Pimenta da Veiga

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João Pimenta da Veiga Filho
Prefeito de Belo Horizonte Bandeira Belo Horizonte.PNG
Mandato 1 de janeiro de 1989
1 de abril de 1990
Antecessor(a) Sérgio Mário Ferrara
Sucessor(a) Eduardo Azeredo
Vida
Nascimento 2 de julho de 1947 (67 anos)
Belo Horizonte, MG
Dados pessoais
Partido PSDB, PMDB, MDB
Profissão advogado

João Pimenta da Veiga Filho (Belo Horizonte, 2 de julho de 1947) é um político e advogado brasileiro com escritório em Brasília. Foi deputado federal pelo partido MDB e Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) de 1978 a 1988. Em 1988, foi um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e prefeito de Belo Horizonte. Foi reeleito deputado federal pelo partido PSDB de 1994 a 1998, também foi presidente nacional do PSDB de 1994 a 1995, quando o partido assumiu a presidência da república. Foi o ministro das comunicações logo após as privatizações de 1999 a 2002.[1] [2] [3] [4] [5]

Em 2014, foi escolhido como candidato do PSDB ao governo de Minas Gerais e também coordenador da campanha do PSDB no estado.[6] No mesmo ano assumiu a presidência do Instituto Teotônio Vilela, órgão de estudos e formação política do PSDB.[6] [7] [8]

Biografia[editar | editar código-fonte]

João Pimenta da Veiga Filho nasceu em uma família de quatro irmãos. A mãe, Edite Paraíso Pimenta da Veiga, era professora e o pai, João Pimenta da Veiga, era advogado criminalista. Seu pai também foi deputado federal.

Pimenta da Veiga é graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pimenta é casado com a jornalista Anna Paola Frade Pimenta da Veiga.[4] [9]

Deputado Federal[editar | editar código-fonte]

Ingressou na vida pública em 1978, quando foi eleito deputado federal pelo MDB, um dos dois partidos permitidos pela Ditadura. Foi o primeiro deputado a denunciar o Atentado do Riocentro, frustado atentado implementado pela ditadura militar do Brasil, conhecido pela explosão de uma bomba durante um show de MPB,em 1981[carece de fontes?]. Foi um dos deputados engajado na luta pelas Diretas Já, movimento a favor da redemocratização e eleições diretas para presidente no Brasil. Com a derrota da Emenda Dante de Oliveira, Pimenta da Veiga apoiou a eleição indireta Tancredo Neves no colégio eleitoral.

Foi reeleito deputado federal por mais três mandatos consecutivos pelo PMDB, onde permaneceu até 1988.[3] Também foi deputado federal pelo PSDB de 1994 a 1998, quando se tornou ministro das Comunicações do governo FHC.[6] [10] [11]

Prefeito de Belo Horizonte[editar | editar código-fonte]

Foi eleito prefeito de Belo Horizonte pelo PSDB em 1989, sendo o primeiro prefeito do partido a comandar a prefeitura de uma capital.[4] [5]

Como prefeito foi acusado por organizações comunitárias da periferia da cidade de “não ter compromisso com as favelas”[12] e de ter agravado os problemas de segurança e infra-estrutura. Em janeiro de 1990 o vice-prefeito Eduardo Azeredo visitou os moradores da ocupação Fazenda Mariquinha, garantindo aos moradores que não haveria intervenção da Polícia Militar. No dia seguinte, no entanto, a Polícia Militar pegou os moradores de surpresa e efetuou a desocupação. O presidente da Federação das Associações de Moradores de Belo Horizonte (FAMOB) classificou a ação como “guerra” e acusou a prefeitura de mentir para os moradores.[13]

A gestão Pimenta da Veiga tentou verticalizar a Lagoa da Pampulha, apresentando um projeto de “construção de um shopping center e um hotel com 204 apartamentos, em convênio com a iniciativa privada”[14] . O projeto tambem incluía a criação de ilhas na lagoa, que ficaram conhecidas como “ilhas da fantasia”[15] . Ainda segundo a Prefeitura o projeto deveria ter ficado pronto em 1991 mas não saiu do papel.

