Chlamyphorus truncatus

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Guertelmaus-drawing.jpg

Estado de conservação
Status none DD.svgDados insuficientes (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Cingulata
Família: Dasypodidae
Género: Chlamyphorus
Harlan, 1825
Espécie: C. truncatus
Nome binomial
Chlamyphorus truncatus
Harlan, 1825
Distribuição geográfica
Lesser Fairy Armadillo area.png
Sinónimos[2]
C. minor, C. ornatus, C. patquiensis, C. typicus

O pichiciego-menor (Chlamyphorus truncatus) é a única espécie de tatu do gênero Chlamyphorus.[2] [3] São os menores tatus do mundo e um das raras espécies de mamíferos da América do Sul.[4] [5]

Trata-se de um dos mamíferos mais raros do mundo, sendo encontrado no subterrâneo das planícies da Argentina.[3] Os pichiciegos-menores permanecem em suas tocas durante o dia, saindo à noite para alimentar-se. Sua dieta é composta principalmente de formigas, mas eles também comem larvas de insetos, minhocas, raízes e outras partes de plantas. Hábeis cavadores, podem enterrar-se completamente em questão de segundos.[5]

Descrição[editar | editar código-fonte]

Exemplar taxidermizado exposto no Museu de História Natural Senckenberg

Com comprimento do focinho ao ventre variando de 84 mm a 117 mm e uma cauda medindo entre 27 mm e 35 mm, a C. truncatus é a menor das espécies de tatu. Sua carapaça, de coloração rosa-claro, apoia-se sobre duas elevações, uma óssea, próxima aos olhos, e outra muscular, que se estende ao longo da espinha dorsal. Os membros e as regiões ventral e dorsal do corpo, sob a carapaça, tem pelagem branca, fina e macia. Todas as cintas da carapaça movimentam-se livremente.

Os pichiciegos-menores são a única espécie de tatu na qual a carapaça dorsal fica quase toda separada do corpo. A placa óssea na parte posterior da carapaça é firmemente ligada aos ossos da pelve do animal. A cauda tem forma de espátula e projeta-se através de um corte em V na placa traseira da carapaça. Por não serem capazes de levantar a própria cauda, os pichiciegos-menores a arrastam enquanto caminham. As fêmeas da espécie possuem duas mamas.[4] Os filhotes de pichiciego-menor assemelham-se a seus pais, mas suas carapaças tornam-se rígidas somente quando estes atingem a idade adulta.[5]

Sistemática[editar | editar código-fonte]

Sistemática interna dos tatus, segundo Delsuc et al. 2003[6]
 Dasypodidae 


 Euphractinae 


 Calyptophractus



 Chlamyphorus





 Chaetophractus



 Euphractus




 Zaedyus




 Tolypeutinae 

 Tolypeutes




 Priodontes



 Cabassous






 Dasypodinae



O pichiciego-menor é a única espécie de tatu do gênero Chlamyphorus. No passado, os pichiciegos-maiores (Chlamyphorus retusus) estavam subordinados a este, mas têm atualmente o seu próprio gênero, o Calyptophractus (Calyptophractus retusus), sendo também a única espécie de tatu do mesmo.[7]

A característica que diferencia tanto o pichiciego-menor quanto o pichiciego-maior das outras espécies da família Dasypodidae é a carapaça pélvica firmemente ligada à espinha e aos ossos da pelve. Além disso, em ambas as espécies a carapaça dorsal possui 24 segmentos, ou cintas, as quais, por serem ligadas através de tecidos flexíveis, são móveis. A extremidade posterior da carapaça dorsal termina abruptamente, como se tivesse sido truncada. No C. truncatus a parte da carapaça que protege a cabeça do animal é mais desenvolvida do que na C. retusus.[7]

Ambas as espécies estão subordinadas à família dos tatus, Dasypodidae. Dentro desta, os gêneros Calyptophractus e Chlamyphorus, juntos aos gêneros Chaetophractus, Euphractus e Zaedyus, formam a sua própria subfamília, a Euphractinae. Esta subfamília é o táxon-irmão da subfamília Tolypeutinae, à qual pertencem, entre outras espécies, o tatu-bola-da-caatinga (Tolypeutes tricinctus), o tatuaçu (Priodontes) e o tatu-de-rabo-mole (Cabassous).[6] De acordo com investigações biológico-moleculares, ambas as subfamílias já haviam divergido uma da outra há mais de 33 milhões de anos, no oligoceno.[8]

