Pickelhaube

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Pickelhaube (plural Pickelhauben; do alemão Pickel = "ponta", e Haube = "boné").
Clássico modelo de capacete confeccionado em couro envernizado, com ponteira e guarnições metálicas, usado pelos militares, bombeiros e policiais alemães durante os séculos XIX e XX; o qual está mais intimamente associado ao exército da Prússia.

Bismarck usando um pickelbaube.

História[editar | editar código-fonte]

O pickelhaube foi originalmente desenhado em 1842 pelo Rei Frederico Guilherme IV da Prússia[1] , talvez como uma cópia de capacetes similares adotados na mesma época pelos militares russos[2] . Não se sabe porém, se esse foi um caso de imitação ou invenção paralela. Os primeiros modelos usavam ponteira com crineira; posteriormente foram também usadas esferas para a artilharia, bem como a águia imperial, em alguns modelos alemães.
Frederico Guilherme introduziu o pickelhaube para o uso da infantaria prussiana em 23 de Outubro de 1842 por ordem do gabinete real[3] . Desde então o capacete espalhou-se rapidamente pelos principados alemães. O estado de Oldenburg adotou-o em 1849, Baden em 1870 e, em 1887, o Reino da Baviera, último estado alemão a adotá-lo.
Diversas forças armadas de várias nações, incluindo a Colômbia, Chile, México, Portugal, Noruega, Estados Unidos e Suécia, dentre muitos, adotaram o pickelhaube ou versões similares. Seu desenho teve influência sobre outros modelos de capacetes, os quais perduram até os dias de hoje.

Brasil[editar | editar código-fonte]

Exército Brasileiro[editar | editar código-fonte]

O pickelhaube foi adotado para o Exército Brasileiro em 1889[4] , objetivando diferenciar os uniformes da República em relação aos do período do Império. Com os uniformes de gala, a ponteira era substituída por penachos com as cores representativas das Armas ou Serviços (vermelho para a infantaria; branco e vermelho para a cavalaria; carmin e preto para a artilharia; etc.).

Em 1890[5] e 1894[6] foram feitas novas modificações; sendo adotados revestimentos coloridos nos capacetes, e inseridos modelos com cimeira e crineira para a cavalaria, artilharia de campanha, e bandas de música. Passou também a existir uma variada combinação de cores nos penachos, para as diversas especialidades das Armas e Serviços (artilharia de campanha, artilharia de posição, etc.).

Em 1903 o pickelhaube foi substituído pelo pith helmet; uma versão em cortiça do capacete colonial, revestido com tecido branco e ornado com penachos, crineiras e ponteiras.

Versões similares foram também adotadas pela Guarda Nacional.

Pickelhaube de oficial da
Polícia Militar do Paraná.

Forças Estaduais[editar | editar código-fonte]

As forças estaduais, atuais polícias militares, também adotaram versões do pickelhaube.

  • A Brigada Policial da Capital Federal (PMRJ) adotou em 1912[7] um modelo de ulano, com trapézios hexagonais em dourado.
  • O Regimento de Segurança do Paraná (PMPR) adquiriu em 1913[8] o modelo tradicional com ponteira; a qual podia ser substituída por um adorno de crineira (tipo coqueiro). Essa crineira era vermelha para a infantaria e branca para a cavalaria. O modelo usado pelos oficiais era ligeiramente diferente do dos praças. A ponteira era mais longa, havia desenhos geométricos na base, e a cabeça dos parafusos de fixação simulavam estrelas; enquanto o modelo dos praças não possuía desenhos, e a cabeça dos parafusos de fixação eram semi-esféricas. Para a banda de música as ferragens eram prateadas.
    Com a declaração de guerra do Brasil contra a Alemanha em 1917, esse capacete foi abolido no Paraná.

Uma pesquisa ainda inédita de José Wasth Rodrigues sobre os uniformes dessas corporações[9] , apresenta alguns modelos usados na Parada das Forças Estaduais no Rio de Janeiro, em 1928.

  • O Batalhão Policial do Mato Grosso (PMMT) usa o capacete com penachos nas cores da bandeira estadual, azul e branco;
  • E a Força Pública de Santa Catarina (PMSC) mostra um capacete todo branco com virolas em dourado, com o suporte da ponteira em cruz.

O tradicional capacete de bombeiro militar brasileiro é também uma variação do pickelhaube. Adotado pelo Corpo de Bombeiros da Capital Federal no período do Império, e utilizado até hoje por muitas Corporações estaduais.

EB 1890 Cav.PNG EB 1894 Art.PNG EB 1895 Inf.PNG CBPA.PNG PMMT.PNG PMSC.PNG
E B
Cavalaria
1890
E B
Artilharia
1894
E B
Infantaria
1895
Corpo de Bombeiros
do Pará

1921
Polícia Militar
do Mato Grosso

1928
Polícia Militar
de Santa Catarina

1928

Referências

  1. The German Pickelhaube, 1914-1916, Trenches on the Web web site
  2. Military Fashion by John Mollo (New York: G.P. Putnam's Sons, 1972), página 133
  3. The Model 1842 Pickelhaube from the Kaiser's Bunker web site
  4. Decreto de 28 de novembro de 1889.
  5. Decreto de 28 de agosto de 1890.
  6. Decreto de 11 de junho de 1894.
  7. Decreto n° 9.729, de 21 de agosto de 1912.
  8. Decreto n° 346, de 07 de maio de 1913.
  9. Arquivada no Centro de Documentação do Exército, em Brasília, DF.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ulrich Schiers, Die Verbreitung der Pickelhaube in den deutschen Staaten (Die Sammlungen des Wehrgeschichtlichen Museums im Schloss Rastatt, Reihe 5: Kopfbedeckungen. Band 1), Freiburg 1988
  • Laurent Mirouze: Infanteristen des Ersten Weltkriegs Verlag Karl-Heinz Dissberger, Düsseldorf 1990 ISBN 3-924753-28-8
  • Hein, Das kleine Buch vom Deutschen Heere, Kiel und Leipzig 1901 (Reprint Augsburg 1998)
  • Uniformes do Exército Brasileiro - Obra Comemorativa do Centenário da Independência do Brasil; desenhos, aquarelas e documentos de J.Wascht Rodrigues e direção geral e organização do texto de Gustavo Barroso; 1922.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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