Phytolacca americana

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Phytolacca americana

Phytolacca americana
Phytolacca-americana-berries.JPG
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Caryophyllales
Família: Phytolaccaceae
Género: Phytolacca
Espécie: P. americana
Nome binomial
Phytolacca americana
L.
Sinónimos
  • Phytolacca decandra L[1]
  • Phytolacca vulgaris Bubani
  • Phytolacca vulgaris Crantz

Phytolacca americana L., conhecida pelo nome comum de uva-de-rato, é uma planta herbácea vivaz da família Phytolaccaceae, nativa do leste da América do Norte, mas actualmente encontrada na generalidade das regiões de clima temperado, onde por vezes é uma invasora. Embora em geral não exceda 1 m de altura, em condições muito favoráveis cresce até aos 3 m. Apresenta ramos brandos e caules endurecidos, verdes a roxos, produzindo no final do verão e no outono cachos de frutos de cor negra a azulada. Apesar de ter partes comestíveis, a planta produz diversas toxinas, algumas das quais fatais quando ingeridas por humanos.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Esta é uma espécie de planta grande e forte (até 3 m de altura), caules avermelhados, folhas grandes e inteiras e flores esbranquiçadas em inflorescências racemosas lineares, inicialmente erectas, caindo gradualmente à medida que os frutos amadurecem. A flores têm em geral 10 estames e 10 carpelos. Os frutos são bagas carnudas, pretas a azuladas, com epicarpo enrugado quando maduros, resultantes da coalescência dos carpelos na maturação.

A plântula desenvolve rapidamente uma forte raiz napiforme. No inverno, a parte aérea da planta seca completamente, para reaparecer em torno de abril-maio ​​a partir de um forte turião. A planta cresce em áreas de florestas húmidas, em particular em matas ripícolas, e nas margens dos campos cultivados e nas bermas das estradas, preferindo solos ricos pouco mobilizados e áreas de ruderetum ricas em nitratos. Somente as urtigas e silvas parecem resistir à forte competição que resulta do adensar das populações desta planta.

A espécie é originária da região temperada do leste da América do Norte, sendo inicialmente considerada como pertencente à família das Solanaceae[2] [3] . Foi introduzida como planta cultivada, ou como acidental, na generalidade das regiões temperadas, onde ganhou carácter ruderal, sendo particularmente agressiva nas regiões de clima mediterrânico, onde por vezes é considerada planta invasora e praga agrícola. Nas últimas décadas tem invadido áreas florestais na França e no resto da Europa, merecendo a classificação de praga vegetal por parte da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza).

Apesar das variedades com folhas listradas ou manchadas amarelo-rosa serem utilizadas como ornamentais e das folhas jovens serem comestíveis quando sujeitas a branqueamento e cozidas[4] , a introdução e cultivo da planta na Europa e em outras regiões temperadas e subtropicais deve-se essencialmente aos usos medicinais e tintureiros das suas bagas. As bagas maduras fornecem por maceração um corante roxo ou carmesim em tempos muito valorizado em tinturaria e para realçar a cor de vinhos tintos considerados pálidos. Em medicina, os frutos, aos quais eram retiradas as sementes tóxicas, eram usadas como catártico (no sentido de laxativo).

A utilização medicinal era comum entre os ameríndios norte-americanos, sendo rapidamente adotada pelos colonos europeus naquele continente e depois trazida para a Europa, onde a planta foi incluída na Pharmacopeia comum, passando a ser cultivada com esse fim.

A toxicidade da baga está comprovada, devendo-se ao seu elevado conteúdo em saponina, apesar de ser consumida em grande quantidade pelas aves, sem qualquer efeito tóxico detetável. A toxicidade das folhas é controversa [4] , mas existem relatos de serem, por vezes, fatais para os cavalos.

Os usos medicinais da planta são variados. O uso interno da raiz, sob a forma de uma tintura, é prescrito em doses baixas para tratar várias infeções respiratórias, anginas, artrite e reumatismos. Externamente, na forma de pomada ou emplastro, pode tratar problemas de pele, como certas micoses, acne ou sarna. São-lhe também atribuídas propriedades anti-inflamatórias, antivirais e mitogénicos. No entanto, o seu uso ainda é discutível, podendo ser tóxica em grandes doses. Seu uso não é recomendado em crianças e mulheres grávidas.

O Dr. Aklilu Lemma, da Universidade Haile Selassie de Addis-Abeba (actualmente Universidade de Addis-Abeba), descobriu que as bagas fornecem uma substância eficaz na luta contra a bilharziose pois apresentam propriedades detergentes e são tóxicas para os moluscos hospedeiros do Schistosoma mansoni.

Notas

  1. Phytolacca americana na PlantList.
  2. Ficou conhecida em França por grande morelle des Indes, sendo que morelle é o nome comum de múltiplas solanáces, com as quais apresenta fortes semelhanças. Foi designada por: Solanum racemosum indicum H.R.P. e por Solanum magnum virginianum rubrum Park., Theat. 347.
  3. Dictionnaire raisonné universel d'histoire naturelle. Jacques C. Valmont de Bomare ed., 1800 p. 536 do vol. 9.
  4. a b Na obra de J. Montegut, Pérennes et vivaces nuisibles à l'agriculture, afirma-se que as folhas são comestíveis.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  1. AFPD. 2008. African Flowering Plants Database - Base de Donnees des Plantes a Fleurs D'Afrique.
  2. CONABIO. 2009. Catálogo taxonómico de especies de México. 1. In Ca. nat. México. CONABIO, Mexico City.
  3. Flora of China Editorial Committee. 2003. Flora of China (Ulmaceae through Basellaceae). 5: 1–506. In C. Y. Wu, P. H. Raven & D. Y. Hong Fl. China. Science Press & Missouri Botanical Garden Press, Beijing & St. Louis.
  4. Flora of North America Editorial Committee, e. 2003. Magnoliophyta: Caryophyllidae, part 1. 4: i–xxiv, 1--559. In Fl. N. Amer.. Oxford University Press, New York.
  5. Zuloaga, F. O., O. Morrone, M. J. Belgrano, C. Marticorena & E. Marchesi. (eds.) 2008. Catálogo de las Plantas Vasculares del Cono Sur (Argentina, Sur de Brasil, Chile, Paraguay y Uruguay). Monogr. Syst. Bot. Missouri Bot. Gard. 107(1): i–xcvi, 1--983 107(2): i--xx, 985–2286; 107(3): i--xxi, 2287–3348.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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