas fileiras 2 e 7, à frente das mais importantes peças de xadrez. O peão move-se verticalmente na coluna que encontra-se, sendo incapaz de recuar. No primeiro movimento, a partir do ponto de partida, pode avançar duas casas e, a partir daí, uma de cada vez.[1] Pode comer de duas maneiras diferentes: (em diagonal a esquerda ou direita e "en passant") e ao atingir a oitava linha transforma-se em qualquer outra peça, excluindo o rei, movimento chamado de coroação ou promoção;[1] após este mover o peão será substituído pelo cavalo, bispo, torre ou rainha e deverá ser removido do tabuleiro.

Originalmente, os peões só poderia ser movidos um casa por sua vez, apesar de serem em sua posição de partida, mas as regras mudaram argumentando o tortuoso que isto resultava para a realização das táticas de aberturas.[2] Representam à infantaria.

Origem e etimologia[editar | editar código-fonte]

Uma reconstrução moderna de soldados gregos na formação falange.

Uma das lendas que acompanham a criação do jogo conta que o brâmane Sissa criou o chaturanga, predecessor mais antigo do xadrez, a pedido do Rajá indiano Balhait. Sissa tomou por base as figuras do exército indiano, e incluiu a peça hoje conhecida Peão como forma representativa da infantaria e do papel que esta desempenhava nos exércitos durante a guerra.[3] De acordo com relatos gregos, esta era a composição do exército indiano desde o Séc. IV a.C. A palavra chaturanga que posteriormente nomeou a primeira versão do jogo tem o significado ligado às partes do exército no Ramáiana e no Mahābhārata no qual o exército é expressamente chamado de hasty-ashwa-ratha-padatam do qual padatam[nota 1] é a palavra em sânscrito para um soldado.[5]

No idioma persa a peça era denominada Piyada e no árabe Baidaq, ambas com o mesmo significado que em sânscrito. Na maioria dos países europeus a peça tem o nome ligado a infantaria, o que originalmente representava, sendo peon em espanhol, pedina em italiano, bauer em alemão e pawn em inglês.[6]

A capacidade de mover duas casas de sua posição original, e a conseqüente possibilidade de uma passant, apenas introduziu-se no século XV na Europa e a regra para a coroação mudou ao longo da história.

Arqueologia[editar | editar código-fonte]

Drawing of Lewis chessmen Pawn, c.1845.jpg
Charlemagne-Pion.JPG
Desenhos dos conjuntos de peças de Lewis (esquerda) e peças de Carlos Magno (direita).

Os artefatos mais antigos encontrados são do conjunto de peças de Afrasiab, encontrados no Uzbequistão na década de 1970. Os peões são pequenas figuras de soldados ajoelhados, apoiados em um joelho, segurando espada e escudo como se estivessem prontos para combate.[7]

Desenhos mais simples e estilizados foram desenvolvidos pelos muçulmanos seguindo a proibição do islamismo de representar figuras vivas. Os peões são as menores peças, seguindo a importância das patentes militares, e com formato de abóbada. No conjunto das peças de Ager, o Peão é um pequeno bloco cilíndrico.[8]

Os artefatos das Peças de Lewis possuem 19 peões estilizados com formas e tamanhos variados parecidos com lápides ou obeliscos. A maioria possui uma base hexagonal e duas peças possuem ornamentos gravados.[9] [10] O único peão remanescente do conjunto Peças de Carlos Magno é representando por um pequeno soldado com escudo e elmo similares aos nórdicos do século XI o que desfez o mito de que o conjunto teria realmente pertencido ao imperador carolíngio que viveu no século VIII.[11]

A partir do século XV o xadrez se expandiu pela Europa e Rússia. Os peões continuaram sendo representados de forma estilizada com um formato semelhante entre si similar aos das Peças de Staunton. Houve algumas exceções como conjuntos confeccionados em Augsburgo que representaram os peões conforme os ofícios indicados na moralidade Liber de Moribus Hominum et Officiis Nobilium Sive Super Ludo Scacchorum escrita por Jacobus de Cessolis no século XIII.[12] Os ofícios são, a partir da coluna a: lavrador, ferreiro, alfaiate, mercador, médico, taverneiro, guarda e mensageiro.[13]

Movimento e valor relativo[editar | editar código-fonte]

Começo de um tabuleiro de xadrez. a b c d e f g h
8 8
7 7
6 6
5 peão preto em g5 5
4 círculo preto em c4 cruz em f4 círculo preto em g4 cruz em h4 4
3 cruz em b3 círculo preto em c3 cruz em d3 3
2 peão branco em c2 2
1 1
a b c d e f g h Fim do tabuleiro de xadrez.
As casas assinaladas indicam onde o movimento é permitido.[14]

Na posição inicial das peças sobre o tabuleiro, cada jogador tem a sua disposição oito peões, posicionados na segunda fileira para as brancas, e sobre a sétima fileira para as pretas. Seu movimento consiste no avanço para a casa desocupada imediatamente a sua frente na mesma coluna ou no primeiro movimento opcionalmente por duas casas na mesma coluna desde que ambas as casas estejam desocupadas. Tal avanço foi introduzido na Europa durante a Idade Média porém só foi uniformizado com o estabelecimento das regras no final do século XV. Na Espanha e Alemanha, tal avanço somente era permitido se não tivesse havido captura de peças e na Alemanha ainda era restrito aos peões das torres, Dama e Rei.[14] [15]

