Pedro II do Brasil

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D. Pedro II
Imperador do Brasil

D. Pedro II, Imperador do Brasil

Ordem: 2.º Imperador do Brasil
Cognome(s): O Magnânimo
Início do Reinado: 7 de abril de 1831
Término do Reinado: 15 de novembro de 1889
Aclamação: 18 de julho de 1841, Capela Imperial, Rio de Janeiro, Brasil
Predecessor: D. Pedro I
Sucessor: Nenhum
Proclamação da República
Pai: D. Pedro I
Mãe: D. Leopoldina de Áustria
Data de Nascimento: 2 de dezembro de 1825
Local de Nascimento: Rio de Janeiro
Data de Falecimento: 5 de Dezembro de 1891 (66 anos)
Local de Falecimento: Paris
Consorte(s): Teresa de Duas Sicílias
Príncipe Herdeiro: Princesa Isabel do Brasil (filha)
Dinastia: Capeto (Casa de Bragança)

Dom Pedro II do Brasil (nome completo: Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga; Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1825Paris, 5 de dezembro de 1891), chamado O Magnânimo, foi o segundo e último Imperador do Brasil de facto. D. Pedro II foi o sétimo filho de Dom Pedro I e da arquiduquesa Dona Leopoldina de Áustria. Sucedeu ao seu pai, que abdicara em seu favor para retomar a coroa de Portugal, à qual renunciara em nome da filha mais velha, D. Maria da Glória. Pelo lado paterno, era sobrinho de Miguel I de Portugal, enquanto, pelo lado materno, sobrinho de Napoleão Bonaparte e primo dos imperadores Napoleão II da França, Francisco José I da Áustria e Maximiliano I do México. Sendo o irmão mais novo de D. Maria da Glória, também fora tio de D. Pedro V e D. Luís I, reis de Portugal.

Índice

[editar] Infância

[editar] Príncipe Imperial

D. Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga nasceu no Paço de São Cristóvão, na capital brasileira, Rio de Janeiro, em 2 de dezembro de 1825, filho de D. Pedro I, imperador do Brasil e Dona Maria Leopoldina da Áustria, arquiduquesa da Áustria.

Seus avós paternos eram Dom João VI, rei de Portugal, Brasil e Algarves, e Dona Carlota Joaquina, infanta da Espanha, enquanto seus avós maternos eram Francisco I da Áustria, último sacro imperador romano-germânico, e Maria Teresa, princesa das Duas Sicílias.[1]

D. Pedro II na infância.

O jovem príncipe era descendente dos reis de Portugal, tais como Afonso Henriques, Dom João I e Dom João IV, assim como os reis da França, como Hugo Capeto, Felipe IV, o Belo, São Luís e Luís XIV, o Rei Sol, também dos reis da Espanha, como Fernando II e Isabel, os Reis Católicos e Filipe II, assim como dos Imperadores Romano-Germânicos, tais como Otto I, o Grande, Frederico Barbarossa e Carlos V, dos Imperadores Romanos do Oriente, como Aleixo I Comneno, João II Comneno, Isaac II Angelos, Miguel VIII Paleólogo, Leo VI e Constantino IX, dos reis da Inglaterra, como Guilherme, o Conquistador, Alfredo, o Grande e Eduardo III, dos reis dos Francos, como Meroveu, Clóvis, Pepino, o Breve e principalmente, de Carlos Magno, restaurador do Império Romano, e de todas as demais Casas Ducais, Reais e Imperiais da Europa.[1][2][3]

Seu nascimento foi comemorado com festas durante três dias no Rio de Janeiro. Sendo o único filho homem do Imperador dom Pedro I a sobreviver à infância, tornou-se o herdeiro da coroa imperial do Brasil, com o título de Príncipe Imperial.[1] Mas tornou-se órfão de mãe com pouco mais de um ano de idade[2] e na infância, o visconde de Barbacena o considerou um “menino magrinho e muito amarelo”, e que sofria constantemente de febres e ataques convulsivos.[4] Do pai, recebeu carinho e afeto, revelando uma grande ternura pelo filho[1] e dizia com orgulho: “Meu filho tem sobre mim a vantagem de ser brasileiro”.[5] Verdadeiramente, o pequeno príncipe era antes um símbolo, por ser considerado “genuinamente brasileiro”.[3]

[editar] Imperador do Brasil

No dia 7 de abril de 1831, o imperador dom Pedro I abdicou de sua coroa e se viu forçado a partir para o estrangeiro para lutar pelo trono da filha mais velha, usurpado por seu irmão, o infante dom Miguel.[1] A partir de então, o príncipe dom Pedro de Alcântara tornou-se dom Pedro II, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil.[1] Seu império se estenderia até 1889, quando foi deposto, totalizando 58 anos como monarca brasileiro (no entanto, é comum muitos acreditarem erroneamente que o seu império iniciou somente em 1840 com a antecipação da maioridade).

Dom Pedro II aos 12 anos de idade, 1838.

Ao tornar-se imperador, dom Pedro possuía apenas cinco anos de idade e a Constituição previa a criação de uma regência até que atingisse os 18 anos para então assumir suas prerrogativas constitucionais.[4] E enquanto o pai era tratado com hostilidade nos anos finais como imperador, dom Pedro II foi aclamado por uma numerosa multidão de pessoas, que deixaram a criança aterrorizada com o barulho e as manifestações de alegria em seu favor.[2] Para a população da época, a figura do pequeno órfão que deveria governá-la um dia lhes era simpática.[6] Mas para dom Pedro, deixado apenas com suas três irmãs no Brasil, era muito doloroso a falta que o pai lhe fazia, como bem demonstrou em uma de suas primeiras cartas escrita por si próprio:[1]

“Meu querido Pai e meu Senhor. Principiei a Vossa Majestade Imperial pela minha própria letra mas não pude acabar e entrei a chorar e tremer-me a mão e não pude acabar.”

“Meu querido Pai e meu Senhor Tenho tantas saudades de Vossa Majestade Imperial e tanta pena de não beijar a mão. Quando me levantei e não achei Vossa Majestade Imperial e a Mamãe para lhe beijar a mão...”

Dom Pedro I, então conhecido como duque de Bragança, considerou a separação dos filhos terrível e em suas cartas sempre demonstrou a saudade que sentia, mas também aconselhou o pequeno imperador:[7]

"É mui necessário, para que possas fazer a felicidade do Brasil, tua pátria de nascimento e minha de adoção, que tu te faças digno da nação sobre que imperas, pelos teus conhecimentos, maneiras etc., pois, meu adorado filho, o tempo em que se respeitavam os príncipes por serem príncipes unicamente acabou-se; no século em que estamos, em que os povos se acham assaz instruídos de seus direitos, é mister que os príncipes igualmente o estejam e conheçam que são homens, e não divindades."

