Peritonite infecciosa felina

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Peritonite infecciosa felina
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A peritonite infecciosa felina, mais conhecida pelo acrônimo PIF, é uma síndrome viral causada por um coronavirus. Há vários tipos de coronavírus no mundo (várias formas de gripe humana são causadas por coronavírus que atacam apenas humanos). Aqui, refere-se a uma espécie que ataca apenas felinos: o coronavírus felino. A PIF afeta o intestino, o fígado, os rins, o cérebro e e todo o sistema nervoso dos animais. Possui duas formas: a efusiva (úmida) e a não-efusiva (seca), sendo que nesta última leva à formação abcessos nos órgãos afetados.

A PIF é uma reação inadequada ao coronavírus (FECV), e ocorre quando o vírus muta dentro do organismo do felino e evolui para a PIF (FIPV). A PIF é portanto uma doença secundária do coronavírus, e as duas não se confundem. As causas dessa mutação ainda são desconhecidas, mas especula-se que haja predisposição genética. Especula-se também que a fragilização do sistema imunológico (desencadeada por situações de stress, desnutrição, acometimento por vermes, ou outros problemas de saúde, como a FIV e FELV) possa levar à mutação.

Estima-se que entre 30% e 40% da população felina total apresente anticorpos para o coronavírus (FECV). Este índice se eleva para 80% a 90% em gatis (criadores ou abrigos). Apenas 1% da população contaminada irá realmente desenvolver a PIF (FIPV).[1] A mutação é, portanto, considerada rara. Por essa razão, sua mutação PIF não é contagiosa, já que depende de circunstâncias internas do organismo do felino.

O coronavírus é altamente contagioso. O contágio acontece quando um animal saudável ingere fezes contaminadas. O coronavírus pode também ser transmitido aos filhotes, na gestação ou amamentação. Vale lembrar que gatos com acesso à rua estão sempre vulneráveis à contaminação pelo coronavírus, que pode estar presente no solo.

Como existe suspeita de que haja predisposição genética à mutação do coronavírus, quando um gato de criador apresenta essa susceptibilidade, é possível que seus descendentes também a manifestem, podendo observar-se uma alta incidência de PIF naquele gatil. Essa incidência não deve ser interpretada como evidência de que a PIF seja contagiosa, pois na verdade há uma concentração de gatos da mesma família que apresentam uma predisposição genética compartilhada para a mutação.

Comprar um gato de um criador (de qualquer raça) não é garantia de que o gato não irá desenvolver PIF. Caso pretenda comprar um animal de um criador, pergunte se exames de titulação de coronavírus são feitos com regularidade, e exija a apresentação de um resultado negativo. Se o animal for positivo para coronavírus, as chances de que ele ele venha a desenvolver a PIF são as mesmas que qualquer outro gato sem raça definida ou resgatado da rua, ou seja, de 1%.

Diagnóstico

O diagnóstico de PIF só pode ser feito por veterinário. Quando o gato adoece, o veterinário leva em consideração exames clínicos (estado geral do animal) associados a exames laboratoriais (como exame de proteínas totais, nível de AAG e citologia). Algumas alterações são consistentes com PIF, mas esses exames podem mostrar também outra doença; por exemplo, a hiperproteinemia (detectada por exame de sangue) é consistente com o quadro de PIF, mas ocorre também em outras doenças, como nos casos de desidratação ou processos infecciosos crônicos desencadeados por outros patógenos. A análise do fluido formado no abdômen e peito (no caso da PIF efusiva) pode ser útil. Os testes mais precisos são aqueles feitos em tecidos afetados, seja por meio de biópsia ou autópsia (post-mortem).[2]

O gato com suspeita de PIF necessariamente será positivo para coronavírus. Para identificar se o gato está infectado com o coronavírus, os exames mais pedidos são os seguintes:

  • exames de sangue de detecção de anticorpos específicos, chamado ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay));
  • teste de DNA, feito em amostras de fezes para identificação do DNA ou RNA de uma sequência do genoma do patógeno (no caso, o coronavírus), chamado PCR ou PCR Real Time. Esses testes são extremamente sensíveis à presença de poucos organismos nas amostras, por isso sua especificidade e sensibilidade são muito altas. Isto faz com que teste por DNA através de PCR constitua um método muito mais acurado e avançado para pesquisa e fins diagnósticos que testes sorológicos convencionais.[3]

O resultado negativo nesses exames normalmente descarta o diagnóstico de PIF.

