Pequena Taça do Mundo

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Pequena Taça do Mundo
Troféu Marcos Pérez Jiménez
Dados gerais
Organização FVF
Edições 13
Outros nomes Taça Cidade de Caracas
Local de disputa Venezuela Caracas, Venezuela
Número de equipes 2, 3 ou 4
Sistema Pontos corridos e eliminatórias
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A Pequena Taça do Mundo foi um torneio internacional de futebol realizado na Venezuela de 1952 até 1981. O primeiro período de realização (1952-1957) teve maior relevância que o segundo período (1958 - 1981).

Apesar da competição ter contado sempre com equipes brasileiras e espanholas, não há registro de que a imprensa tenha tratado o torneio como título mundial ou intercontinental.

Histórico[editar | editar código-fonte]

O torneio, cujo nome original era Troféu Marcos Pérez Jiménez em referência ao então presidente venezuelano (o nome oficial da competição não era Pequeña Copa del Mundo, em português Pequena Taça do Mundo)[1] , foi organizado por empresas venezuelanas, geralmente com 3 a 8 participantes, em geral metade da Europa e metade da América do Sul.

Em uma entrevista concedida ao jornal espanhol El Mundo Deportivo em 13 de abril de 1956, o empresário organizador da competição, Damián Gaubeka, revelou que um critério da competição, estabelecido pela Federação Venezuelana de Futebol, era que só poderiam participar equipes que tivessem ficado classificadas entre o 1º e o 4º lugar de suas ligas nacionais.[2] Nesta entrevista, ao falar dos clubes campeões da competição. Nesta entrevista, Gaubeka revelou que naquele ano (1956) a competição contaria com Atlético de Bilbao, Porto, uma equipe milanesa (Milan ou Internazionale) e uma seleção venezuelana reforçada por jogadores brasileiros como Ademir, Chico, Danilo e Maneca. Acabaram participando daquela edição Vasco da Gama, Real Madrid, Porto e Roma. Em 1952, o Real Madrid substituiu o Atlético de Madrid, que declinou o convite para participar.[3]

A competição teve árbitros estrangeiros, da FIFA, foi organizada por empresários, liderados pelo empresário basco, residente em Caracas, Damián Gaubeka, sob os auspícios da Federação Nacional de Futebol da Venezuela.[4] O jornal espanhol El Mundo Deportivo dá conta de que a competição foi descontinuada em 1958 devido à falta de acordo entre os organizadores e os clubes espanhóis, brasileiros e italianos que haviam sido convidados para a edição daquele ano.[5] O torneio havia sempre sido prestigiado pelos clubes espanhóis, que participaram de todas as edições da competição, ao passo que os clubes desse país não participaram de outras competições a que foram convidados na época, como as Copas Rio de 1951 e 1952.[6] [7] .

O Real Madrid, convidado em 1952 a participar tanto da Pequena Taça do Mundo quanto da Copa Rio, optou por participar da competição venezuelana (as duas competições ocorreram ao mesmo tempo).[8] [9] A competição também foi valorizada pelos clubes do Brasil, que participaram de 5 entre 6 edições de sua série original (1952-1957), com três participações de clubes cariocas (Botafogo em 1952 e 1957 e Vasco da Gama em 1956), obtendo em todos os casos a vice-colocação, e duas participações de clubes paulistas (Corinthians em 1953 e São Paulo em 1955), em ambos os casos obtendo o título. O número de participações de clubes cariocas poderia ter sido maior, pois em 1954 o Corinthians foi convidado à competição apenas depois do Vasco da Gama ter sido convidado e ter recusado o convite para participar.[10]

Mais do que um confronto "Europa versus América do Sul" de clubes, a competição pode ser considerada quase um confronto "Brasil versus Espanha" de clubes, em função da predominância das equipes destes países no certame. Ao longo das seis edições da competição em sua série original e mais importante (1952-1957), foram sete participações de clubes espanhóis (um clube espanhol em todas as edições da competição, sendo que a edição de 1957 contou com 2 clubes espanhóis) e 5 participações de clubes brasileiros (só não houve clube brasileiro na edição de fevereiro de 1953). Clubes da Venezuela (país-sede) tiveram 3 participações na competição neste período; no caso de clubes de Portugal, Itália e Colômbia, 2 participações para cada país; no caso de clubes de Áustria, Argentina e Uruguai, 1 participação para cada país.

