Peão (xadrez)

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Peão no modelo Staunton.

O Peão é a mais modesta das peças de xadrez, e cada jogador conta com 8 peões no início do jogo, na segunda fileira (ou sétima, no caso das pretas).

Quando se dão valores para as peças, geralmente se toma como unidade básica o próprio peão, que assim valerá 1.

O peão movimenta-se sempre para a frente, sendo a única peça que não pode retornar ou retroceder. Na primeira jogada de cada peão, ele tem a permissão de andar uma ou duas casas, mas nas outras o peão que já foi movido pode mover-se apenas uma casa de cada vez.

O peão também tem uma característica interessante: ele captura de forma diferente ao seu movimento. O peão captura sempre a peça que está na próxima linha, mas nas colunas adjacentes à sua posição. Assim, um peão em e 4 pode capturar quaisquer peças inimigas que estejam em d5 ou f5.

Uma jogada especial com a qual o peão conta é a tomada en passant, ou captura na passagem, em que um peão avançado captura um peão que ande duas casas em seu primeiro movimento.

Quando o peão alcança a primeira fileira adversaria, ele é promovido: ele é retirado do tabuleiro e é colocada em seu lugar qualquer outra peça, geralmente Dama. Um jogo pode desta maneira ficar com duas ou mais damas de uma mesma cor, ao contrário do que muitos pensam. Em certas situações, se for escolhida a Dama para a substituição, o jogo pode terminar empatado, justificando a escolha de outras peças mais adequadas. Os caracteres para o peão são ♙ e ♟.

Índice

Origem e etimologia [editar]

Uma das lendas que acompanham a criação do jogo conta que o brâmane Sissa criou o chaturanga, predecessor mais antigo do xadrez, a pedido do Rajá indiano Balhait. Sissa tomou por base as figuras do exército indiano, e incluiu a peça hoje conhecida Peão como forma representativa da infantaria e do papel que esta desempenhava nos exércitos durante a guerra.1 De acordo com relatos gregos, esta era a composição do exército indiano desde o Séc. IV a.C. A palavra chaturanga que posteriormente nomeou a primeira versão do jogo tem o significado ligado às partes do exército no Ramáiana e no Mahābhārata no qual o exército é expressamente chamado de hasty-ashwa-ratha-padatam do qual padatamnota 1 é a palavra em sânscrito para um soldado.3

No idioma persa a peça era denominada Piyada e no árabe Baidaq, ambas com o mesmo significado que em sânscrito. Na maioria dos países europeus a peça tem o nome ligado a infantaria, o que originalmente representava, sendo peon em espanhol, pedina em italiano, bauer em alemão e pawn em inglês.4

Arqueologia [editar]

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Exemplos de peões em conjuntos de peças Lewis (esquerda) e peças Staunton (direita).

Os artefatos mais antigos encontrados são do conjunto de peças de Afrasiab, encontrados no Uzbequistão na década de 1970. Os peões pequenas figuras de soldados ajoelhados, apoiados em um joelho, segurando espada e escudo como se prontos para o combate.5

Desenhos mais simples e estilizados foram desenvolvidos pelos muçulmanos seguindo a proibição do islamismo de representar figuras vivas. No conjunto das peças de Ager, o Peão é um pequeno bloco cilíndrico.6

O vestígio arqueológico mais importante de peças de xadrez consiste de um conjunto de 78 peças trabalhadas em dentes de morsa e baleia, datados do século XII, encontrados na Ilha de Lewis, nas Hébridas Exteriores da Escócia.7

Movimento e valor relativo [editar]

Começo de um tabuleiro de xadrez. a b c d e f g h
8 8
7 7
6 6
5 peão preto em g5 5
4 círculo preto em c4 cruz em f4 círculo preto em g4 cruz em h4 4
3 cruz em b3 círculo preto em c3 cruz em d3 3
2 peão branco em c2 2
1 1
a b c d e f g h Fim do tabuleiro de xadrez.
As casas assinaladas indicam onde o movimento é permitido.8

Na posição inicial das peças sobre o tabuleiro, cada jogador tem a sua disposição oito peões, posicionadas em na segunda fileira para as brancas, e sobre a sétima fileira para as pretas. Seu movimento consiste no avanço para a casa desocupada imediatamente a sua frente na mesma coluna ou no primeiro movimento opcionalmente por duas casas na mesma coluna desde que ambas as casas estejam desocupadas. Captura ao tomar o lugar ocupada pela peça oponente que está na direção diagonal na fileira imediamente a sua frente, tomando o lugar da peça. Se um peão atacar a casa pelo qual um peão oponente passa ao ter avançado duas casas em seu primeiro movimento, o peão atacante pode capturar o adversário, ocupando assim a casa pelo qual o peão adversário passou sobre. Esta captura característica denomina-se en passant e é permitida somente no movimento segundo ao avanço do peão adversário.8 Conforme estabelece a FIDE, não é necessário designar uma letra específica para o peão nas notações algébricas de xadrez, que devem ser utilizadas em torneios oficiais. Em periódicos e na literatura, recomenda-se a utilização de figuras ou diagramas (Chess plt45.svg e Chess pdt45.svg)9

Usualmente, o valor relativo do Peão é atribuído arbitrariamente como um ponto embora os peões centrais sejam mais valiosos. Entretanto nos finais o valor pode ser superior na medida que estes avançam e existe a possibilidade de serem promovidos.[carece de fontes?]

Ver também [editar]

Notas

  1. A The London Encyclopaedia de 1839 menciona a palavra Padati com o mesmo significado.2

Referências

  1. Lasker (1999), pp.29, 30
  2. The London Encyclopaedia, Or, Universal Dictionary of Science, Art, Literature, and Practical Mechanics (em inglês). Londres: [s.n.], 1839. 572-573 p. ISBN 978-1-143-30161-2 Página visitada em 16/04/2010.
  3. Murray (1913), p.43-44
  4. Willians (2000), p.26-27
  5. WILLIANS, Gareth. Master Pieces (em inglês). 1ª ed. Londres: Quintet Publishing Limited, 2000. 15-16 p. ISBN 0-670-89381-1
  6. Calvo, Ricardo (2001). The Oldest Chess Pieces in Europe (em inglês). Página visitada em 10/08/2010.
  7. Chess: Introduction to Europe (Encyclopedia Britannica 2007)
  8. a b Laws of Chess (em inglês). Página visitada em 19/01/2010.
  9. Appendix:Laws of Chess (em inglês). Página visitada em 19/01/2010.

Bibliografia [editar]

  • HOOPER, David & WHYLD, Kenneth. The Oxford Companion to Chess (em inglês). 2ª ed. Inglaterra: Oxford University Press, 1992. ISBN 0-19-866164-9
  • GOLOMBEK, Harry. Golombek's Encyclopedia of chess (em inglês). 1ª ed. São Paulo: Trewin Copplestone Publishing, 1977. ISBN 0-517-53146-1
  • DIVINSKY, Nathan. The Chess Encyclopedia (em inglês). 1ª ed. Reino Unido: The Bath Press, 1990. ISBN 0-8160-2641-6
  • SUNNUCKS, Anne. The Encyclopaedia of Chess (em inglês). 2ª ed. Inglaterra: St Martin Press, 1976. ISBN 0-7091-4697-3