Pedra, papel e tesoura

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Pedra, papel e tesoura, também chamado de Janken-pon (do japonês じゃんけんぽん, jankenpon) é um jogo de mãos recreativo e simples para duas ou mais pessoas, que não requer equipamentos nem habilidade.

O jogo é frequentemente empregado como método de seleção (como na escolha de equipes para a prática desportiva, por exemplo), assim como lançar moedas, jogar dados, entre outros. No entanto, diferentemente desses métodos que se baseiam exclusivamente em sorte, pedra-papel-tesoura pode ser jogado com um pouco de habilidade. Principalmente se o jogo se estender por vários turnos com o mesmo jogador, este pode reconhecer e explorar a lógica do comportamento do adversário (perceber e anteceder as jogadas do adversário).

Regras[editar | editar código-fonte]

Rock-paper-scissors (rock).png Rock-paper-scissors (paper).png Rock-paper-scissors (scissors).png
Cada um dos três sinais básicos (da esquerda para a direita: pedra, papel e tesoura).

No Janken-pon, os jogadores devem simultaneamente esticar a mão, na qual cada um formou um símbolo (que significa pedra, papel ou tesoura). Então, os jogadores comparam os símbolos para decidir quem ganhou, da seguinte forma:

  • Pedra ganha da tesoura (amassando-a ou quebrando-a).
  • Tesoura ganha do papel (cortando-o).
  • Papel ganha da pedra (embrulhando-a).

A pedra é simbolizada por um punho fechado; a tesoura, por dois dedos esticados; e o papel, pela mão aberta. Caso dois jogadores façam o mesmo gesto, ocorre um empate, e geralmente se joga de novo até desempatar. Em algumas culturas os jogadores que colocam o mesmo gesto perde um ponto só).

Segundo um pesquisador da Universidade de Londres, existe uma maneira de aumentar as chances de ganhar a brincadeira: basta fechar os olhos. Segundo ele, o nosso cérebro não consegue resistir a tentação de imitar os outros. Quando escolhemos pedra, papel ou tesoura, podemos ser influenciados por aqueles que estão nas proximidades. Assim, ao fechar os olhos, você vai fazer a escolha antes do adversário, podendo ganhar várias rodadas. Os jogadores de olhos abertos farão o gesto cerca de 200 milissegundos depois, e são eles é que serão influenciados. A teoria foi testada com sucesso em 45 adultos, que voltaram a ser crianças na pesquisa.[1]

História[editar | editar código-fonte]

San Sukumi Ken (1809)

No Japão. Pedra, papel, tesoura é chamado simplesmente de "Janken" . Acredita-se que Janken basea-se em dois jogos Ken mais antigos, "Suu Ken" e "San Sukumi Ken". O San Sukumi Ken existiu no Japão desde tempos antigos, e o Suu Ken foi importado da China no fim do século XVII. Os jogos Ken começaram a aumentar em popularidade em meados do século XIX. Acredita-se que Janken foi inventado no fim do século XIX, julgando fontes textuais da época sobre jogos Ken.

Em 2012, cientistas da Universidade de Tóquio criaram um robô (uma espécie de mão robótica com câmeras de alta velocidade), que nunca perde no Janken-pon. O "truque" tem a ver com um mapeamento da mão e uma prévia visualização através de câmeras a fim de detectar o início do movimento dos dedos.[2]

Variações[editar | editar código-fonte]

O jogo é conhecido em vários lugares do mundo, e é acompanhado de "gritos" ou rimas diferentes: Nos países lusófonos, os jogadores geralmente dizem "Pedra, Papel, Tesoura" antes de jogar, e no Brasil também é comum se dizer, alternativamente, "Janken-pon" devido à influência de imigrantes japoneses. No Rio Grande do Sul, no entanto, este jogo tem o nome alternativo de "escoteirinho", que a palavra que se fala antes de jogar[3] .

Em alguns países, substituem-se a pedra, a tesoura e o papel por outros símbolos. Por exemplo, na Índia usam-se "homem", "arma" e "tigre", sendo que o homem usa a arma, a arma mata o tigre, e o tigre mata o homem. Também é comum a criação de vários outros símbolos, de acordo com a cultura popular, as situações em que o jogo é disputado e muitas outras variáveis. O que vale é a imaginação livre dos jogadores.

Outra característica que difere os jogadores de pedra, papel, tesoura ao redor do mundo é que alguns povos jogam assim que a última palavra do "grito" é dita, e outros dizem as palavras e então jogam. Essa diferença de tempo pode levar a vitória por parte de um oponente que faça sua jogada depois, caso ambos não estejam de comum acordo.

Há ainda outras variações que incluem mais de três sinais básicos. Estas diferem-se, por um único sinal ganhar e perder de mais de um outro sinal. Por exemplo, pode-se incluir fogo, que ganha do papel como a tesoura; água, que ganha da pedra (origina-se do provérbio "Água mole em pedra dura tanto bate até que fura"); e outros ainda como linha e agulha. Em geral, costuma-se organizar bem antes de utilizar mais de três sinais, para que o jogo continue equilibrado. Por exemplo, estaria errado em jogar com pedra, papel, tesoura, fogo e água, pois, nesse caso, a água venceria de todos: apagaria o fogo, furaria a pedra, enferrujaria a tesoura, e molharia ou desmancharia o papel.