A competição como Mundial de Clubes
Na Espanha

Apesar da competição ter contado sempre com equipes brasileiras e espanholas, não há registro de que a imprensa brasileira ou espanhola da época tenha tratado o torneio como título mundial ou intercontinental. A edição de 11 de junho de 1958 do jornal catalão El Mundo Deportivo, que informa sobre a negativa do Real Madrid em disputar a edição de 1958 do torneio (que acabou não sendo realizada[11] ), se refere ao torneio como o Torneio de Caracas e diz que a competição é chamada, pomposamente, pelo próprio organizador, de Pequena Taça do Mundo, o que sugere que o jornal não concordava com essa designação dada pelo organizador do torneio e não a considerava um mundial de clubes: Aunque el empresario de la competición internacional de Venezuela que ha cruzado el charco para contratar a los equipos que han de participar en su torneo l958 — y que él pomposamente titula Pequeña Copa del Mundo — no se encuentra en España, pues se ha desplazado a Suecia, ya se sabe la respuesta que le prepara el Real Madrid a la oferta presentada al club campeón de Europa, para su desplazamiento a Caracas. Esta respuesta es negativa [12] (o Real Madrid voltou às competições intercontinentais de clubes em 1960 disputando a edição inaugural da Copa Intercontinental, tendo o clube madrilenho disputado essa competição e a Copa do Mundo de Clubes da FIFA todas as ocasiões em que teve a chance: 1960, 1966, 1998, janeiro de 2000, dezembro de 2000 e 2002).

As edições do mesmo jornal que cobriram os títulos das equipes espanholas (Real Madrid: 1952 e 1956; Barcelona: 1957) também corroboram que, na Espanha, a competição não foi vista como título mundial ou intercontinental de clubes. Cobrindo o título do Real Madrid em 1952, o jornal espanhol El Mundo Deportivo chamou a competição de "Copa Venezuela", informando também sobre a participação da Federação Venezuelana de Futebol na organização do torneio.[13] Cobrindo o título do Real Madrid em 1956, o mesmo jornal chamou a competição de Pequena Taça do Mundo e de Torneio Internacional de Futebol Para a Taça do Presidente, referindo-se ao torneio como "esta chamada Pequena Taça do Mundo" (esta llamada Pequeña Copa del Mundo).[14] Cobrindo o título do Barcelona em 1957, o mesmo jornal chamou a competição de Série Internacional de Caracas, de Copa Presidente da República da Venezuela[15] , de Torneio de Caracas Para a Taça Presidente da República,[16] e de Série Caraquenha[17] , dizendo que ela era "também conhecida como" Pequena Taça do Mundo. [18] O Barcelona não lista a conquista entre seus títulos em seu site oficial.[19] Já o Real Madrid dá destaque a esta competição em sua lista de títulos em seu site oficial.[20]

No Brasil

No Brasil, as evidências sugerem que a competição venezuelana não recebeu dos brasileiros a dimensão que eles deram às competições que em suas épocas foram consideradas "mundiais de clubes" no Brasil: a Copa Rio Internacional, a Copa Intercontinental e a Copa do Mundo de Clubes da FIFA. No Brasil, a competição também foi chamada de Torneio de Caracas ou Torneio Quadrangular de Caracas pela imprensa da época, em 1953 (na cobertura do título corinthiano).[21] [22] [23] Em 1955 (cobrindo o título são-paulino) a imprensa brasileira também chamou a competição de Taça Presidente Perez Jimenez[24] e de Torneio Internacional de Caracas (as matérias da Folha de São Paulo de 04 e 07 de agosto de 1955 chamam a competição de Torneio Internacional de Caracas, sendo que a matéria de 07 de agosto de 1955 escreve "Pequena Taça do Mundo", entre aspas).[25]