Ficou sob os cuidados de dona Maria Carlota de Verna Magalhães, que depois se tornou condessa de Belmonte e que foi como uma segunda mãe e dirigiu-lhe a educação inicial e velou por sua frágil saúde.[5] Dom Pedro chamava-lhe carinhosamente de “Dadama”.[1] Para tutorar o pequeno monarca, dom Pedro I assinou um decreto em que nomeava "tutor dos meus amados e prezados filhos ao muito probo, honrado e patriótico cidadão José Bonifácio de Andrada e Silva, meu verdadeiro amigo", conhecido pela alcunha de Patriarca da Independência e grande estadista brasileiro que permaneceu no cargo até o ano de 1834, quando foi destituído pela regência.[1]

Segundo a historiadora Lilia Moritz Schwarcz, em sua publicação As Barbas do Imperador, a infância do D.Pedro II foi bastante regrada.

"S.M.I. acorda às 7, almoça às 8, descanso às 9, aulas até 11:30, passeios até 13:30, jantar às 14 em ponto (junto com o médico e o camareiro-mor), passeio às 16:30 e às 17:00 no verão, 18:30 banho, 20:30 ceia, 21:00 cama, 22:00 dormir"

[editar] Educação

Ao tornar-se imperador com apenas cinco anos de idade, dom Pedro II se viu preso ao cargo de maior importância do país e por esta razão, seus tutores, principalmente o segundo, Manuel Inácio de Andrade, o marquês de Itanhaém, que substituiu José Bonifácio, decidiram dar ao jovem monarca uma educação excepcional.[1] Itanhaém desejava [...] formar um monarca humano, sábio, justo, honesto, constitucional, pacifista e tolerante. Isto é, um governante perfeito, [...], acima das paixões políticas e dos interesses privados.[2] E por isto, entregou dom Pedro aos cuidados de mestres, verdadeiros sábios, que impunham uma rígida disciplina.[1] Todos os dias, inclusive aos domingos, dom Pedro II acordava as seis e meia da manhã e tinha aulas de ciências naturais (Astronomia, Biologia, Física, Química, Geografia, etc...), línguas, filosofia, desenho, caça, aritmética, dança, música, equitação e esgrima (estas duas últimas eram ensinadas por Luís Alves de Lima e Silva, o futuro duque de Caxias). Somente duas horas do dia eram reservadas para brincadeiras e só era possível visitar as irmãs após o almoço.[1]

Para brincar, dom Pedro possuia um pequeno jardim, um tanque com água onde boiava um barquinho, além de um jogo de cavalinhos, um baralho e um teatrinho no pátio do Paço.[1] Seus mestres o ensinaram a lidar com políticos e ministros de Estado, além de ter conhecimento da vida pública e principalmente, a governar o país. Desde pequeno aprendeu a conter suas manifestações espontâneas de raiva, decepção, alegria e a ter humildade. Em 1835, aos nove anos de idade, já lia e escrevia bem, assim como traduzia do inglês e do francês. Um ano depois já conhecia o mapa da Europa e da América, inclusive suas cidades e preparava-se para iniciar os estudos da carta do Oriente. E em 1837, aos onze anos de idade, começou a aprender latim e já realizava operações de matemática, frações, números complexos, etc..[1]

[editar] Maioridade

O período regencial, início do reinado de dom Pedro II, foi o período mais problemático na história do Brasil.[2] Diversas rebeliões e tentativas de secessão ocorreram, e apesar do sucesso que o governo fora capaz de obter debelando-as, para muitos, inclusive para o povo brasileiro, a única forma de pôr fim definitivo ao caos e restaurar a ordem seria declarando dom Pedro II maior de idade antes do tempo.[3]

Coroação de dom Pedro II, 1841.

Não acreditavam que um rapaz de apenas catorze anos de idade pudesse obter sucesso onde os mais experientes governantes fracassaram, apesar de toda a educação que recebeu. Entretanto, dom Pedro II era considerado um símbolo vivo da unidade do país.[3] Essa posição lhe dava, diante da opinião pública, uma autoridade maior do que a de qualquer regente.[6] Uma demonstração clara do desejo de tornar imperador maior de idade foi o surgimento de uma quadrinha popular cantada pela população da cidade do Rio de Janeiro nessa época:[6]

“Queremos Pedro II

Embora não tenha idade!

A Nação dispensa a lei

E viva a Maioridade!”

O regente, Araújo Lima, se viu sem opção a não ser aceitar o império das circunstâncias e se dirigiu ao paço imperial, onde explicou a dom Pedro a situação crítica pelo qual o país passava e perguntou quando desejaria tornar-se maior de idade. O jovem imperador teria respondido de forma direta e curta:“Quero já!”[1] No entanto, tratava-se de uma invenção dos maioristas para tornar o ato simbólico e deixar claro aos brasileiros que o adolescente estava preparado para assumir o seu devido lugar. Dom Pedro de fato não proferiu tal frase, tão distante do seu caráter retraído e tímido. Limitou-se a pedir a opinião do regente e então aceitou a proposta.[2] Posteriormente viria a negar diversas vezes ter dito a famosa frase e muito menos de ter sido partícipe do plano dos deputados maioristas.[4]

A decretação oficial da maioridade de monarca foi recebida com enorme alegria pelo povo brasileiro. Pela segunda vez (a primeira, quando seu pai abdicou), dom Pedro foi aclamado por cerca de 8 mil pessoas que se reuniram no paço da cidade para saudá-lo. No dia de seu aniversário, em 2 de dezembro de 1840, alguns meses após ser declarado maior de idade, o evento ocorre sob grande manifestação popular, com direito a festas e cortejos. O mesmo ocorre no primeiro ano de aniversário da Maioridade. O imperador registrou em seu diário:[6] “Quanto me custa um cortejo, como mói! Mas ele é sinal de gratidão de meus amados súditos. Devo recebê-lo com boa cara.”

[editar] Casamento

D. Pedro II se casou por procuração em Nápoles a 30 de maio de 1843 e em pessoa no Rio de Janeiro a 4 de setembro de 1843 com Teresa Cristina Maria de Bourbon-Duas Sicílias, nascida em Nápoles em 14 de março de 1822 e morta em 28 de dezembro de 1889 no Porto, estando sepultada em Petrópolis, no Brasil, desde 1925. Era filha caçula de Francisco, Duque da Calábria, futuro Francisco I das Duas Sicílias (1777-1830) e de sua segunda esposa Maria Isabel de Bourbon, quinta filha de Carlos IV rei da Espanha e portanto irmã de Carlota Joaquina de Bourbon. D. Teresa Cristina trouxe um dote de dois milhões de francos. Tiveram quatro filhos.

[editar] Maioridade

Contrastando com o período conturbado da Regência, seu reinado foi de paz interna, uma vez encerrada a Guerra dos Farrapos, que se iniciara em 1835, e vencidas as Revoluções Liberal de 1842, em São Paulo e Minas Gerais, e Praiana, em 1848, em Pernambuco. Introduziram-se novas invenções e apoiou-se a cultura. Durante seu reinado, foi aberta a primeira estrada de rodagem, a União e Indústria; correu a primeira locomotiva a vapor; foi instalado o cabo submarino; inaugurado o telefone e instituído o selo postal.

Dom Pedro II aos 24 anos de idade, 1850.

