Pedro I do Brasil
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| D. Pedro I do Brasil
D. Pedro IV de Portugal |
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|---|---|---|
| O Rei-soldado, O Libertador | ||
| Retrato de Dom Pedro I | ||
| Reinado | 7 de setembro de 1822 – 7 de abril de 1831 (Brasil) 10 de Março de 1826 – 28 de Maio de 1826 (Portugal) |
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| Coroação | 12 de outubro de 1822, Capela Imperial, Rio de Janeiro |
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| Títulos | D. Pedro IV de Portugal (Casa de Bragança) |
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| Nascimento | 12 de outubro de 1798 | |
| Palácio de Queluz, Portugal | ||
| Sepultamento | Panteão dos Braganças, Mosteiro de São Vicente de Fora, Lisboa (até 1972) Monumento do Ipiranga, São Paulo (desde 1972) Igreja da Lapa, Porto (onde repousa o coração) |
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| Antecessor | inexistente (Brasil) D. João VI (Portugal) |
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| Sucessor | D. Pedro II (Brasil) D. Maria II (Portugal) |
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| Consorte | Maria Leopoldina de Áustria, Amélia de Leuchtenberg |
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| Filhos | D. Maria da Glória, D. Pedro de Alcântara |
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| Pai | D. João VI | |
| Mãe | D. Carlota Joaquina | |
Dom Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon (Queluz, 12 de outubro de 1798 — Queluz, 24 de setembro de 1834) foi o primeiro imperador do Brasil (de 1822 a 1831) e 28º rei de Portugal (durante sete dias de 1826).
Recebeu os títulos de infante, grão-prior do Crato, príncipe da Beira, príncipe do Reino Unido de Portugal do Brasil e Algarves, príncipe regente do Reino do Brasil além de primeiro imperador do Brasil, como D. Pedro I, de 12 de outubro de 1822 a 7 de abril de 1831, e ainda 28º Rei de Portugal (título herdado de seu pai, D. João VI), durante um período de sete dias (entre 26 de abril e 2 de maio de 1826), como D. Pedro IV.
Em Portugal é conhecido como O Rei-Soldado, por combater o irmão D. Miguel na Guerra Civil de 1832-34 ou O Rei-Imperador. É também conhecido, de ambos os lados do Oceano Atlântico, como O Libertador — Libertador do Brasil do domínio português e Libertador de Portugal do governo absolutista.
D. Pedro I abdicou de ambas as coroas: da portuguesa para a filha D. Maria da Glória e da brasileira para o filho D. Pedro II. D. Pedro I era o quarto filho (segundo varão) do rei D. João VI e de sua mulher, Carlota Joaquina de Bourbon, princesa de Espanha, primogênita do rei espanhol Carlos IV da Espanha. Tornou-se herdeiro depois da morte do seu irmão mais velho, Francisco (1795 - 1801).
[editar] Em Portugal
D. Pedro I nasceu em 12 de outubro de 1798 na sala D. Quixote do palácio de Queluz, próximo a Lisboa. Era filho do futuro Rei de Portugal, D. João VI, então Príncipe Regente, e da infanta Carlota Joaquina, filha de Carlos IV da Espanha. Seus primeiros mestres foram o Dr. José Monteiro da Rocha, ex-jesuíta, e frei Antônio de Nossa Senhora da Salete.
[editar] No Brasil
Fugindo das tropas de Napoleão Bonaparte, na sequência da Guerra Peninsular, D. Pedro I embarcou com a restante família real para o Brasil em novembro de 1807, chegando em março de 1808 ao Rio de Janeiro, cidade que se tornaria a capital do Império. É no Brasil que D. Pedro I passa uma parte da sua infância e juventude.
Depois da mudança da família real para o Brasil frei Antônio de Arrábida tornou-se seu principal preceptor. O príncipe jamais se prendeu aos estudos e preferia a vida solta no paço de São Cristóvão e na fazenda de Santa Cruz. A superficialidade da sua instrução é reconhecida mesmo pelos seus contemporâneos, à qual acrescia um espírito impetuoso e enérgico. Em última análise estes são alguns dos fatores que explicam a sua posição na independência do Brasil.