O desinteresse do Vasco da Gama em participar da competição em 1953[26] , abrindo chance ao convite ao Corinthians, é um indício de que a Pequena Taça do Mundo não teve, no Brasil, a repercussão de um título mundial ou intercontinental de clubes. O desinteresse do Vasco da Gama, neste caso, contrasta totalmente com o grande interesse deste clube quando teve a chance de participar das três competições que, ao menos no Brasil, foram consideradas "Mundiais de Clubes" em suas épocas (ainda que o interesse do Vasco tenha variado caso a caso): em 1951, o Vasco abriu mão de compromissos na Europa para poder priorizar sua participação na Copa Rio Internacional daquele ano[27] ; em 1998, a delegação vascaína viajou ao Japão com mais de 10 dias de antecedência à sua participação na Copa Intercontinental daquele ano[28] ; em dezembro de 1999, o Vasco da Gama contratou reforços especificamente para jogar a Copa do Mundo de Clubes da FIFA de 2000 [29] [30] , fez um placar eletrônico em seu estádio (com contagem regressiva para o Mundial FIFA 2000) , uma campanha publicitária (com vídeo divulgado pela TV) sobre sua participação no Mundial de 2000 da FIFA, [31] [32] e o então dirigente vascaíno Eurico Miranda declarou em 1999, sobre Mundial FIFA de 2000: "Essa competição é única na história do Vasco e a mais importante da minha vida"[33] e "Quem ganhar esse Mundial da FIFA poderá dizer que é o verdadeiro campeão do Mundo".[34]

O jornal espanhol El Mundo Deportivo de 15 de abril de 1953 confirma que o Vasco e o Milan foram convidados à competição em 1953 antes dos convites ao Corinthians e ao Roma (segundo esta matéria, os convidados originais ao certame de 1953 foram o Vasco, o Milan e o Barcelona).[35] As edições de 18 de junho e de 05 e 08 de julho de 1953 do mesmo jornal afirmam que, além do Vasco da Gama, a vaga também foi oferecida ao Sporting de Portugal antes de ser oferecida ao Corinthians.[36] [37] [38] Estas matérias informam que a lista de participantes da competição de 1953 chegou a ser fechada com Barcelona, Roma, Sporting de Portugal e seleção local (de Caracas, Venezuela), sendo que os participantes da competição acabaram sendo Barcelona, Roma, Corinthians e seleção local (ou seja, com o Corinthians substituindo o Sporting de Portugal). A matéria de 08 de julho de 1953 afirma que o Corinthians substituiu o Sporting de Portugal no certame.[39] A matéria do jornal Folha da Manhã de 03 de julho de 1953[40] dá conta da permissão da Federação Paulista de Futebol à excursão do Corinthians à Venezuela, afirmando que o torneio visava homenagear o presidente da Venezuela e que o Corinthians receberia cerca de um milhão de cruzeiros (livre de despesas) pela participação no torneio.

Em uma entrevista publicada no jornal El Mundo Deportivo de 20 de agosto de 1953, o brasileiro, ex-jogador do Barcelona, José Sastre afirmou que, antes da Pequena Taça do Mundo de 1953, o público brasileiro considerava o Barcelona o favorito ao título da competição e não acreditava nas possibilidades do título corinthiano, pois o Corinthians (segundo Sastre na entrevista) havia feito "péssimo papel" no Torneio Octogonal Rivadavia Corrêa Meyer, que acabara de disputar (na entrevista, saíram incorretos os nomes de alguns dos participantes do Torneio Octogonal Rivadavia Correa Meyer, mas a palavra Octogonal e a cronologia das competições deixa claro tratar-se do Octogonal Rivadavia).[41] [42]

A organização da edição de 1955 também observou alterações nas expectativas quanto aos clubes participantes. A edição de 12 de junho de 1955 do jornal espanhol El Mundo Deportivo informa que os participantes da competição naquele ano poderiam ser o Milan, o Real Madrid, o São Paulo e o Benfica.[43] Na lista final de participantes, o Valencia (Espanha) e o La Salle (Venezuela) acabaram substituindo Milan e Real Madrid.[44] A participação do São Paulo no certame venezuelano ocorreu em uma excursão internacional do clube que também incluiu jogos em México e Colômbia[45] , e que valeu ao clube tricolor não só a Pequena Taça do Mundo mas também outro título amistoso internacional: o Troféu Jarrito, conquistado no México.[46] [47] A participação do Benfica no certame venezuelano ocorreu em uma excursão internacional do clube português que também incluiu sua participação no Torneio Internacional Charles Miller, que teve o Corinthians como campeão.[48] O jornal O Estado de São Paulo de 02 de julho de 1955 publicou que o Vasco solicitou ao CBD liberação para disputar o certame,[49] sendo que em 07 de julho de 1955 o mesmo jornal publicou que não estava decidido que clube brasileiro disputaria a competição[50] , em 10 de julho de 1955 publicou que o Vasco da Gama iria negociar sua participação com os organizadores do certame, em 12 de julho de 1955 publicou a tabela da competição com o São Paulo como representante brasileiro[51] , sendo que a competição começou em 17 de julho de 1955.

