Pecados Íntimos

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Pecados Íntimos
Little Children
 Estados Unidos
2006 • cor • 137[1] min 
Direção Todd Field
Produção Todd Field
Albert Berger
Ron Yerxa
Roteiro Todd Field
baseado em Little Children de Tom Perrotta
Narração Will Lyman
Elenco Kate Winslet
Patrick Wilson
Jennifer Connelly
Jackie Earle Haley
Noah Emmerich
Gregg Edelman
Phyllis Somerville
Gênero drama romântico
Idioma inglês
Música Thomas Newman
Cinematografia Antonio Calvache
Edição Leo Trombetta
Estúdio Bona Fide
Standard Film Company
Distribuição New Line Cinema
Lançamento Estados Unidos 6 de de novembro de 2006
Portugal 7 de fevereiro de 2007
Brasil 9 de fevereiro de 2007
Orçamento US$ 14 milhões
Receita US$ 14,821,658[2]
Página no IMDb (em inglês)

Pecados Íntimos (Little Children, no original em inglês) é um filme estadunidense de 2006, do gênero drama romântico, dirigido por Todd Field, com roteiro baseado no romance de mesmo nome de Tom Perrotta. Foi indicado ao Globo de Ouro na categoria de melhor filme.

O filme é ambientado em uma cidadezinha de Massachusetts, estado onde vive Perrotta.

No Brasil, o filme foi lançado em 2007.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

Sarah Pierce é casada com Richard e vive em uma cidade suburbana dos Estados Unidos. Ela leva regularmente sua filha Lucy a um pequeno parque perto de sua casa. Lá Sarah observa e conversa com outras mulheres, que também levam seus filhos para brincar e praticamente dedicam suas vidas a eles. Até que um dia surge Brad Adamson e seu filho Aaron. Brad já esteve no parque anteriormente e foi apelidado pelas mulheres de "rei do baile de formatura", mas Sarah nunca o tinha visto. Elas jamais tiveram coragem de falar com ele e nem mesmo sabem seu nome, mas sonham todos os dias com sua aparição. Brad empurra Aaron no balanço, sem dar atenção às mulheres, até que Lucy pede à mãe que também a empurre. Sarah passa a brincar com a filha e começa a conversar com Brad. É o início de uma amizade entre eles, que envolve um homem frustrado por estar desempregado e uma mulher infeliz com seu casamento e sua própria vida. Logo esta amizade torna-se um caso extra-conjugal, pois Brad também é casado, com Kathy.

Gtk-paste.svg Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.

Diretor[editar | editar código-fonte]

O diretor norte-americano Todd Field sempre demonstrou uma predileção por dramas psicológicos. Foi produtor e atuou em Eyes Wide Shut, último filme de Stanley Kubrick. Em Pecados íntimos, além de dirigir, ele adaptou o roteiro em parceria com Tom Perrotta, autor do romance que originou o filme.

Elenco[editar | editar código-fonte]

  • Kate Winslet .... Sarah Pierce - indicada ao Oscar de melhor atriz pelo papel, interpreta uma dona da casa e mãe descontente.
  • Patrick Wilson .... Brad Adamson - o ator foi indicado pela própria Kate Winslet para o papel do pai. desempregrado e insatisfeito com a falta de perspectiva que tem na carreira e no casamento.
  • Jennifer Connelly .... Kathy Adamson - a bela esposa de Brad e documentarista com a carreira em ascensão.
  • Gregg Edelman .... Richard Pierce - é o marido de Sarah.
  • Sadie Goldstein.... Lucy Pierce - a filha de três anos de Sarah e Richard.
  • Ty Simpkins .... Aaron Adamson - o filho de Brad e Kathy, também com três anos.
  • Noah Emmerich .... Larry Hedges - ex-policial e fundador do comitê de pais peocupados.
  • Jackie Earle Haley .... Ronald James McGorvey - indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante pelo papel depois de passar 13 anos fora das telas. No livro a descrição física do personagem era muito diferente de Jackie, mas Todd Field apostou em sua força dramática para o papel.
  • Phyllis Somerville .... May McGorvey - a super-protetora mãe de Ronnie.
  • Raymond J. Barry .... Bullhorn Bob - no livro, o personagem de Raymond J. Barry não existe; ele foi inserido pelo diretor Todd Field.
  • Helen Carey .... Jean - a amiga confidente de Sarah e baby-sitter de Lucy.
  • Jane Adams .... Sheila - pretendente insegura de Ronnie.
  • Trini Alvarado .... Theresa - amiga de Sarah e mãe dedicada.

A produção[editar | editar código-fonte]

Inicialmente, Todd Field iria fazer um filme baseado no romance Revolutionary Road, de Richard Yates, porém o projeto não evoluiu. O diretor, então, passou a procurar um novo argumento que tivesse um conflito semelhante ao livro de Yates: a frustração dos protagonistas com a vida que não correspondia aos sonhos da juventude.