[editar] Casamentos
Em 1818, quando tinha 19 anos, casa-se com a Arquiduquesa Dona Leopoldina, filha do Imperador Francisco I da Áustria, e de sua segunda esposa, Maria Teresa de Bourbon, Princesa das Duas Sicílias, de um ramo dos Bourbons franceses.
A cerimônia foi realizada na Igreja de Santa Ifigênia, na Rua da Alfândega, tendo o cortejo nupcial desfilado pelo que é hoje a Rua Primeiro de Março. Nela, dizem os historiadores que se dançou pelas ruas o Catupé, variedade de Congo, antigamente ligado a festejos religiosos e, depois, ao Carnaval. Do enlace nasceram, entre outros filhos, D. Maria da Glória (1819), Rainha de Portugal como Dona Maria II, e D. Pedro de Alcântara (1825), sucessor do pai como Imperador do Brasil com o título de D. Pedro II.
Viúvo desde 11 de dezembro de 1826, em agosto de 1829 contrai segundas núpcias por procuração com Amélia de Beauharnais, Princesa da Baviera, Duquesa de Leuchtenberg, neta da Imperatriz Josefina da França, esposa repudiada de Napoleão Bonaparte.
[editar] A Revolução no Porto e o retorno da família real
Em março de 1816, com a morte de Dona Maria I, a Louca e a elevação de seu pai a Rei de Portugal, recebeu o título de Príncipe Real e Herdeiro do Trono (o irmão mais velho, Antônio Príncipe da Beira, falecera em 1801). Irrompe então a revolução constitucionalista de 1820, exigindo a restituição do Pacto Colonial e o retorno da Família Real ao reino. D. João VI a ignora, mas devido à pressão popular do clero, da nobreza e da burguesia portuguesa, em 1821 decide retornar à metrópole depois de cerca de treze anos no Rio de Janeiro. Em Portugal, as Cortes Constituintes já iniciavam a elaboração da Constituição do reino. Mas esta decisão régia foi mal recebida no Brasil.
Ao voltar à Portugal, D. João VI deixa seu filho D. Pedro I como Príncipe Regente do Brasil. Os direitos concedidos ao Brasil, entretanto, foram sendo rescindidos pelas cortes. D. Pedro I então alinha-se ao descontentamento brasileiro provocado pelas medidas portuguesas.
[editar] O Dia do Fico
Preocupada com a evolução do Brasil, a elite política portuguesa pressionava as cortes que redigiam a Constituição Portuguesa a rebaixar novamente à categoria de colônia o Brasil (que tinha sido elevado à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves). Pressionado por essas cortes, D. João VI assinou um documento que tornava inefetivo o título de príncipe regente no Brasil concedido a D. Pedro I. Uma ordem judicial exigiu a volta imediata do príncipe a Portugal. Foi enviada uma frota ao Rio de Janeiro, destinada a repatriá-lo. Após ter recebido um abaixo-assinado com centenas de assinaturas (conhecido como Petição do Fico), que pedia que ele permanecesse no Brasil, o regente recusou-se a embarcar para a Europa e, em 9 de janeiro de 1822, pronunciou, em um episódio que ficou conhecido como Dia do Fico, a frase histórica: "Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto, diga ao povo que fico!", declarando também que nenhuma ordem das cortes portuguesas seria cumprida no Brasil sem a sua autorização.
[editar] Proclamação da Independência
Em abril a popularidade do príncipe foi comprovada durante uma viagem a Minas Gerais. De lá seguiu para São Paulo, a fim de pacificar rebeliões na província. Em 7 de setembro, quando ia de Santos para a capital paulista, recebeu notícias de Portugal por cartas da esposa e de seu ministro José Bonifácio. Assim tomou conhecimento de que fora rebaixado da condição de regente a mero delegado das cortes de Lisboa. Ali mesmo, junto ao riacho do Ipiranga (São Paulo), o herdeiro de D. João VI, ao receber a última ordem do pai para regressar em vergonha ao país, proferiu o famoso grito do Ipiranga: "Independência ou Morte!".