As edições de 27 e 28 de junho de 1957 do jornal espanhol El Mundo Deportivo sustentam que as equipes participantes daquela edição seriam o Barcelona, o Nacional de Montevidéu, o Sevilha e o Fluminense. O jornal O Estado de São Paulo de 17/02/1957 confirma que o Fluminense foi convidado e chegou a aceitar participar da Pequena Taça do Mundo de 1957.[52] Cotejando esta lista com a lista final de participantes, observa-se que o Botafogo substituiu o Fluminense no certame.[53] [54] Novamente, a desistência do Fluminense ao certame venezuelano contrasta com a importância que o clube deu em 1952 à Copa Rio Internacional, sendo um indício de que, no Brasil, a Pequena Taça do Mundo não teve repercussão de título mundial ou intercontinental.

Divulgou-se em 2007 que o Corinthians pediria reconhecimento da FIFA à competição, porém cogitou-se que isso seria uma tentativa corinthiana de atrapalhar o Palmeiras em seu pedido à FIFA de reconhecimento à Copa Rio Internacional.[55] Porém, não há evidência de que o Corinthians tenha de fato chegado a materializar tal pedido na FIFA. Em seus sites, ambos os clubes brasileiros vencedores da competição (São Paulo Futebol Clube e Sport Club Corinthians Paulista) a listam em seus sites, em suas listas de títulos, porém a listam entre os títulos amistosos e de menor expressão.[56] [57] Posteriormente, em um artigo de seu vice-presidente jurídico Sérgio Alvarenga publicado no site do clube, o Corinthians afirmou a visão de que o primeiro Mundial de Clubes foi disputado em 2000 e vencido pelo próprio clube, ou seja, não considerando a Pequena Taça do Mundo como um título mundial.[58]

Na Venezuela

O site "Futbol de Venezuela" conta a história do esporte no país. Segundo este site, na própria imprensa venezuelana da época a competição não era tratada como Pequena Taça do Mundo (espanhol: Pequeña Copa del Mundo) mas sim como "Copa Coronel Marcos Pérez Jiménez" (1952/1953), "Copa General de Brigada Marcos Pérez Jiménez" (1955) e "Copa Presidente de La República"(1956).[59] [60] [61] [62] [63]

Na Colômbia

O Millonarios dá destaque a este título em seu site, E considerado equivalente ao título Mundial de Clubes da FIFA.[64]

Esclarecimentos importantes

O Torneio Internacional de Caracas de 1950, vencido pelo Clube do Remo de Belém do Pará, não é a mesma competição citada neste artigo, ainda que muitas vezes seja equivocadamente citado como tal. O que se sabe é que há a possibilidade de o torneio de 1950 ter sido uma espécie de inspiração para a criação da Pequena Taça do Mundo, tamanho o sucesso de público da competição, que também entrou pra história por ter trazido a primeira equipe brasileira em solo venezuelano, bem no ano em que o Brasil organizaria a Copa do Mundo.

O campeão da edição de 1956 do torneio foi o Real Madrid, não o Vasco da Gama.[65] [66] Algumas fontes brasileiras indicam, incorretamente, que o campeão teria sido o Vasco da Gama, cometendo esse erro em função de um amistoso disputado em Caracas pelos dois clubes, logo após o fim da Pequena Taça do Mundo de 1956, e vencido pelo Vasco por 2 x 0.[67] [68] Porém, tal jogo foi um amistoso extra, não um jogo válido pela competição.

