Pirarrãs

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Os pirarrãs ou piraãs, também chamados de pirahãs ou mura-pirahãs, são um povo indígena brasileiro de caçadores-coletores, que se destacam de outras tribos pela diferença linguística e cultural. Hiaitsiihi é a auto-denominação do grupo, significando um dos seres ibiisi ("corpos") que habitam uma das muitas camadas que compõem o cosmos.[1] Eles habitam um trecho das terras cortadas pelo Rio Marmelos e quase toda a extensão do Rio Maici, no município de Humaitá, estado brasileiro do Amazonas.[2] Os pirarrãs concebem o tempo como uma alternância entre duas estações bem marcadas, definidas pela quantidade de água que cada uma possui: piaiisi (época da seca) e piaisai (época da chuva). Segundo a Funasa, em 2010, a população pirarrã era de aproximadamente 420 pessoas.[1]

Apaitsiiso ("aquilo que sai da cabeça") é como os pirahãs se referem à sua língua, o pirarrã, classificada como pertencente à família Mura.

Uma característica curiosa dessa tribo é o fato de seus membros não acreditarem em nada que eles não possam ver, sentir ou que não possa ser provado ou presenciado. Por esse motivo a tribo não acredita em espírito supremo ou divindade criadora, apenas em espíritos menores que às vezes tomam a forma de coisas no ambiente (devido a experiência pessoal de cada indivíduo), e que a terra e o céu sempre existiram, ninguém os criou.[3] Esforços já foram feitos para convertê-los ao cristianismo, talvez o mais relevante seja o do missionário Daniel Everett que nos anos 70 tentou evangelizar a tribo. Sem sucesso, escreveu um livro em que descreve sua cultura. Segundo ele, os indígenas perderam o interesse em Jesus quando descobriram que Everett nunca o viu de fato. Seu constante contacto com este tipo de pensamento acabou transformando Everett em ateu.[4]

Devido a característica única de sua língua, os Pirahã não conseguem entender conceitos que outras culturas desenvolveram como o cálculo. Sua denominação numérica não vai além do número três: eles usam palavras genéricas e relativas como "poucos" e "muitos" para quantificar as coisas. É possível ensiná-los, mas devido à pouca ou nenhuma utilização desses conceitos em sua cultura eles nunca chegam a desenvolvê-los.[5]

Referências

  1. a b PIRAHÃ - Introdução (HTML) (em português) Povos Indígenas no Brasil. Visitado em 20/12/2012.
  2. PIRAHÃ - Localização (HTML) (em português) Povos Indígenas no Brasil. Visitado em 20/12/2012.
  3. Why the pirahã don't have numbers. (HTML) (em inglês) Edge Foundation, Inc. Visitado em 20/12/2012.
  4. Claudio Ângelo (01/02/2009). Após trabalho com índios no Amazonas, missionário evangélico vira cientista ateu (HTML) (em português) Folha de S.Paulo. Visitado em 20/12/2012.
  5. Tribo da Amazônia contradiz noção de que contar é capacidade ‘inata’ (HTML) (em portugês) (17/07/2008). Visitado em 20/12/2012.