Foi colocado no trono aos 15 anos, um jovem louro, alto e de olhos azuis. Os políticos disputavam o poder, ferozmente, achando que seria fácil dominá-lo. A princípio, seu governo representou o triunfo do Partido Liberal sobre o Conservador, mas, um ano depois, este voltou à carga, com medidas reacionárias que deixaram clara sua disposição de retomar a cúpula do poder — como a criação do Conselho de Estado e a reforma do código de processo criminal — e que suscitaram a Revolução Liberal de 1842, circunscrita a Minas Gerais e São Paulo. Em maio do mesmo ano, o imperador casou-se com a princesa Teresa Cristina Maria, após outras negociações mal sucedidas junto às cortes da Áustria, Espanha e Rússia. Somente em 23 de julho a notícia chegou ao Rio de Janeiro. A primeira questão foi a da sucessão, pois as leis da sucessão davam o trono a uma mulher apenas na ausência de filho varão. Na década de 1840, poucas princesas européias estavam dispostas a se arriscar numa enorme viagem rumo ao Hemisfério sul. Enviaram-se emissários para a Europa com resultados pouco satisfatórios. Conseguiu-se afinal uma prima distante, do ramo napolitano da Casa real espanhola, onde reinavam como reis das Duas Sicílias. O bisavô de Pedro II, Carlos IV da Espanha, era irmão de Fernando I das Duas Sicílias, avô da princesa que se dispôs a se tornar imperatriz. Um ano depois eram pais de Afonso, nascido em 1845 (achado morto no berço em 1847, sem razão aparente) e em 1848 nasceria outro menino.

Depois de perder o segundo filho, o casal viu que não mais poderia ter outros. O imperador resignou-se e fez da filha primogênita, a Princesa Imperial, herdeira oficial. Reinava porém sobre uma corte de poucas festas, trabalhadora, séria. Aboliu gradualmente muitas das cerimônias que antes mostravam pompa, abriu a família imperial ao contato mais próximo com seus súditos. O beija-mão, porém, perdurou por muito tempo, apesar de já abolido em outros países. Era tido, sobretudo no exterior, como governante liberal.

Em 1845, no final da guerra dos Farrapos, os liberais dominaram a situação, mas os conservadores logo reconquistaram a liderança e, em conseqüência de sua atuação, deflagrou-se a insurreição praieira de 1848, em Pernambuco. Com 23 anos e já pai de Afonso, Isabel (que seria cognominada "a Redentora"), Leopoldina e Pedro (que morreu também criança, em 1850), D. Pedro II não era mais um mero observador dos acontecimentos: começara um amplo trabalho de conciliação política apartidária, nas nomeações dos integrantes do Conselho de Estado e dos presidentes de província. Encarnou esse espírito conciliador Honório Hermeto Carneiro Leão, mais tarde marquês de Paraná, que dobrou a resistência do Partido Conservador. Tal comportamento político propiciou, na década de 1860, a criação da Liga Progressista, que cindiu a ala conservadora e permitiu a Zacarias de Góis e Vasconcelos, à frente do Conselho de Ministros, realizar importantes reformas no final do período.


[editar] Concepções raciais e abolicionismo

Ver artigo principal: Abolicionismo no Brasil

Quando criança, dom Pedro recebeu uma grande influência por parte do pai e também de seus mestres quanto a sua visão em relação as demais etnias e culturas existentes no mundo. Em um período onde era comum o entendimento científico de que existia de fato uma separação racial entre brancos, negros e amarelos, o Imperador sempre demonstrou um profundo ceticismo quanto a tal teoria e nunca se deixou convencer pela tese de diferenciação racial. [5]

Dom Pedro II aos 29 anos de idade, 1855.

Por ser um homem naturalmente tímido e avesso a intimidades, o monarca possuía poucos e sinceros amigos. Um deles se chamava Rafael, negro e veterano da Guerra da Cisplatina e trabalhava no paço como seu criado particular (e fora homem de confiança de Pedro I). Tendo tido uma infância solitária e triste, um dos atenuantes para Pedro II foi o carinho recebido por parte de Rafael, que servira de certa forma como um pai que o pequeno Bragança não tivera. A amizade de ambos viria a perdurar até o fim do regime monárquico e Rafael inclusive o acompanhou em uma de suas viagens ao exterior (Rafael, então um octagenário, viria a falecer em 15 de novembro de 1889, ao saber que Dom Pedro II seria exilado.[8]). [2][4] Também são conhecidas suas relações com o veterano da guerra do Paraguai, Cândido da Fonseca Galvão, figura quase folclórica no Rio de Janeiro, líder da comunidade de negros livres da cidade, conhecido como Dom Obá II, da África. O engenheiro André Rebouças, também negro, tinha grande trânsito junto à família imperial, e, após a proclamação da República, auto exilou-se em solidariedade.

Sua visão quanto à escravidão e a própria condição do negro no mundo moderno fora afetada por sua criação. E assim percebera, não só como apreciador da ciência, mas também como cristão e governante, o grave erro que seria manter o regime escravocrata no Brasil. Entretanto, sabia perfeitamente que seria impossível abolir a escravidão de uma forma simples e direta, pois acreditava que tal ato viria a causar uma guerra civil semelhante a que ocorreu nos EUA em 1860 e desestabilizaria irremediavelmente a economia brasileira, levando o país ao colapso.[2] Dessa forma, dom Pedro realizou um projeto de extinguir a escravidão por etapas, a iniciar por uma iniciativa pessoal sua, que ao ser declarado maior de idade recebeu como parte de sua herança pouco mais de quarenta escravos e mandou libertar todos. [9]

O Imperador nunca escondeu do público a repulsa que possuía pelos traficantes de escravos e da própria escravidão. Inclusive, nem os interesses dos políticos, lavradores e proprietários de escravos pesaram de forma alguma em suas deliberações ou opiniões. Foi iniciativa sua aproveitar a crise com a Grã-Bretanha durante a década de 40 e pressionar os políticos a extinguirem de fato o tráfico de escravos, chegando a ponto de ameaçar abdicar a ter que manter o comércio. Seu esforço de revelou frutífero e em 4 de setembro de 1850 foi promulgada uma lei que tornou o tráfico ilegal.[10] No início da década de 60, o monarca manifestou o seu interesse em levar a cabo o seu projeto de abolição gradual da escravidão, pois obtivera sucesso em eliminar a principal fonte de novos escravos: a importação. Agora desejava extinguir outra fonte: o nascimento de novos escravos. E deixou claro em carta:

"A emancipação dos escravos, conseqüência necessária da abolição do tráfico [negreiro], não é senão uma questão de forma e de oportunidade. Quando as circunstâncias penosas [referia-se à Guerra do Paraguai] em que se encontra o país o permitirem, o Governo Brasileiro considerará objeto de primeira importância a realização daquilo que o espírito do Cristinianismo há muito reclama do mundo civilizado.” [10]

De fato, a sua vontade de libertar os nascituros não fora proveniente do conflito contra o Paraguai, e sim grandemente retardada pelo mesmo. Revelou sua idéia publicamente na Fala do Trono de 1866, sendo duramente atacado não só pelos políticos, mas também pela sociedade em geral, que alegavam que tal ato seria um “suicídio nacional” como recordaria mais tarde Joaquim Nabuco. Mesmo assim, mais uma vez logrou sucesso e, terminado o conflito, uma nova lei foi promulgada em 18 de setembro de 1871, concedendo liberdade a todos os filhos nascidos de escravas a partir daquela data. [10] Seu próximo projeto foi à libertação dos escravos sexagenários: tal idéia não fora concebida tendo em vista uma emancipação ampla, mas sim, concluir um trabalho longo que iniciara com a extinção do tráfico. Não havendo mais escravos a nascer, e os idosos sendo libertados, seria questão de tempo até que a escravidão deixasse de existir em território nacional, ao mesmo tempo em que não abalaria a economia e permitiria aos agricultores buscarem formas alternativas de mão-de-obra. Fora o Imperador quem escolheu Manuel Dantas e em seguida, após a queda deste, Antônio Saraiva, que conseguiu promulgar em 28 de setembro de 1885 a Lei dos Sexagenários. [10]

