Piauí (revista)
| piauí | |
|---|---|
| Frequência | Mensal |
| Editora | Editora Alvinegra |
| Circulação | 21.524 (abril/11)[1] vendas avulsas. 20.081 (abr/11)[1] assinaturas. |
| Primeira edição | outubro de 2006 |
| País | |
| Língua(s) | Português |
| Sítio oficial | www.revistapiaui.com.br |
| Portal Imprensa |
|
A piauí é uma revista mensal, idealizada pelo documentarista João Moreira Salles. Está afiliada ao Instituto Verificador de Circulação (IVC) e à ANER, sendo editada pela Editora Alvinegra, impressa pela Editora Abril e distribuída pela Dinap, do Grupo Abril[2].
Diferentemente das revistas convencionais do mercado editorial brasileiro, a piauí pratica jornalismo literário. João Moreira Salles nunca ressaltou publicamente a escolha deste gênero, pois acredita que se trata de "um nome pomposo, que quer se aproximar da eternidade da literatura". Para ele, "o que a piauí faz é contar bem uma história".[3] Além de pautas pouco convencionais, o tratamento dado às reportagens geralmente assemelha-se ao de uma narrativa ficcional.
A primeira edição da piauí foi lançada em outubro de 2006. No site da revista é possível ler todas as reportagens das edições antigas.
Seu formato é de 26,5 cm x 34,8 cm. A piauí é impressa em papel especial de alta qualidade da Companhia Suzano de Papel e Celulose, o mesmo utilizado em impressão de livros, produzido exclusivamente em bobinas para sua impressão.
Índice |
[editar] Características da revista
A piauí pode ser enquadrada no conjunto de obras que se convencionou chamar de jornalismo literário, uma vez que apresenta elementos comuns à produção literária, como a enumeração de cenas, a descrição detalhada de ambientes e personagens e a fuga da objetividade. Além disso, o periódico não tem uma temática específica, não aborda temas explorados pela mídia, não tem manchete de capa e não tem uma linha editorial definida. Deste modo, permite que o repórter seja mais autoral em seus textos, o livrando da obrigação da pirâmide invertida e do lide naquilo que escreve. Ou seja, os títulos e os textos não têm comprometimento com o padrão das técnicas jornalísticas, tendo estes as possibilidades de serem longos, subjetivos, irônicos, divertidos, instigantes e até mesmo fictícios. A naturalidade da escrita e a recusa à técnica do lide favorecem a construção de uma história real com qualidade estética, de modo a dar vida e perenidade à reportagem.
[editar] Valorização da narração e da descrição
A piauí apresenta reportagens construídas a partir de estruturas narrativas e não unicamente de fatos expositivos, o que contribui para a humanização da reportagem, levando-a a alcançar uma dimensão maior de compreensão do personagem. O uso da descrição é também um importante aspecto nessa compreensão, visto que é através desse recurso que o leitor é apresentado aos personagens. A partir da narração, é possível conhecer melhor a trajetória dos personagens, enquanto a descrição permite ao leitor construir uma imagem mental destes e dos ambientes que compõem a reportagem. Estes recursos atuam, portanto, como elementos contextualizadores, contribuindo para o aprofundamento dos temas explorados.
[editar] Características simbólicas
São todos os detalhes simbólicos perceptíveis no cotidiano das pessoas, como de gestos, hábitos, olhares, poses, jeito de andar e outros. O registro de características simbólicas relaciona-se à riqueza da descrição e também ao trabalho com a linguagem. Ao fazer uso de tal recurso, a narrativa é enriquecida e afasta-se da objetividade que é pressuposta pela presença do lide no texto. O que prevalece é a preocupação em construir uma narrativa que instigue o leitor e que se caracterize pelo prazer da leitura.
[editar] Contribuição para uma cultura científica
O jornalismo tradicional prefere lidar com fatos já estabelecidos do que com teorias em desenvolvimento, não sendo rara a divulgação destas como verdades comprovadas, embora exista a todo instante o risco de essas enunciações caírem por terra. No entanto, em livros e reportagens com maior liberdade textual, é possível alcançar outro grau de aprofundamento informacional. A revista piauí, além de se dedicar a diversos aspectos da cultura brasileira, tem dedicado espaço a textos que abordam ciência e tecnologia, os quais, em meio a material sobre música, trabalho, política, violência, lazer e arquitetura, é instrumento em potencial na formação de uma cultura científica, de modo a contribuir com a reinserção da ciência na cultura.
[editar] Colunas mais frequentes
- Chegada
- Colaboradores
- Esquina
- Diário
- Perfil
- Quadrinhos
- Ficção
- Poesia
- Despedida
A piauí (assim mesmo, com "p" minúsculo) não tem, normalmente, colunas definidas. Isto supostamente imprime à publicação um grau maior de versatilidade e de maleabilidade quanto ao conteúdo disponibilizado. Das citadas acima, "Chegada", "Colaboradores" (que é uma descrição dos profissionais que tiveram naquela edição seus textos publicados na revista), "Esquina", "Quadrinhos" e "Despedida" são as únicas fixas.
[editar] Prêmios
- 6ª revista mais admirada do Brasil - Troiano Consultoria de Marca e Meio & Mensagem (jan/2010)
- Prêmio Especial do Júri do 21º Prêmio Veículos de Comunicação - Editora Referência (nov/07)
- Revista do Ano - Revista About (2007)
- Destaque do Ano do Prêmio Colunistas Rio - Editora Referência (2007)
- Melhor Jornalista de Mídia Impressa – Daniela Pinheiro - Portal e Revista Imprensa (mar/08)
- Veículo Impresso do Ano - Prêmio Colunistas (2009)
- Prêmio ABERJE 2009 - Mídia do Ano em Comunicação Empresarial Brasil, na categoria Revista.
- Prêmio Esso 2010 - Prêmio Esso de Informação Científica, Tecnológica e Ecológica, com o trabalho “Artur tem um Problema”.
Referências
- ↑ a b http://www.ivc.org.br/relatorio/3182011133710406.pdf
- ↑ Acordo assinado entre Grupo Abril e João Moreira Salles em 15 de setembro de 2006, conforme notícia no site da Dinap.
- ↑ TAVELA, Marcelo (16 de maio 2007). João Moreira Salles fala sobre revista piauí e evita o jornalismo literário. Comunique-se. Página visitada em 12-03-2009.
[editar] Bibliografia
- LIMA, Alceu Amoroso. O jornalismo como gênero literário. R.J. Agir. 1958
- PENA, Felipe. O Jornalismo literário como gênero e conceito.
- LIMA, Edvaldo Pereira. Páginas Ampliadas: o livro-reportagem como extensão do jornalismo e da literatura. 4ª ed. São Paulo: Manole, 2009.
[editar] Ligações externas
- Página oficial
- Notícia da Folha sobre o lançamento da piauí
- Matéria do Observatório da Imprensa sobre o lançamento da piauí
- Notícia do Meionorte.com sobre o nome da revista
- Notícia do Master em Jornalismo sobre o número da revista idealizado para a FLIP 2008
- Notícia do Portal Imprensa sobre o número da revista idealizado para a FLIP 2008
- Notícia do Portal Imprensa sobre o número da revista com entrevista de José Dirceu
- Texto do blog Imprensa Marrom sobre a revista e uma análise comparativa à Caros Amigos
- Vídeo da UFRJ sobre palestra de João Moreira Salles e revista piauí