O americano Sam Kass criou uma variação que foi popularizada no seriado The Big Bang Theory chamada Pedra, papel, tesoura, lagarto, Spock. Na variante acrescenta-se: pedra esmaga lagarto, lagarto envenena Spock, Spock quebra tesoura, tesoura decapta lagarto, lagarto come papel, papel contesta Spock, Spock vaporiza rocha. [4]

Torneios[editar | editar código-fonte]

Torneios de Pedra, Papel, Tesoura são disputados em alguns países. Há uma associação mundial de jogadores, a "World Rock Paper Scissors Society" (WRPS), que instituiu um campeonato mundial em 2002. O campeonato é conhecido por seus grandes prêmios em dinheiro e pelos excêntricos competidores, e é televisionado nos Estados Unidos pela FOX Sports Net. O campeonato é disputado anualmente em Toronto, no Canadá.

Em junho de 2008, Sean Dears recebeu um prêmio de 50 mil dólares ao sagrar-se campeão americano nesse jogo[5]

Referências culturais[editar | editar código-fonte]

O uso amplamente divulgado de Pedra, Papel, Tesoura tem gerado diversas referências significativas na cultura popular. Séries de televisão e filmes fazem humor sobre a incompetência de alguns personagens em compreender as regras simples do jogo ou a esperteza de outros ao vencer incluindo outros "objetos" nas disputas.

Leilão decidido pelo jogo[editar | editar código-fonte]

O quadro Árvores sob o Jas de Bouffan vendido por $11,776,000 na Christie's[6] .

Quando Takashi Hashiyama, Presidente CEO da Maspro Denkoh, uma indústria japonesa de equipamentos para televisão, decidiu leiloar a coleção de pinturas impressionistas da corporação, incluindo quadros de Cézanne, Picasso e van Gogh, ele contatou as duas mais importantes casas de leilão dos EUA, a Christie's International e a Sotheby's. Para tal, solicitou propostas das duas casas para a divulgação e venda das obras. Ambas as empresas apresentaram propostas elaboradas, mas nenhuma delas foi convincente o bastante para que Hashiyama fechasse negócio com uma delas. Desejoso de dividir a coleção em dois leilões distintos, ele pediu para que as casas de leilão decidissem entre elas qual seria responsável pelo leilão do quadro "Árvores sob o Jas de Bouffan", de Cézanne, no valor de US$ 12-16 milhões.

As empresas não conseguiram chegar a um acordo e Hashiyama propôs que as duas casas decidissem por meio de uma partida de Pedra, Papel, Tesoura qual delas teria o direito de leiloar a obra. O executivo japonês declarou que "pode parecer estranho para os outros, mas para mim esta é a melhor maneira de decidir entre duas coisas que são igualmente boas".

As duas casas tiveram um fim-de-semana para decidir sobre um dos três elementos do jogo. A Christie's pediu o auxílio das filhas gêmeas de 11 anos de idade de um dos empregados da empresa, que sugeriram "Tesoura", já que "todo mundo espera que você escolha Pedra." Sotheby's disse que tratou o assunto como um "jogo de azar" e não tinham nenhuma estratégia em particular; assim, perderam ao escolher "papel".[7]

A vitória da Christie's representou milhões de dólares em comissão para a casa de leilão.

Justiça dos EUA[editar | editar código-fonte]

"Capa do livro'Pedra Papel e Tesoura' com elementos do jogo"

Em 2006, o juiz federal Gregory Presnell, da Flórida, ordenou que as partes opositoras em um longo julgamento decidissem sobre um depósito judicial usando Pedra, Papel, Tesoura. A decisão do juiz foi considerada ofensiva pelos escritórios envolvidos e largamente comentada pela imprensa daquele país. O caso foi levado a recurso em instâncias superiores, onde a determinação do juiz de primeira instância, baseada no resultado do jogo de Pedra, Papel, Tesoura, foi desconsiderada.[8]

Literatura[editar | editar código-fonte]

Um grupo de escritores de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, escolheu o jogo de pedra, papel e tesoura como tema de inspiração para uma antologia de contos lançada em 2008.

Eles eram participantes de uma das mais prestigiadas Oficinas de Criação Literária do Brasil, orientada pelo escritor brasileiro Luiz Antonio de Assis Brasil, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. O título do livro reflete sua estrutura: cada autor foi instigado a escrever três contos – um para cada elemento do jogo, considerado “um dos mais populares métodos de decisão do mundo”.

Futebol[editar | editar código-fonte]

Em 2012, os jogadores da equipe de futebol alemã Bayern de Munique decidiram quem ia bater uma falta através do Janken-pon.[9]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]