Dom Pedro II não teve participação na promulgação da Lei Áurea ocorrida três anos depois por sua filha e herdeira, Dona Isabel, por estar em viagem a Europa. Mas ao ouvir a notícia da extinção completa da escravidão em solo brasileiro, um sonho alentado desde sua juventude, proferiu emocionado em seu leito de enfermo: “Grande Povo! Grande Povo!”[3] Mesmo assim, tornou-se a figura mais popular do país com a abolição. [2] O historiador Heitor Lyra em sua biografia acerca do imperador, “História de Dom Pedro II” v.3, asseverou:

“O inspirador da campanha [abolicionista], o estrategista dela, a alma do movimento, aquele que buscara o general [Presidente do Conselho de Ministros] e o colocara na frente das hostes [Assembléia Geral], que lhe armara o braço e o prestigiara na avançada, com uma decisão sempre firme, constante, fiél - fora o Imperador." [10]

O papel de protagonista de dom Pedro II na campanha abolicionista seria, com o passar do tempo, praticamente esquecido em prol de sua filha mais velha, sendo o monarca relegado ao papel de coadjuvante, se não de um mero espectador dos acontecimentos.

A tolerância do Imperador não se restringia somente aos negros, mas também aos muçulmanos, pois acreditava que a paz mundial seria sempre uma utopia, enquanto não se estabelecesse uma sincera conciliação entre o Ocidente e o Oriente. [1] O mesmo se estendia aos judeus, como na vez em que respondeu ao seu amigo Gobineau a razão de não existir leis no Brasil contra os mesmos: “Não combaterei os judeus, pois de sua raça nasceu o Deus da minha religião”.[5]

[editar] Educação no seu governo

Dada a pequena estrutura educacional herdada da época em que seu avô, D. João VI, esteve no Brasil, Dom Pedro II criou e reformulou escolas e faculdades. Fundou em 21 de Outubro de 1838 o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o IHGB, inspirado no Institut Historique de Paris.

O monarca nutria um profundo interesse pelas questões diretamente relacionadas ao desenvolvimento da Educação, especialmente a educação pública, em nosso país, tendo se detido em expor o tema, inúmeras vezes. Na última Fala do Trono, de 3 de maio de 1889 retomou a questão sob o viés institucional, propondo a criação do Ministério da Instrução e reforçando a diretriz constitucional (1824) da criação do Sistema Nacional de Instrução. Além disso, são várias as posturas e as falas em que encontramo-lo envolvido com a questão, como ressalta Lilia Moritz Schwarcz:

"Interessado na educação, o imperador freqüentava concursos nas escolas de Medicina, Politécnica, Militar e Naval. Isso sem falar do Colégio Pedro II, a grande predileção do monarca.

[...] era d. Pedro quem, em carta a José Bonifácio, o Moço, orgulhava-se de dizer: "Eu só governo duas coisas no Brasil: a minha casa e o Colégio Pedro II."

[...] esse colégio, o único que de certa forma, escapava ao ensino excessivamente livresco, anticientífico e pouco abrangente da época. Com efeito, apesar de obrigatória, a instrução primária era insuficiente: as escolas,poucas, estavam quase todas centralizadas na corte. O monarca parecia, porém, desconhecer essa realidade e concentrar-se, sobretudo, no "seu colégio", como costumava dizer, onde assistia a provas,selecionava professores e conferia médias. Em seu diário escreveria d. Pedro II: "Se não fosse imperador do Brasil quisera ser mestre-escola", uma opção que condizia, ao menos, com a representação que mais e mais se divulgava."[3]

Os primeiros republicanos legaram à historiografia brasileira uma imagem de D. Pedro II como um governante omisso em relação às questões educacionais. Neste particular, Rachel Aparecida Bueno da Silva faz um contraponto:

"Ainda realizando uma leitura da obra de Schwarcz (1999), não podemos deixar de nos ater a duas questões, que de certa forma se confrontam no tocante à instrução pública durante o império: se existia o interesse pessoal de D. Pedro II pela educação (demonstrado inclusive nas Falas do Trono), ao mesmo tempo, há o fato de que o sistema de governo era parlamentar e inexistia uma centralização e concentração absoluta de poder. Os primeiros republicanos – e mesmo a maior parte dos autores que estudam a transição do Império para a República – aludem a uma centralização política e um poder de decisão pessoal do monarca, expresso pela prerrogativa do uso do poder moderador, o qual é bastante relativo: não existiu uma constância na utilização das prerrogativas do trono e, no auge do império, o imperador foi bastante parcimonioso na utilização de seus poderes constitucionais.

Na verdade, passados mais de 100 anos da Proclamação da República, podemos nos questionar o quanto de ideológico existia nas colocações dos primeiros republicanos, imbuídos que estavam da vontade de consolidar um regime recém inaugurado e prover a devida justificativa teórica para a mudança da forma e do sistema de governo: de monárquico para republicano e de parlamentar para presidencialista."[11]

Mesmo no exílio, Pedro II continuou a contribuir para a cultura nacional através da doação de sua coleção particular de documentos e peças de arte. O esforço educacional, embora prejudicado pelas inúmeras deficiências trouxe resultados. Em 1869, havia 3516 escolas primárias no Império, frequentada por 115735 crianças. A quantia era ainda pequena, considerando-se que naquela ocasião existiam 1.902.424 crianças livres em idade escolar, mas de qualquer modo as necessidades nacionais iam sendo suprimidas, formando-se paulatinamente uma camada de profissionais liberais e funcionários.[12] É equivocado dizer que o Brasil naquela época não havia universidades, não havia sim a amplitude de oportunidades para o seu ingresso.[carece de fontes?] Mas pode-se dizer que, pela ação de Dom João VI, fora criada a Faculdade de Medicina da Bahia, em 1792, em 1827 logo após a independência, deu-se a criação da Faculdade de Direito de Olinda e de São Paulo. Igualmente pode-se dizer que, até mesmo antes da chegada de seu avô Dom João VI, sua bisavó, Dona Maria I, ordenou a criação e instalação, na cidade do Rio de Janeiro, da Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho [o atual Insituto Militar de Engenharia (IME)], sendo esta a primeira escola de engenharia das Américas e a terceira do mundo.

[editar] Relação com a ciência

Homem ilustrado, e particularmente apaixonado pelas inovações cientificas, Pedro II desde muito jovem foi sócio-correspondente de dezenas de instituições científicas, entre as quais o prestigiado Instituto da França.

Dom Pedro II aos 32 anos de idade, 1858..