Captura ao tomar o lugar ocupada pela peça oponente que está na direção diagonal na fileira imediatamente à sua frente, tomando o lugar da peça. Se um peão atacar a casa pelo qual um peão oponente passa ao ter avançado duas casas em seu primeiro movimento, o peão atacante pode capturar o adversário, ocupando assim a casa pelo qual o peão adversário passou sobre. Esta captura característica denomina-se en passant e é permitida somente no movimento seguinte ao avanço do peão adversário.[14] O movimento en passant foi introduzido por volta do século XV tendo sido descrito por Lucena em Repetición de Amores y Arte de Ajedrez (1497) porém só foi uniformizado por volta do século XVIII quando os italianos abandonaram o passar bataglia.[16] [17] Conforme estabelece a FIDE, não é necessário designar uma letra específica para o peão nas notações algébricas de xadrez, que devem ser utilizadas em torneios oficiais. Em periódicos e na literatura, recomenda-se a utilização de figuras ou diagramas (Chess plt45.svg e Chess pdt45.svg)[18]

Usualmente, o valor relativo do Peão é atribuído arbitrariamente como um ponto embora os peões centrais sejam mais valiosos. Entretanto nos finais o valor pode ser superior na medida que estes avançam e existe a possibilidade de serem promovidos.[19] O valor do peão pode variar conforme a estrutura de peões existente. Peões dobrados valem 0,75 pontos caso seja possível desfazer tal fraqueza e 0,5 pontos caso não seja possível.[20]

Captura que realiza o peão[editar | editar código-fonte]

Nesta imagem, podemos ver como o PD tem duas chances de captura o cavalo ou bispo.

A captura tradicional é aquela que leva o peão com maior frequência e em quase todos os partidos de xadrez, o movimento é feito na diagonal para a próxima coluna, para a esquerda ou direita capturando uma peça adversária.

Captura en passant[editar | editar código-fonte]

Exemplo de captura en passant

Se um peão estiver na quinta linha e um peão adversário de uma coluna adjacente mover duas casas em seu primeiro lance, é possível dar o passo como se o peão adversário tivesse movido apenas uma casa. Este movimento en passant especial só pode ser realizado na jogada seguinte à que o peão adversário moveu duas casas.

No xadrez antigo o peão adiantava sempre uma caixa de cada jogo. Para acelerar o jogo, em um ponto, foi decidido que a primeira vez que um peão é jogado, não há a possibilidade de avançar duas casas. Isso, no entanto, implicou que poderiam escapar as capacidades defensivas de um peão adversário. Para evitar isso, estabeleceu-se este movimento especial: a captura en passant.

  • Posição: Pode fazer este movimento o jogador que tem um peão branco na fileira 5—4 para as pretas— e seu adversário tem um peão à fila de origem —a 7 para as brancas e 2 para as pretas— em uma coluna ao lado do peão.
  • Ação que permite: a posição acima, que o adversário de peão adiante duas praças, o que pode ser feito, uma vez que é o tem ao escaque de origem do peão. Os dois peões ficaram lado a lado, ou seja, na mesma linha e em colunas adjacentes.

Coroação do peão[editar | editar código-fonte]

Coroação do peão

O peão tem a possibilidade de se tornar-se torre, cavalo, bispo ou rainha, uma vez que alcançou a oitavo fileira, ou seja, em qualquer parte da mesma cor, exceto peão ou rei, isso é chamado de coroação, e representa um tema importante considerar as táticas e estratégias de muitos partidos disputadas.

Assim é possível ter chegado a até nove rainhas, vários bispos, cavalos ou torres que movimentam por quadrados da mesma cor. A ação da peça corada é imediata, ou seja, se o rei está na linha de coroação e ao coroar é solicitado, um peão, uma dama ou uma torre, o rei é automaticamente em xeque, e até xeque-mate se não pode evitar ameaça. Na maioria dos casos, os jogadores preferem promover o peão com uma dama, porque esta é uma grande vantagem, mas eles também têm visto os jogos onde a coroação de uma dama é inconveniente (poderia, por exemplo, deixar afogado ao rei adversário) e é preferível a de um cavalo ou um bispo.

Galeria de imagens[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. A The London Encyclopaedia de 1839 menciona a palavra Padati com o mesmo significado.[4]

Referências

  1. a b El peón (movimiento de las piezas de ajedrez) (em espanhol). Visitado em 4/12/2013.
  2. Aprenda Ajedrez - El Peón (em espanhol). Visitado em 4/12/2013.
  3. Lasker (1999), pp.29, 30
  4. The London Encyclopaedia, Or, Universal Dictionary of Science, Art, Literature, and Practical Mechanics (em inglês). Londres: [s.n.], 1839. 572-573 pp. ISBN 978-1-143-30161-2. Visitado em 16/04/2010.
  5. Murray (1913), p.43-44
  6. Willians (2000), p.26-27
  7. Willians (2000), p.15-17
  8. Calvo, Ricardo (dezembro 2001). The Oldest Chess Pieces in Europe (em inglês). Visitado em 10/08/2010.
  9. Murray (1913), p.759
  10. Hooper (1992), p.225
  11. Yalom (2004), p.32
  12. Willians (2000), p.38-76
  13. Shenk (2006), p.64
  14. a b c Laws of Chess (em inglês). Visitado em 19/01/2010.
  15. Murray (1913), pp.457-465
  16. Hooper (1992), p.124
  17. Golombeck (1976), p.82
  18. Appendix:Laws of Chess (em inglês). Visitado em 19/01/2010.
  19. Burgess (2000) p. 491.
  20. Berliner (1999), pp. 18–20

Bibliografia[editar | editar código-fonte]