Pierre Bec

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Classificação supra-dialectal do ocitano-românico segundo P. Bec1

Pierre Bec (Pèire Bèc em ocitano), nascido em Paris em 1921, é um linguista, filólogo e poeta, especializado no estudo das línguas românicas e em particular do ocitano. Foi também um dos fundadores do Institut d'Estudis Occitans (IEO), do qual foi presidente desde o 1961.

Biografia[editar | editar código-fonte]

De origem gascão, Bec passou a infância na região francesa de Comminges, onde aprendeu o ocitano. Sem ter ainda completado os estudos secundários, começa a trabalhar como intérprete para os refugiados da guerra civil espanhola. Ao principio da Segunda Guerra Mundial é deportado a Alemanha, de onde volta no 1945 para se licenciar em língua alemã e italiana. Doutorou-se em Paris no 1959.

Publicou a sua tese Les Interférences linguistiques entre gascon et languedocien dans les parlers du Comminges et du Couserans em 1968 e depois um livro de divulgação importante pela filologia e dialectologia ocitana: Manuel pratique d'occitan moderne em 1973.

É o primeiro linguista que fez um trabalho científico para padronizar o ocitano sobre bases racionais (occitan larg), ao começo dos anos 1970.

Depois duns anos de docência na capital francesa, transladou-se a Poitiers, onde ensinou na universidade até sua aposentação em 1989.

Atualmente é professor honorário da universidade de Poitiers e diretor adjunto do Centre d'Études Supérieures de Civilisation Médiévale, também de Poitiers. É considerado um dos principais especialistas na dialectologia ocitana e na literatura ocitana medieval. Foi ativo também na ação política ocitanista, na investigação filológica e na criação literária, escrevendo poemas, contos e novelas, em língua ocitana. Colaborou com publicações como Cahiers de Civilisation Médiévale , Revue de Linguistique Romane, Estudis Romànics, 'Òc, etc. 2

Obra[editar | editar código-fonte]

Bec é considerado um dos mais reputados especialistas em língua e literatura ocitanas. Sua obra La langue occitane, aparecida na coleção francesa Que sais-je?, contribuiu amplamente a dar a conhecer em toda a França a realidade linguística do "Midi", o Sul do país. Seu manual Manuel pratique de Philologie Romane, é uma obra de referência nos estudos de Linguística Românica e Filologia Românica.

Ocitano e catalão[editar | editar código-fonte]

Linguistas como Wilhelm Meyer-Lübke3 ou Loís Alibèrt4 já tinham demonstrado que a relação entre o ocitano e o catalão é muito mais forte do que a pertenência dessas línguas a grupos fundados mais sobre os "Estados-nações" que sobre a realidade linguística, como o galo-românico ou o ibero-românico.

Seguindo nos seus passos, Pierre Bec e outros linguistas ocitanos, como Domergue Sumien, propuseram classificações supra-dialectales do conjunto ocitano-românico5 .

Reto-cisalpino[editar | editar código-fonte]

Analogamente, no campo dos estudos do italiano do Norte, no mesmo manual 6 , Bec afirma que tivera que existir algum tipo de unidade diacrônica entre as línguas reto-românicas (ou seja, romanche, friuliano e ladino) e o grupo do Italiano do Norte - (lombardo, nas variantes "ocidental" e "oriental", piemontês, vêneto, emiliano-romanholo e liguriano) moderno 7 . Nesse sentido, Bec pode ser considerado um precursor do linguista australiano Geoffrey Hull.

Ocitano padrão[editar | editar código-fonte]

Bec é conhecido também por seu trabalho sobre o ocitano padrão, denominado também ocitano amplo (occitan larg) ou ocitano de referência. Essa variedade padrão da língua desenvolveu-se dentro do marco da norma clássica do ocitano a partir dos anos 1970 e hoje o projeto é bastante adiantado. Esta norma baseia-se sobre a convergência de todos os dialetos do ocitano, reconhece a centralidade do dialeto da Languedoc, mas permite também adaptações regionais (pelos grandes dialetos) que assim ficam convergentes entre elas. As normas regionais se estão ainda elaborando e são mais ou menos adiantadas segundo as regiões.