Manteve correspondência com diversas personalidades proeminentes da época, tendo se encontrado com alguns durante suas viagens ao exterior, entre os quais Nietzsche e Emerson, além de escritores famosos, como Lewis Carrol, Júlio Verne e Victor Hugo, com quem teve um célebre encontro em Paris. Hugo dizia ser ele um "neto de Marco Aurélio".

O poeta francês Lamartine o denominava "Príncipe filósofo" e Eça de Queiroz dizia que ele mostrava uma "rara ilustração".

Amigo de Camille Flammarion, um dos maiores astrônomos da época, empenhou-se em equipar e reorganizar o atual Observatório Nacional, que tornou-se um destacado centro de pesquisas. Sua paixão pela astronomia, a ciência preferida, valeu-lhe constantes caricaturas na imprensa brasileira, ilustrando-o acompanhado de sua luneta.

Pedro II esteve na exposição de Filadélfia, Estados Unidos, em 1876, ocasião em que Alexander Graham Bell demonstrou a sua nova invenção: o telefone. Provavelmente, Pedro II foi o primeiro brasileiro a usar um telefone. Na ocasião, ele citou o clássico de William Shakespeare em Hamlet: Ser ou não ser, para em seguida exclamar: Esta coisa fala! Consta que teve relevante participação na divulgação e no posterior financiamento do invento.

Foi o primeiro financista de Louis Pasteur, que o reconheceu com um "um homem de ciências". Admirava as pesquisas de Pasteur, muito antes de que o cientista fosse reconhecido na França, tendo inclusive convidado-o para morar no Brasil. Apaixonado pela arqueologia, visitou as ruínas de Tróia e as pirâmides do Egito, tendo sido recebido e conduzido nessas ocasiões pelos próprios Schliemann e Mariette.

Também foi amigo e protetor do famoso neurologista Jean Charcot, cujas teorias seriam a base para a psicanálise de Freud. Charcot, inclusive, foi quem assinou seu atestado de óbito.

O imperador ajudou na industrialização do país, sendo o responsável pela introdução do trem no Brasil, através da concessão dada ao Visconde de Mauá para a construção da primeira ferrovia brasileira, a Estrada de Ferro Dom Pedro II (que após a proclamação da república foi renomeada Estrada de Ferro Central do Brasil).

Pioneiro das preocupações ecológicas, pode-se citar a ordem que deu, em 1861, para o replantio com espécies nativas da Mata Atlântica da área da Floresta da Tijuca, devastada pelo cultivo de café.

Fato pouco conhecido, financiou a primeira expedição brasileira à Antártida, em 1882, em que a corveta Parayba atingiu os arredores do estreito de Drake, com propósitos de coletar informações científicas, o que causou grande protesto da imprensa e de diversos políticos.

Foi o fundador, mantenedor e incentivador de inúmeras instituições científicas no Brasil, entre as quais se destacam, além do já citado observatório astronômico, o Instituto Baiano de Agricultura, o Instituto Agronômico de Campinas, o Museu Paraense, o Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, a Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional e a Escola de Minas de Ouro Preto. Critica-se o imperador pelo fato de seu apoio ter-se dado no plano do mecenato, tendo auxiliado estas instituições com seus recursos privados, sem procurar vinculá-las ao aparelho do estado, o que fez com que perdessem a continuidade com a sua deposição e somente muito mais tarde se recuperassem. Não se deve esquecer, entretanto, que tais iniciativas não tinham um segmento social que o apoiasse, diferentemente do caso dos Estados Unidos e da Europa.

[editar] Propaganda republicana

D. Pedro II em representação na Ilha Fiscal, onde foi realizado o último baile imperial.

Em 1870, quando acabou a guerra do Paraguai, o país novamente encontrou os conservadores nos postos mais significativos e o imperador, aos 45 anos, cansado e envelhecido, com a barba branca que lhe dava a aparência de um sexagenário. A guerra tornara ainda mais agudas as divergências políticas. Os liberais queriam a reforma da constituição e, em 1870, surgiu o Partido Republicano. O futuro marquês de São Vicente, José Antônio Pimenta Bueno, que presidia o Conselho de Ministros, considerou inconveniente o exercício de cargos públicos por republicanos, ao que D. Pedro II respondeu: "O país que se governe como entender e dê razão a quem tiver." E, ante a insistência do primeiro-ministro, arrematou: "Ora, se os brasileiros não me quiserem como imperador, irei ser professor".

Essa tolerância, no entanto, não implicava a falta ou recusa da autoridade. O imperador influía pessoalmente nas indicações para o Conselho de Estado e para o Senado, e contrariava com freqüência as intenções partidárias. Na questão religiosa de 1872, fez prender e processar os bispos D. Vital e D. Macedo Costa, que desafiaram o poder real. Após julgados e condenados pelo Supremo Tribunal de Justiça em 1875, concedeu-lhes a anistia. O imperador fez uso várias vezes do Poder Moderador, que na Carta outorgada por seu pai em 1824 constituía o monarca como um árbitro dotado de poderes arbitrários, que incluíam a escolha dos senadores vitalícios a partir de uma lista tríplice e o direito de dissolver a Câmara Baixa, o que ele decretou quando entendeu necessário. Infelizmente, se admitiu desde o final da década de 1840 um regime parlamentarista que sem dúvida liberalizou as instituições, o Imperador algumas vezes tomou sozinho a decisão de mudar o partido que governava — e as eleições que se faziam em seguida, para dar maioria ao novo gabinete, além de envolverem parte muito pequena da população, eram marcadas por fraudes sistemáticas. Dentro desses limites, assegurou ao legislativo o pleno desempenho de suas funções e à imprensa a inteira liberdade de expressão. Chegou mesmo a declarar, em seu diário, que nascera para consagrar-se "às letras e às ciências e, a ocupar posição política, preferiria a de presidente da república, ou ministro, à de imperador".

Em determinado momento seu governo entrou em conflito com os elementos mais conservadores da sociedade. Naquela época, as forças sociais mais importantes e que davam sustentação ao Império eram a aristocracia rural, formada pelos senhores de escravos, o Exército Imperial e a Igreja Católica.

As dificuldades da economia, agravadas com os gastos decorrentes da Guerra do Paraguai e, principalmente, a abolição da escravatura colocaram a aristocracia rural contra o imperador. O exército, por sua vez, buscava maior autonomia — que considerava conseqüência natural do sucesso na guerra — e estava bastante influenciado pelas idéias positivistas e republicanas.

[editar] Liberdade de expressão

Estátua em homenagem a Pedro II, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte.

Segundo o historiador José Murilo de Carvalho, em seu D. Pedro II (Companhia das Letras: 2007), nunca o Brasil desfrutou de tanta liberdade de expressão quanto no Segundo Reinado. Até mesmo injúrias ao monarca eram publicadas, não admitindo ele que fossem punidas ou que os jornais que as divulgavam fossem processados ou fechados. Com efeito, no Brasil republicano proíbe-se o anonimato nos órgãos de imprensa, que era aceito no período imperial. Mas, de todo modo, assegura Carvalho, o imperador defendia a liberdade de imprensa por convicção e não por conveniência.

