Pierre Nora

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Pierre Nora
Pierre Nora em junho de 2011.
Nome completo Pierre Nora
Nascimento 17 de Novembro de 1931 (82 anos)
Nacionalidade  França
Parentesco Simon Nora
Ocupação Historiador
Escola/tradição Nova História

Pierre Nora (Paris, 17 de novembro de 1931) é um historiador francês.

Ocupa uma posição particular, que o qualifica como uma referência entre os historiadores franceses contemporâneos. É conhecido pelos seus trabalhos sobre a identidade francesa e a memória, o ofício do historiador, e ainda pelo seu papel como editor em Ciências Sociais. O seu nome está associado à Nova História ("nouvelle histoire").

Biografia[editar | editar código-fonte]

Carreira académica[editar | editar código-fonte]

Na década de 1950 foi aluno do Lycée Louis-le-Grand, mas não foi recebido, ao contrário do que comumente se afirma, na Escola Normal Superior de Ulm. Obteve, em seguida, a licenciatura em Filosofia. Tendo recebido a agregação em História em 1958, lecionou no Lycée Lamoricière de Orão (Algéria) em 1960. Nesse período produziu um ensaio publicado com o título de "Les Français d'Algérie" (1961).

Foi bolsista da Fundação Dosne-Thiers, de 1961 a 1963, e assistente, depois professor-assistente, no Institut d'études politiques de Paris, de 1965 a 1977. A partir de 1977, tornou-se director de estudos na École des hautes études en sciences sociales.

Como editor[editar | editar código-fonte]

Paralelamente, Pierre Nora construiu uma importante carreira como Editor. Ingressou em 1964 na Juilliard School, onde criou a colecção de livros de bolso "Archives". Em 1965, juntou-se à Gallimard: a prestigiada editora, já bem instalada no mercado da literatura, desejava desenvolver o seu sector das Ciências Sociais. Foi Nora que desempenhou esta tarefa pela criação de duas importantes colecções: a "Bibliothèque des sciences humaines" em 1966 e a "Bibliothèque des histoires" em 1970, além da coleção "Témoins" (1967).

Na Gallimard, Nora publicou entre as colecções que dirigiu, trabalhos importantes que constituem geralmente referências obrigatórias em seus respectivos campos de pesquisa, a saber:

Este importante papel concedeu a Nora um certo poder no mercado editorial francês, que o expôs às críticas. Assim, ele se recusou, em 1997, a traduzir o livro de Eric Hobsbawm , "Age of Extremes" (1994), em virtude do "compromisso com a causa revolucionária" de Hobsbawm, que reinterpreta os grandes acontecimentos do século XX em torno do comunismo e, especificamente, a rejeição ou medo da União Soviética. Nora afirma que François Furet, que solicitou a tradução do livro em uma longa nota de pé de página em "Passé d'une illusion" ( 1995), aconselhou-o: "Tradu-lo, sangue bom! Não será o primeiro mau livro que tu publicarás". Serge Halimi, no "Le Monde diplomatique", comentará sobre a "censura"[1] . O livro foi finalmente publicado em 1999 sob o título "L'Âge des extrêmes" pela Éditions Complexe, em Bruxelas, com a colaboração do "Le Monde diplomatique".

Em maio de 1980, Nora fundou na Gallimard a revista "Le Débat" com o filósofo Marcel Gauchet; ela veio a constituir-se numa das mais importantes revistas intelectuais francesas.

Outros trabalhos[editar | editar código-fonte]

Também participou da Fondation Saint-Simon, criada em 1982 por François Furet e Pierre Rosanvallon e dissolvida em 1999.

Nora destacou-se ainda por ter dirigido a obra "Les Lieux de Mémoire", três volumes destinados a fornecer um inventário dos lugares e objetos nos quais se encarna a memória nacional francesa.

Recompensas e distinções[editar | editar código-fonte]

Nora recebeu o foi Prix Diderot-Universalis em 1988, o Prix Louise-Weiss de la Bibliothèque nationale em 1991, Prix Gobert da Académie française em 1993 e o Grand Prix national de l'histoire em 1993.

Ele foi presidente do Librairie européenne des idées no Centre national du Livre de 1991 a 1997 e membro do Conselho de Administração da Bibliothèque nationale de France de 1997 a 2000. Ele é membro do Conselho Científico da École nationale des chartes após 1991, do Conselho de Administração do Établissement public de Versailles após 1995, e do Haut Comité des célébrations nationales após 1998.

Em 7 de junho de 2001, foi eleito para a cadeira n° 27 da Académie française, onde sucedeu a Michel Droit. Recebeu o discurso de recepção a 6 de junho de 2002 por René Rémond[2] .

Em 2006, tornou-se comendador da Légion d'honneur, oficial da Ordre national du Mérite e comendador da Ordre des Arts et des Lettres.

Referências

  1. [1]
  2. Disponível em: [2].

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Faire de l'histoire (dir.), com Jacques Le Goff, Gallimard (Bibliothèque des histoires), Paris, 1974, 3 tomos : t. 1 Nouveaux problèmes, t. 2 Nouvelles approches, t. 3 Nouveaux objets.
  • Les Lieux de mémoire (dir.), Gallimard (Bibliothèque illustrée des histoires), Paris, 3 tomos : t. 1 La République (1 vol., 1984), t. 2 La Nation (3 vol., 1987), t. 3 Les France (3 vol., 1992)
  • Essais d'ego-histoire (dir.), Gallimard (Bibliothèque des histoires), Paris, 1986.
  • NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. In: Projeto História. São Paulo, nº 10, p. 7-28, dez. 1993.
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