Obra em Val d'Aran, Espanha[editar | editar código-fonte]

Em 1982, Bec fez parte com Jacme Taupiac i Miquèu Grosclaude da Comissió de Normalització Lingüística de l'Aranès, uma variedade ocitana falado no Val d'Aran, em Catalunha, que estabeleceu as normas para esta língua reconhecida como co-oficial em 1983 e que seguiam as indicações dadas por o IEO com respeito ao gascão, do qual aranês é um dialeto local.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Pierre BEC (1973), Manuel pratique d’occitan moderne, coll. Connaissance des langues, Paris: Picard
  2. Fonte dos dados biográficos: Biographie
  3. Das Katalanische, Heidelberg, 1925
  4. 'Gramatica occitana segon los parlars lengadocians, Montpelhièr, 1976
  5. Pierre Bec, Manuel pratique de philologie romane, tome 1 : italien, espagnol, portugais, occitan, catalan et gascon, Picard, 1970 - réédit. 2000, ISBN 978-2708402874
  6. Ibid, tome 2 : français, roumain, sarde, dalmante - index des 2 tomes, Picard, 1971, - réédit. 2000, ISBN 978-2708402300
  7. Ibid. p. 316: Ao mesmo tempo inovador e arcaizante em relação ao galo-italiano, o reto-friulano deve ser de todos modos integrado dentro do conjunto galo-românico [...] cisalpino, do qual constitui [...] uma área marginal e conservadora. [...] desde o ponto de vista diacrônico, e uma certa unidade, sobretudo entre a Reto-românia e a Cisalpinia pode ser considerado segura. (À la fois novateur et archaïsant par rapport au gallo-italien, le réto-friulan doit être de toute façon intégré dans l'ensemble gallo-roman [...] cisalpin, dont il constitue [...] une aire 'marginale et conservatrice. [...] vue en diachronie, une certaine unité peut être assurée, surtout entre Raetoromania et Cisalpinia).

Bibliografia: Obras em francês e em ocitano (gascão)[editar | editar código-fonte]

Fonte: Bibliographie sélective

Linguística[editar | editar código-fonte]

  • La Langue occitane (PUF, Que sais-je ? n° 1059, 128 pages (1963, 5×10{{{1}}} édition 1986, 6×10{{{1}}} édition corrigée janvier 1995') ; ISBN 2-13-039639-9
  • Les Interférences linguistiques entre gascon et languedocien dans les parlers du Comminges et du Couserans (PUF, 1968) : Essai d'aréologie systématique.
  • Pierre Bec, Manuel pratique d'occitan moderne, Picard, 1973; 2e édition 1983, ISBN 978-2708400894
  • Pierre Bec, Manuel pratique de philologie romane, tome 1 : italien, espagnol, portugais, occitan, catalan et gascon, Picard, 1970 - réédit. 2000, ISBN 978-2708402874
  • Pierre Bec, Manuel pratique de philologie romane, tome 2 : français, roumain, sarde, dalmante - index des 2 tomes, Picard, 1971, - réédit. 2000, ISBN 978-2708402300

Literatura[editar | editar código-fonte]

Estudos e Antologias[editar | editar código-fonte]

  • Petite anthologie de la lyrique occitane du Moyen Âge (1954), fr.
  • Les saluts d'amour du troubadour Arnaud de Mareuil (Privat, 1961)
  • Anthologie de la prose occitane du Moyen Âge (XIIe-XVe siècle) (Aubanel, 1977, vol. 1 - Éd. Vent Terral, 1987 vol. 2), ISBN 978-2700600766
  • Burlesque et obscénité chez les troubadours: Le contre-texte au Moyen Âge, Stock, 1984, ISBN 978-2234017115
  • com Gérard Gonfroy e Gérard Le Vot, Anthologie des troubadours (10/18, 1979, 2e édit. 1985)
  • Vièles ou violes?: Variations philologiques et musicales autour des instruments à archet du Moyen Age : XIe-XVe siècle, Klincksieck, 1992, ISBN 978-2252028032
  • Écrits sur les troubadours et la lyrique médiévale (1961-1991), Éditions Paradigme, 1992, ISBN 978-2868780676
  • Chants d'amour des femmes troubadours (Stock, 1995)
  • "Le Siècle d'or de la poésie gasconne" (1550-1650), Les Belles Lettres, Paris, 1997
  • La joute poétique : De la tenson médiévale aux débats chantés, Les Belles Lettres, Paris, 2000, ISBN 978-2251490120
  • Chants d'amour des femmes troubadours, Les Belles Lettres, Paris, 2000, ISBN 978-2251490120
  • Entà créser au món (Reclams, 2004), pròsa, oc
  • Pierre Bec, Chants d'amour des femmes de Galice, Éditions Atlantica, Biarritz, 2010, ISBN 978-2-7588-0274-7

Poesia em ocitano[editar | editar código-fonte]

  • Au briu de l'estona (IEO, 1956).
  • La quista de l'Aute (IEO, 1971).
  • Sonets barròcs entà Iseut (IEO, 1979).
  • Cant reiau (IEO, 1985).

Prosa em ocitano[editar | editar código-fonte]

  • Contes de l'unic (Per Noste, 1977), oc.
  • Lo hiu tibat. Racontes d'Alemanha (Per Noste, 1978), oc. (qui raconte ses aventures de prisonnier de guerre en Autriche)
  • Sebastian ((Federop, 1981)
  • Contes esquiçats (Per Noste, 1984)
  • Raconte d’ua mòrt tranquilla (Reclams, 1993), ISBN 978-2909160177