[editar] Proclamação da República

Apesar de gozar de boa imagem entre a população, Pedro II foi deposto (mas de forma pacífica e sem nenhuma espécie de participação popular) no dia 15 de Novembro de 1889, através de um golpe militar do qual fez parte o Marechal Deodoro da Fonseca, que seria mais tarde o primeiro presidente republicano brasileiro. Deixou o Brasil sem ressentimento, embora triste. Ao ser deposto e banido do País, formulou «ardentes votos por sua grandeza e prosperidade».

[editar] Exílio

[editar] Últimos anos

O ex-imperador e sua família foram exilados e mudaram-se inicialmente para Portugal (onde assistiram às exéquias do rei Luís I, falecido em 19 de Outubro de 1889, à cerimónia de aclamação de seu filho e herdeiro Carlos I, bem como à de baptismo do infante D. Manuel, Duque de Beja e filho segundo do monarca português, nascido exactamente no dia da sua deposição, e do qual viria a ser padrinho de baptizado) e a seguir para França.

A partir de 1890 até a sua morte, o imperador deposto viveu nas cidades de Nice e Paris. Em Nice, viveu em uma casa alugada por sua filha até que esta se estabelecesse em uma propriedade de seu marido. Foi também em Nice que Pedro II recebeu a notícia da morte da Condessa de Barral.

Em Paris, o imperador passou a residir em um hotel de média categoria, e passava os dias estudando ou freqüentando os institutos culturais e científicos da capital francesa. Foi retornando em um carro aberto de uma sessão do Institut de France, em novembro de 1891, que a pneumonia que o levaria à morte o apanhou.

[editar] Morte

Em 23 de novembro de 1891 Pedro II compareceu a Academia de Ciências pela última vez para participar de uma eleição.[13][14] Na manhã seguinte anotou friamente em seu diário a notícia de que o ditador Deodoro da Fonseca havia renunciado: “10:30. O Deodoro demitiu-se.”[15] Realizou logo mais um longo passeio pelo Sena em carruagem aberta, apesar da temperatura extremamente baixa. Ao retornar para o hotel Bedford à noite, sentiu-se resfriado.[16][17] A doença evoluiu nos dias seguintes até tornar-se uma pneumonia.[18][19] Não houve celebração em seu aniversário no dia 2 de dezembro, com a exceção de uma simples missa, onde ficou acamado e teve apenas a companhia da filha, genro e netos.[20][21][22] Contudo, recebeu a visita de diversos franceses e brasileiros que residiam em Paris que foram cumprimentá-lo.[23]

Dom Pedro II, vestido com o uniforme de Marechal do Exército, em seu leito de morte, 5 de dezembro de 1891.

Seu estado de saúde piorou repentinamente na manhã do dia 3.[24] Outros parentes e amigos foram visitá-lo após saberem da gravidade da situação. No dia 4 recebeu os últimos sacramentos do abade Rébours, vigário de Madeleine.[25] Entrou em agonia na noite do mesmo dia e faleceu as 0:35 da manhã do dia 5.[26][27] Suas últimas palavras foram: “Deus que me conceda esses últimos desejos – paz e prosperidade para o Brasil...”[28] Estava tão enfraquecido que não sofreu qualquer tipo de dor. [29] Estavam ao seu lado sua filha Isabel, o Conde d´Eu, os netos Pedro, Luís, Antonio, Pedro Augusto e Augusto e suas irmãs Januária e Francisca, acompanhada de seus esposos.[30]

Segundo o atestado de óbito a causa mortis foi uma pneumonia aguda do pulmão esquerdo.[31][32][33] Pedro II faleceu sem abdicar de sua coroa e sua filha Isabel tornou-se a herdeira do trono do Império brasileiro.[34] Ela beijou solenemente as mãos do pai e em seguida todos os demais presentes, inclusive dezenas de brasileiros que já se encontravam no local, beijaram sua mão, reconhecendo-a como a Imperatriz de jure do Brasil.[35] O Barão de Rio Branco, que estava presente, escreveu mais tarde: “Os brasileiros presentes, trinta e tantos, foram desfilando um a um, lançando água benta sobre o cadáver e beijando-lhe a mão. Eu fiz o mesmo. Despediam-se do grande morto”[36] O senador Gaspar da Silveira Martins chegou logo após o falecimento e, ao ver o corpo do velho amigo, chorou convulsivamente.[37]

Foi dispensada a autopsia e o corpo do Imperador foi embalsamado as 9 horas do dia 5 de dezembro, após injetarem seis litros de cloridrato de zinco e de alumínio em sua carótida.[38] Também foi feita uma máscara mortuária.[39] Pedro II foi vestido como o uniforme de Marechal do Exército, representando sua posição como Chefe das Forças Armadas brasileiras.[40][41] Em seu peito foram colocadas as fitas das diversas ordens de que fazia parte e em suas mãos, um crucifixo de prata enviado pelo Papa Leão XIII. Duas bandeiras brasileiras foram colocadas em suas pernas para cobri-las.[42][43] Enquanto preparavam o corpo de Pedro II, o Conde d´Eu encontrou no quarto um pacote lacrado e uma mensagem escrita pelo próprio Imperador: “É terra de meu país, desejo que seja posta no meu caixão, se eu morrer fora de minha pátria”.[44][45] O pacote que continha terra de todas as províncias brasileiras foi colocada dentro do caixão.[46] Foram utilizados três caixões: um de chumbo forrado de cetim branco com uma tampa de cristal, onde depositaram o corpo, e outros dois que revestiram o primeiro: um carvalho envernizado e outro de carvalho recoberto de veludo negro.[47]

[editar] Funeral

Poucas horas após a morte de Pedro II, milhares de pessoas compareceram ao hotel Bedford, dentre elas, o Presidente do Conselho, Freycinet e os ministros da Guerra e da Marinha.[48][49] Em apenas um dia, mais de 2 mil telegramas haviam sido enviados para o hotel com mensagens de condolências.[50][51] O presidente francês Sardi Carnot, que estava em viagem pelo sul do país, enviou todos os membros da Casa Militar para prestarem homenagens ao falecido monarca.[52] A princesa Isabel desejava realizar uma cerimônia discreta e íntima para o enterro de Pedro II. [53] Contudo, aceitou o pedido do Governo francês de realizar um funeral de Chefe de Estado. [54] Para evitar incidentes políticos, [55] o Governo decidiu que o enterro seria oficialmente realizado pelo fato do Imperador ser grã-cruz da Legião de Honra,[56][57] mas com as pompas devidas a um monarca.[58] Todos os pedidos feitos pelo governo republicano brasileiro para não se realizar qualquer tipo de funeral oficial ou de apresentar publicamente a bandeira imperial foram simplesmente ignorados pelo governo francês.[59]

Os caixões contendo o corpo de Pedro II saíram do hotel Bedford na noite de 8 de dezembro com destino a Igreja da Madeleine.[60] Oito militares franceses transportaram os caixões, cobertos pela bandeira imperial,[61][62] sendo assistidos por mais de cinco mil pessoas. [63] A carruagem utilizada fora à mesma dos enterros do cardeal Morlot, do Duque de Morny e de Adolphe Thiers.[64][65]

O caixão de Pedro II sendo carregado sobre as escadarias da igreja da Madeleine em direção a estação de trem, 1891.