D. Pedro I contou, naturalmente, com o apoio do "povo" e, de volta ao Rio de Janeiro, em 12 de outubro, foi proclamado imperador e "defensor perpétuo do Brasil". Em 1 de dezembro foi sagrado e coroado. Em 1821 há a convocação da Assembléia Nacional Consituinte, feita pelo Partido Brasileiro. Em 1823 é apresentado um anteprojeto constitucional, apelidado de "Constituição da Mandioca", com caráter elitista e liberal, submetendo o poder do Imperador ao controle Legislativo, através da Tripartição de poderes (Teoria de Montesquieu) - em especial, os deputados cogitam incluir um artigo que permitirá, à morte do príncipe reinante, que o Parlamento reveja os seus atos. D. Pedro não a aceita e dissolve a Assembléia acusando os brasileiros de infiéis.
Em 24 de fevereiro de 1824 ele promulga e outorga (impõe) uma Constituição redigida por ele mesmo com auxílio de um Conselho de Estado. Apesar da forma autoritária, o Brasil torna-se uma monarquia constitucional. A Constituição de 1824 possuia 4 poderes: Legislativo, Executivo, Judiciário e o Moderador (exclusivo do Imperador), concebido pelo pensador e político francês de origem suíça Benjamin Constant. A divisão do Brasil era em Províncias, o poder era centralizado, a religião oficial era a católica apostólica e romana, garantindo o direito livre de culto, e a escravidão era preservada. Tem início o Primeiro Reinado, que se estendeu da independência até a abdicação de D. Pedro I, em 1831.
A Independência do Brasil foi contestada em território brasileiro por tropas do Exército Português, especialmente nas regiões onde, por razoes estratégicas, elas se concentravam, a saber, nas então Províncias Cisplatina, da Bahia, do Piauí, do Maranhão e do Grão-Pará (Guerra da Independência do Brasil). A Independência foi oficialmente reconhecida por Portugal e pelo Reino Unido somente em 1825.
[editar] Atuação política
No entanto, a imagem de D. Pedro I, em poucos anos passa de "Defensor Perpétuo" do Brasil para a de traidor da Nação. O seu primeiro ato político importante foi a convocação, em 1822, da Assembléia Constituinte. Entretanto, as divergências entre os deputados brasileiros e o soberano, que exigia um poder pessoal superior ao do Legislativo e do Judiciário, levaram à sua dissolução em 13 de outubro de 1823. D. Pedro I demitiu o Ministério Andrada e deportou para a Europa em Portugal os seis deputados que se mostraram mais exaltados, inclusive o próprio José Bonifácio de Andrada e Silva e seus irmãos (novembro de 1823). Foi criado então um Conselho de Estado que, com o Imperador à frente, elaborou a Constituição, outorgada em 25 de março de 1824.
A razão da discórdia com os deputados constituintes girava em torno da limitação aos poderes do imperador, o qual, segundo os deputados, deveria ser restringido pela Câmara. D. Pedro I, por sua vez, não abria mão do direito de poder dissolver a Câmara quando lhe aprouvesse, colocando sua autoridade acima de tudo. O resultado foi a dissolução da Assembléia Constituinte e a instauração do Poder Moderador através da nova Carta, o que fortalecia ainda mais o monarca. Contra a Constituição do Império se rebelaram algumas províncias do nordeste, lideradas por Pernambuco. A revolta conhecida como Confederação do Equador foi severamente reprimida pelas autoridades da época.
Em 1826 foram instalados a Câmara e o Senado, este de caráter vitalício. O equilíbrio político, no entanto, permanecia instável, face a dificuldades financeiras e divergências entre nativistas e "marinheiros" ou "marotos" (portugueses residentes no Brasil).
