Pelúsio

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Este artigo ou se(c)ção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde Maio de 2011). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Pelúsio (Pelusium) na Via Maris (violeta), costa mediterrânea, o Caminho dos Reis (a vermelho), e outras rotas comerciais no século XIV a.C.

Pelúsio (em latim: Pelusium ou Ostium Pelusiacum, "Boca Pelúsia") foi uma antiga cidade do Baixo Egito, situada no extremo nordeste do delta do Nilo, na desembocadura mais oriental do Nilo. Situava-se cerca de 30  quilômetros a sudeste de Port Said. A cidade foi conhecida por outros nomes, como Sena, Per-Amon, Per-Amun ("templo ou casa de em Amon em egípcio e copta), Pelousion (Πηλούσιον em grego clássico), Sin (em caldeu e hebraico), Seyân (em aramaico), Farama ou Al-Farama (em algumas fontes históricas árabes, derivado dos nomes coptas) e Tell el-Farama (em árabe egípcio e árabe moderno). É citada com o nome de Sin, fortaleza do Egito, no Antigo Testamento, no Livro de Ezequiel 30:15.

História[editar | editar código-fonte]

Cidade chave do Antigo Egito, a antiga cidade estava situada a uns 6 quilômetros para o interior, embora atualmente esteja mais próxima à costa. O produtos principal das terras próximas era o linho, o Linum Pelusiacum era ao mesmo tempo abundante e de uma boníssima qualidade.[1] Era uma fortaleza fronteiriça, chave na fronteira entre a Síria e o mar. Dada a sua posição, esteve exposta ao ataque dos invasores do Egito; travaram-se várias batalhas importantes ante as suas muralhas, e com frequência foi assediada e tomada.

Em 700 a.C., o exército de Senaqueribe (720—-715 a.C.), rei da Assíria, chegou perante as muralhas de Peromi, mas retirou-se. Durante a retirada os egípcios atacaram-no e derrotaram-no.

Heródoto escreveu que o faraó Psamético I (664610 a.C.) deu terras aos mercenários da Antiga Grécia jônios e cários na cidade de Bubástis, no ramo Pelusiaco do rio. Porém, não foi provado que o estabelecimento dos mercenários fosse na cidade de Pelúsio, pois não foi encontrado nenhum vestígio do século VII a.C.

Os persas conquistaram a cidade no século VI a.C., fato mencionado por Heródoto, mas também não foram acharados vestígios desta época.

Em 525 a.C., foi livrada a batalha de Pelusium na qual as forças do rei persa Cambises II derrotaram as de Psamético III. Conta-se que durante o assédio de Pelúsio, Cambises ideou um estratagema para vencer a resistência desta cidade. Como os gatos eram sagrados lá, ordenou aos seus soldados que os capturassem e lançassem-nos com as catapultas para a cidade. Ao ver que os felinos corriam perigo de morte, os habitantes renderam-se.[2]

Em 373 a.C., o sátrapa Farnabazo II de Frígia, apresentou-se com a sua frota ante Peromi, mas retirou-se sem a atacar, devido às medidas tomadas pelo faraó Netanebo I, que inundou as terras e bloqueou os canais navegáveis, pelo qual a expedição naval foi um desastre. Pelúsio foi conquistada em 369 a.C. pelos persas. A guarnição egípcia e cinco mil mercenários gregos renderam-se, após ser completamente derrotadas as forças de Netanebo.

Em 333 a.C., entrou em Pelúsio o rei macedônio Alexandre, o Grande, sem luta, e estabeleceu uma guarnição. Após a morte de Alexandre, o general Ptolemeu ficou com o governo do Egito e tornou-se faraó.

Em 321 a.C., o corpo de Alexandre foi levado para Pelúsio.

Em 306 a.C.,[carece de fontes?] após haverem derrotado Ptolemeu I Sóter em Chipre, Antígono Monoftalmo e seu filho Demétrio Poliorcetes tentaram tomar o Egito, Antígono por terra e Demétrio por mar; Ptolemeu I Sóter resistiu com seu exército em Pelúsio, e com seus navios de guerra no rio.[3]

Em 173 a.C., Antíoco IV Epífanes derrotou Ptolemeu VI Filométor perante as muralhas da cidade, e conservou-a após abandonar o restante do Egito. Mais tarde (na época não estabelecida), retornaria a cidade para os lágidas.

Em 55 a.C. Marco Antônio, general às ordens do procônsul Aulo Gabínio, derrotou os egípcios perto de Pelúsio e ocupou-a, mas respeitou a vida dos seus habitantes.

Em 48 a.C., Cleópatra marchou para a cidade no comando um exército de egípcios e mercenários sírios e árabes contra o seu irmão e marido Ptolemeu XII Auletes. No mesmo ano, a 28 de setembro, Pompeu foi assassinado na cidade, após ter sido derrotado em Farsália e ter fugido para a cidade procurando a proteção do faraó Ptolemeu; porém, Ptolemeu mandou-no matar e enviou-o embalsamado para Júlio César, quando este chegou em outubro, e Pelusium caeria nas suas mãos.

Em 31 a.C., depois da batalha de Ácio, Augusto apresentou-se em Pelúsio, e o governador Seleuco abriu-lhe as portas. A cidade foi visitada por diversos imperadores romanos, entre eles Tito (70), Adriano (130-131), e Septímio Severo (199-200).

O astrônomo Cláudio Ptolemeu residiu nela.

Em 501, a cidade foi seriamente danificada pelos persas. Em 524, sofreu uma praga e desde então foi conhecida nomeadamente pelo seu nome copto, Paramoun.

Em 618, Pelusium foi atacada e depois conquistada temporalmente pelos persas dirigidos por Khusraw. Em 640 foi ocupada por Amr ben al-Ash após uma forte resistência, e a sua queda conduziu à de tudo o Egito, do qual Amr foi o primeiro governador.

Por volta de 870, Pelusium era um porto de primeira importância da rede comercial dos mercadores Radanitas.

Em 1171 foi arrasada por Balduíno I de Jerusalém, que faleceu envenenado ao comer peixe do lugar. Em 1169, é mencionado um ataque do rei Amaúri I de Jerusalém, mas depois não volta a ser mencionada.

Atualmente é sede dum bispo metropolitano da Igreja Ortodoxa.

Sítio arqueológico[editar | editar código-fonte]

A cidade foi escavada por Jacques Cledal em 1910. Em 1982, iniciou escavações Mohammed Abd el-Maksoud. Em 1991, Tell el-Farama e outros lugares próximos como Tell el-Makhzan e Kanais, considerados parte do "Grande Pelusium", foram repartidos em concessões a equipas egípcias, canadenses, suiças e britânicas; Ahmed el-Tabai descobriu um anfiteatro e Mohammed Abd el-Samie uma igreja bizantina em Tell el-Makhzan.

Referências

  1. Plínio o Velho, História Natural, xix,1-3.
  2. Este episódio foi ilustrado pelo pintor francês Paul-Marie Lenoir.
  3. Pausânias (geógrafo), Descrição da Grécia, 1.6.6
  • Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em espanhol, cujo título é «Pelusio».

Ligações externas[editar | editar código-fonte]