No dia seguinte, milhares de personalidades compareceram a cerimônia realizada em Madeleine. Além da família de Pedro II, estavam: Amadeo, ex-rei da Espanha, Francis II, ex-rei das Duas Sicílias, Isabella II, ex-rainha da Espanha, Philippe, Conde de Paris, e diversos outros membros da realeza européia.[66][67] Também estavam presentes o General Joseph Brugère, representando o Presidente Sadi Carnot, os presidentes do Senado e da Câmara, [68] assim como senadores, deputados, diplomatas e outros representantes do governo francês.[69] Quase todos os membros da Academia Francesa, do Instituto de França, da Academia de Ciências Morais e da Academia de Inscrições e Belas-Artes também participaram.[70][71] Entre os presentes, estavam: Eça de Queiroz,[72] Alexandre Dumas, fils, Gabriel Auguste Daubrée, Jules Arsène Arnaud Claretie, Marcellin Berthelot, Jean Louis Armand de Quatrefages de Bréau, Edmond Jurien de la Gravière, Julius Oppert, Camille Doucet e outros.[73][74] Representantes de outros governos, tanto do continente americano, quanto europeu se fizeram presentes, além de países longínquos como Turquia, China, Japão e Pérsia,[75] com a exceção do Brasil.[76][77]

Em seguida os caixões foram levados em cortejo até a estação de trem, de onde partiria para Portugal. Apesar da chuva incessante e da temperatura extremamente baixa,[78] entre 200 mil[79] a 300 mil[80] pessoas assistiram ao evento. As tropas militares francesas que fizeram parte do cortejo eram compostas por 80 mil homens.[81] Duas carruagens levavam quase 200 coroas de flores. Nelas, estavam escritas mensagens homenageando o Imperador, tais como: “A D. Pedro, Vitória R.I.”,[82] “Dos Voluntários da Pátria ao grande Imperador por quem se bateram Caxias, Osório, Andrade Neves e tantos outros heróis.”,[83][84] “Um grupo de brasileiros estudantes em Paris.”,[85] “Tempos felizes em que o pensamento, a palavra e a pena eram livres, que o Brasil libertava povos oprimidos...”(enviada pelo Barão de Ladário, Marquês de Tamandaré, Visconde de Sinimbu, Rodolfo Dantas, Joaquim Nabuco e Taunay), [86] “Ao grande brasileiro benemérito da Pátria e da Humanidade. Ubique Patria Memor.”(enviada pelo Barão do Rio Branco),[87] “Os Rio-Grandenses ao rei liberal e patriota.”[88] e “Um negro brasileiro em nome de sua raça”.[89]

A viagem prosseguiu até a Igreja de São Vicente de Fora, próximo a Lisboa, onde o corpo de Pedro II foi depositado no Panteão dos Braganças em 12 de dezembro, entre os de sua madrasta Amélia e de sua esposa, Teresa Cristina.[90][91] Em todos os locais que os caixões passaram, tanto na França, quanto como na Espanha, e por último, em Portugal, foram realizadas homenagens. Como sempre, com a exceção do Governo brasileiro republicano.[92]

[editar] Repercussão à morte do Imperador

Os membros do governo republicano brasileiro, “temerosos da grande repercussão que tivera a morte do imperador”, negaram a possibilidade de qualquer manifestação oficial.[93] Contudo, o povo brasileiro não ficou indiferente ao falecimento de Pedro II, a “repercussão no Brasil foi também imensa, apesar dos esforços do governo para a abafar. Houve manifestações de pesar em todo o país: comércio fechado, bandeiras a meio pau, toques de finados, tarjas pretas nas roupas, ofícios religiosos”.[94] De acordo com o dr. João Mendes de Almeida, em artigo escrito em 7 de dezembro de 1891: “A notícia do passamento de S. M. o Imperador D. Pedro II vem pôr à prova os sentimentos da nação brasileira com a dinastia Imperial. A consternação tem sido geral”. [95][96] Foram realizadas “missas solenes por todo o país, seguidas de pronunciamentos fúnebres em que se enalteciam D. Pedro II e o regime monárquico” [97], de maneira que a “República se calou diante da força e do impacto das manifestações”.[98]

A polícia foi enviada para impedir manifestações públicas de pesar, “provocando sérios incidentes [...] enquanto o povo se solidarizava com os manifestantes”.[99] Uma reunião popular com o objetivo de homenagear o falecido imperador foi realizada no dia 9 de dezembro, tendo sido organizada pelo Marquês de Tamandaré, Visconde de Ouro Preto, Visconde de Sinimbu, Barão de Ladário, Carlos de Laet, Alfredo d'Escragnolle Taunay, Rodolfo Dantas, Afonso Celso e Joaquim Nabuco.[100] Até mesmo os antigos adversários políticos de Pedro II elogiaram o monarca deposto, mesmo que “criticando sua política, ressaltavam sempre seu patriotismo, honestidade, desinteresse, espírito de justiça, dedicação ao trabalho, tolerância, simplicidade”.[101] Quintino Bocaiúva, um dos principais líderes republicanos, falou: “O mundo inteiro, pode-se dizer, tem prestado todas quantas homenagens tinha direito o Sr. Dom Pedro de Alcântara, conquistadas por suas virtudes de grande cidadão”.[102] Alguns “membros de clubes republicanos protestaram contra o que chamaram de exagerado sentimentalismo das homenagens, vendo nelas manobras monarquistas. Foram vozes isoladas”.[103]

A reação no exterior foi igualmente simpática ao monarca. O New York Times do dia 5 de dezembro elogiou Pedro II, considerando-o “o mais ilustrado monarca do século” e afirmando que “tornou o Brasil tão livre quanto uma monarquia pode ser”.[104] The Herald escreveu: “Numa outra era, e em circunstâncias mais felizes, ele seria idolatrado e honrado por seus súditos e teria passado a história como ‘Dom Pedro, o Bom’”.[105] The Tribune afirmou que seu “reinado foi sereno, pacífico e próspero”.[106] The Times publicou um longo artigo: “Até novembro de 1889, acreditava-se que o falecido Imperador e sua consorte fossem unanimemente adorados no Brasil, devido a seus dotes intelectuais e morais e seu interesse afetuoso pelo bem-estar dos súditos [...] Quando no Rio de Janeiro ele era constantemente visto em público; e duas vezes por semana recebia seus súditos, bem como viajantes estrangeiros, cativando a todos com sua cortesia”.[107] O Weekly Register, por sua vez: “Ele mais parecia um poeta ou um sábio do que um imperador, mas se lhe tivesse sido dada a oportunidade de concretizar seus vários projetos, sem dúvida teria feito do Brasil um dos países mais ricos do Novo Mundo”.[108] O periódico francês Le Jour afirmou que “ele foi efetivamente o primeiro soberano que, após nossos desastres de 1871, ousou nos visitar. Nossa derrota não o afastou de nós. A França lhe saberá ser agradecida”.[109] Sobre o monarca, o The Globe asseverou que ele “era culto, ele era patriota; era gentil e indulgente; tinha todas as virtudes privadas, bem como as públicas, e morreu no exílio”. [110]

[editar] Post mortem

Revogada a Lei do Banimento, em 3 de setembro de 1920, seus restos mortais e os de sua esposa foram trasladados de Portugal para o Brasil, chegando ao Rio de janeiro em 8 de janeiro de 1921, a bordo do Encouraçado São Paulo da Marinha do Brasil, após 17 dias de viagem. Acompanharam os restos mortais, o Conde D'Eu — seu genro — marido da Princesa Isabel, D. Pedro de Orleans e Bragança — neto de D. Pedro II e o Barão de Muritiba. Os restos mortais dos ex-imperadores permaneceram no Rio de Janeiro até dezembro de 1925, quando foram novamente trasladados para a Catedral de Petrópolis, cuja construção teve início sob seu patrocínio.