Conforme afirmado pelo jornal El Mundo Deportivo e pelo site "Futbol de Venezuela", a Pequena Taça do Mundo era uma competição organizada por empresários em conjunto com a Federação Venezuelana de Futebol, que inclusive determinava regras e critérios da competição, como a utilização do "goal average" como critério de desempate e o critério de que todos os participantes do certame se classificassem entre os 4 primeiros colocados de suas respectivas Ligas nacionais. [69] [70] Portanto, a competição tinha o apoio técnico da Federação Venezuelana de Futebol, sendo assim uma competição internacional com o apoio de uma entidade nacional, tal como a Copa Rio Internacional que tinha o apoio da CBD, que inclusive, era a organizadora do evento, e a Copa Intercontinental, que a partir de 1980 tinha o apoio da Federação Japonesa de Futebol, que também ajudava na organização do torneio. Além da Federação Venezuelana de Futebol, a competição seguia os requisitos internacionais de FIFA e CONMEBOL: Antes de comenzar la fiesta futbolera en la UCV, Gaubeka y Reyes Zumeta se reunieron con directivos de la Federación Venezolana de Fútbol: capitán Luis Cardier Rodríguez, doctor Fermín Huizi Cordero, profesor Ildemaro Ramos, Pedro Cabello Gibbs y Jesús López de Parisa. La reunión fue para dar a conocer y cumplir con los requisitos internacionales de la Fifa y la Conmebol.[71]

O site RSSSF atribui o fim da série original da competição (1952-1957) à concorrência da Copa dos Campeões da Europa, que foi criada em 1955 e passou a ser a prioridade máxima dos clubes europes.[72] . O Real Madrid, campeão da primeira edição da Copa dos Campeões da Europa (1955-1956), participou do torneio venezuelano em 1956, tendo esta sido a única participação de um campeão europeu no torneio de Caracas. Porém, a participação do Real Madrid na competição venezuelana de 1956 não teve relação com seu título europeu do mesmo ano: o Real Madrid havia acordado sua participação no torneio venezuelano já antes de tornar-se campeão europeu de 1956.[73] [74] Campeão da Copa dos Campeões da Europa também em sua segunda edição (1956-1957), o Real Madrid não participou do certame venezuelano em 1957, edição esta que foi a última edição do torneio venezuelano em sua série original.

Em 1963, voltou a disputa do torneio. Já entre 1965 e 1970, houve a tentativa de reedição do torneio (com a mudança de nome) no meio do ano e em paralelo à Copa Intercontinental criada em 1960. Mas o sequestro de Di Stéfano por um grupo rebelde em Caracas em 1963 e a grande concorrência da Copa Intercontinental decretaram o fim da disputa.

Criada em 1960 e embasada por CONMEBOL (Copa Libertadores) e UEFA (Liga dos Campeões da Europa), a Copa Intercontinental foi a partir de 1960 consensualmente considerada a competição que indicava o clube campeão do título intercontinental de Europa e América do Sul, o que realçou o caráter amistoso das demais competições euro-sul-americanas de clubes realizadas a partir de 1960, reduzindo o prestígio dos torneios internacionais de clubes de Caracas e decretando seu fim.

Apenas a partir da temporada 1955-1956 a UEFA passou a organizar as competições europeias de clubes (ou seja, sendo amistosas as competições de clubes europeias a partir de 1955-1956 que não fossem da UEFA) e a definir o campeão europeu de clubes (com a criação da Copa dos Campeões da Europa) - com autorização da FIFA para que a UEFA assumisse esse papel[75] ; Apenas a partir de 1960 a CONMEBOL passou a organizar as competições sul-americanas de clubes (ou seja, sendo amistosas as competições de clubes sul-americanas a partir de 1960 que não fossem da CONMEBOL) e a definir o campeão sul-americano de clubes (com a criação da Copa Libertadores) - com autorização da FIFA para que a CONMEBOL assumisse esse papel, pois por uma questão de igualdade de direitos de suas confederações filiadas perante a FIFA, os poderes que a FIFA concede à UEFA na Europa são os mesmos que a FIFA concede à CONMEBOL na América do Sul; E apenas a partir de 1960 estas duas entidades (UEFA e CONMEBOL) passaram a definir o clube campeão intercontinental europeu-sul-americano (com a criação da Copa Intercontinental)- neste último caso, porém, sem a autorização da FIFA[76] . Ou seja: apenas a partir de 1960 são amistosas as competições intercontinentais europeias-sul-americanas de clubes que não sejam as organizadas por UEFA e CONMEBOL.

No período anterior a 1960, a responsabilidade pela organização das competições intercontinentais de clubes recaía sobre as entidades nacionais, clubes de futebol e até de empresários. Pelo menos em 1951, como evidenciado nos jornais da época, a responsabilidade naquela oportunidade foi atribuída a CBD pelo então presidente da FIFA Jules Rimet.

