Pedro António Avondano

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Pedro António Avondano, (Lisboa, 16 de abril de 1714 - Lisboa, 1782), foi um violinista e compositor português[1] de ascendência italiana. Seu pai, Pietro Giorgio Avondano, de Gênova, era violinista da corte de D. João V, sendo então um dos muitos músicos italianos presentes na corte portuguesa, enriquecida pelo afluxo de ouro do Brasil. [2] [3]

Avondano foi compositor e primeiro-violino da Real Câmara de D. João V[1] . Assim como Domenico Scarlatti, à época também contratado pela corte de Portugal, Pedro António Avondano é particularmente notável por suas sonatas para cravo e pela música sacra.[4] [5] [6] [2] [7] Mas também escreveu óperas, como Zenobia (completamente desconhecida até hoje), Berenice e Didone (com libretos de Metastasio), e Il Filosofo di Campagna (a partir do texto do escritor Carlo Goldoni). Das três últimas são conhecidas apenas alguns trechos. A única que sobreviveu na íntegra foi Il Mondo della Luna, também de Goldoni[8] .

Após o terramoto de 1755, desempenhou um papel importantíssimo na reorganização da Irmandade de Santa Cecília, associação profissional à qual todos os músicos profissionais da época eram legalmente obrigados a pertencer, o que lhe permitiu ajudar outros músicos em dificuldades[9] .

No início de 1760, Avondano era um dos músicos mais influentes da capital. Foi eleito secretário da Irmandade de Santa Cecília em sessão que teve lugar em sua casa, a 27 de junho de 1765. Além de pertencer à muito bem paga Orquestra da Real Câmara, atuava frequentemente como instrumentista, tanto em cerimônias civis como religiosas. Seus rendimentos permitiram-lhe comprar, por 480 reis, o Grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo, em 15 de junho de 1767.[10]

Organizava também saraus e bailes, especialmente da colônia inglesa em Portugal. A partir de 1766, organizou, também em sua casa, um clube denominado "Assembleia das Nações Estrangeiras", onde as várias comunidades se encontravam, dançavam e jogavam cartas duas vezes por semana. Ali foram promovidos os primeiros concertos públicos na cidade de Lisboa.[11]

No entanto durante o reinado de D. Maria I, seu prestígio parece ter decaído nos círculos musicais da corte.[10]

Uma parte dos manuscritos de Avondano desapareceu, provavelmente durante o terramoto. Do que restou, uma parte considerável encontra-se dispera por várias bibliotecas europeias.[10]

Pedro António Avondano morreu em Lisboa, aos 68 anos .

Obras principais[editar | editar código-fonte]

  • Il mondo della luna (burletta)
  • Berenice (ópera)
  • Il Filosofo di campagna (ópera)
  • Morte d'Abel (oratório)
  • Il voto di Jefte (oratório)
  • Adão e Eva (oratório)

Escreveu também diversas árias para cravo e minuetos para dois violinos e baixo. O oratório Morte d'Abel foi recuperado em edição crítica, baseada na única cópia manuscrita conhecida, conservada na Biblioteca Estatal de Berlim, e teve sua reestreia mundial a cargo da orquestra Divino Sospiro, em fevereiro de 2012.[10]

Edições[editar | editar código-fonte]

  • Forty-nine Lisbon minuets by Pedro Antonio Avondano, ed. Mary Farrar Hatchette, Tulane University of Louisiana, 1971 - 334 pp.

Gravações[editar | editar código-fonte]

  • Avondano. Sonata in C major. Sousa Carvalho. Toccata in G minor, Allegro in D major. Ruggero Gerlin (cravo (instrumento)||Harpsichord). Philips © 835769I.Y LP, 1967
  • Harpsichord works. Rosana Lanzelotte. Portugaler, 2006.[12]
  • 1700 The Century of the Portuguese. Divino Sospiro. Reg. Enrico Onofri. Soprano: Gemma Bertagnoli. Dynamic. Serie Musica Antica.

Referências

  1. a b Pedro António Avondano (1714-1782) (em português). Visitado em 5 de outubro de 2010.
  2. a b JANEIRO, J.P. Contributo para o estudo da música religiosa de Francisco António de Almeida. Universidade Nova de Lisboa, 2004, pp viii, ix "... tipo de tratamento não pode deixar de causar estranheza, sobretudo quando comparamos com as entradas de outros compositores, nomeadamente, as bolseiros joaninos, António Teixeira e João Rodrigues Esteves, ou até de Pedro António Avondano, manifestamente mais .."
  3. CD resgata legado musical português. Trabalho instrumental e vocal do século XVIII surpreende ao pôr em foco raízes do País. Por João Marcos Coelho. Estadão, 2 de maio de 2012.
  4. Howard E. Smither A history of the oratorio: vol 3 p 42 1977 "Among the oratorio composers active in Lisbon were Pedro Antonio Avondano (1714-82), Giuseppe Scolari (?1720- after 1774), ..."
  5. ANDRADE, A.A.S. A presença da flauta traversa em Portugal de 1750 a 1850. Universidade de Aveiro, 2005.
  6. Manuel Carlos de Brito - Opera in Portugal in the Eighteenth Century (Book Review) G PONTIERO - Bulletin of Hispanic Studies, 1992 "The opening chapters establish the all-important influence of Spanish and Italian models before Portuguese composers such as Pedro Antonio Avondano, Luciano Xavier dos Santos and the much praised José de Sousa Carvalho became established in their own right in the ..."
  7. Sociabilidades mundanas em Lisboa: Partidos e Assembleias, c. 1760-1834". Por Maria Alexandre Lousada. Penélope: revista de história e ciências sociais, 19-20, 1998, pp. 129-160 "... Após o terramoto, o primeiro espaço público lisboeta vocacionado para o recreio, a primeira assembléia pública de que há notícia certa, funcionou precisamente em casa de um músico, concretamente do compositor e violinista da Real Câmara, Pedro Antônio Avondano"
  8. Divino Sospiro leva ao CCB uma oratória de Avondano que é quase uma ópera. Orquestra apresenta hoje e amanhã um drama sacro assinado por um dos maiores compositores portugueses do século XVIII. Por Lucinda Canelas. Público, 21 de setembro de 2013
  9. Obras de Referência da Cultura Portuguesa. Os Minuetes de Lisboa, de Pedro António Avondano (1714-1782) (em português). Visitado em 5 de outubro de 2010.
  10. a b c d Biografia
  11. O século dos portugueses. Entrevista com Massimo Mazzeo, diretor artístico do Divino Sospiro.
  12. Harpsichord and fortepiano 11-12 2006 Pedro Avondano: Sonatas Rosana Lanzelotte, harpsichord Portugaler 2014-2 Reviewed by John Collins "Only two volumes devoted to keyboard music are known to have been published in Portugal during the eighteenth century,.."

Ligações externas[editar | editar código-fonte]