Em 1939, em solenidade que contou com a presença de autoridades e do presidente da época, Getúlio Vargas, o imperador e a imperatriz foram sepultados na Catedral de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, em um mausoléu construído para a ocasião.

Realeza Portuguesa
Casa de Bragança
Descendência


[editar] Posteridade

De sua mulher, D. Teresa de Bourbon, princesa das Duas Sicílias (1822-1889):

[editar] Ascendência

[editar] Títulos

  • 1825-1831: Sua Alteza Imperial O Príncipe Imperial do Brasil dom Pedro de Alcântara
  • 1831-1889: Sua Majestade Imperial, dom Pedro II, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil.
  • 1889-1891: Nenhum. Passou a assinar sempre como "dom Pedro de Alcântara".

[editar] Representações na cultura

Dom Pedro II já foi retratado como personagem no cinema e na televisão, interpretado por Marcelo Picchi na novela Helena (1987), Philippe Noiret no filme O Jovem Toscanini (1988), Carlos Kroeber nas minisséries Abolição (1988) e República (1989), Cláudio Corrêa e Castro na novela Sangue do Meu Sangue de 1969 e por Sylvio Band no remake de 1995 no SBT, Antonio Pedro no filme Policarpo Quaresma, Herói do Brasil (1998), Rodrigo Penna no filme Mauá - O Imperador e o Rei (1999), Cláudio Marzo no filme O Xangô de Baker Street (2001), Ricardo Pavão na novela Bang Bang (2005), e Guillermo Hundadze (na infância) e Sérgio Britto (na velhice), no especial de fim de ano da TV Globo O Natal do Menino Imperador (2008).

Na literatura, merece destaque o romance do francês Jean Soublin, Je suis l´empereur du Brésil (1996), traduzido no Brasil Dom Pedro II, o Defensor Perpétuo do Brasil. Memórias Imaginárias do Último Imperador, em que o ex-imperador, exilado na França, rememora filosoficamente passagens de sua vida. Foi retratado sob o nome de Jean Theodore, príncipe erudito mas entediado com as cerimônias do poder, no romance Les Pléiades, do conde de Gobineau (1875). Também se diz que inspirou um personagem de Julio Verne, o rei de Malecarlie, da obra A ilha à hélice (1895), que abandonara o poder para se dedicar à astronomia.[111] Também faz uma breve aparição no romance de Machado de Assis, Dom Casmurro (1899). Mais recentemente apareceu no romance humorístico de Jô Soares, O Xangô de Baker Street (1995).

Também teve sua efígie impressa nas notas de Cr$ 100 (cem cruzeiros), de 1949, nas de Cr$ 10 (dez cruzeiros), de 1970, e cunhada no verso das moedas de réis em circulação no Brasil entre 1840 e 1889.

[editar] Ver também

Referências

  1. 1,00 1,01 1,02 1,03 1,04 1,05 1,06 1,07 1,08 1,09 1,10 1,11 1,12 1,13 1,14 1,15 BESOUCHET, Lidia, Pedro II e o século XIX, Nova Fronteira, 1979
  2. 2,0 2,1 2,2 2,3 2,4 2,5 2,6 2,7 2,8 CARVALHO, José Murilo de, D. Pedro II, Companhia das Letras, 2007
  3. 3,0 3,1 3,2 3,3 3,4 3,5 SCHWARCZ, Lilia Moritz, As Barbas do Imperador, Companhia das Letras, 2002
  4. 4,0 4,1 4,2 4,3 VAINFAS, Ronaldo, Dicionário do Brasil Imperial, Objetiva, 2002
  5. 5,0 5,1 5,2 5,3 LOEWENSTAMM, Kurt, Imperador D. Pedro II: O Hebraísta no Trono do Brasil, Centauro, 2002
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  7. LUSTOSA, Isabel, Companhia das Letras, 2006
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  9. ALCÂNTARA, José Denizard Macêdo de, D. Pedro II, o Patrono da Astronomia
  10. 10,0 10,1 10,2 10,3 10,4 LYRA, Heitor, História de Dom Pedro II, v.1, UNESP, 1979
  11. SILVA, Rachel Aparecida Bueno - O projeto de construção da nação republicana na visão de Euclides da Cunha(tese de mestrado, UNICAMP, 2004), pp.15-16, disponível em: http://libdigi.unicamp.br/document/?code=vtls000317694
  12. Grandes personagens da História do Brasil, tomo II, pág. 268.
  13. Carvalho (2007), p.238
  14. Besouchet, p.26
  15. Besouchet, p.28
  16. Carvalho (2007), p.238
  17. Besouchet, p.27
  18. Besouchet, p.29
  19. Carvalho (2007), p.238
  20. Carvalho (2007), p.238-9
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  26. Carvalho (2007), p.238-9
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  40. Besouchet, p.603
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  42. Besouchet, p.603
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  71. Calmon, p.1899
  72. Carvalho (2007), p.239
  73. Calmon, p.1898
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  79. Carvalho (2007), p.239
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  105. Schwarcz, p.491
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  111. Les Voyages et aventures du capitaine Hatteras (1866) et la cosmographie polaire. - L'astronomie de Jules Verne, Laboratoire d'Études Spatiales et d'Instrumentation en Astrophysique, LESIA. (visitado em 30-4-2009)

[editar] Bibliografia

[editar] Ligações externas

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Casa de Bragança
Nascimento: 2 de dezembro de 1825; Morte: 5 de dezembro de 1891
Precedido por
D. Maria da Glória

Príncipe Imperial do Brasil
como D. Pedro de Alcântara
18251831
Sucedido por
D. Januária Maria
Precedido por
D. Pedro I

Imperador do Brasil
como D. Pedro II do Brasil
18311889
Sucedido por
Nenhum


Precedido por
Período regencial
Segundo Reinado
18411889
Sucedido por
República Velha


Família Imperial Brasileira
Precursores: D. João VI de Portugal | D. Carlota Joaquina
1.ª geração: D. Pedro I | D.Leopoldina de Áustria | D. Amélia de Leuchtenberg
2.ª geração: D. Pedro II | D. Teresa de Duas Sicílias | D. Januária Maria | D. Paula Mariana | D. Francisca Carolina | D. Maria II de Portugal | D. Maria Amélia
3.ª geração: D. Isabel Leopoldina | D. Luís Gastão d'Eu | D. Afonso Pedro | D. Leopoldina Teresa | D. Pedro Afonso
4.ª geração: D. Luísa Vitória | D. Pedro de Alcântara | D. Luís Maria Filipe | D. Antônio Gastão
5.ª geração em diante: Ramo de Vassouras | Ramo de Petrópolis | Ramo de Saxe-Coburgo e Bragança



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