Pelotão de Operações Especiais (EB)

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Pelotão de Operações Especiais
Pelopes.png
Brasão de alguns PELOPES.
País  Brasil
Corporação Exército Brasileiro
Subordinação Unidades convencionais operacionais
Missão Operações especiais
Sigla PELOPES
Lema Brasil! Acima de tudo!
Logística
Efetivo Pelotão

Pelotão de Operações Especiais, mais conhecido pelo acrônimo PELOPES, é o nome de diversas frações de elite orgânicas de unidades combatentes convencionais do Exército Brasileiro.

História[editar | editar código-fonte]

O Exército Brasileiro para cumprir a sua função constitucional, possui o maior exército da América Latina,[1] composto por unidades de combate convencional e por diversas unidades de elite, reconhecidas como de pronto emprego pela Força Terrestre, em tempos de guerra, estas unidades seriam a ponta da lança do EB para proteger o Brasil de agressões externas, estas unidades são reconhecidamente as que integram a Força de Ação Rápida Estratégica, assim como as brigadas de infantaria de selva do Comando Militar da Amazônia, o 11º Batalhão de Infantaria de Montanha e as unidades especialistas em operações na caatinga e pantanal também compoem este time de elite, respectivamente 72º Batalhão de Infantaria Motorizado e 17º Batalhão de Fronteira.

Porém a Força Terrestre tem ciência de que em um conflito de grandes proporções, estas unidades de elite não poderiam estar em todos os possiveis teatros de operações, por isso além de manter motivadas e equipadas as suas unidades de combate convencionais, há algumas décadas o Exército Brasileiro resolveu criar no seio destas unidades convencionais, frações de operações especiais, que na ausência das unidades de elite principais oriundas da Brigada de Operações Especiais, pudessem cumprir operações especiais sempre com o objetivo de auxiliar as operações das quais a sua unidade estivesse envolvida, nascia neste momento os PELOPES, cada unidade convencional combatente deveria ter o seu Pelotão de Operações Especiais.

No caso das unidades convencionais de infantaria do Exército, estes batalhões geralmente designam como seu PELOPES o 1º pelotão de fuzileiros da 1ª companhia de fuzileiros destas unidades.

Em algumas unidades do Exército os pelotões de operações especiais (PELOPES) tem outras denominações, mas a missão e modo de emprego são sempre os mesmos, é o caso da "Subunidade de Operações Especiais" ("SUOPES"), esta é a denominação no 19º Batalhão de Caçadores.[2]

Batismo de Fogo[editar | editar código-fonte]

Durante a 2ª Guerra Mundial, as unidades PELOPES ainda não existiam oficialmente, entretanto, a missão e o modo de emprego de pequenas frações do Exército Brasileiro que lutaram neste conflito, podem ser considerados o embrião dos PELOPES. Nesta campanha, o comandante da Força Expedicionária Brasileira, marechal Mascarenhas de Morais, com objetivo da defesa estratégica das bases brasileiras nos campos da Itália, o marechal ordenou que se destacassem pequenas frações destas bases, a fim de operar de maneira irregular e em missões de alto grau de risco e sigilo. Segundo relatórios das atuações dessas unidades, nos escritos do próprio marechal, e de seus oficiais de Estado-Maior, foram de grande valia os trabalhos prestados para a campanha da FEB.

Seleção e treinamento[editar | editar código-fonte]

Os militares que compoem os PELOPES de uma unidade do Exército, geralmente são selecionados entre os que mais se destacam nas operações de adestramento destas unidades, assim como os que tenham melhor desempenho nos testes de aptidão física e também militares que já tenham servido em unidades de elite do Exército ou que tenham concluído cursos de elite do Exército, de outras Forças Armadas do Brasil, de Forças Auxiliares ou outras organizações policiais civis estaduais ou federais, bem como aqueles que já tenham participado de alguma operação real. Militares que estejam em seu primeiro ano na Força Terrestre normalmente não podem fazer parte dos PELOPES.

O treinamento dos PELOPES ainda é um pouco heterogeneo entre si, como a maior parte dos treinamentos é feita pela própria unidade onde está inserido o PELOPES e devido a grande quantidade de unidades convencionais do Exército, devido ao tamanho do mesmo, isto dificulta a homogeneidade operacional destas subunidades, existindo PELOPES extremamente operacionais, não devendo em nada as principais unidades comandos do Brasil, e há também aqueles que tem treinamento relativamente simples em relação a outras unidades de elite, mas muito superior ao treinamento das unidades de combate convencionais.

Na maioria dos Pelotões de Operações Especiais o plano anual de treinamento é muito mais intenso e complexo do que o restante da unidade a qual está inserido, realizam isoladamente treinamentos em campos de instrução do Exército, e esporadicamente também realizam treinamentos em conjunto com unidades de elite do EB, como o 1º Batalhão de Forças Especiais, e o 1º Batalhão de Ações de Comandos oriundos da Brigada de Operações Especiais, assim como também realizam treinamentos com a Brigada de Infantaria Paraquedista e a 12ª Brigada de Infantaria Leve (Aeromóvel), ambas pertencentes a Força de Ação Rápida Estratégica.