Em sua administração implantou o Programa de Orçamento Participativo, o PROPAR, programa de participação popular para a escolha de pequenas obras públicas pela cidade, especialmente recapeamento de vias.[16] [17] [18]

Pimenta da Veiga saiu da prefeitura após pouco mais de 12 meses de gestão para se candidatar a governador. Vários vereadores de Belo Horizonte, entre eles Fernando Cabral (PT), questionaram o uso de propagandas da administração Pimenta da veiga em jornais nacionais, levantando suspeitas sobre uso da máquina pública e abuso de poder econômico, no entanto o então vereador Amílcar Martins (PSDB) garantiu que a publicidade havia sido paga por empreiteiras.[19] Ao sair da prefeitura Pimenta da Veiga foi acusado pela imprensa de ter usado o cargo como trampolim eleitoral para se tornar governador[20] e foi cobrado pelas obras pendentes, como a avenida Tancredo Neves, completada somente duas décadas depois.[21] . Pimenta da Veiga fracassou em sua campanha para governador em 1990, deixando seu vice Eduardo Azeredo na prefeitura. A gestão de Eduardo Azeredo foi problemática, atrasou o salário dos professores municipais por cinco meses e foi incapaz de eleger seu sucessor, o então jovem político Aécio Neves, que sequer chegou ao segundo turno nas eleições de 1992.

Presidente Nacional do PSDB[editar | editar código-fonte]

Em 1988, foi um dos fundadores do PSDB junto de Eduardo Azeredo,Franco Montoro e José Serra.

Foi vice-presidente do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) em 1991. Assumiu a presidência do partido em 1994, sendo um dos principais articuladores políticos e financeiros das campanhas eleitorais daquele ano, quando o partido assumiu a presidência da república com Fernando Henrique Cardoso.[6] [22] Sua participação nas campanhas do PSDB em 1998 fizeram com que fosse indiciado pela Polícia Federal por ter recebido dinheiro do publicitário Marcos Valério no primeiro caso conhecido de uso do Valerioduto, em 1998.[23]

Ministro das Comunicações[editar | editar código-fonte]

Foi nomeado ministro das Comunicações, após a morte do então ministro, Sérgio Motta em 1998.[6] [22] [23]

Um de seus principais trabalhos foi conduzir o caso Manchete, em que o Ministério das Comunicações fracassou ao tentar salvar a Rede Manchete, assolada por uma grave crise financeira.

Ampliou o o sistema postal nacional e também aprovou a agilização das comunicações postais entre cidades situadas em região de fronteira, favorecendo a integração dos países membros do mercosul.[24]

Durante sua gestão, o Brasil atingiu 50 milhões de telefones fixos no país e saiu da 14ª posição em número de telefones fixos para o 6º lugar no ranking mundial. Em 1997 ,o Brasil tinha 17 milhões de linha fixas.[25]

Na telefonia móvel o país atingiu mais de 30 milhões de celulares, e alcançou a 8ª colocação no ranking mundial. Antes de sua gestão o número de aparelhos móveis no país era de 4,4 milhões e 20ª posição no ranking mundial.[25]

No setor postal pela primeira vez no país, os Correios do Brasil chegaram a todos os municípios. Pimenta da Veiga garantiu a instalação das primeiras 1.000 agências postais bancárias no país.[25]

Agilizou os processos licitatórios no setor de radiodifusão, pelos quais mais de 2.000 geradores foram ofertados, além de serem autorizados o funcionamento de 1.000 rádios comunitárias.[25] [26] [25] Várias dessas licitações beneficiaram políticos regionais, que passaram a controlar rádios, jornais e retransmissoras regionais de TV. Entre os políticos beneficiados encontra-se Aécio Neves, sócio da rádio Arco-íris, retransmissora da Rádio Jovem Pan, recentemente investigado pelo ministério Público por repasses do Governo de Minas e pela propriedade de uma frota de carros de luxo.[27] [28]