Habitat e ecologia[editar | editar código-fonte]

Os pichiciegos-menores tem como habitat pradarias e planícies arenosas, com cactus e arbustos espinhosos. De hábitos noturnos, permanem em suas tocas durante o dia, saindo à noite em busca de alimento.[5] São animais lentos, exceto ao cavar - são capazes de enterrar-se completamente em questão de segundos, quando ameaçados. Para cavar, apoiam-se sobre a sua cauda, jogando a terra muito rapidamente por debaixo e para trás de si mesmos, enquanto usam as extremidades dos membros torácicos para amontoá-la e as dos membros pélvicos para espalhá-la.

Eles podem usar a placa posterior de sua carapaça para fechar a entrada da toca onde se encontram, de maneira semelhante a uma rolha. Preferem escavar suas tocas em regiões onde o solo é seco e quente, próximo a formigueiros, sua principal fonte de alimento.[5] Caso o solo fique demasiado úmido, esses animais abandonam as suas tocas. Os pichiciegos-menores são omnívoros, mas a sua dieta compõe-se em primeira linha de formigas. Podem, contudo, alimentar-se de larvas, minhocas, caramujos, raízes e outras partes de vegetais.[4]

Biologia e conservação[editar | editar código-fonte]

Os pichiciegos-menores não se dão bem em cativeiro, sendo que nenhum espécime sobreviveu por mais de quatro anos nestas condições. Entre 1996 e 2006 o C. truncatus era, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), uma espécie ameaçada de extinção, com estado de conservação vulnerável, devido à destruição de seu habitat e a predação conduzida por cães domésticos. Entre 2006 e 2008 o risco de extição da espécie era pouco preocupante, com estado de conservação quase-vulnerável. Desde 2008, contudo, a IUCN classifica o estado de conservação da espécie como desconhecido, devido à falta de informações sobre o seu estado populacional.[1] [4]

Galeria de imagens[editar | editar código-fonte]

Literatura[editar | editar código-fonte]

  • Nowak, R.M. Walker’s Mammals of the World (em inglês). 6ª. ed. Baltimore, MD: Johns Hopkins University Press, 1999. p. 158-168.

Referências

  1. a b Superina, M. & Abba, A.M. (2010). Chlamyphorus truncatus (em Inglês). IUCN . Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2012 Versão 2. Página visitada em 05 de dezembro de 2012.
  2. a b Chlamyphorus truncatus (em Inglês) In: Wilson, D. E. & Reeder, D. M. (2005) Mammal Species of the World. A Taxonomic and Geographic Reference. 3ª edição. ISBN 0801882214
  3. a b PICHICIEGO MENOR O PAMPEANO (Chlamyphorus truncatus) (em espanhol) Instituto Argentino de Investigaciones de las Zonas Áridas. Visitado em 05 de dezembro de 2012.
  4. a b c d Genus Chlamyphorus (em inglês) Armadillo online. Visitado em 05 de dezembro de 2012.
  5. a b c d e Hathaway, H (1999). Chlamyphorus truncatus (On-line) (em inglês) Animal Diversity Web. Visitado em 06 de dezembro de 2012.
  6. a b Delsuc, F.; Stanhope, M.J. e Douzery, E.J.P. (Agosto 2003). "Molecular systematics of armadillos (Xenarthra, Dasypodidae): contribution of maximum likelihood and Bayesian analyses of mitochondrial and nuclear genes" (em inglês). Molecular Phylogenetics and Evolution 28 (2) p. 261–275. DOI:10.1016/S1055-7903(03)00111-8.
  7. a b Gonsiorowski, E, (2002). Calyptophractus retusus (On-line) (em inglês) Animal Diversity Web. Visitado em 10 de dezembro de 2012.
  8. Delsuc, F.; Vizcaíno, S.F. e Douzery, E.J.P.. (2004). "Influence of Tertiary paleoenvironmental changes on the diversification of South American mammals: a relaxed molecular clock study within xenarthrans" (em inglês). BMC Evolutionary Biology 4 (11) p. 1–13.
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