Período Yayoi

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Flag of Japan.svg Série de artigos sobre
História do Japão
Osaka Castle 02bs3200.jpg

O período Yayoi (japonês: 弥生時代, Yayoi-jidai) foi um período da história japonesa de 300 a.C. até 250 d.C. cujo nome provem de uma região de Tóquio onde foram localizados os primeiros achados arqueológicos dessa era. O período foi o marco inicial da cultura de arroz em socalcos e do surgimento de um novo estilo de arte com cerâmica. Seguindo-se ao período Jomon (14000 - 300 a.C.) a cultura Yayoi floreceu desde o sul de Kyushu até o extremo norte de Honshu.

Um novo estudo usou um novo método para analisar restos carbonizados em cerâmicas e estacas de madeira, descobrindo que esses objetos datavam antes de 900-800 a.C., 500 anos antes do que se acreditava.[1]

Cultura Yayoi[editar | editar código-fonte]

Uma jarra Yayoido século I-III, escavada em Kugahara, Ota, Tokyo, Museu Nacional de Tokyo.

As evidências arqueológicas mais antigas dos Yayoi são encontradas no norte de Kyushu,[2] apesar de existirem divergências quanto a este fato. A cultura Yayoi rapidamente se espalhou para a ilha principal de Honshu, misturando-se com a cultura nativa Jomon.[3] A cerâmica Yayoi era decorada de forma simples e produzida em uma roda apropriada, ao contrário da cerâmica do Jomon, que era feita à mão. Os artesãos Yayoi faziam sinos cerimoniais de bronze (Dotaku), espelhos e armas. Por volta de 100 d.C., agricultores Yayoi começaram a usar ferramentas e armas de ferro.

A população Yayoi cresceu e se tornou mais rica, e sua sociedade tornou-se mais complexa. Eles vestiam roupas de pano, viviam em vilas agrícolas permanentes e faziam construções de madeira e pedra. Eles também acumularam riqueza através da posse de terras e estocagem de grãos. Esses fatores, por sua vez, proporcionaram o desenvolvimento de sistemas de classes sociais distintos. Chefes Yayoi de algumas regiões de Kyushu parecem ter patrocinado e manipulado politicamente o comércio de bronze e outros objetos de prestígio.[4] Isso foi possível graças à introdução da cultura irrigada de arroz, tecnologia proveniente da região do rio Yangtzé e da península coreana através das Ilhas Ryukyu.[5] [6] A agricultura irrigada do arroz possibilitou o desenvolvimento de uma sociedade agrária e sedentária no Japão. Os desenvolvimentos políticos e sociais mais importantes da atividade agrária no Japão foram o surgimento de uma autoridade central em uma sociedade estratificada.

As evidências arqueológicas dos Jomon e Yayoi mostram que os dois povos eram visivelmente distintos.[7] Os indivíduos do povo Jomon costumavam ser mais peludos e tinham olhos mais abertos. Eles também tinham arcadas superciliares e narizes mais proeminentes, portanto, uma aparência distinto dos leste asiáticos e mais próxima dos ocidentais. O povo Yayoi, por outro lado, tinham olhos mais fechados e narizes menos protuberantes (mais próximo dos Mongóis do norte). Quase todos os esqueletos escavados do Período Kofun, exceto aqueles dos Ainus e nativos pre-históricos de Okinawa (Jomon),[8] lembram os japoneses (e asiáticos) dos dias atuais.[9]

Este período está dividido em três sub-períodos:[10]

Sub-período Fases de cerâmica
no norte de Kyushu
Fases de cerâmica
nas planices de Kanto
Fases de cerâmica
em Aomori
Fases de cerâmica
em Hokkaido
Yayoi
500 - 100 AEC
Itazuke I Jomon Final Sunasawa Epi-jomon
Itazuke II - Seno
Jonokoshi - Nimaibashi Esan I
Yayoi médio
100 AEC - 100 EC
Sugu Osagata Inakadate 1 Epi-jomon
Mitoko Suwada Inakadate 2
Takamizuma Miyanodai Nembutsuma Esan II-IV
Final Yayoi
100 - 300 EC
Shimo-Okuma Kugahara Oishitai Epi-jomon
Nobeta Yayoicho Chitose
Nishijin Maenocho Chokaisan Kohoku B, C

Origens[editar | editar código-fonte]

A origem da cultura Yayoi tem sido debatida e há algumas teorias importantes.