Em alguns casos oficiais e sargentos de carreira dos PELOPES são enviados a unidades de instrução de elite do Exército, como o Centro de Instrução de Operações Especiais, o Centro de Instrução de Guerra na Selva, entre outros, a fim de se especializarem e multiplicarem seus conhecimentos aos demais integrantes de seu PELOPES. Apesar deste fluxo ser pequeno, devido a grande quantidade de PELOPES, na maioria das vezes em que ocorre, estes militares são enviados para concluirem o Curso de Ações de Comandos no Centro de Instrução de Operações Especiais, mesmo curso que forma os comandos do 1º Batalhão de Ações de Comandos, devido a este ser o curso mais indicado ao modo de emprego dos PELOPES.

Os Militares dos PELOPES, mesmo os que não realizam o Curso de Ações de Comandos, aprendem durante o ano de instrução dos PELOPES técnicas não convencionais de doutrina comandos, como munição e tiro; topografia; comunicações; explosivos e destruições; combate em áreas edificadas; natação utilitária; combate corporal, abordagens, neutralização de alvos móveis, neutralização de sentinelas, pronto-socorrismo, resgate, infiltração terrestre e aquatica, exfiltração, especialização em material bélico, mesmo os que não são de dotação de sua unidade, técnicas de caçador (atirador de elite), entre outras.

Competições PELOPES[editar | editar código-fonte]

Alguns grandes comandos do Exército, como a 3ª Divisão de Exército, realizam competições militares entre os PELOPES de suas organizações militares, com o objetivo de fomentar a capacidade operacional destas unidades,[3] entre as modalidades disputadas estão tiro de caçador, tiro desportivo, orientação, nado operacional, artes marciais, corrida rústica, pentatlo militar, entre outras modalidades que possibilitem um melhor desempenho ao combatente em uma situação real.

No ano de 2007 o vencedor da competição realizada pela 3ª DE foi o Pelotão de Operações Especiais orgânico do 2º Regimento de Cavalaria Mecanizado, que estava representando a 1ª Brigada de Cavalaria Mecanizada da qual faz parte este regimento, a Competição foi coordenada pela 3ª Seção (Cap EDGAR MARCELO, Sgt EDERSON, Cb GUSTAVO) do 19º Regimento de Cavalaria Mecanizado.[3]

Tradições PELOPES[editar | editar código-fonte]

Décadas atrás, durante a implantação dos PELOPES, uma unidade participou ativamente deste processo treinando os efetivos de alguns recém criados PELOPES, era o 1º Batalhão de Ações de Comandos, que ainda era uma subunidade orgânica do atual 1º Batalhão de Forças Especiais, que ainda estava subordinado a Brigada de Infantaria Paraquedista, a maioria dos PELOPES cultivaram ao longo dos anos as tradições herdadas do 1º BAC, alguns poucos desenvolveram tradições próprias, vejamos abaixo quais as tradições herdadas:

Comandos[editar | editar código-fonte]

A principal tradição, que é mais do que isto, é uma doutrina operacional herdada pelos PELOPES é o seu modo de emprego de tipo comandos, onde tropa habilitada de valor e constituição variáveis, mas na grande maioria das vezes em menor número, ataca nas retaguardas profundas do inimigo por intermédio de uma infiltração sigilosa que pode ser terrestre, aquática ou aérea,(PELOPES não possuem capacidade de enfiltraçao aérea) contra alvos de valor estratégico, operacionais ou críticos sob o ponto de vista tático, localizados em áreas hostis ou sob controle do inimigo. Suas incursões são conhecidas pela agressividade, onde poucos homens causam tantos danos, que os inimigos acreditam ter sido em número muito maior que o real.

Faca na caveira[editar | editar código-fonte]

Apesar de a maioria dos atuais integrantes dos PELOPES nunca ter feito o Curso de Ações de Comandos do Exército, os mesmos herdaram as tradições dos pioneiros integrantes dos PELOPES que realizaram tal curso, por isso usam praticamente das mesmas tradições do 1º Batalhão de Ações de Comandos, e se auto-intitulam como "caveiras", a maioria dos escudos dos PELOPES tem como símbolo uma faca encravada em uma caveira, assim como o escudo do 1º BAC, que foi a primeira unidade no Brasil a utilizar tal símbolo, através do seu embrião "Companhia de Ações de Comandos" (vínculada ao 1º Batalhão de Forças Especiais), que já usava tal símbolo desde a década 60

Brasil! Acima de tudo![editar | editar código-fonte]

Outra tradição herdada pela maioria dos PELOPES é o seu lema, "Brasil! Acima de tudo!", apesar de este não ser o lema atual do 1º BAC, este grito de guerra foi usado pela primeira vez no Brasil pela Brigada de Infantaria Paraquedista,[4] e na época em que o 1º BAC auxiliou na criação dos PELOPES, o mesmo ainda era vinculado a Brigada Paraquedista e usava tal grito de guerra, daí os PELOPES terem herdado este lema, a principal diferença no uso atual é que a maioria dos PELOPES adotam o "Brasil! Acima de tudo!" apenas como lema, cultivado em conversas, documentos da unidade, gravuras na parede, em páginas eletrônicas e etc. Já a Brigada de Infantaria Paraquedista além disto, também o utiliza como grito guerra, sendo bradado diariamente em formaturas.