De Portugal, D. João VI tentou sem sucesso reaver o Brasil. A única solução encontrada para reunir Portugal e Brasil foi a de nomear D. Pedro I seu sucessor em Portugal, apesar de este ter sido deserdado em consequência dos acontecimentos de 1822. Em maio de 1826, após a morte de D. João VI, Dona Isabel Maria de Bragança assume a regência do reino e designa D. Pedro I Rei de Portugal, sob o título de D. Pedro IV, 28º Rei de Portugal.
O jovem Imperador decide contrariar as restrições da constituição imperial brasileira, que ele próprio aprovara, e assumir o poder em Lisboa. D. Pedro I começa por idealizar a junção das duas Coroas, mas depressa muda de idéias, outorgando aos portugueses a Carta Constitucional (1826) e abdicando, no mês seguinte, em favor de sua filha primogênita, Dona Maria da Glória, de sete anos, mediante duas condições: o casamento da Rainha com o seu tio D. Miguel, entretanto nomeado regente, e o juramento da Carta Constitucional escrita em Taubaté.
Após a doação da Carta portuguesa, a situação torna-se complicada nos dois reinos. Em Portugal, D. Miguel torna-se senhor de um trono absolutista (1827), faltando ao compromisso assumido com seu irmão, e, no Brasil, D. Pedro I tornou-se cada vez mais impopular por seu absolutismo — ironicamente, visto sua posição nos acontecimentos a seguir em Portugal.
[editar] Ministérios
[editar] Gabinete de 16 de janeiro de 1821
- Ministro do Império: José Bonifácio de Andrada e Silva
- Ministro da Guerra:
- Ministro da Marinha:
- Ministro da Justiça: Caetano Pinto de Miranda Montenegro
- Ministro da Fazenda:
[editar] Gabinete de 28 de outubro de 1822
- Ministro do Império: José Egídio Álvares de Almeida
- Ministro dos Estrangeiros: José Egídio Álvares de Almeida
- Ministro da Guerra: João Vieira de Carvalho
- Ministro da Marinha: Luís da Cunha Moreira
- Ministro da Justiça: Sebastião Luís Tinoco da Silva
- Ministro da Fazenda: João Inácio da Cunha
[editar] Gabinete de 30 de outubro de 1822
- Ministro do Império: José Bonifácio de Andrada e Silva
- Ministro dos Estrangeiros: José Bonifácio de Andrada e Silva
- Ministro da Guerra:
- Ministro da Marinha:
- Ministro da Justiça: Caetano Pinto de Miranda Montenegro
- Ministro da Fazenda:
[editar] Gabinete de 10 de novembro de 1823
- Ministro do Império: Francisco Vilela Barbosa
- Ministro dos Estrangeiros: Francisco Vilela Barbosa
- Ministro da Guerra: José de Oliveira Barbosa
- Ministro da Marinha: Luís da Cunha Moreira
- Ministro da Justiça: Clemente Ferreira França
- Ministro da Fazenda: Sebastião Luís Tinoco da Silva
[editar] Gabinete de 21 de novembro de 1825
- Ministro do Império: José Feliciano Fernandes Pinheiro
- Ministro dos Estrangeiros: José Egídio Álvares de Almeida
- Ministro da Guerra: João Vieira de Carvalho
- Ministro da Marinha: Francisco Vilela Barbosa
- Ministro da Justiça: Sebastião Luís Tinoco da Silva
- Ministro da Fazenda: Felisberto Caldeira Brant Pontes de Oliveira Horta
[editar] Gabinete de 20 de novembro de 1827
- Ministro do Império: Pedro de Araújo Lima, José Clemente Pereira
- Ministro dos Estrangeiros: João Carlos Augusto de Oyenhausen-Gravenburg
- Ministro da Guerra: Bento Barroso Pereira, Francisco Cordeiro da Silva Torres de Sousa Melo e Alvim, Joaquim de Oliveira Álvares, José Clemente Pereira