Em 2003, Todd Field leu o romance de Tom Perrotta e encontrou várias similaridades com o livro de Yates. As diferenças consistem em que Revolutionary Road é um livro devastador emocionalmente enquanto Criancinhas combina sátira ao melodrama. Field gostou também do modo como Perrotta evitou julgar seus personagens. Eles foram desenvolvidos com empatia e humor. E a maternidade aparecia como fio condutor de todos os conflitos da história.

No início de 2004, o diretor e o autor encontraram-se para discutir a possibilidade de adaptar o romance para as telas de cinema. Havia coisas que o diretor gostaria de mudar para essa versão, principalmente a imagem do maníaco sexual. No filme ele deveria ter a imagem atenuada.

Em comum, todos personagens iriam lutar desde o início por uma identidade, o que os deixariam incapazes de saciar seus medose a constante sensação de culpa Foi com essa idéia que os dois começaram a trabalhar na adaptação.

O filme foi orçado em 14 milhões de dólares. A filha do diretor, Aida P. Field, fez parte da equipe de produção.

As filmagens ocorreram nas seguintes locações:

Discussões propostas pela trama[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

Há duas grandes reflexões propostas em Pecados íntimos, a crítica social da vida suburbana norte-americana e a crise dos personagens em assumir responsabilidades como se todos sofressem da síndrome de Peter Pan e não quisessem ter crescido nunca.

É comum na sociedade norte-americana que a mãe abandone sua vida profissional para dedicar-se aos filhos. São as chamadas housewives, que podem ser vistas no filme nas mães que levam as crianças ao parque de manhã e ficam criando fantasias com Brad, que desempenha papel semelhante.

Porém, nem Brad, nem Sarah estão acomodadas nessa situação em meio à amores platônicos e à mesmice da vida suburbanas. Ele, por que está nessa situação provisoriamente, afinal ele quer advogar, só que ainda não passou no exame da ordem. Ao menos é o que ele afirma para si mesmo e para sua esposa, Kathy. Já Sarah, abriu mão de sua carreira e alguns sonhos ao casar e assumir o papel de mãe e esposa. E acaba descobrindo que não quer isso para si.

Essa descoberta aproxima a trama do filme à de Beleza Americana, do diretor Sam Mendes. Todo o questionamento aos costumes da sociedade norte-americana é revivido aqui, mas nitidamente no mesmo tom, como variações do mesmo tema. Até do ponto de vista estético vemos citações de Todd Field à Sam Mendes: a narração, o subúrbio, fuga da realidade e até a trilha do mesmo compositor Thomas Newman.

Mas, enquanto encontra semelhanças com Beleza Americana em meio às críticas de costumes, entra na outra e mais importante discussão proposta no filme: o medo do amadurecimento e das responsabilidades.

Esse assunto, bastante batido em filmes com adolescentes, é apresentado aqui em adultos, seja com 30 ou com 50 anos. A presença de crianças, brinquedos e imagens infantis povoam o filme e as mentes dos personagens, que se perdem em preocupações, perversões e lembranças da infância que ainda gostariam de ter.

Sarah é casada com Richard e mãe de Lucy, de três anos. Ela tenta, mas não consegue se encaixar no papel de dona de casa e mãe dedicada. Seu perfil contestador e seu casamento insosso a deixam desconfortável.

Brad tem pouco mais de 30 anos e é um ótimo pai, casado com a bela e auto-suficiente Kathy, mas não conseguiu ainda se encontrar profissionalmente. Nem quer. Ao invés de passar no exame da ordem dos advogados, já feito sem sucesso uma vez; ele sente falta de jogar futebol americano e andar de skate, mesmo que não saiba.

O desconforto acaba aproximando ambos, que passam a usar suas responsabilidades maternas e paternas para aumentar a intensidade dos encontros.

Ainda na faixa dos 30, está Larry Hedges, um ex-policial, que teve a carreira abreviada por um acidente, depois de um tiroteio mal-sucedido num shopping center. Sem rumo, ele persegue Ronnie. Com cerca de 50 anos, Ronnie J. McGorvey acabou de sair da prisão depois de ter cumprido pena por assediar crianças. Todos temem Ronnie, exceto sua mãe, que o protege como se ele não tivesse crescido.

As histórias e os conflitos entrelaçados desses personagens conduzem o filme e as reflexões propostas. Nada é explícito. Nos damos conta do que está acontecendo à medida que os fatos vão sendo apresentados e, não raras vezes, caímos nas contradições que os personagens vivem. De forma sutil, Todd Field revela quem são as pequenas crianças referenciadas no título original (Little Children): são os adultos que revelam suas inseguranças e desejos de proteção.

Paralelo a tudo isso, o diretor ainda acrescenta assuntos que incomodam: masturbação, pornografia, pedofilia, adultério. O desconforto do espectador em meio à aura tranquila da vizinhança, ajuda a envolver com os conflitos vividos por cada um dos personagens que não têm mais sua pureza infantil.

A obra original[editar | editar código-fonte]

O filme é uma adaptação do livro Little Children, de Tom Perrotta, editado no Brasil com o título de Criancinhas.