Emprego operacional[editar | editar código-fonte]

A característica principal dos PELOPES é o seu emprego tipico de comandos, de maneira não convencional, com pequenos efetivos especialmente treinados e motivados a cumprir missões de natureza especial que possibilitem e potencializem a capacidade operacional da unidade a qual esteja inserido este PELOPES. O que diferencia operacionalmente os PELOPES do 1º Batalhão de Ações de Comandos, além do alto nível operacional do 1º BAC, comparável as principais tropas de elite do mundo, o 1º BAC cumpre missões de comandos de alto valor para o esforço de guerra, sempre determinadas pelo Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, já os PELOPES cumprem missões de comandos sempre em apoio a unidade da qual façam parte, outra característica que os diferencia é a capacidade aeroterrestre (paraquedista) do 1º BAC, que os PELOPES não possuem.

Ponto importante a destacar é que as unidades que fazem parte da Força de Ação Rápida Estratégica não possuem PELOPES, especificamente as unidades da Brigada de Operações Especiais, Brigada de Infantaria Paraquedista e da 12ª Brigada de Infantaria Leve (Aeromóvel) porque nestas unidades todo o seu pessoal é capacitado de maneira especial e com isto tem treinamento de elite, e não apenas uma fração.

As unidades consideradas de apoio também não possuem PELOPES, como os batalhões logisticos, de engenharia de construção e unidades administrativas e de saúde.

Com isto, apenas as unidades convencionais combatentes possuem PELOPES em sua organização, quando se fala em unidades convencionais combatentes, são as unidades convencionais das armas de cavalaria, artilharia, comunicações, engenharia de combate e infantaria, sejam comuns, motorizadas, mecanizadas, blindadas, de caçadores, entre outras. As unidades de selva, caatinga, montanha e pantanal apesar de serem consideradas de elite, também possuem PELOPES em suas organizações.

Exemplo operacional[editar | editar código-fonte]

Uma unidade de infantaria motorizada do Exército Brasileiro está mantendo uma posição conquistada há algumas semanas, porém a artilharia inimiga está castigando seus homens com fogos de morteiros pesados, preparando assim um futuro ataque fulminante da infantaria inimiga. O comandante da unidade brasileira, sabe que não pode avançar sobre o inimigo que está em número muito maior, e também correria o risco de ser flanqueado e com isto perderia a posição conquistada com muitas baixas, e principalmente porque esta posição possui uma ponte importantíssima para ambos os lados, devido ser a única ponte da região que liga os dois lados de um grande rio, todas as outras estão destruídas por bombardeios, através desta ponte é possivel a chegada de mantimentos, munições e principalmente reforços da cavalaria com seus carros de combate.

Neste cenário, não resta outra opção a não ser continuar na posição e mante-la a qualquer custo, mas com os fogos da artilharia inimiga, será dificil manter uma boa frente de resistência por muito tempo. Então neste momento entra em ação o PELOPES, o comandante da unidade de infantaria motorizada brasileira, recebe informações que neste momento não poderá ter apoio de nenhuma unidade da Força de Ação Rápida Estratégica, que já está sendo empregada em outra frente mais importante, então em um pequeno período noturno em que geralmente os ataques inimigos cessam, ele ordena que seu PELOPES se enfiltre dentro do mais absoluto sigilo na posição inimiga, e lá destrua os obuses da artilharia inimiga que estão abatendo a sua posição, nesta missão o sigilo e o consequente emprego de pequenas frações especialmente treinadas é essencial para o sucesso da missão, já que terão que infiltrar em território inimigo, silenciar sentinelas, ou combate-los com táticas comandos, destruir o material bélico inimigo com explosivos e retrair o mais rapidamente possivel. O sucesso desta operação do PELOPES vai determinar se o batalhão de infantaria motorizada do qual este PELOPES faz parte, vai conseguir ou não manter a posição.

Referências

  1. <http://www.militarypower.com.br/mundo.htm> Milytary Power - Sítio acessado em 27/06/2010
  2. 2005 Página eletrônica do 19ª Batalhão de Caçadores <http://www.19bc.eb.mil.br/index.php/2o-cia-fuz> Acessado em 30/12/2010.
  3. a b 2007 Página eletrônica do Comando Militar do Sul <http://www.cms.eb.mil.br/index.php?option=com_content&task=view&id=383&Itemid=2> Acessado em 28/12/2010.
  4. 2010 Página eletrônica do 25º Batalhão de Infantaria Paraquedista <http://www.25bipqdt.eb.mil.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=132&Itemid=112> Acessado em 31/12/2010.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]