- Ministro da Marinha: Diogo Jorge de Brito, João Carlos Augusto de Oyenhausen-Gravenburg, Miguel de Sousa Melo e Alvim
- Ministro da Justiça: Lúcio Soares Teixeira de Gouveia, José Clemente Pereira, José Bernardino Batista Pereira de Almeida
- Ministro da Fazenda: Miguel Calmon du Pin e Almeida, José Clemente Pereira, José Bernardino Batista Pereira de Almeida
[editar] Gabinete de 4 de outubro de 1829
- Ministro do Império: José Joaquim Carneiro de Campos, João Inácio da Cunha, José Antônio da Silva Maia
- Ministro dos Estrangeiros: Miguel Calmon du Pin e Almeida
- Ministro da Guerra: Tomás Joaquim Pereira Valente
- Ministro da Marinha: Francisco Vilela Barbosa
- Ministro da Justiça: João Inácio da Cunha
- Ministro da Fazenda: Felisberto Caldeira Brant Pontes de Oliveira e Horta, José Antônio Lisboa, Antônio Francisco de Paula Holanda Cavalcanti de Albuquerque
[editar] Gabinete de 19 de março de 1831
- Ministro do Império: Bernardo José da Gama
- Ministro dos Estrangeiros: Francisco Carneiro de Campos
- Ministro da Guerra: José Manuel de Morais
- Ministro da Marinha: José Manuel de Almeida
- Ministro da Justiça: Manuel José de Sousa França
- Ministro da Fazenda: Antônio Francisco de Paula Holanda Cavalcanti de Albuquerque
[editar] Gabinete de 5 de abril de 1831
- Ministro do Império: Antônio Luis Pereira da Cunha
- Ministro dos Estrangeiros: Francisco Carneiro de Campos
- Ministro da Guerra: João Vieira de Carvalho
- Ministro da Marinha: Francisco Vilela Barbosa
- Ministro da Justiça: João Inácio da Cunha
- Ministro da Fazenda: Manuel Jacinto Nogueira da Gama
[editar] Declínio no Brasil
A indecisão entre o Brasil e Portugal contribuiu para minar a popularidade e o prestígio de D. Pedro I. Os problemas do Imperador agravaram-se a partir de 1825, quando, no plano interno, fracassavam as forças brasileiras na Campanha Cisplatina (1825 - 1827). O Imperador chegou a ir ao Rio Grande do Sul, a fim de participar pessoalmente da campanha, no final de 1826. A notícia da morte da Imperatriz Leopoldina obrigou-o a mudar os planos e retornar ao Rio de Janeiro.
Além do malogro militar, da perda da província da Cisplatina (em 1828), e dos constantes atritos com a Assembléia, a vida privada do Imperador também contribuía para o desgaste de sua imagem. Era notório seu relacionamento com Domitila de Castro Canto e Melo, a quem fez viscondessa e depois marquesa de Santos. O romance teve início em 1822 e durou até o segundo casamento de D. Pedro I, em 1829, com Amélia de Beauharnais, duquesa de Leuchtenberg. O marquês de Barbacena, encarregado de encontrar uma noiva para o Imperador que atendesse às exigências de nobreza, formosura, virtude e educação, enfrentara humilhantes recusas por parte de várias casas reais européias que viam com horror o relacionamento do Imperador com a Marquesa de Santos,e o sofrimento que este causara na Imperatriz Leopoldina.
Tudo isso, ao lado das dificuldades financeiras, provocaram o protesto das elites brasileiras. Apesar da renúncia, sua relação com os assuntos internos de Portugal o tornaram cada vez mais impopular no Brasil. O constante declínio de seu prestígio e a crise provocada pela dissolução do gabinete, em 1830, fez o Imperador sofrer oposição liberal e reação popular, levando-o a abdicar em favor do filho D. Pedro II (com apenas seis anos) em 7 de abril de 1831.