A regularização de competições de abrangência europeia-sul americana, envolvendo clubes, só foi possível em 1960 com a criação da Copa Intercontinental; a regularização de competições de abrangência mundial, envolvendo clubes, só foi possível em 2005, quando a FIFA substituiu a Copa Intercontinental pela Copa do Mundo de Clubes da FIFA (pela segunda edição do evento, após o primeiro evento em 2000).

Campeões por edição[editar | editar código-fonte]

# Ano Campeão Vice 3º lugar 4º lugar
1 1952
Detalhes
Espanha
Real Madrid
Brasil
Botafogo
Colômbia
Millonarios
Venezuela
La Salle
2 1953
Detalhes
Colômbia
Millonarios
Argentina
River Plate
Áustria
Rapid Viena
3 1953
Detalhes[77]
Brasil
Corinthians
Itália
Roma
Espanha
Barcelona
Venezuela
Caracas XI
4 1955
Detalhes
Brasil
São Paulo
Espanha
Valencia
Portugal
Benfica
Venezuela
La Salle
5 1956
Detalhes
Espanha
Real Madrid
Brasil
Vasco da Gama
Portugal
Porto
Itália
Roma
6 1957
Detalhes
Espanha
Barcelona
Brasil
Botafogo
Espanha
Sevilla
Uruguai
Nacional
7 1963
Detalhes
Brasil
São Paulo
Espanha
Real Madrid
Portugal
Porto
8 1965
Portugal
Benfica
Espanha
Atlético de Madrid
9 1966
Espanha
Valencia
Portugal
Vitória de Guimarães
Itália
Lazio
10 1967
Espanha
Atlético de Bilbao
Portugal
Académica
Argentina
Platense
11 1969
República Checa
Sparta Praga
Espanha
Deportivo La Coruña
Portugal
Sporting
12 1970
Portugal
Vitória de Setúbal
Brasil
Santos
Inglaterra
Chelsea
Alemanha
Werder Bremen
13 1975
Alemanha Oriental
Alemanha Oriental
Portugal
Boavista
Argentina
Rosario Central
Espanha
Real Zaragoza

Títulos por clube[editar | editar código-fonte]

Clube Títulos Vices 3º lugar 4º lugar
Espanha Real Madrid 2 (1952 e 1956) 1 (1963)
Brasil São Paulo 2 (1955 e 1963)
Espanha Valencia 1 (1966) 1 (1955)
Espanha Barcelona 1 (1957) 1 (1953²)
Portugal Benfica 1 (1965) 1 (1955)
Colômbia Millonarios 1 (1953¹) 1 (1952)
Alemanha Oriental Alemanha Oriental 1 (1975)
Espanha Atlético de Bilbao 1 (1967)
Brasil Corinthians 1 (1953²)
República Checa Sparta Praga 1 (1969)
Portugal Vitória de Setúbal 1 (1970)
Brasil Botafogo 2 (1952 e 1957)
Itália Roma 1 (1953²) 1 (1956)
Portugal Académica 1 (1967)
Espanha Atlético de Madrid 1 (1965)
Portugal Boavista 1 (1975)
Espanha Deportivo La Coruña 1 (1969)
Argentina River Plate 1 (1953¹)
Brasil Santos 1 (1970)
Brasil Vasco da Gama 1 (1956)
Portugal Vitória de Guimarães 1 (1966)
Portugal Porto 2 (1956 e 1963)
Inglaterra Chelsea 1 (1970)
Itália Lazio 1 (1966)
Argentina Platense 1 (1967)
Áustria Rapid Viena 1 (1953¹)
Argentina Rosario Central 1 (1975)
Espanha Sevilla 1 (1957)
Portugal Sporting 1 (1969)
Venezuela La Salle 2 (1952 e 1955)
Venezuela Caracas XI 1 (1953²)
Uruguai Nacional 1 (1957)
Espanha Real Zaragoza 1 (1975)
Alemanha Werder Bremen 1 (1970)

Títulos por país[editar | editar código-fonte]