O período Jomon encerra-se por volta de 200 a.C. quando uma nova cultura conhecida como Yayoi possivelmente migrou do Lago Baikal[11] para o Japão, cruzando a Península Coreana, trazendo consigo novas influências culturais que caracterizaram este período.

Uma dessas teorias, proposta na época do período Meiji, afirma que a cultura Yayoi foi trazida ao Japão por imigrantes da Coreia. Muitos estudiosos concordam que várias características do período Yayoi têm origem na cultura coreana, como os socalcos, os novos tipos de ferramentas de pedra polida, as ferramentas de ferro, a tecnologia de tecelagem, e os potes de cerâmica.

Outra teoria menos popular afirma que a cultura Yayoi foi trazida ao Japão por imigrantes da China. O surgimento da cultura Yayoi foi rápido, e constituiu um grande avanço em relação ao período anterior da história japonesa. O fato mais notável que leva a essa suposição é o fato de os três maiores símbolos da cultura Yayoi no Japão (o espelho de bronze, a espada e o selo real) serem relativamente semelhantes aos usados pela dinastia Qin na China, mas não é muito bem aceito pelos pesquisadores asiáticos e ocidentais.

A teoria mais popular com novas evidências arqueológicas sugerem que o povo Yayoi migrou do Lago Baikal para Kyushu (Japão), cruzando a Península Coreana, trazendo consigo novas influências culturais.[12] Posteriormente novos imigrantes vindos do continente - Estados imperiais extintos do continente - trouxeram consigo novas influências culturais que caracterizam a cultura tradicional do Japão. As origens do povo Aino e Jomon ainda não foram totalmente esclarecidas.

Evidências arqueológicas sugerem que os japoneses pertencem ao Gm haplotypes AG, AB3ST e AXG da Ásia Setentrional que corresponde a cerca de 70% da população japonesa.[13] [14] O segundo grupo menor, Gm haplotype AFB1B3, com origens no Sudeste Asiático, corresponde a cerca de 30% da população japonesa, muito comum entre os chineses (70%) e sudeste asiáticos (90%).[13] [14] Recentes estudos arqueológicos sugerem semelhanças genéticas entre os povos do Japão, Manchúria, Coreia, algumas regiões do Tibete e diferenças maior com o resto da Ásia.[14] Com base nestes resultados, conclui-se que cerca de 70% dos japoneses têm origens na Ásia Setentrional e muito provavelmente na área do Lago Baikal.[13]

Sociedade[editar | editar código-fonte]

Construção japonesa reconstruída desse período, na prefeitura da Saga, na ilha Kyushu.

Durante esse período, a população cresceu e sua sociedade se tornou mais complexa. As habitações mais comuns eram vilarejos permanentes, com construções de madeira ou pedra. Houve uma grande acumulação de riqueza através da posse de terras e do armazenamento de grãos, e o surgimento de distintas classes sociais, o que foi possível devido à introdução da produção irrigada do arroz, vinda da Coreia, que era similar à existente no sul e centro da China.