Importante reforçar: o resultado positivo nesses exames não é conclusivo para PIF. 30 a 40% da população felina (chegando de 80% a 90% em gatis) testará positivo nesses exames, e somente 1% dessa população desenvolverá PIF. Por isso, é necessário que o médico veterinário associe esse resultado a outros exames clínicos e laboratoriais.

Atualmente, não existe teste para verificar o risco individual de que um gato desenvolva PIF.

Dentre os principais sintomas da PIF estão:

  • perda de apetite
  • emagrecimento rápido do animal
  • anemia
  • diarreia
  • anorexia (o gato se recusa a comer)
  • febre constante
  • abdômen distendido (na forma efusiva)
  • dificuldade respiratória, decorrente do acúmulo de líquido (na forma efusiva)
  • inchaço nos gânglios linfáticos
  • dores intensas
  • comprometimento visão ou das funções neurológicas

Infelizmente, diante de um resultado laboratorial positivo para coronavírus, muitos gatos são sacrificados sem estarem realmente doentes. Proprietários temem que o gato positivo contamine os demais. Todavia, há dois fatores que devem ser considerados. a) deve-se considerar que é altíssima a incidência do coronavírus na população felina, sendo considerável a probabilidade de que seu(s) gato(s) já tenha(m) o coronavírus por anos (quer ele tenha sido adotado na rua, ou comprado de gatis). b) deve-se considerar que o coronavírus pode permanecer no organismo do animal sem qualquer sintoma por muitos anos e apenas 1% desenvolverá a forma letal da doença. Se um animal com coronavírus foi introduzido na sua casa, como os gatos da sua casa compartilham caixas de areia e se lambem mutuamente, é muito provável que todos os gatos daquela comunidade estejam contaminados pelo coronavírus.

Por essa razão, diante de uma suspeita de PIF ou de um resultado laboratorial positivo para o coronavírus, é recomendável que o proprietário procure um veterinário especializado em medicina felina. Uma titulação de coronavírus em todos os gatos pode ser recomendável, e pode demonstrar que todos os animais são portadores e, já sendo portadores, não representam risco de um para o outro. É importante não deixar que o medo, aliado a informações incompletas fornecidas por veterinários despreparados, leve à decisão de sacrificar o animal.

Tratamento

Não há cura, seja para o coronavírus, seja para a sua variante PIF. A maior parte dos gatos contaminados pelo coronavírus viverá muitos anos de forma saudável, sem que o vírus jamais se manifeste. O gato que desenvolve a PIF (úmida ou seca) não tem prognóstico bom. O gato com PIF efusiva (úmida) viverá no máximo 2 meses. O gato com PIF não-efusiva (seca) pode viver até um ano com boa qualidade de vida.

Nos dois casos de PIF, o tratamento disponível é paliativo. É possível utilizar medicamentos quimioterápicos, medicamentos para estimular o sistema imunológico, anti-inflamatórios, suplementação vitamínica. Apenas um médico veterinário poderá prescrever o tratamento mais adequado para cada caso. Medicar um animal sem acompanhamento veterinário pode levar a uma piora do quadro, já que felinos são muito sensíveis a medicamentos. Eles facilmente se intoxicam, e pode haver comprometimento de órgãos como o fígado e os rins. Convém lembrar ainda que vários medicamentos seguros para cães são fatais para gatos. Apenas o médico veterinário poderá prescrever um tratamento seguro.

O coronavírus e sua variante PIF não são zoonoses, ou seja, atacam exclusivamente os felinos, não oferecendo assim risco de contágio aos seres humanos.

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  1. http://www.medicinenet.com/pets/cat-health/feline_infectious_peritonitis.htm
  2. http://www.catvets.com/cat-owners/disease-and-conditions/fip
  3. http://www.vetpat.com/pcr.php