[editar] Triunfo em Portugal
D. Pedro I retorna à Europa e assume a liderança da luta para restaurar os direitos da filha, usurpados por D. Miguel. Em Portugal se viviam as Guerras Liberais entre os miguelistas, partidários do absolutismo defendido por Miguel, que usurpara a Coroa de D. Maria II, Rainha em título, e os liberais, defensores do constitucionalismo. Após conseguir os apoios financeiros necessários e organizar os liberais imigrados, chega aos Açores em 1832, onde assume a regência na qualidade de Duque de Bragança, nomeia um Ministério composto por Mouzinho da Silveira, Marquês de Palmela e Agostinho José Freire (do qual se destaca o primeiro pela legislação que vai promulgando, que viria a alterar a estrutura jurídica e social do país), e prepara força expedicionária para invadir Portugal e colocar a sua filha no trono.
Em junho a expedição militar parte para o norte do país, vindo a desembarcar no Pampelido em 8 de julho e seguindo depois para o Porto. As tropas chegam à cidade no dia seguinte e, ao contrário do que tinham inicialmente previsto, sofrem um longo e penoso cerco, dando-se início a uma guerra civil. Em 24 de julho de 1834, depois da batalha de Lisboa, ganha pelo marechal-duque da Terceira, os liberais derrotam os miguelistas.
As cortes de agosto de 1834 confirmam a regência de D. Pedro I, que repõe a filha no trono português. Apesar de ter reconquistado o trono português para sua filha, D. Pedro I voltou tuberculoso da campanha e morreu em 24 de setembro de 1834, pouco depois da Convenção de Évora Monte (que selara a vitória da causa liberal, de que se fizera paladino), no palácio de Queluz, na mesma sala onde nascera 36 anos antes.
Foi sepultado no Panteão dos Braganças, na Igreja de São Vicente de Fora, como simples general, e não como rei. O seu coração foi doado, por decisão testamentária, à Igreja da Lapa, no Porto, onde se encontra conservado, como relíquia, num mausoléu na capela-mor da igreja, ao lado do Evangelho. Em 1972, no sesquicentenário da Independência, seus despojos foram trasladados do panteão de São Vicente de Fora para a cripta do monumento do Ipiranga, em São Paulo, no Brasil, ao lado da primeira esposa, a Imperatriz Leopoldina e da segunda esposa, Imperatriz Amélia.
[editar] Linha cronológica
- 1798 - D. Pedro I nasce, no dia 12 de outubro, no Palácio Real de Queluz
- 1801 - D. Antônio, primogênito de D. João VI, morre
- 1807 - D. Pedro I parte para o Brasil com a Corte Portuguesa
- 1808 - Chegada da Família Real Portuguesa ao Rio de Janeiro, no dia 7 de março
- 1816 - D. João VI é elevado a Rei de Portugal e D. Pedro I recebe o título de Príncipe Real e herdeiro do trono português
- 1818 - D. Pedro I se casa com a arquiduquesa D. Leopoldina, filha do Imperador Francisco I da Áustria, e de sua segunda esposa, Maria Teresa de Bourbon, princesa do Reino das Duas Sicílias
- 1820 - Inicia a Revolução Liberal do Porto
- 1821 - A Família Real Portuguesa, pressionada pelos revoltosos, regressa a Portugal
- 1822 - Dia do Fico, em 9 de janeiro
- 1822 - Independência do Brasil, no dia 7 de setembro, às margens do Rio Ipiranga
- 1822 - Regresso de D. Pedro I ao Rio de Janeiro, no dia 12 de outubro
- 1822 - Coroação de D. Pedro I como Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil
- 1823 - A Assembléia Constituinte é dissolvida por D. Pedro I
- 1824 - Uma Constituição é outorgada por D. Pedro I no dia 25 de março
- 1826 - Morre a Imperatriz Leopoldina, no dia 11 de dezembro
- 1826 - Morre D. João VI, e D. Pedro I assume o título de Dom Pedro IV de Portugal, contrariando a Constituição
- 1826 - D. Pedro I decide abdicar o trono português em favor de sua filha, D. Maria da Glória, de sete anos, mediante duas condições: o casamento da rainha com o seu tio D. Miguel I, entretanto nomeado regente, e o juramento da Carta Constitucional
- 1827 - D. Miguel I contraria seu irmão, D. Pedro I, e instalada uma monarquia absolutista em Portugal