A gestão de Pimenta da Veiga no Ministério das Comunicações foi a porta de entrada de Marcos Valério dentro dos Correios. Até então as atividades do publicitário se resumiam a Minas Gerais. Embora os contratos contratos da SMP&B de Marcos Valério só tenham começado em 2003, a CPMI dos Correios considerou que a SMP&B já lucrava indiretamente com os Correios desde 2000, logo no início da gestão de Pimenta da Veiga no Ministério das Comunicações. A CPMI dos Correios considerou suspeita a relação entre a estatal e a agência de publicidade Giacometti Associados, que repassava mais de 70% do lucro no contrato com os Correios para a mesma conta de Marcos Valério no Banco Rural, somando cerca de R$ 6,8 milhões. A conta de Valério no Banco Rural é a mesma que abasteceu o “valerioduto”.[29]

Em abril de 2014 Pimenta da VEiga foi indiciado por lavagem de dinheiro [30]

Como ministro aprovou o projeto Governo Eletrônico Serviço de Atendimento ao Cidadão, expandindo o acesso a Internet e permitindo a universalização do acesso às informações e serviços do governo, por meio eletrônico a população.[31] [32]

Ficou no ministério até 2003, não assumindo por isto sua vaga na Câmara naquela legislatura.[23]

Candidato a governador de Minas Gerais 2014[editar | editar código-fonte]

Em Fevereiro de 2014, Pimenta da Veiga foi escolhido como pré-candidato ao governo de Minas Gerais, por uma coligação partidária, no Movimento Todos Por Minas. Pimenta conta com o apoio do Senador Aécio Neves e do atual Governador Antônio Anastasia.[33] Durante o lançamento da candidatura Pimenta da Veiga evitou responder as perguntas sobre Eduardo Azeredo, seu antigo vice-prefeito indiciado três dias antes por peculato e lavagem de dinheiro no caso do Mensalão Tucano em Minas Gerais. [34] [35] [36] [37] [38]

O elo entre Pimenta da Veiga e Marcos Valério remonta ao seu tempo no Ministério das Comunicações, e o assunto já era temido pelo PSDB desde 2013. [39]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Precedido por
Sérgio Mário Ferrara
Prefeito de Belo Horizonte
19891990
Sucedido por
Eduardo Azeredo
Precedido por
Luiz Carlos Mendonça de Barros
Ministro das Comunicações do Brasil
19992002
Sucedido por
Juarez Martinho Quadros do Nascimento