Aparições do Wa em textos históricos da China[editar | editar código-fonte]

O Selo Imperial da China, que acredita-se que foi concedido pelo Imperador Guangwu de Han ao Rei de Wa (atual Japão), em 57 d.C. Nele está inscrito Rei de Na de Wa na Dinastia Han (漢委奴國王)

Os registros escritos mais antigos sobre pessoas no Japão são de textos da China desse período. Wa, a pronunciação japonesa para um antigo nome em chinês para o Japão, foi mencionada em 57 d.C; o Estado de Na, de Wa, recebeu um selo dourado do Imperador Guangwu da Dinastia Han. Esse evento foi registrado no livro Hou Han Shu, compilado por Fan Ye no século V. O selo foi descoberto no norte de Kyushu, no século XVIII.[15] Wa também foi mencionado em 257 d.C, no Wei zhi, uma seção do San Guo Zhi (Registros dos Três Reinos), compilado pelo sábio Chen Shou, do século III.[16]

Antigos historiadores chineses descreveram Wa como uma terra de centenas de comunidades e clãs espalhadas, e não o território unificado com 700 anos de tradição como narrado pelo Nihon Shoki, uma obra datada do século VIII, que conta a história do Japão misturando elementos míticos com históricos e data a fundação do país em 660 a.C. Evidências arqueológicas também sugerem que conflitos frequentes entre assentamentos e clãs ocorriam no período. Muitos assentamentos escavados foram construídos no topo de colinas. Corpos humanos queimados e sem cabeça[17] descobertos no sítio arqueológico de Yoshinogari corroboram essas teorias. Na região costeira do Mar Interno de Seto, pontas de flechas de pedra são frequentemente achadas em objetos funerários.

Textos chineses do século III d.C. relatam que o povo de Wa se alimentava de peixe cru, vegetais e arroz, servidos em travessas de bambu e madeira, batiam palmas em cultos (costume ainda comum nos dias de hoje em santuários xintoístas) e construíam túmulos. Eles também mantinham relações de vassalagem, coletavam impostos, tinham celeiros e mercados e cumpriam o luto. A sociedade deles era caracterizada por lutas violentas.

Fim e legado[editar | editar código-fonte]

Dentro da sociedade desse período, houve o surgimento de uma forte aristocracia militar e de clãs patriárquicos, características do período seguinte da história japonesa, o período Kofun.

Referências

  1. Shōda Shinya. (2007). "Bulletin of the Society for East Asian Archaeology" 1. Society for East Asian Archaeology.
  2. The Origin of the Farming in the Yayoi Period and East Asia: Establishment of High-Precision Chronology by Carbon 14 Age Analysis, Museu Nacional de História Japonesa (em japonês)
  3. Eastern Japanese pottery during the Jomon-Yayoi Transition: A study in forager-farmer interaction, Seiji Kobayashi, Kokugakuin Tochigi Junior College (em inglês)
  4. Pearson, Richard J. Chiefly Exchange Between Kyushu and Okinawa, Japan, in the Yayoi Period. Antiquity 64(245)912-922, 1990.
  5. Yayoi Culture Japanese Archaeology. Charles T. Keally (2006-06-03).
  6. Earlier Start for Japanese Rice Cultivation, Dennis Normile, Science, 2003 (em inglês)
  7. 縄文人の顔と骨格-骨格の比較, Information-technology Promotion Agency
  8. 南西諸島出土人骨の形質人類学的・人類遺伝学的研究, Doi, Naomi, University of the Ryukyus (em japonês)
  9. Jared Diamond. (1998). "Japanese Roots" (em inglês). Discover 19.
  10. Habu, Junko. Ancient Jomon of Japan. [S.l.]: Cambridge University Press, 2004. ISBN 78-0521776707
  11. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/3056831
  12. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/3056831
  13. Erro de citação: Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas ncbi.nlm.nih.gov
  14. a b c http://heritageofjapan.wordpress.com/yayoi-era-yields-up-rice/who-were-the-yayoi-people/
  15. Fukuoka City Museum. Gold Seal (Kin-in).
  16. 魏志倭人伝, Chinese texts and its Japanese translation (em japonês)
  17. Facts about Japan - Ancient Japan (em inglês)