- 1827 - D. Pedro I passa a ser visto como impopular e traidor da nação, pelas suas ações autoritaristas
- 1827 - Os brasileiros não obtém sucesso na Campanha Cisplatina, perdendo então seu território ao sul
- 1829 - D. Pedro I contrai segundas núpcias, por procuração, com Amélia de Beauharnais, princesa da Baviera, duquesa de Leuchtenberg, neta da Imperatriz Josefina da França, esposa repudiada de Napoleão Bonaparte
- 1830 - O gabinete é dissolvido
- 1831 - Ocorre a abdicação em favor do filho D. Pedro II (com apenas seis anos) em 7 de abril de 1831
- 1831 - D. Pedro I regressa a Portugal e assume a liderança da luta para restaurar os direitos da filha, usurpados por D. Miguel I. Em Portugal se viviam as Guerras Liberais entre os miguelistas, partidários do absolutismo defendido por D. Miguel I, e os liberais, defensores do constitucionalismo
- 1832 - D. Pedro I chega aos Açores, onde assume a regência na qualidade de duque de Bragança, nomeia um ministério composto por Mouzinho da Silveira, Marquês de Palmela e Agostinho José Freire
- 1834 - Em 24 de julho, depois da batalha de Lisboa, os liberais derrotam os miguelistas
- 1834 - As cortes confirmam a regência de D. Pedro I no mês de agosto
- 1834 - Ao voltar para Lisboa, D. Pedro I é atacado pela tuberculose. No dia 24 de setembro, D. Pedro I morre no Palácio de Queluz.
[editar] Ascendência
| João V de Portugal |
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D. Maria Ana de Áustria |
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José I de Portugal |
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Mariana Vitória de Bourbon |
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Carlos III de Espanha |
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Maria Amália da Saxônia |
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Filipe, duque de Parma |
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Maria Luísa Isabel de França | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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Pedro III Rei-Consorte de Portugal |
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Maria I de Portugal |
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Carlos IV de Espanha |
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Maria Luísa de Parma |
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João VI de Portugal |
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Carlota Joaquina de Bourbon |
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[editar] Descendência
D. Pedro teve ao todo 18 filhos. De sua esposa em primeiras núpcias, a Imperatriz Leopoldina, Arquiduquesa da Áustria, nasceram:
- D. Maria II, rainha de Portugal (1819-1853), casada por procuração com seu tio, D. Miguel I, rei de Portugal, em primeiras núpcias com Augusto de Beauharnais, duque de Leuchtenberg, e em segundas núpcias com o príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gota, rei consorte de Portugal;
- Infante D. Miguel de Bragança (1820), príncipe da Beira;
- Infante D. João Carlos de Bragança (1821-1822), príncipe da Beira;
- D. Januária Maria (1822-1901), princesa imperial do Brasil, casada com o príncipe Luís de Bourbon e Duas Sicílias, conde de Áquila;
- D. Paula Mariana (1823-1833);
- D. Francisca (1824-1898), princesa do Brasil, casada com o Francisco Fernando d'Orléans, príncipe de Joinville;
- D. Pedro II (1825-1891), imperador do Brasil, casado com D. Teresa Cristina de Bourbon e Duas Sicílias, princesa de Duas Sicílias.
De sua esposa em segundas núpcias, Dona Amélia de Leuchtenberg, imperatriz do Brasil (1829 - 1831), duquesa de Leuchtenberg e de Bragança:
- D. Maria Amélia de Bragança (1831-1853), princesa do Brasil.
De sua amante, Domitília de Castro e Canto Melo, marquesa de Santos:
- rapaz (1823), menino natimorto;
- D. Isabel Maria de Alcântara Brasileira (1824-1898), duquesa de Goiás, casada com Ernesto José João Fischler von Treuberg, conde de Treuberg;
- D. Pedro de Alcântara Brasileiro (1825–18