No livro, assim como no filme, o foco da trama está na inquietude nascida de vidas previsíveis de adultos que, simplesmente, cresceram e deixaram seus sonhos para trás. São homens e mulheres recém saídos da juventude, pais de filhos pequenos, vulneráveis pela transição de uma vida cheia de perspectivas e outra, confortável, mas previsível. Fazendo uso de humor-negro e muita sensibilidade, Perrotta revela uma face pouco explorada da geração que foi criada sob forte proteção dos pais e com poucos desafios a enfrentar, aqueles que mesmo aos 30 ainda são Criancinhas.

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.
  • No livro, Sarah havia tido experiências bissexuais durante a universidade, inclusive um relacionamento com uma estudante de intercâmbio coreana. O filme omite esses fatos.
  • Um personagem do livro não é citado no filme. Trata-se de Bertha, agente de trânsito da escola de Lucy, que dividiu com May a angústia de ter um filho preso e, por isso, tornaram-se amigas. No livro, é ela quem dá carona a Ronnie após a morte de May e entrega-lhe a carta que havia ajudado a escrever.
  • No filme, Richard viaja para San Diego para uma convenção e dá a Kay a desculpa de uma viagem à trabalho. Já no livro, ele abandona Sarah para fazer a mesma viagem. Já no final do livro, eles entram em acordo sobre o divórcio por telefona, ficando com Sarah a custódia de Lucy, a casa e o carro. O romance explora mais a vida de Richard, e revela que ele já havia tido um casamento e duas filhas já universitárias, e como começou sua obsessão por pornografia, além de citar como conheceu Sarah na época que ela ainda era uma barista do Starbucks.
  • Brad, o persongem vivido por Patrick Wilson, chama-se de Todd no livro, mas teve o nome trocado para evitar confusões com o diretor Todd Field.
  • Ronnie é suspeito do desaparecimento de uma menina que estudava na escola em que ele trabalhava no livro.

Quotes e trilha sonora[editar | editar código-fonte]

Você não pode mudar o passado, mas o futuro pode ser uma história diferente. E ela tinha que começar em algum momento. (narrador)

A trilha sonora é assinda por Bart Howard, com a canção Fly Me To The Moon (In Other Words) interpretada por Sammy Nestico; e por Tom Hedden, com a canção Battlefield Glory interpretado pelo mesmo.

Prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Broadcast Film Critics

  • Filme do mês do BFCA - setembro de 2006
  • Relacionado como um dos Top 10 filmes do ano

Chicago Film Critics

  • Melhor ator coadjuvante (Jackie Earle Haley)

Chlotrudis Awards

  • Melhor ator coadjuvante (Jackie Earle Haley)

Dallas-Fort Worth Film Critics Association Awards

  • Melhor ator coadjuvante (Jackie Earle Haley)

Iowa Film Critics Awards

  • Melhor Filme
  • Melhor ator coadjuvante (Jackie Earle Haley)

New York Film Critics Circle Awards

  • Melhor ator coadjuvante (Jackie Earle Haley)

Online Film Critics Society Awards

  • Melhor ator coadjuvante (Jackie Earle Haley)

Palm Springs International Film Festival

  • Prêmio Realização Desert Palm (Kate Winslet)
  • Prêmio Visionary (Todd Field)

San Francisco Film Critics Circle Awards

  • Melhor Filme
  • Melhor ator coadjuvante (Jackie Earle Haley)
  • Melhor roteiro adaptado (Todd Field e Tom Perrotta)

Southeastern Film Critics Association Awards

    • Melhor ator coadjuvante (Jackie Earle Haley)

Young Hollywood Awards

  • Prêmio de revelação masculina (Patrick Wilson)


Indicações[editar | editar código-fonte]

Oscar:

  • Melhor atriz (Kate Winslet)
  • Melhor roteiro adaptado (Todd Field e Tom Perrotta)
  • Melhor ator coadjuvante (Jackie Earle Haley)

BAFTA:

  • Melhor atriz (Kate Winslet)

Broadcast Film Critics Association Awards

  • Melhor filme
  • Melhor atriz (Kate Winslet)
  • Melhor autor (Todd Field e Tom Perrotta)

Globo de Ouro

  • Melhor filme - drama
  • Melhor atriz - drama (Kate Winslet)
  • Melhor roteiro (Todd Field and Tom Perrotta)

Gotham Awards

  • Melhor filme

London Film Critics Circle Awards

  • Atriz britânica do ano (Kate Winslet)

Satellite Awards [3] :

  • Melhor filme - drama
  • Melhor ator - drama (Patrick Wilson)
  • Melhor atriz - drama (Kate Winslet)
  • Melhor roteiro adaptado (Todd Field e Tom Perrotta)

Screen Actors Guild (SAG)

  • Melhor atriz (Kate Winslet)
  • Melhor ator coadjuvante (Jackie Earle Haley)

Writers Guild of America (WGA)

  • Melhor roteiro adaptado (Todd Field e Tom Perrotta)

Referências

  1. "LITTLE CHILDREN (15)". British Board of Film Classification.
  2. "Little Children (2006)". imdb.
  3. (Dec. 1, 2006). Official press release for International Press Academy Satellite Awards Nominations. Retrieved from http://www.pressacademy.com/satawards/forms/pdf/2006-IPA-Nom-Announce.pdf on December 2, 2006.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]