Petiveria tetrandra

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Petiveria. Guiné..JPG

Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Caryophyllales
Família: Phytolaccaceae
Género: Petiveria
Espécie: P. tetrandra
Nome binomial
Petiveria tetrandra
B. A. Gomes

A Guiné ou Rabo de Gambá (Petiveria tetrandra) é um arbusto ou subarbusto de cerca de meio a um metro de altura, de ramos angulosos, sulcados-estriados, pubescentes ou quase glabros, subflexuosos, dilatados nos nós.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Folhas alternas, patentes, curtamente pecioladas, oblongo-lanceoladas, acuminadas, integerrimas, mais ou menos ondeadas, de base cuneiforme estriada num pecíolo canaliculado de cerca de 5mm de comprimento, levemente mebranaceas, com a nervura mediana proeminente na face inferior e as nervuras secundarias arqueadas, glabras em ambas as páginas, exceto na face superior das nervuras de cor verde escura na página superior e mais clara na inferior. Medem de 5 a 10cm de comprimento por dois a seis centímetros de largura.

Estipulas duas, subuladas, pequenissimas, caducas, freqüentemente obsoletas.

Inflorescência terminal ou axilar em racemos que, devido a extrema curteza dos pendúnculos florais, simulam espigas delgadas, eretas, algumas vezes subramosas na base, de dez a quinze centímetros de comprimento, afilas.

Raiz fusiforme, irregularmente ramificada de comprimento variável ; sua superfície externa é de cor pardo acinzentada clara e pardo amarelada, finamente estriada no sentido longitudinal, apresentando cicatrizes verrucosas.

Sinonímia[editar | editar código-fonte]

Sinonímia científica[editar | editar código-fonte]

  • Petiveria hexaglochin, Fish e Mey;
  • Petiveria alliacea, L.

Sinonímia popular[editar | editar código-fonte]

  • Tipi, Erva de pipi, Erva de Guiné, Raiz de Guiné, Erva de alho, Mucura-caa, Amansa-Senhor.

Habitat[editar | editar código-fonte]

Planta nativa das Américas, encontrada no sudoeste dos Estados Unidos, a partir da Florida, contornando o Golfo do México, na América Central incluindo o Caribe, e nas regiões tropicais da América do Sul. No Brasil, encontra-se desde o Piauí até o Rio Grande do Sul. Existem também plantações introduzidas no Benim e na Nigéria, na costa ocidental da África.

Propriedades Medicinais[editar | editar código-fonte]

Partes Usadas: Raiz e folhas

Princípios ativos: Óleo essencial; Pitiverina, resina inerte, ácido resinoso, glicose.

Usada como estimulante na paralisia, sudorifera e alexifera. Em altas doses é abortiva e segundo alguns provoca loucura quando de seu uso contínuo. Seu envenenamento é lento e no período agudo determina superexcitação, insônia e quase alucinação. Depois de poucos dias sintomas opostos: indiferença, chegando a imbecilidade, fraqueza cerebral, pequenas convulsões depois tetaniformes, mudes por paralisia da laringe e morte ao fim de um ano, dependendo da dose. Deve ser usada em doses regulas e não sucessivas no caso de paralisia. Era muito usada pelos negros como arma de vingança contra seus patrões, por isso o nome de Amansa senhor.

Contra picadas de insetos, coloca-se as folhas ou folhas e galhos imersos em álcool, até que seu sumo seja dissolvido. Aplica-se no local das picadas, imediatamente ao acontecerem. Para picadas de aranhas, é recomendado compressa.

Utilizada no tratamento de sarna. Coloca-se as raízes em molho no álcool, deixar por alguns dias até que as substâncias sejam liberadas no álcool. Aplicar o álcool sobre a área afetada. Pode ser usada em animais e humanos.

Histórico Químico da Planta[editar | editar código-fonte]

A planta foi analisada por Gustavo e Theodoro Peckolt.

A petiverina é uma substância amorfa, amarelada, pulverulenta, inodora, de sabor fortemente amargo, picante; é solúvel no éter, no álcool, na água acidulada e pouco solúvel na água fervente. Seu soluto precipita pelos cloretos de platina de ouro e pelo ácido tanico.

Pode ser obtida, tratando-se o extrato alcoólico da raiz pela água fervente, filtrando-se, juntando-se o filtrado acetato neutro de chumbo até não produzir mais precipitado e depois acetato básico, filtrando-se, eliminando-se o excesso de chumbo de filtrado pelo hidrogênio sulfuretado, filtrando-se novamente e evaporando-se até a consistência xaroposa. Trata-se então o líquido xaroposo pelo álcool absoluto, separa-se este, destila-se e vascoleja-se o resíduo com éter; evapora-se o soluto etéreo espontaneamente e purifica-se o resíduo dissolvendo-o repetidas vezes no éter.

O ácido resinoso tem consistência da terebentina, cor pardacenta, sabor picante e aroma fortemente canforaceo e um tanto aliáceo, da raiz fresca.

A raiz seca fornece cerca de 20% de extrato alcoólico.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Peckolt, Theodoro e Gustavo – Hist. Das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil -1900