Petiveria tetrandra

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Petiveria. Guiné..JPG

Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Caryophyllales
Família: Phytolaccaceae
Género: Petiveria
Espécie: P. tetrandra
Nome binomial
Petiveria tetrandra
B. A. Gomes

A Guiné ou Rabo-de-Gambá (Petiveria tetrandra) é um arbusto ou subarbusto de cerca de meio a um metro de altura, de ramos angulosos, sulcados-estriados, pubescentes ou quase glabros, subflexuosos, dilatados nos nós.

Sinonímia[editar | editar código-fonte]

Sinonímia científica[editar | editar código-fonte]

  • Petiveria hexaglochin Fish e Mey;
  • Petiveria alliacea L.

Sinonímia popular[editar | editar código-fonte]

  • Tipi, Erva-de-pipi, Erva-de-Guiné, Raiz-de-Guiné, Erva-de-alho, Mucura-caa, Amansa-Senhor, erva-pipi, tipu, tipuana.[1]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Guiné" procede do topônimo "Guiné".[2] "Tipi", "tipu" e "tipuana" procedem do tupi tï'pï.[3]

Petiveria - Ehret.jpg

Descrição[editar | editar código-fonte]

Folhas alternas, patentes, curtamente pecioladas, oblongo-lanceoladas, acuminadas, integérrimas, mais ou menos ondeadas, de base cuneiforme estriada num pecíolo canaliculado de cerca de 5 milímetros de comprimento, levemente membranáceas, com a nervura mediana proeminente na face inferior e as nervuras secundárias arqueadas, glabras em ambas as páginas, exceto na face superior das nervuras de cor verde escura na página superior e mais clara na inferior. Medem de 5 a 10 centímetros de comprimento por dois a seis centímetros de largura.

Duas estípulas, subuladas, pequeníssimas, caducas, frequentemente obsoletas.

Inflorescência terminal ou axilar em racemos que, devido a extrema curteza dos pedúnculos florais, simulam espigas delgadas, eretas, algumas vezes sub-ramosas na base, de dez a quinze centímetros de comprimento, afilas.

Raiz fusiforme, irregularmente ramificada de comprimento variável ; sua superfície externa é de cor pardo acinzentada clara e pardo amarelada, finamente estriada no sentido longitudinal, apresentando cicatrizes verrucosas.

Habitat[editar | editar código-fonte]

Planta nativa das Américas, encontrada no sudeste dos Estados Unidos, a partir da Flórida, contornando o Golfo do México, na América Central incluindo o Caribe, e nas regiões tropicais da América do Sul. No Brasil, encontra-se desde o Piauí até o Rio Grande do Sul. Existem também plantações introduzidas no Benim e na Nigéria, na costa ocidental da África.

Propriedades Medicinais[editar | editar código-fonte]

Partes Usadas: Raiz e folhas

Princípios ativos: Óleo essencial, Pitiverina, resina inerte, ácido resinoso, glicose.

Exemplar na Nicarágua

Usada como estimulante na paralisia, sudorífera e alexífera. Em altas doses, é abortiva e, segundo alguns, provoca loucura quando de seu uso contínuo. Seu envenenamento é lento e, no período agudo, determina superexcitação, insônia e quase alucinação. Depois de poucos dias, sintomas opostos: indiferença, chegando a imbecilidade, fraqueza cerebral, pequenas convulsões depois tetaniformes, mudismo por paralisia da laringe e morte ao fim de um ano, dependendo da dose. Deve ser usada em doses regulares e não sucessivas no caso de paralisia. Era muito usada pelos negros como arma de vingança contra seus patrões, por isso o nome de "Amansa-senhor".

Contra picadas de insetos, coloca-se as folhas ou folhas e galhos imersos em álcool, até que seu sumo seja dissolvido. Aplica-se no local das picadas, imediatamente ao acontecerem. Para picadas de aranhas, é recomendado compressa.

Utilizada no tratamento de sarna. Colocam-se as raízes em molho no álcool, deixar por alguns dias até que as substâncias sejam liberadas no álcool. Aplicar o álcool sobre a área afetada. Pode ser usada em animais e humanos.

Descrição química da planta[editar | editar código-fonte]

A planta foi analisada por Gustavo e Theodoro Peckolt. A petiverina é uma substância amorfa, amarelada, pulverulenta, inodora, de sabor fortemente amargo, picante; é solúvel no éter, no álcool, na água acidulada e pouco solúvel na água fervente. Seu soluto precipita pelos cloretos de platina de ouro e pelo ácido tânico. Pode ser obtida tratando-se o extrato alcoólico da raiz pela água fervente, filtrando-se, juntando-se o filtrado a acetato neutro de chumbo até não produzir mais precipitado e depois acetato básico, filtrando-se, eliminando-se o excesso de chumbo de filtrado pelo hidrogênio sulfuretado, filtrando-se novamente e evaporando-se até a consistência xaroposa. Trata-se, então, o líquido xaroposo pelo álcool absoluto, separa-se este, destila-se e vascoleja-se o resíduo com éter; evapora-se o soluto etéreo espontaneamente e purifica-se o resíduo dissolvendo-o repetidas vezes no éter.

O ácido resinoso tem consistência da terebentina, cor pardacenta, sabor picante e aroma fortemente canforaceo e um tanto aliáceo, da raiz fresca.

A raiz seca fornece cerca de 20 por cento de extrato alcoólico.

Uso nas religiões afro-brasileiras[editar | editar código-fonte]

No candomblé e na umbanda, a guiné é usada para proteção contra energias negativas.[4]

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Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 878.
  2. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 878.
  3. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 679.
  4. Orixás e entidades da umbanda e do candomblé. Disponível em http://lilamenez.wordpress.com/tag/ervas/. Acesso em 29 de novembro de 2014.
  • Peckolt, Theodoro e Gustavo – Hist. Das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil -1900