País Títulos Vices 3º lugar 4º lugar
Espanha Espanha 5 (1952, 1956, 1957, 1966 e 1967) 4 (1955 e 1963, 1965 e 1969) 2 (1953² e 1957) 1 (1975)
Brasil Brasil 3 (1953², 1955 e 1963) 4 (1952, 1956, 1957 e 1970)
Portugal Portugal 2 (1965 e 1970) 3 (1966, 1967 e 1975) 4 (1955, 1956, 1963 e 1969)
Colômbia Colômbia 1 (1953¹) 1 (1952)
Alemanha Oriental Alemanha Oriental 1 (1975)
Tchecoslováquia Tchecoslováquia 1 (1969)
Itália Itália 1 (1953²) 1 (1966) 1 (1956)
Argentina Argentina 1 (1953¹) 2 (1967 e 1975)
Áustria Áustria 1 (1953¹)
Inglaterra Inglaterra 1 (1970)
Venezuela Venezuela 3 (1952, 1953² e 1955)
Alemanha Alemanha 1 (1970)
Uruguai Uruguai 1 (1957)

Títulos por confederação[editar | editar código-fonte]

Confederação Títulos Vices 3º lugar 4º lugar
UEFA 9 (1952, 1956, 1957, 1965, 1966, 1967, 1969, 1970 e 1975) 8 (1953², 1955, 1963, 1965, 1966, 1967, 1969 e 1975) 9 (1953¹, 1953², 1955, 1956, 1957, 1963, 1966, 1969, e 1970) 3 (1956, 1970 e 1975)
CONMEBOL 4 (1953¹, 1953², 1955 e 1963) 5 (1952, 1953¹, 1956, 1957 e 1970) 3 (1952, 1967 e 1975) 4 (1952, 1953², 1955 e 1957)

Veja Também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://esportes.terra.com.br/corinthians/noticias/0,,OI5613491-EI19372,00-Na+Venezuela+Corinthians+retorna+a+terra+de+titulo+mundial.html
  2. http://hemeroteca.mundodeportivo.com/preview/1956/07/04/pagina-5/1389798/pdf.html?search=caracas
  3. http://hemeroteca.mundodeportivo.com/preview/1952/06/23/pagina-3/635365/pdf.html?search=caracas
  4. http://www.futboldevenezuela.com.ve/index.php?option=com_content&view=article&id=212:1952-1d-pequena-copa-del-mundo&catid=38:informacion&Itemid=224
  5. http://hemeroteca.mundodeportivo.com/preview/1958/07/07/pagina-6/644259/pdf.html
  6. http://hemeroteca.mundodeportivo.com/preview/1951/07/05/pagina-3/624875/pdf.html?search=copa%20rio%20de%20janeiro
  7. http://hemeroteca.mundodeportivo.com/search.html?q=Copa+Rio++Fluminense&bd=01&bm=01&by=1952&ed=13&em=07&ey=1952&keywords=&__checkbox_home=true&edition=&exclude=&excludeAds=true&sortBy=date&order=asc&x=49&y=18
  8. http://hemeroteca.mundodeportivo.com/search.html?q=Copa+Rio++Fluminense&bd=01&bm=01&by=1952&ed=13&em=07&ey=1952&keywords=&__checkbox_home=true&edition=&exclude=&excludeAds=true&sortBy=date&order=asc&x=49&y=18
  9. http://www.futboldevenezuela.com.ve/index.php?option=com_content&view=article&id=212:1952-1d-pequena-copa-del-mundo&catid=38:informacion&Itemid=224
  10. http://esportes.terra.com.br/corinthians/noticias/0,,OI5613491-EI19372,00-Na+Venezuela+Corinthians+retorna+a+terra+de+titulo+mundial.html
  11. http://hemeroteca.mundodeportivo.com/preview/1958/07/07/pagina-6/644259/pdf.html
  12. http://hemeroteca.mundodeportivo.com/preview/1958/06/11/pagina-3/648161/pdf.html
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  73. Jornal El Mundo Deportivo de 16 de maio de 1956, página 7. O jornal, publicado quase um mês antes da final da Copa dos Campeões da Europa de 1955/1956 (13/06/1956) afirma que já estava acertada a ida do Real Madrid à Venezuela.
  74. UEFA: final da Copa dos Campeões da Europa de 1955/1956: 13/06/1956.
  75. http://www.uefa.com/newsfiles/240459.pdf
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  77. Segunda edição da competição realizada em 1953.

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