Picão (sobrenome)

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Picão (sobrenome)[editar | editar código-fonte]

Sobrenome português que teve a sua origem no século XIV e que existe, sobretudo, no concelho de Elvas. Apesar de desconhecidas as suas raízes, deu origem a uma vasta família alentejana cuja nobilitação pode ser datada de meados do século XVIII pela elevação a fidalgo-cavaleiro de Amaro José de Bastos Picão.

Origens[editar | editar código-fonte]

Houve sempre grande mistério sobre a origem deste sobrenome. Os estudiosos apenas são unânimes quanto à origem toponímica do mesmo, mas aí surge-nos um problema: Qual a localidade que lhe deu o nome? Existe a possibilidade de ter sido tirado do lugar de Picão, em Castro Daire. Mas pode também ter aparecido mais recentemente (séc.XVI) em Santa Eulália - Concelho de Elvas - pois sabemos da existência de uma herdade chamada “Chão dos Picões” e que pertencia a essa família, que pode bem ter adoptado o nome da herdade para si, tal como foi o caso da família Rasquilha de Arronches e da herdade “A do Rasquilho”.1

Contudo, segundo Cristóvão Alão de Moraes “Pedro Affonso foi criado do Bpo. de Vizeu D. João de Abreu e veyo cõ elles para a d.ª cidade, E por ser natural da Pica de Regalados lhe chamarão o ‘Picão que ficou por apellido a seu f.º. Casou na d.ª cidade cõ Brites Als. filha de Lopo Martins de Argala natural de Leonil, E ouvidor que fora do Conde de Marialva nas Terras que tinha na Ribeira (…)”2

Picão de Elvas[editar | editar código-fonte]

Partindo do princípio que a família Picão de Santa Eulália descende dos “Picões” de Viseu, será a teoria de Alão de Moraes a mais lógica. E, de facto, tal ideia não seria descabida. Já em 1594 há registo de, em Elvas, ter nascido um Sebastião Martins Picão e como não há dados anteriores a este período podemos partir do princípio que Sebastião foi o primeiro Picão a fixar-se nesta zona. Apesar de Alão de Moraes não especificar datas nem anos, talvez por inexistências dos mesmos nos registos, podemos situar Pedro Affonso O Picão, se foi contemporâneo de D. João, bispo de Viseu, entre 1410 e 1482. E se, segundo o mesmo autor, também tiver sido contemporâneo do 2º Conde de Marialva, D. Gonçalo Coutinho, podemos reduzir para o espaço de 1415 a 1482 , o período de vida d’O Picão.3

Agora observemos a sua descendência:

1. Pedro Affonso teve
2. Diogo Piz. Picão, filho deste. Casou em Vizeu com N. Lopes, irmã de Thomas Lopes e houve
3. Francisca Lopes de Andrade, mulher de Gaspar de Loureiro

Podemos então situar estas três gerações no período compreendido entre 1415-20 e 1485-95. O que nos deixa cerca de 100 anos até ao registo do primeiro Picão em Santa Eulália, sendo por isso possível que estes Picões de Viseu tenham, por qualquer razão, migrado para o Alentejo.

Personalidades[editar | editar código-fonte]

José da Silva Picão, escritor e etnógrafo

Isabel Maria Picão (nascida Isabel Maria Aquilina Portocarrero de Saavedra y Campos), grande proprietária em Elvas

Maria Isabel Picão Caldeira Carneiro (Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade), religiosa e fundadora da Ordem das Irmãs Concepcionistas

Adriana Picão de Abreu de Alcântara Botelho, 2ª Condessa de Alcântara e sufragista activa pelo voto das mulheres


Referências

  1. MATTOS E SILVA, António de (Instituto Português de Heráldica), Anuário da Nobreza de Portugal – III – Tomo IV – pág. 729 (Picão Caldeira), DisLivro Histórica, Lisboa, 2006.
  2. ALÃO DE MORAES, Critstóvão, Pedatura Lusitana (Nobiliário de Famílias de Portugal) – Tomo quarto – Volume primeiro, 1673.
  3. FELGUEIRAS GAYO, Nobiliário das Famílias de Portugal, Volume I – pág. 55 (Abreus), Braga, 1989.