Referências

  1. PSDB faz lançamento da candidatura de Pimenta da Veiga como pré-candidato ao governo de Minas Gerais. Divi News. Página visitada em 20 de março de 2014.
  2. Um dia após renúncia de Azeredo, PSDB lança pré-candidato em Minas. G1. Página visitada em 20 de março de 2014.
  3. a b Os protestos, a democracia e o retorno de Pimenta da Veiga. O Tempo. Página visitada em 20 de março de 2014.
  4. a b c Candidato tucano ao governo será homenageado. Jornal da Manhã. Página visitada em 20 de março de 2014.
  5. a b Pimenta da Veiga lança a sua pré-candidatura ao governo de Minas. Diário do Comércio. Página visitada em 20 de março de 2014.
  6. a b c d e Aécio busca atrair o PP e seus minutos na TV para sua candidatura a presidente. Veja. Página visitada em 20 de março de 2014.
  7. Tucanos confirmam Pimenta da Veiga candidato ao governo de Minas. Estado de Minas. Página visitada em 20 de março de 2014.
  8. Lançamento da candidatura de Pimenta da Veiga confirma mais uma eleição polarizada em Minas. Estado de Minas. Página visitada em 20 de março de 2014.
  9. Do poder para a tevê. Isto é Gente. Página visitada em 19 de março de de 2014.
  10. Ex-ministro Pimenta da Veiga volta para reforçar o PSDB. Época. Página visitada em 21 de março de 2014.
  11. Pimenta da Veiga será o candidato do PSDB ao governo de Minas Gerais. O Tempo. Página visitada em 20 de março de 2014.
  12. (5 de junho de 1989) "Favelados vão pressionar a Prefeitura". Jornal Hoje em Dia, caderno Cidades, página 17.
  13. (14 de janeiro de 1990) "Famílias desocupam área sem atritos com a polícia". Jornal Hoje em Dia, caderno Cidades, página 09.
  14. (10 de junho de 1989) "Prefeito apresenta projeto para a Pampulha". Jornal Hoje em Dia, caderno Cidades, página 17.
  15. (11 de junho de 1989) "Prefeitura promete uma nova Pampulha em 24 meses". Jornal Hoje em Dia, caderno Cidades, página 20.
  16. Disputa pela paternidade do OP. O Tempo. Página visitada em 21 de março de 2014.
  17. Minientrevista. O Tempo. Página visitada em 21 de marco de 2014.
  18. Pimenta é lançado sem brilho. O Tempo. Página visitada em 21 de março de 2014.
  19. (3 de janeiro de 1990) "PT quer saber quem financia a propaganda de Pimenta". Jornal Hoje em Dia, caderno Cidades, página 05.
  20. (03 de abril de 1990) "Eduardo Azeredo assume a PBH e promete governo de continuidade". Jornal Hoje em Dia, caderno Cidades, página 02.
  21. (28 de março de 1990) "Pimenta deixa Prefeitura e obras estão pendentes". Jornal Hoje em Dia, caderno Cidades, página 19.
  22. a b MG ensaia eleição com Pimenta e Pimentel. Folha de S.Paulo. Página visitada em 21 de março de 2014.
  23. a b c PF indicia Pimenta da Veiga por receber dinheiro de Valério. O Tempo. Página visitada em 29 de junho de 2014.
  24. Portaria nº 1, de 15 de janeiro de 1999. Ministério das Comunicações. Página visitada em 21 de março de 2014.
  25. a b c d e Pimenta da Veiga deixa ministério, mas diz que não é candidato. Folha de S.Paulo. Página visitada em 21 de março de 2014.
  26. Portaria n° 131, de 19 de março de 2001. Ministério das Comunicações. Página visitada em 21 de março de 2014.
  27. Título não preenchido, favor adicionar. Jornal O Estado de São Paulo. Página visitada em 29 de julho de 2014.
  28. Título não preenchido, favor adicionar. Viomundo. Página visitada em 29 de julho de 2014.
  29. PSDB teme elo de Pimenta da Veiga e Marcos Valério. Jornal Hoje Em Dia. Página visitada em 30 de julho de 2014.
  30. Pimenta da Veiga é indiciado por suspeita de lavagem de dinheiro. O GLOBO. Página visitada em 30 de julho de 2014.
  31. Título não preenchido, favor adicionar. Jornal O Estado de São Paulo. Página visitada em 29 de julho de 2014.
  32. Título não preenchido, favor adicionar. Viomundo. Página visitada em 29 de julho de 2014.
  33. Candidatura de Pimenta da Veiga será confirmada dia 17. Hoje em Dia. Página visitada em 21 de março de 2014.
  34. Aécio evita comentar renúncia de Azeredo em evento partidário. O Globo. Página visitada em 21 de março de 2014.
  35. Pimenta da Veiga inicia em fevereiro giro por Minas Gerais. iG. Página visitada em 21 de março de 2014.
  36. Pimenta da Veiga é confirmado como candidato ao Governo de Minas Gerais. Jornal de Uberaba. Página visitada em 21 de março de 2014.
  37. Pestana deixa caminho livre para Pimenta da Veiga. Tribuna de Minas. Página visitada em 21 de março de 2014.
  38. Aécio Neves livre para campanha presidencial. Brasil Econômico. Página visitada em 21 de março de 2014.
  39. PSDB teme elo de Pimenta da Veiga e Marcos Valério. Jornal Hoje Em Dia. Página visitada em 30 de julho de 2014.